3 notas sobre a morte de David Bowie

O que eu trouxe na bagagem da Colômbia

A(s) pergunta(s) que eu não fiz para Steve Aoki

28 de fev de 2014

Quem toca o quê no Kiss? Quem faz parte do Kiss? Os carnavalescos não sabem, a banda não sabe... 


Tem Kiss no samba. A banda mascarada está representada em um dos carros alegóricos da escola de samba Dragões da Real, que apresenta na madrugada deste sábado no Anhembi, em São Paulo, o enredo "Um Museu de Grandes Novidades", sobre ícones das décadas de 1970 e 1980.

Mas, oh! wait. Os bonecos do Kiss foram criados sob certa ~licença poética~, pois alguns detalhes não correspondem exatamente à realidade.

1 - O Cat Man (hoje Eric Singer, no passado Peter Criss) não toca guitarra, e sim bateria



2 - Paul Stanley não tem olhos verdes



2½ - Genne Simons não faz a mão chifrada com a palma virada pra dentro



Por que isso não importa?
Nesta semana, o Kiss informou em comunicado que não vai se apresentar na cerimônia que vai incluir a banda no Hall da Fama do Rock por divergências na formação da banda - membros antigos e novos não chegaram a um consenso sobre quem deveria estar na performance. Agora, pensa: se o Kiss não consegue decidir quem de fato é o Kiss, por que os carnavalescos deveriam acertar todos os detalhes sobre a banda? É Carnaval, vamos fantasiar.    

27 de fev de 2014

Pela frieza dos números, o tema de "Frozen" leva o Oscar de melhor canção original

Meio que com invejinha do Grammy, que neste ano colocou um monte de gente legal para se apresentar ao vivo, o Oscar resolveu levar a sério novamente a categoria de canção original e, além de ter nomeado uma lista bem pop e descolada, resolveu chamar todo mundo pra dar uma canjinha na noite do próximo domingo (2). E quase tão certo quanto as apresentações ao vivo que Idina Manzel, U2, Pharrell e Karen O vão fazer de seus temas para "Frozen - Uma Aventura Congelante", "Mandela", "Meu Malvado Favorito 2" e "Ela", respectivamente, é que o tema de "Frozen" deve sair vencedor.

"Let It Go", interpretado por Idina, que também dubla a personagem Elsa na animação da Disney, é a favorita nas casas de apostas americanas para levar a estatueta. Em segundo lugar vem Pharrell, com "Happy"; em terceiro, U2, com "Ordinary Love"; e, na lanterna, Karen O, vocalista do indie Yeah Yeah Yeahs, com "The Moon Song". Entenda a lógica (ou não) dessa matemática:

"Let It Go" (Idina Manzel) -  "Frozen - Uma Aventura Congelante"



Porcentagem de apostas: 44,9%
A favor: Uma música do jeito que a Academia gosta: com aquele tom grandioso, melodramático, meio cafona, com muitas notas altas para esgoelar ao estilo The Voice. E gosta tanto que já premiou uma série de canções do estilo, feitas para animações da Disney. Caso de "Can You Feel The Love Tonight", interpretada por Elton John para "O Rei Leão" (1994); "Colors of The Wind", cantada por Judy Kuhn em Pocahontas (1995); "When You Believe", gravada por Mariah Carey e Whitney Houston para "O Príncipe do Egito" (1998); e "You'll Be in My Heart", na voz de Phill Collins para "Tarzan" (1999). Esse pessoal gosta de seguir a tradição, não se esqueça.
Contra: a zebra


"Happy" (Pharrell) - "Meu Malvado Favorito 2"



Porcentagem de apostas: 29,7%
A favor: Você já sabe. Pharrell é o comigo-ninguém-pode da temporada. É o produtor midas, o cara que ajudou a transformar "Random Access Memories", do Daft Punk, em um disco arrasador e que atingiu na última quarta (26) o topo da Billboard com a música que concorre ao Oscar, às vésperas do lançamento de seu álbum solo "Girls". É como se Pharrell olhasse para os votantes da Academia e dissesse: ignore-me se for capaz.  
Contra: Sinceramente, a essa altura eu já não sei o que pode para Pharrell. Talvez a ranzinzisse desse pessoal que escolhe quem ganha o Oscar.


"Ordinary Love" (U2) - "Mandela"



Porcentagem de apostas: 13,7%
A favor: Desbancou a favorita "Let It Go" no Globo de Ouro. Além disso, vai na mesma linha emotiva do tema de "Frozen", que tanto agrada os votantes, e ainda é uma oportunidade para a Academia fazer uma média e homenagear Mandela indiretamente.
Contra: Vamos admitir que talvez ter vencido o Globo de Ouro não seja um indicativo tão forte assim. Em 2002, o U2 recebeu o prêmio de canção original no Globo de Ouro por "The Hands That Built America" (da trilha de "Gangues de Nova York"), mas perdeu o Oscar para "8 Mile", do Eminem. Sem contar que até o Bono acha que quem leva essa é "Let It Go".


"The Moon Song" (Karen O) - "Ela"



Porcentagem de apostas: 8,7%
A favor: A sorte.
Contra: Cool demais para os tiozinhos do Oscar. Apenas.

No Brasil, o Oscar será transmitido pelo canal a cabo TNT neste domingo (2), a partir das 20h30.

26 de fev de 2014

James Murphy te oferece um café com notas de cacau e de sinfonia dinamarquesa

Essa história de músico lançar cerveja é muito mainstream. O para sempre LCD Soundsystem James Murphy, com aquele jeitinho hipster, lançou seu próprio café, em parceria com a empresa Blue Bottle. O blend, que levou dois anos para ser desenvolvido, foi batizado de House of Good.

Conforme a descrição do fabricante, o espresso tem notas de cereja, cacau e limão meyer (uma variedade de limão originária da China), cujos aroma e sabor remetem ao segundo movimento da Sinfonia nº 3 do dinamarquês Carl Nielsen ou a "Dance Yrself Clean", do repertório do LCD. A embalagem de 450 gramas está à venda online por US$ 26.

House of Good, só pra lembrar, é também o nome da loja que Murphy pretende abrir no Brooklyn. O empreendimento que deve vender quinquilharias como tênis da China, meias e doces dinamarqueses.
Em 1994 ele já sabia que, em pleno 2014, a gente ia continuar amando "Supersonic", Rock 'n' Roll Star" e "Live Forever" 

Vendo o bafafá arquitetado hoje para anunciar o relançamento de "Definitely Maybe" (1994), em função dos 20 anos que o disco de estreia do Oasis completa em 2014, Noel Gallagher deve estar agora em casa pensando: "eu já sabia".

Em agosto de 1994, quando o disco exalava frescor e a banda começava a experimentar o sucesso com a repercussão de "Live Forever", Noel disse ao jornal inglês The Guardian, com toda a empáfia que caracterizou grande parte do que o Oasis foi (e que eu adoro): "Em 20 anos, 'Definitely Maybe' ainda vai estar nas lojas. Em 20 anos, as pessoas vão comprar o disco e ouvi-lo pelo que ele é. Elas não ouvir só porque nós fomos uma banda de rock ou algo assim. Isso é o que importa."

É certo que Noel não podia prever que as lojas de disco estariam em baixa no início do século XXI, nem que uma onda fortíssima de revival virariam tendência na música pop e facilitariam a ressurreição de discos do passado, mas a convicção de Noel em relação à permanência da sua música na memória pop acontecesse o que acontecesse é quase profética se não fosse tão soberba, vindo da boca de quem veio.

Na mesma entrevista, ele chamou o Blur de "piada musical" e disse que o Oasis tinha um som parecido com todas as bandas importantes - Beatles, T-Rex, Rolling Stones Stones, The Jam, Sex Pistols. Bem típico, bem Gallagher, assim como aquelas grossas sobrancelhas.

"Definitely Maybe" puxa a fila do revival dos três primeiros discos do Oasis, que voltarão ao mercado em edições especiais neste ano - "(What's The Story?) Morning Glory?" (1995) e "Be Here Now" (1997) serão os próximos. Em seu relançamento, o primogênito da banda ganhará a forma de disco triplo, com gravações raras e inéditas, conforme manda a regra desse tipo de produto. O lançamento será no dia 20 de maio. Antes, no dia 19 de abril, sai um vinil de 12 polegadas de "Supersonic", produto dedicado ao Record Store Day. Enquanto isso, você pode ouvir no site do Oasis o áudio de uma demo do Oasis gravada em 1993.

Confira a lista de faixas do disco triplo, da demo e do vinil:

Definitely Maybe - Disco 1
1 Rock 'n' Roll Star
2 Shakemaker
3 Live Forever
4 Up In The Sky
5 Columbia
6 Supersonic
7 Bring It on Down
8 Cigarettes & Alcohol
9 Digsy's Diner
10 Slide Away
11 Married With Children

Definitely Maybe - Disco 2
1 Columbia (White Label Demo)
2 Cigarettes & Alcohol (Demo)
3 Sad Song
4 I Will Believe (Live)
5 Take Me Away
6 Alive (Demo)
7 D'Yer Wanna Be A Spaceman?
8 Supersonic
9 Up In The Sky (Acoustic)
10 Cloudburst
11 Fade Away
12 Listen Up
13 I Am The Walrus (Live Glasgow Cathouse June '94)
14 Whatever
15 (It's Good) To Be Free
16 Half The World Away

Definitely Maybe - Disco 3
1 Supersonic (Live At Glasgow Tramshed)
2 Rock 'n' Roll Star (Demo)
3 Shakemaker (Live Paris in-store)
4 Columbia (Eden Studios Mix)
5 Cloudburst (Demo)
6 Strange Thing (Demo)
7 Live Forever (Live Paris in-store)
8 Cigarettes & Alcohol (Live At Manchester Academy)
9 D'Yer Wanna Be A Spaceman? (Live At Manchester Academy)
10 Fade Away (Demo)
11 Take Me Away (Live At Manchester Academy)
12 Sad Song (Live At Manchester Academy)
13 Half The World Away (Live, Tokyo hotel room)
14 Digsy's Diner (Live, Paris in-store)
15 Married With Children (Demo)
16 Up In The Sky (Live Paris in-store)
17 Whatever (Strings)

Original 1993 Demos Cassette

Lado A
1 Cloudburst
2 Columbia
3 D'Yer Wanna Be A Spaceman?
4 Strange Thing

Lado B
1 Bring It On Down
2 Married With Children
3 Fade Away
4 Rock 'n' Roll Star

Supersonic

A: Supersonic
B1: Take Me Away
B2: I Will Believe (Live)

25 de fev de 2014

Se eles colocarem a coletânea de hard rock pra tocar depois do terceiro lamento da Uni, vão encontrar o caminho de casa

Da série: "razões pra achar esse mundo um lugar legal": o selo norte-americano Numero Group, especializado em raridades, vai lançar no próximo dia 4 de março a coletânea "Darkscorch Canticles", um compilado de 16 bandas obscuras do início dos anos 1970 cujo repertório tem inspirações nos personagens da obra de J.R.R. Tolkien (o pai da trilogia "O Senhor dos Anéis") e em D&D, ou Dangeous & Dragons (um dos mais populares RPGs e base para a série animada "Caverna do Dragão).

Entre as músicas selecionadas, você vai ouvir "Song of Sauron" - um dos personagens do universo de Tolkien, composição da banda Sonaura, de Michigan, nos Estados Unidos. Musicalmente, é como se você estivesse ouvindo discípulos do Led Zeppelin e do Black Sabbath. A coletânea está disponível em versões mp3, CD e vinil duplo - e também no Soundcloud.

O projeto consegue ficar ainda melhor porque, junto com o álbum, é lançado também o jogo Cities of Darkscorch, RPG produzido pelo artista Robert Soden no mesmo período em que as músicas foram compostas e que também funde os universos do rock e dos seres fantásticos.

Adaptado para até 6 pessoas, o jogo permite representar quaisquer das 16 bandas presentes na coletânea e enfrentar desafios tais como ampliar os membros da banda ou conseguir um contrato com uma gravadora "grafado com enxofre e cinzas de maconha". O jogo vem com tabuleiro, três dados (4, 6 e 20 lados) e 200 cards. Está em pré-venda por US$ 100, com entregas a partir de maio.

Ouça a coletânea e confira a lista de bandas selecionadas:



1. Air - "Twelve O'Clock Satanial"
2. Wrath - "Warlord"
3. Stonehenge - "King of the Golden Hall"
4. Triton Warrior - "Sealed in a Grave"
5. Junction - "Sorcerer"
6. Stone Axe - "Slave of Fear"
7. Wizard - "Seance"
8. Stoned Mace - "Tasmania"
9. Arrogance - "Black Death"
10. Sonaura - "Song of Sauron"
11. Dark Star - "Spectre"
12. Inside - "Wizzard King"
13. Space Rock - "Dark Days"
14. Medusa - "Black Wizard"
15. Gorgon Medusa - "Sweet Child"
16. Hellstorm - "Cry for the Newborn"

24 de fev de 2014

Por 30 mil doletas dá pra ter uma cama modernete que toca música

Quando bebês, somos ninados ao som de cantigas fofas pelas nossas mães para pegar no sono, ficamos mal acostumados e, quando crescemos, continuamos precisando de música para dormir. Pelo menos tem sido assim comigo há muito tempo, principalmente quando o sono faz mais cerimônia para aparecer. Fico entusiasmada em descobrir que o mercado já tem brinquedinhos pra gente grande como eu experimentar esse hábito adquirido na infância de novas maneiras.

O primeiro deles é o Tranqulity Pod, um híbrido de cama com alto-falante. Com aproximadamente dois metros de diâmetro, o objeto vem equipado com colchão d'água, dois travesseiros e um sistema de som integrado de 80 watts que é ativado ao ser conectado com seu smartphone. Ele também emite vibrações para massagear o corpo, e as vibrações podem ser sincronizadas com a música emitida pelo seu player de música. Para potencializar a experiência sonora, a estrutura de fibra de vidro bloqueia 90% do ruído exterior, segundo promete o fabricante.

Mas, espere, não é só isso. Um sensor de pulso sincroniza as batidas do coração com as lâmpadas de LED internas, de modo a criar um ambiente compatível com seu estado de espírito. Um painel interno permite controlar estas e outras configurações, como a temperatura do colchão. Quanto? US$ 30 mil. 

Travesseiro e faixa  que também são players de música

Com valores muito mais modestos e reais, um travesseiro e uma faixa para ser usada na cabeça também levam a música pra sua cama. O Sleep Sound Generating Pillow é um travesseiro que vem com entrada para plugar seu aparelho de MP3 e, com isso, emitir diretamente as músicas gravadas nele - resolve assim o problema de se enroscar com o fone de ouvido ou danificar o acessório durante o sono.

Além disso, vem programado para emitir outros sons que em tese estimulam o sono: o ruído branco (uma combinação de sons de várias frequências que acredita-se ter função relaxante) e nove sons da natureza (canto de pássaros, ondas do mar, e outros #hippiefeelings)

Ele tem alto-falantes embutidos, segundo o fabricante imperceptíveis e cujo som é audível apenas para quem usa o travesseiro, sem vazar para uma possível companhia na cama. Um painel lateral permite controlar todas as configurações, inclusive um timer para determinar o tempo de emissão dos sons. Quanto? US$ 69,95.

Outra alternativa aos fones de ouvido é a Sleep Assisting Music Headband, uma faixa elástica que tem fones de 2 cm de diâmetro embutidos para ser usada na cabeça. O "tchan" do objeto é aderir à cabeça com mais firmeza, diminuindo o risco de escapar e se perder na cama durante o sono Tem controle de volume, é compatível com players de MP3 e lavável à máquina (!). Quanto? US$ 39,95.

Todas as quinquilharias estão à venda na Hammacher Schlemmer, tradicional varejista norte americana.
Human after all, o Daft Punk brinca com uma fronteira que, na prática, vive sendo cruzada

Enquanto o Daft Punk segue fazendo de conta que é uma dupla robô e gente segue fazendo de conta que compra a ideia, tem gente introduzindo robôs e outras linguagens e ferramentas futuristas na música de uma maneira bem mais efetiva.

No próximo dia 8 de abril, você será apresentado ao álbum "Music for Robots", o primeiro da banda Z-Machines. O nome mais adequado para o disco, porém, seria Music from Robots, uma vez que os integrantes são três robôs japoneses - um tecladista, um guitarrista com 72 dedos e um baterista de 22 braços. A iniciativa é do selo inglês Warp Records em parceria com o produtor britânico Squarepusher. A ideia, inicialmente, era apenas explorar as possibilidades da produção musical via robôs, mas o resultado se mostrou surpreendente: em pouco tempo, eles já tinham cinco faixas com instrumentos sendo tocados de uma maneira até então considerada impossível, segundo Squarepusher declarou ao site The Verge.

Uma banda inteiramente formada por robôs não chega a ser novidade. Em 2012, o grupo Compressorhead causou por aí justamente por ser um trio de robôs capaz de tocar clássicos do rock, como "Ace of Spades", do Motorhead. O Z-Machines, porém, dá um passo à frente ao produzir música própria, como a composição abaixo antecipa.



O humano que quiser sentir parte desse mundo de ficção científica do qual o Z-Machines parece ter saído pode se aventurar com o Aura, uma luva que produz música graças a sensores eletromagnéticos acoplados ao dispositivo. A ideia dos desenvolvedores, cientistas da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, era criar um instrumento baseado unicamente no movimento e que se afastasse de qualquer referência de um instrumento tradicional.



Não é ineditismo puro, como o caso do Z-Machines, mas introduz novidades. Por exemplo, lembra um pouco o teremin, instrumento criado pelo russo Leon Theremin, que também é baseado no movimento e dispensava o toque - os sons são emitidos a partir das frequências captadas por antenas acopladas ao instrumento. Mas o Aura parece dar muito mais liberdade de movimento pelo fato de os sensores estarem diretamente acoplados às mãos e não presentes em antenas (no caso do instrumento russo), que limitam a área de movimento de quem o toca.

Lembra também o padman, que o John, do Pato Fu, usava nos primórdios da banda. O dispositivo, também ativado por luvas, era acoplado ao corpo de John e emitia sons sempre que ele movimentava as mãos contra o corpo. Os sons, porém, eram os de um instrumento pré-existente, no caso, uma bateria, o que não é o caso do Aura, que emite um som singular.

Já a banda norte-americana Lord Huron não lança mão de robôs (seus integrantes são todos humanos de carne e osso, até onde se sabe) ou interfaces musicais modernosas, mas também parece ter saído de algum roteiro de ficção científica. O termo-chave aqui é realidade alternativa. Tirando o tom folk das músicas, nenhuma outra referência da banda tem correspondência no mundo real. Inspirações, clipes, nomes das músicas e até o nome do grupo são baseados em um universo cuidadosamente inventado pelo vocalista, Ben Schneider, que anos atrás trabalhou como diretor de arte e desenvolvedor de jogos de realidade alternativa.

No universo paralelo a partir de qual se estrutura o conjunto de referências artísticas da banda, Lord Huron é o protagonista da série de aventuras de western "Lonesome Dreams", escrita pelo romancista norte-americano George Ranger Johnson. São 11 títulos, escritos entre o fim dos anos 1960 e os anos 1970. Tudo fruto da imaginação de Schneider, mas realisticamente documentado em um site dedicado ao autor fictício. O nome da banda pega de empréstimo o nome do protagonista, o disco é batizado com o nome da série e cada uma das 11 faixas tem o nome de um dos livros da série. Nos clipes, Schneider encarna o protagonista Huron e encena, ao lado dos companheiros de banda, as histórias (nunca) contadas nos livros.



As fronteiras entre realidade concreta e paralela podem ficar ainda mais borradas uma vez que o Lord Huron pretende lançar um aplicativo que vai obrigar o fã a visitar um local específico para ter acesso a uma nova música da banda.




22 de fev de 2014

Lema atual do Weezer: navegando e lançando música nova


Tudo que eu queria ter postado esta semana, mas não postei:

- Nerds ao mar: Weezer apresentou nova música, "Back to the Shack", em seu próprio cruzeiro, o Weezer Cruise

- O novo disco de Pharrell, "Girl", tem uma faixa chamada "Marilyn Monroe" e a participação de Daft Punk, Alicia Keys, Justin Timberlake Miley Cyrus. Mas antes de lançar o álbum, em 3 de maio, muito exxperto, ele vai leiloar seu agora famoso chapéu

- Beck e St. Vincent liberaram seus novos discos para streaming: "Morning Phase" e "St. Vincent", respectivamente

- A briga dos irmãos Gallagher vai ser agora no cinema

- Pussy Riot não tem sossego: anda na rua e vai pra prisão; grava clipe e apanha de policial

- Nasi e Scandurra vão fazer músicas novas para a turnê de retorno do Ira!

- Cientistas descobriram uma bactéria e resolveram batizá-la de Zappa

- Saíram as datas dos sideshows do Lolla no Brasil

- Não temos mais Bob Casale, do Devo

21 de fev de 2014

A estátua de Kurt inaugurada ontem, em Aberdeen, e o detalhe que a ~obra~ traz no rosto: uma lágrima

Como já tinha dito aqui antes, neste ano, Aberdeen, cidade natal de Kurt Cobain, transformou o dia 20 de fevereiro no Kurt Cobain Day. A data coincide com o aniversário do líder do Nirvana, que teria completado 47 anos caso não tivesse se matado há duas décadas. Para a primeira celebração da data, ontem, autoridades locais revelaram ao público uma estátua do músico, que a partir de agora ficará em exposição no Museu de História de Aberdeen.

Com uma lágrima no rosto, uma aparência, digamos, não tão fiel aos traços de Kurt, e uma beleza também distante da apresentada pelo moço quando vivo, a "obra de arte" repercutiu na internet pelos exatos motivos citados anteriormente, mas tudo isso passa longe dos detalhes pitorescos que permeiam a história da escultura.  

A estátua está pronta há vinte anos e é de autoria de uma fã local, Randi Hubbard, uma ex-motorista de caminhão que pilotava o veículo em competições. Ela começou a se envolver com a arte de esculpir pouco depois da morte da mãe, dois anos antes do suicídio de Cobain.

Uma escultura pequena em barro e cera feita por Hubbard uma noite antes do corpo de Kurt ser encontrado (!!!) foi a referência inicial para o trabalho. A versão em tamanho real, revelada ontem, pesa aproximadamente 270 quilos.

Courtney Love chegou a oferecer para Hubbard moldes de gesso das mãos de Kurt, à época, para ajudar na produção da versão gigante (how the hell essa mulher arrumou moldes das mãos do Kurt?). Já o avô do músico acompanhou todo o progresso do trabalho da fã pessoalmente.

"All Apologies", uma das músicas do Nirvana, é o nome que Hubbard deu para a obra e o tema que a inspirou durante o trabalho. A ~polêmica~ lágrima que escorre do rosto da estátua é a síntese da inspiração encontrada na música, segundo declarou a autora aos jornais em 1994. "Todos temos um Kurt Cobain dentro de nós. Possivelmente, todos já estivemos no limite", ela resumiu.

A peça passou estes últimos 20 anos nos fundos da loja de peças automotivas do marido de Hubbard. Em 1994, três meses após a morte de Kurt, a prefeitura chegou a planejar uma exposição da estátua por três meses em um parque da cidade, mas voltou atrás diante de reclamações de moradores indignados pela homenagem a um jovem drogado e suicida.

A crítica à celebração de uma personalidade autodestrutiva permanece 20 anos depois, e foi um dos pontos levantados pela cobertura norte-americana dos eventos realizados ontem. Mas, pelo visto, a força do revival e da efeméride - em abril serão 20 anos da morte do músico - serão mais forte que o clamor popular. Não tem mais volta. Agora vamos ter que encarar pra sempre a tristeza de Kurt em uma de suas formas menos bonitas. Meh.

Randi Hubbard posa para jornal do Oregon em julho de 1994, enquanto produzia a estátua






20 de fev de 2014

Não foi a primeira vez que Kate invadiu o guarda-roupa de Bowie

Kate Moss foi um dos assuntos do Brit Awards, na noite de ontem, por aparecer vestida com um dos figurinos usados por Bowie na turnê de Ziggy Stardust para receber o prêmio de melhor artista masculino em nome do camaleão do rock.

A modelo surgiu no palco da O2 Arena usando um macacão criado pelo estilista japonês Kansai Yamamoto, responsável pelo guarda-roupa usado por Bowie nos shows da Ziggy Stardust e, posteriormente, nas apresentações da turnê de Aladdin Sane. A peça, em couro, datada de 1972, foi batizada por Yamamoto de "Criaturas das matas" e traz estampas de coelhos, que na mitologia japonesa são seres lunares - referências cifradas ao universo intergaláctico de Ziggy.

Personificar Bowie, porém, não é uma novidade para Moss. Moça com um pé na moda e outro na música - namorou rock star, participou de gravações de discos e clipes -, Kate encarnou o artista inglês em duas capas da Vogue.


Na primeira delas (acima à esquerda), em 2009, posou para um editorial produzido pela edição inglesa que antecipou a cena de ontem no Brit Awards. A modelo foi clicada vestindo vários dos figurinos usados por Bowie em diferentes turnês, inclusive alguns desenhados por Yamamoto (abaixo). Em 2011, Kate encarnou Bowie em sua versão clássica e simples, de cabelos ruivos, para a Vogue francesa (acima à direita).




19 de fev de 2014

Graças ao Brit Awards, a gente sabe agora que as moças do Haim têm família em Curitiba

O propósito era celebrar a música britânica, as principais atrações da noite foram emprestadas dos norte-americanos (Beyoncé, Pharrell, Bruno Mars e Katy Perry), mas o que teve de mais surpreendente no Brit Awards disse respeito ao Brasil - afinal, já dava pra sacar que ninguém ousaria negar o prêmio de melhor artista masculino a Bowie, de volta pra pista depois de dez anos; e o de melhor disco ao "AM", do Arctic Monkeys, em longo processo de canonização em sua terra natal.

Transmitida pelo Multishow com delay de cerca de uma hora, a cerimônia foi precedida, na TV brasileira, por uma mini cobertura do tapete vermelho feita por Titi Muller. O bate-papo com alguns dos convidados da noite teve pouco espaço - só 15 minutos - e foi transmitido gravado, o que tira um pouco o charme do tapete vermelho, mas foi nesse pequeno intervalo de tempo que vieram à tona os fatos mais interessantes da noite, todos eles ligados ao nosso país. A saber:

As irmãs do Haim têm família no Brasil. Mais precisamente em Curitiba. Pena que Titi não prolongou mais a conversa pra gente saber se esses parentes são americanos ou brasileiros ou se as garotas já deram umas voltinhas pela capital paranaense para tomar leiTE quenTE.

Boy George tem a intenção de fazer uma turnê sul-americana no segundo semestre. Ele foi ligeiramente vago ao responder Titi sobre seus planos para o Brasil, mas mencionou a ideia de dar uma voltinha no lado de cá do Equador "later this year".

Philip Treacy adora turistar no Brasil. O chapeleiro maluco dos britânicos, designer responsável por conceber chapéus para grifes (Chanel), para o cinema (Harry Potter), para celebridades (Lady Gaga e Sarah Jessica Parker) e para a realeza (inclusive muitos dos usados no casamento de Kate e William, como aquele inesquecivelmente ridículo usado pela princesa Beatrice) mencionou Ubatuba como uma de suas praias preferidas. Treacy desenhou a estatueta do Brit entregue aos vencedores este ano.

Fora isso, tivemos:

David Bowie criando um happening mesmo sem estar presente. Escolheu ser personificado por Kate Moss e, assim, pediu para a moça fantasiar-se com um dos figurinos usados nas turnês de Aladdin Sane e fazer o discurso de agradecimento pelo prêmio de melhor artista masculino.

Noel Gallagher sendo Noel Gallagher, abrindo a boca para despejar sinceridade ao explicar para o público porque Kate Moss aceitaria o prêmio de melhor artista masculino (apresentado por Gallagher) em nome de Bowie: "ele é cool demais pra essa merda toda". De fato, too damn cool.

Alex Turner sendo Alex Turner, com aquela nonchalance chapada que ele - e também o resto do Arctic Monkeys - demonstra nas premiações. A pose de desdém não desmontou mesmo quando ele resolveu, em discurso de agradecimento sério para seus padrões, filosofar sobre o ciclo de vida do rock. "Isso é o rock n' roll, ele simplesmente não vai embora. Talvez ele hiberne de tempos em tempos e afunde em um pântano (..). Mas ele está sempre por ali, em algum canto, pronto para retornar do lodo e romper o teto de vidro com uma aparência melhor do que nunca (...)". Talvez um jeitinho maroto de dizer que os próprios Monkeys encarnaram a etapa triunfante desse processo. A banda levou os prêmios de melhor grupo britânico e melhor disco, por "AM".

Pouco humor e muito protocolo numa cerimônia curta e grossa, sem as pieguices que se costuma ter nas premiações americanas, mas sem um pouquinho da fanfarronice que esses eventos precisam para ter mais apelo num aparelho de TV.

Veja todos os vencedores do Brit Awards aqui.



Choro, chapéus e violinos são as pistas que Pharrell nos dá sobre seu segundo disco solo

Pharrell divulgou hoje um teaser para anunciar o lançamento de seu segundo disco solo. "Girls", o nome do novo trabalho, sai no dia 3 de março, em pleno Carnaval no Brasil. Em 30 segundos, o vídeo instiga bem mais que revela, o que certamente é a intenção do material. De todo modo, é interessante notar como o clima do teaser destoa da primeira amostra do disco, a ensolarada e despojada "Happy", que foi incorporada ao repertório do álbum após ser gravada para a trilha sonora de "Meu Malvado Favorito 2" (a música concorre ao Oscar de melhor canção).

Veja o vídeo e fique com a pulga atrás da orelha ao notar que:

1) Uma orquestra ocupa o estúdio
2) Um tema orquestral dá o tom de todo o teaser
3) Pharrell toca piano
4) Pharrell chora
5) Pharrell não desgruda do chapéu e aparece com dois modelos diferentes, menos espalhafatosos que aquele usado no Grammy




"Girl" (que depois desse vídeo a gente já não sabe mais como deve soar) é o sucessor de "In My Mind", primeiro álbum solo de Pharrell, lançado em 2006, com muito hip hop e algum R&B. Ao contrário dos trabalhos super bem-sucedidos de Pharrell como produtor - sendo "Blurred Lines", com Robin Ticke, e a colaboração com o Daft Punk em "Random Access Memories" excelentes exemplos recentes - o disco não deixou hits marcantes.

18 de fev de 2014

Stones devem puxar a fila da invasão jurássico-roqueira que mira o Brasil

Num espírito "veja agora ou arrependa-se para sempre", Rolling Stones, com turnê já engatilhada, e AC/DC, que entregou que quer voltar aos palcos, podem ser duas grandes (e boas) atrações a ocupar uma data no calendário de shows no Brasil em breve. Alargando mais o calendário e apressando o passo para 2015, o The Who pode ser incluído na lista.

Após algumas especulações sobre um show para inaugurar a Arena Palmeiras, em São Paulo, os Rolling Stones finalmente abriram agenda para negociar shows na América do Sul, conforme antecipou o jornalista José Norberto Flesch, fonte primária quando o assunto é show internacional por aqui. Segundo Flesch, Mick e companhia disponibilizaram os meses de outubro e novembro para tentar encaixar datas no Brasil e em países vizinhos.    

Na próxima sexta (21), os Stones dão início à excursão que se negocia para o Brasil, a "14 On Fire Tour" em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. É a segunda (!!) turnê com ares de celebração pelos 50 anos da banda - ela vem na sequência de "50 and Counting", que passou por Estados Unidos e Europa entre o fim de 2012 e meados de 2013. O oba oba comemorativo, porém, pode estar com os dias contados, já que o baterista Charlie Watts desabafou que considera a banda velha demais para grandes turnês - o que dá uma aura de "agora ou nunca" para a possível quarta visita dos Stones ao Brasil.

Bem mais empolgado que Watts, Brian Johnson, saudoso dos quatro anos distante dos palcos com seu AC/DC, entregou nesta semana que a banda vai fazer turnê para comemorar seus 40 anos de história. Segundo Johnson, serão 40 shows. Não se falou em locais ou datas, mas o histórico recente do nosso mercado de shows internacionais permite expectativa para que sobre um lugarzinho para o Brasil.

Vale lembrar que na reta final de 2013, quando todo mundo só pensava nas calorias acumuladas com a ceia de Natal e sonhava acertar na Mega da Virada, circulou na internet um falso flyer com datas de uma suposta turnê comemorativa dos 40 anos da banda e quatro dos shows estavam previstos para o Brasil. No início de janeiro, um representante do grupo desmentiu a história, mas a declaração de Johnson leva a crer que o desmentido talvez fossem só panos quentes colocados em um projeto que, se ainda não está definido, ao menos começa a ser desenhado.

E para quem já esqueceu, Pete Townshend afirmou que o Who fará em 2015 sua última turnê, que vai celebrar os 50 anos da banda. A ideia, segundo o próprio, é incluir na rota lugares onde o grupo ainda não se apresentou e o Brasil se enquadra nessa categoria. No ano passado, a estreia da banda em solo brasileiro, com a tour de "Quadrophenia", chegou a ser cogitada, mas o Who continuou sem conhecer o Brasil. A declaração de Townshend renova as expectativas de quem aguarda o début da banda por aqui.

Pre-pa-ra o seu bolso.

17 de fev de 2014

Björn Ulvaeus, um dos integrantes do ABBA, revelou no recém-lançado "According to Abba: The Official Photo Book", livro que celebra os 40 anos de trajetória da banda sueca, que ele e seus companheiros usavam figurinos espalhafatosos apenas para evitar impostos.

A lei fiscal na Suécia permite deduzir o gasto com roupas da cobrança de impostos caso o proprietário comprove que as peças não são feitas para uso cotidiano. Como o figurino do ABBA era ridículo demais para sequer alguém pensar em sair na rua com uma daquelas peças, não deve ter sido difícil convencer as autoridades na época. Botas até os joelhos (que estão retornando nas passarelas das semanas de moda internacionais), macacões  e muito brilho (para eles e para elas) eram alguns dos ingredientes que formavam o estilo do grupo.

No livro, Ulvaeus reconhece que o grupo errou na mão na hora de se vestir. "Ninguém nunca se vestiu tão mal no palco como a gente. Em minha honesta opinião, parecíamos loucos naquela época". Sim, pareciam. Olha só:


          Agnetha Fältskog e Anni-Frid Lyngstad antecipando tendências pra Xuxa



    Rei do Camarote inspired



    Agnetha Fältskog e Björn Ulvaeus  na vibe liga da justiça



    Agnetha Fältskog fazendo o ursinho carinhoso



    Mecânico style




Capa de "Na Medida do Impossível" (no alto) traz referência de imagem do fotógrafo japonês Kimbei (acima)

Muito linda a capa do novo disco solo de Fernanda Takai, "Na Medida do Impossível". A arte é inspirada em uma imagem do fotógrafo japonês Kusakabe Kimbei (1841-1934), "Japonesa sobre a tempestade". As bolas de neve me remeteram imediatamente me remeteram à capa de "Isopor", disco do Pato Fu de 1999, mas isso é uma viagem bastante pessoal.

Previsto para ser lançado em março, "Na Medida do Impossível" tem repertório que desperta, no mínimo, curiosidade. Fernanda regravou um dos principais sucessos de Reginaldo Rossi ("Mon amour, meu bem, ma femme") e do Padre Zezinho ("Amar como Jesus amou"), este último em parceria com outro padre ~musical, Fábio de Melo. Aguardemos.


Atenção que Leo vai começar o show de heavy metal

Outro dia falei aqui de como parte da trilha sonora de "O Lobo de Wall Street" exala o clima da MTV dos anos 1990. Um cara lá da Rússia foi muito mais além e notou como certas cenas do filme sincronizam perfeitamente com uma música da banda sueca de metal Meshuggah. Tipo uma versão "Dark Side of The Moon" + "O Mágico de Oz" dos tempos modernos. E nem precisa esperar o terceiro rugido do leão pra começar a brincadeira, até porque "O Lobo..." não é da MGM. Rá.


 
Todo mundo ficando bêbado com tanto remix do single de Bey


Enquanto você tomava umas no fim de semana, geral resolveu remixar "Drunk in Love", da Beyoncé. Coincidência ou movimento orquestrado, após o produtor da faixa, Detail, divulgar o remix oficial da música, pipocaram em série versões de Kanye West, The Weeknd e Diplo para o single do mais recente álbum da cantora. Curta a ressaca:

Detail - "Drunken Love"




Kanye West - "Drunk in Love"



The Weeknd - "Drunk in Love"




Diplo - "drunk n luv"




Vegetariano, Thom Yorke ganhou jantar com costeleta de cordeiro inspirado em "Kid A"

Harmonizar pratos elaboradíssimos com vinhos e outras bebidas é para os fracos. O chef Kyle Hanley e o sommelier Joseph Allerton, ambos de Detroit, prepararam um cardápio que harmoniza comida, bebida AND música. Eles criaram um jantar de dez pratos inspirados nas dez faixas de "Kid A", do Radiohead e batizaram o projeto de "A Night With Radiohead".

Cada prato leva o nome de uma das músicas e será servido respeitando a ordem das faixas ao som do disco em questão, obviamente, já que a proposta é ~harmonizar~ geral. Os pratos têm influência da cozinha molecular e levam ingredientes de origem asiática. Vegetarianos (eu e Thom Yorke) aproveitariam uns 40% do jantar apenas. Vinhos prevalecem nas escolhas de harmonização, mas há cerveja e gim em alguns casos.

O menu será servido nesta quarta-feira (19) em um restaurante de Detroit em três horários diferentes. Cada sessão receberá no máximo 12 convidados - no momento em que este post foi escrito, uma das sessões já estava esgotada e as demais tinha menos da metade dos lugares disponíveis. O custo total é US$ 125, incluindo as bebidas. Não há confirmação ainda (talvez dependa da repercussão), mas blogs gringos dizem que o projeto pode se tornar periódico. Neste caso, a cada mês um novo disco seria "harmonizado" com um menu especial. Saiba mais aqui.

Veja o cardápio abaixo traduzido (e explicado) com muita paciência pela dona deste blog:

"Everything in Its Right Place"
- Vieiras tostadas, gel fluido de yuzu (o gel é uma mescla de molho, gel e purê usado na cozinha molecular. O yuzu é uma fruta cítrica do leste asiático) e macarrão celofane frito (massa típica da cozinha asiática à base de amido de feijão ou arroz) com ponzu de capim-cidreira (molho japonês à base de limão) e molho de pimenta. Para harmonizar: Pfalz Riesling (vinho alemão)

"Kid A"
- Caprese negra. Para harmonizar: Alto Adige Kerner (vinho italiano)

"The National Anthem"
- Costeleta de cordeiro na brasa e orelha de porco crocante com redução de laranja vermelha (ou laranja sanguínea, uma variedade da fruta que tem interior vermelho). Para harmonizar: vinho Mourvédre

"How To Disappear Completely"
- Tamboril (espécie de peixe comum na costa europeia) cozido no óleo com aspargos brancos, vinagre balsâmico branco e broto de nabo. Para harmonizar: Leelanau Good Harbour Golden Ale (cerveja belga)

"Treefingers"
- Granita de tomate (receita de origem italiana que consiste em cristais congelados de água e açúcar aromatizados com um terceiro ingrediente, espécie de raspadinha), gim com infusão de coentro e xarope de jalapeño (pimenta originária do México), lima fresca, sal marinho e molho de pimenta

"Optmistic"
- Peito de pato tostado com xarope de açúcar com molho de pimenta rosa e zimbro (fruto do junípero, uma espécie de pinheiro nativo da Europa) confitado. Para harmonizar: Anderson Valley Knez Pinot Noir (vinho americano)

"In Limbo"
- Bouillabaisse (guisado francês preparado à base de variedades de peixes, vegetais e ervas).  VallDolina (vinho espumante espanhol)

"Idioteque"
- Salada de rúcula, ovo sous-vide (cozido em baixa temperatura), croutons com lardo (gordura de certas partes da carne de porco), chips de queijo manchego (de origem espanhola) e panceta crocante com vinagrete de xerez defumado, espuma de limão meyer (um cruzamento de limão com laranja de origem asiática) e pó de alcaparras. Para harmonizar: Mezcal (bebida produzida com a mesma planta base da tequila, mas menos destilada)

"Morning Bell"
- Sorbet de limão meyer. Para harmonizar: gim-tônica

"Motion Picture Soundtrack"
- Mousse de amora e pasta de frutas. Para harmonizar: Niepoort LBV (vinho do porto)

15 de fev de 2014

Tweet do Steven Tyler é tão fake quanto a Dilma Bolada


Tudo que eu poderia ter postado essa semana, mas não postei:

- Uma semana boateira: tweet fake de Steven Tyler anunciando Aerosmith no Brasil, franceses trolando o mundo com o casal Obeyoncé

- Um dia a zuera volta pra você: Odd Future foi banido da Nova Zelândia

- Romário quer botar ordem in da house e inventou uma lei sem noção pra regulamentar o rap

- Drake fez a drama queen e ficou #chatiado porque perdeu a capa da Rolling Stone para Philip Seymour Hoffman

- Três motivos para fazer o sacríficio de ver o Oscar: Karen O, Pharrell e U2 vão se apresentar

- Miley Cirus promete fazer uma turnê educativa

- Bigger than Beatles #sóquenão: One Direction acha que o grupo é mais famoso que os Beatles

- Bigger than Beatles #truestory: Coletânea do Queen torna-se o primeiro disco a vender seis milhões de cópias no Reino Unido

14 de fev de 2014

Alice só quer saber de carnavalizar a obra do avô Dorival

Esqueça purismos, reverências, mitificações e relações sacralizadas. Elas não cabem em “Dorivália”. Fusão de Dorival com Tropicália, o show de Alice Caymmi, neta de Dorival (1914-2008), que aporta no Granfinos no próximo sábado (15), vira as costas para os padrões e aponta para a liberdade estética para celebrar o centenário do compositor baiano - se vivo, ele faria 100 anos no próximo 30 de abril.

“Canção da Partida”, “Modinha Para Gabriela”, “Maracangalha”, “Oração de Mãe Menininha” e “O que é que a baiana tem?”, dentre outras composições do avô selecionadas pela memória afetiva de Alice surgem no repertório de “Dorivália” com novos arranjos, fundamentalmente de ritmos baianos como o axé, o samba reggae e o samba duro, mas também combinados com o peso da guitarra e a estridência do violino.

É um grito de liberdade e de transgressão inspirado no movimento fundado por Caetano e companhia nos anos 1960, segundo Alice, que pediu aos músicos que a acompanham (Gabriel Mayall, na guitarra, Gustavo Benjão, no baixo, Marcelo Lupis, no violino, Thiago Silva, na bateria, e Pacato, na percussão) que ignorassem o songbook de Caymmi na hora de retrabalhar as canções.

“Eu trouxe um conceito do tropicalismo para a obra dele (Dorival Caymmi) que é a antropofagia cultural, a liberdade de se interpretar uma obra sem saudosismo, sem purismo, sem burrice. Não quis ficar pensando na importância da obra do vovô em si, mas na importância que a obra dele tem pra mim, as coisas que ele me disse e que ele cantou, que me tocaram”, justifica.

Porém, mais que um impulso pessoal, a liberdade de interpretação, para Alice, é uma marca geracional, o que a coloca em lado oposto ao do próprio tio, Dori Caymmi. Em entrevista ao Pampulha< em dezembro de 2012, por ocasião de um show em homenagem à obra do pai, Dori defendeu a execução fiel das canções e disse não acreditar em releituras. “Esse homem tem 71 anos e eu tenho 23. Os mundos que nós frequentamos foram outros. Ele é um homem da época da pureza da música, ele estava lá, aprendeu a tocar violão com o Baden Powell. Ele faz o que quiser porque é um gênio”, reflete, para então teorizar sobre a questão geracional. “A minha geração só sabe reler. A genialidade da minha geração está na releitura e na interpretação subjetivas da obra que já foi. Quem tenta fazer igual, não faz. Fica parecendo um hippie chato”, defende.

Querendo fugir da chatice, a liberdade que fundamenta o show também se manifesta na performance de palco, lembra a cantora. “Falei para os meninos da banda não usarem camisa no show. Um deles brincou que era gordinho, e expliquei que o ‘Dorivália’ é você se mostrar e dane-se. Eu não sou modelo da Vogue e uso maiô no show porque o ‘Dorivália’ é isso, é transgressão”, reforça Alice, que demonstra o mesmo descomprometimento com convenções quando o assunto são os projetos que vão comemorar os 100 anos do avô – a família planeja o lançamento de uma caixa com a discografia completa de Dorival e a edição de livros e songbook. “Eu ouço falar e tal, mas não tenho a menor participação nisso. Eu vou a lançamentos porque tenho respeito, porque é minha família, mas não diz respeito a mim.”

Alice Caymmi – Dorivália
Encerramento: bloco Baianas Ozadas
Granfinos (av. Brasil, 326, Santa Efigênia, 3241-1482). Dia 15 (sábado), às 22h. R$ 30 (promocional, inteira)

*Texto produzido para o jornal Pampulha de 8/2/2014
Combo Katinguelê + Exaltasamba + Art Popular

O rock já está razoavelmente acostumado com os supergrupos. Os fulanos das bandas X, Y e Z se juntam e dão origem a um combo badalado. Caso do Atoms For Peace (Flea + Thom York + Nigel Godrich) e do Dead Weather (Jack White +  Alison Mosshart  + Dean Fertita). Agora é a vez do pagode entrar na onda.

Salgadinho, Chrigor e Márcio Art, representantes, respectivamente, do Katinguelê, Exaltasamba e Art Popular, três dos gigantes do pagode que dominou o cenário musical do Brasil nos anos 1990, lançam hoje o projeto Amigos do Pagode 90. Eles abrem em São Paulo uma turnê que pretende atravessar 2014 e durar até 2015.

Em entrevistas, o trio fala em resgatar "a era de ouro do pagode", diferenciando-se dos supergrupos tradicionais que, normalmente, se juntam para produzir material novo. É que, de fato, o projeto inevitavelmente nasce embalado pelo revival da década de 1990 (natural sucessora na fila da memória nostálgica, agora que já está virando ressaca o revival oitentista) e, em particular, do pagode noventista, que ganhou recentemente aquela graça do filtro retrô - vide o Raça Negra ganhando tributo indie e o Molejo virando queridinho na internet.

Além da turnê, foi lançado single com um pot-pourri de sucessos de cada um dos grupos: "Temporal" (Art Popular), "Recado à Minha Amada" (Katinguelê) e "Telegrama" (Exaltassamba). A promessa é de que virá mais coisa por aí.


13 de fev de 2014

Foco nas trancinhas à la Snoop Dogg

Já faz um tempinho que os anos 1990 estão novamente entre nós, num revival progressivo da cultura e da moda daquela década. A Semana de Moda de Nova York, que dá o pontapé na temporada fashion, deu um jeito de unir essas duas vertentes e apresentou como tendência as trancinhas que Snoop Dogg e Coolio tanto usaram em seu auge nos anos 1990. O penteado foi a referência para os cabelos das modelos que desfilaram a coleção do estilista Adam Selman.

"Há elementos de streetwear dos anos 1990 nas roupas e isso traz junto uma série de referências musicais. Snoop Dogg foi uma delas", explicou à Vogue o hairstylist Duffy, responsável pela beleza do desfile de Selman.

Enquanto isso, no Japão
Madonna, que nunca sai de moda e sempre é tendência, anunciou nesta semana uma linha de produtos de beleza com a sua assinatura, a MDNA Skin. A cantora elucidou, assim, o misterioso post no Instagram feito há uma semana e que já sugeria alguma ação relativa à beleza. A linha é composta por serum facial, creme anti-idade e máscara de argila. Os produtos serão lançados mundialmente no próximo dia 23. Por enquanto, estão disponíveis apenas no Japão.

Madonna quer te ver bonitinha



Detalhe de"a premonição do É  o Tchan", uma das cenas da grande obra de Bosch


Uma usuária do tumblr gravou no piano as notas de uma partitura musical desenhada no bumbum de uma das figuras retratadas em "O Jardim das Delícias Terrenas", famosa obra do holandês Hieronymus Bosch pintada em torno de 1500.

No post, ela conta que analisava o quadro com um amigo quando notou o detalhe das notas musicais impressas no corpo de um dos pecadores pintados por Bosch no painel direito do tríptico - a obra retrata a criação do mundo ao centro, o paraíso à esquerda e o inferno à direita.

Após verter a partitura para a notação moderna e fazer a gravação ao piano, ela definiu o resultado como uma "música do bumbum dos infernos de 600 anos". Se ela fosse brasileira, certamente teria dito que foi uma premonição de Bosch sobre o advento do É o Tchan. Ouça o resultado aqui.

12 de fev de 2014

Vida longa às inimigas e aos gênios anônimos da internet


Não fosse a falta de tradição no Brasil de lançar singles para venda no mercado, e não fossem também as complicadíssimas leis que regem os direitos de marca e direitos autorais, eu acho que Valesca Popozuda deveria fazer um relançamento de "Beijinho no Ombro" só para poder usar como capa a imagem acima que circulou hoje pelo meu feed do Facebook. Simples e genial.

Tão simples e tão genial que a sacada revela a razão de tanto recalque nesse mundo: subliminarmente, esse sentimento que virou tendência em tempos de internet habita a cozinha de nossas casas há décadas e é com ele que temos nos alimentado nesses anos todos. Beijinho no ombro pra vocês, geração nutrida à base de aveia Rekauq.

11 de fev de 2014

Morrissey é uma palavra de nove letras e um homem de muitas palavras 


Vegetariano mais que ferrenho e mais que militante, Morrissey escreveu nesta semana uma carta aberta aos príncipes Harry e William para criticar uma recente viagem de caça dos dois irmãos, ocorrida logo após a dupla participar de um evento que clamou pelo fim da caça ilegal. A princípio, nada de novo até aí. Esta foi só mais uma das várias cartas abertas que Moz costuma escrever a torto e a direito, com aquele jeitão amargurado e rasgado que a gente tem preguiça, mas no fundo adora.

O fato é que são tantas cartas escritas até hoje que talvez seja hora de começar a levar a sério esse material. Tipo, fazer um tumblr. Ou editar um livro (menos talvez). Ou tipo, brincar de imaginar um disco solo do Morrissey só com músicas escritas a partir dos títulos que ele dá para as cartas, já que elas carregam aquela alma singular dos nomes das músicas dos Smiths. Olha só:

"The story is old, I know, but it goes on" - Sobre a viagem de caça de Harry e William
"Oh Lou / Why did you leave us this way?" - Por ocasião da morte de Lou Reed
"The world won’t listen" - Xingando muito os carnívoros
"If I by chance your eye offend you" - Desculpa melosa para o cancelamento da tour sul-americana do ano passado
"Margaret Dale" - Homenagem a uma fã de longa data falecida em 2013
"Surely how I feel is not nothing?" - Anti-homenagem a Margaret Thatcher, também falecida em 2013
"Thankskilling" - Fúria pura contra Obama e os perus do dia de ação de graças
"Hats are not worth killing for: guards wearing real fur reflects the human spirit at its lowest" - Uma encrenca com os chapéus de pele usados pela guarda real britânica

Não parece uma playlist dos Smiths?

Fãs de Michael vão ser indenizados pela morte do ídolo

Ei, você que tem um ídolo no mundo pop. Foco na França, que acaba de instituir um novo grupo passível de indenização. Um grupo de 34 fãs de Michael Jakcson composto por franceses, belgas e suíços, vai receber por ordem da justiça uma indenização por danos afetivos em função da morte do rei do pop, ocorrida em 2009. 

Um tribunal de última instância de Bordeaux condenou o médico que tratava do cantor, Conrad Murray, já condenado a quatro anos de prisão pela morte de Michael, a pagar a simbólica quantia de 1 euro ao grupo de fãs em função dos danos afetivos provocados pelo incidente que tirou a vida do astro. O tribunal francês entendeu, por meio de depoimentos e atestados médicos apresentados como provas, que houve, de fato sofrimento decorrente do episódio.

Segundo o advogado do grupo, caso a quantia em dinheiro não seja requisitada, o status de vítima atribuído aos fãs pela decisão judicial pode permitir que eles façam um requerimento para visitar o túmulo de Michael Jackson, cujo acesso ao público é proibido. 

Já posso pedir minha indenização pelo fim dos Beatles?

10 de fev de 2014

Esta moça está patinando AND dançando uma música do Prince

Não foi só o Daft Punk que "deu as caras" (por intermédio de um pitoresco coral de policiais) nas olimpíadas de inverno realizadas em Sochi, na Rússia. O pop foi parte da trilha sonora das competições de patinação artística que ocorreram neste fim de semana.

Peças eruditas (principalmente nas apresentações solo masculina e feminina) e o foxtrot (principalmente nas apresentações de duplas mistas) são ainda gêneros dominantes para dar ritmo aos atletas, mas alguns patinadores optaram por temas pop para executar suas rotinas.

Teve "November Rain", do Guns (escolha da dupla alemã Maylin Wende e Daniel Wende), "Smooth", superhit do início dos anos 2000 do Santana com o Rob Thomas, e "Skyfall", da Adele (ambas escolhas da dupla norte-americana Marisa Castelli e Simon Shnapir). Teve ainda "Paint it Black", dos Rolling Stones, opção da chinesa Kexin Zhang, "The Question of U", do Prince, trilha da francesa Mae Berenice Meite e "Shine On You Crazy Diamond", trilha da norte-americana Ashley Wagner.

Infelizmente, os vídeos dessas apresentações não caíram no YouTube como desejado (só tem vídeos das apresentações da prodígio russa Yulia Lipnitskaya, 15, que ajudou sua a equipe a levar o ouro com uma coreografia ritmada pelo tema de "A Lista de Schindler", executado por John Williams). Mas consegui recuperar vídeos de algumas dessas coreografias em competições anteriores. Abaixo, na ordem, botando os patinadores pra dançar na pista de gelo: Rolling Stones, Prince e Pink Floyd.


"Paint It Black", Rolling Stones

"The Question of You", Prince

"Shine on You Crazy Diamond", Pink Floyd



Comprar uma mansão + um iate + uma Ferrari ou o tênis do Kanye?

Você pode ter em suas mãos - ou pés - um dos últimos modelos de tênis criado por Kanye West para a Nike. Basta ter US$ 16 milhões de dólares e arrematar o produto no eBay.

Ironicamente batizado de "Red October" (Outubro Vermelho, um dos nomes pelos quais é conhecido o segundo grande levante que deu cabo à Revolução Russa, em 1917), o modelo teve seu valor jogado nas alturas e foi parar no eBay graças a consumidores que sacaram que o calçado pode ganhar status de item de colecionador - se é que alguém coleciona sneakers desenhados pelo Kanye West.

Mesmo sem nenhum tipo de publicidade, o Red October esgotou-se minutos após ser colocado à venda no site da Nike neste domingo (9) e provavelmente será o último modelo da colaboração de West com a Nike, uma vez que o rapper anunciou, no ano passado, ter fechado parceria com a Adidas.

Na loja virtual do fabricante, o par estava à venda por US$ 245.
Beijinho no ombro pra homofobia do Putin passar longe

Música de protesto tem um jeitão de rótulo anacrônico, perdido em algum lugar dos anos 1960 e 1970, mesmo que causas para protestar nunca tenham faltado no mundo. Rótulos datados à parte, 2014 já ganhou duas músicas que, mesmo que não sejam tão imediatamente classificadas ou concebidas como tal, tomam posições em demandas da ordem do dia que esse bando de gente perdida chamada humanidade inexplicavelmente ainda não conseguiu realizar plenamente: os direitos das mulheres e os direitos dos homossexuais.

"Russian Kiss", um batidão eletrônico da cantora norueguesa Annie, mira nas leis anti-gay do governo Putin (é proibido a casais homossexuais a demonstração de afeto em público e a qualquer pessoa falar positivamente da homossexualidade em público), que ganharam mais repercussão devido aos holofotes jogados sobre a Rússia em função da realização dos jogos de inverno no país, na cidade de Sochi.

O título da música carrega certo grau de ironia e provocação, mas os versos são bem diretos: "Don't give up, maybe then they can understand / It is right that you fight for your love demands" ("Não desista, talvez assim eles possam entender que é correto você lutar pelas suas exigências de amor"). O refrão tem tom de grito de guerra: "Shake a fist for the Russian kiss!" ("Erga os punhos pelo beijo russo").




"Go Forth, Feminist Warriors", por sua vez, junta quase duas dezenas de vozes num rap para tratar das diferentes lutas enfrentadas pelas mulheres em tom divertido e ao mesmo tempo estimulante, segundo uma das compositoras, Katy Davidson. O nome pro trás do projeto Key Losers dividiu a autoria da música com sua parceria constante de composição, Marianna Ritchey.

A música foi composta a pedido da revista online Rookie, dedicada ao público feminino e coordenada pela blogueira prodígio Tavi Gevinson (que participa dos vocais). O desejo da equipe da revista era conceber uma espécie de "We Are The World" feminista.

O time reunido é bem menos estrelado que aquele recrutado por Michael Jackson nos anos 1980, mas talvez isso não seja tão importante. Participam da gravação: Katie Crutchfield, MNDR, Kate Nash, Kimya Dawson, Suzy X., Tavi Gevinson, Katy Davidson, Marianna Ritchey, Geneviève Castrée, Thao Nguyen, Storey Littleton, Tegan and Sara, Dee Dee Penny (Dum Dum Girls), Ted Leo, Aimee Mann, Psalm One e Carrie Brownstein.

Entre os versos, "They mansplain every night and day/ But they can't mansplain our freedom away". "Mansplain" é um verbo fruto do neologismo e que, por isso, ainda não tem tradução direta para o português, mas pode ser entendido como a imposição da visão masculina para explicar uma determinada questão. Talvez algo como "eles impõem sua visão de mundo noite e dia, mas não vão impor a minha liberdade".



Sobre qual Arctic você pensou que se tratava o assunto?

Aprendiz de Bono, Chris Martin usa sua visibilidade para defender boas causas. A mais recente delas é a campanha "Save the Arctic" (Salve o Ártico), do Greenpeace, que chama atenção para o derretimento das calotas polares do Ártico - o problema, provocado pelo uso de combustíveis fósseis, e agravado pela exploração de petróleo e pesca predatória na região, se não for controlado, pode comprometer a regulação do ecossistema local e da temperatura do planeta, explica a organização ambiental.

Chris é um dos garotos-propaganda da campanha, que convocou um time de celebridades para posar vestindo camiseta criada por Vivienne Westwood, engajada em causas climáticas - você pode saber o que a estilista tem feito no site Climate Revolution, que ela criou exclusivamente para tratar de seu envolvimento com questões políticas. Além de Chris, a cantora britânica Paloma Faith, a modelo Georgia May Jagger e o ator para-sempre-bonitão George Clooney também estrelam a campanha vestindo Westwood para chamar sua atenção para a causa. Saiba mais aqui.

8 de fev de 2014

Letterman com os homenageados da semana, em um papo que vai ao ar neste domingo (9/2) na TV americana

 O mundo respirou Beatles muito mais que o normal na última semana em função das recordações dos 50 anos que a banda visitou os Estados Unidos e ativou a beatlemania em escala mundial. Um dos responsáveis por injetar oxigênio nos ares beatlemaníacos dos últimos dias foi David Letterman. Ao longo da semana, ele recebeu em seu talk show artistas que homenagearam os fab four reinterpretando composições de diferentes fases da banda.

Teve artista que brilhou e levou estrelinha pra casa e teve artista que esqueceu a inspiração em algum lugar na hora de homenagear os fab four. Na primeira lista, Broken Bells, Flamin Lips e Lauryn Hill, que na execução musical ou na performance deram novo sentido às músicas que a gente já ama. Na segunda, Sting e Lenny Kravitz, que fizeram versões feijão com arroz de "Drive My Car" e "Get Back", respectivamente - por excesso de respeito às originais ou por falta de criatividade, vai saber. Foco no que interessa então:

Broken Bells e "And I Love Her"
Quem diria que essa baladinha poderia ganhar outra vida, não é? Adicione sons eletrônicos, coloque Ringo tocando virtualmente, faça uma fusão com a introdução de "I Am the Walrus" e... voilá.




Flaming Lips e "Lucy In The Sky With Diamonds"
É simplesmente a versão que a gente deveria ter visto os Beatles fazendo ao vivo, mas nunca vimos por motivos de turnês encerradas em 1965. Com a fácil predisposição de Wayne Cohen para o nonsense, a música de alma psicodélica ganhou corpo ao vivo na mesma medida da loucura com cenário, iluminação e chuva de papéis picados que criaram um clima viajandão. Teve também Sean Lennon no palco, meio que cosplay do pai, meio que figurante - Wayne rouba a cena fácil.  




Lauryn Hill e "Something"
Não basta ser eternamente linda por si só. "Something" tem que ficar mais linda ainda em uma versão encorpada e cheia de ginga. Coisas que só a black music pode fazer por você e que James Brown já tinha mostrado nos anos 1970.





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