3 notas sobre a morte de David Bowie

O que eu trouxe na bagagem da Colômbia

A(s) pergunta(s) que eu não fiz para Steve Aoki

31 de mai de 2014

It's Madonna, bitch!

Tudo que eu queria ter postado essa semana, mas não postei:

- "Unapologetic Bitch", conforme indica a foto postada por Madonna em seu perfil no Instagram, seria seu novo single? Novo disco?

- Ouça "28 grams", mix tape pós-prisão por porte de maconha do Wiz Khalifa

- "Sunbathing Animal", disco novo do Parquet Courts, na íntegra

- Led Zeppelin revela versão inédita de "Whole Lotta Love", no rastro da promoção do relançamento de "Led Zeppelin II"

- Tem um filme lindo sobre o show do Pulp em Sheffield, em 2012: "A Film About Life, Death & Supermarkets"

- Mais um clipe doidão do Pixies, "Silver Snail"

- Temos IBAGENS da St. Vincent cantando Nirvana no Rock n' Roll Hall of Fame? Sim. A HBO americana exibe a cerimônia na íntegra hoje (31)

- When monsters collapse: Stones e Boss juntos no Rock in Rio Lisboa

30 de mai de 2014

Por que tem música da Copa? Por que é a Claudia Leitte que canta? Esclarecendo o mistério em 3, 2, 1...

Por acaso é a primeira resposta para a pergunta do título deste post. Por tradição estabelecida é a segunda. E por causa de uma parceria comercial é a terceira. E é por causa destas três razões, exatamente nesta ordem, que a gente hoje pragueja contra a artificialidade da alegria pré-fabricada e estereotipada de "We Are One", de Pitbull, Jennifer Lopez e Claudia Leitte, tema da Copa no Brasil.

A Copa do Mundo fez seu début em 1930, no Uruguai, mas foi só em 1962, no Chile, que uma música foi adotada como tema da competição pela primeira vez. Foi "El Rock Del Mundial", rockzinho à la Bill Haley, dos The Ramblers, uma das primeiras e mais bem sucedidas bandas de rock chilenas. Considerada hoje uma das canções de maior sucesso na história do Chile, com 2 milhões de cópias vendidas do compacto, a música foi composta apenas com o intuito de captar o clima de euforia do país às vésperas da Copa. Mas o sucesso foi tão grande e imediato que a organização decidiu adotá-la como hino.



Em 1966, a espontaneidade dá lugar à obrigação. Dona Fifa toma as rédeas do processo e começa a dar mostras de sua inaptidão para a tarefa. O mundo já estava tomado de assalto pela invasão britânica liderada por Beatles e Rolling Stones, filhos da sede do mundial daquele ano, a Inglaterra, mas o escolhido para a função foi o britânico Lonnie Donegan, que entregou "World Cup Willie (Where in this World are We Going)". Sim, ele é considerado um patrimônio do skiffle e na Inglaterra só perde para os Beatles em números de hits emplacados nas paradas de sucessos, porém já soava datado àquela altura. Dali em diante, a Fifa oscila entre temas que tentam se aproximar da identidade (ou dos clichês) do país-sede e temas eruditos. Ouça a introdução de "Fútbol México 70", composição do mexicano Roberto do Nascimento para a Copa do tri brasileiro, e tente não pensar em um grupo de mariachis. Ou ouça "Mundial 82" (daquela Copa espanhola de um certo Paolo Rossi), na voz de Plácido Domingo, e tente não pensar em touradas. Impossível.



Até que chegam os anos 1990, o mundo se globaliza e a Copa também. Cresce o número de seleções participantes de 24 para 32, países da Ásia, África e América do Norte ganham mais espaço na competição, e a Fifa parece buscar uma linguagem igualmente mais "global" para as músicas. O pop é quem passa a dar o tom dos temas oficiais na voz de astros internacionalizados. Uma parceria firmada com a gravadora Sony, que desde 1994 é responsável pela produção da música da Copa, tornou essa característica ainda mais aguda. Ricky Martin ("La Copa de La Vida", França, 1998), Anastacia ("Boom", Japão e Coreia, 2002), Toni Braxton ("The Time of Our Lives", Alemanha, 2006) e Shakira ("Waka Waka" - um dos dez vídeos mais vistos da história do YouTube, África do Sul, 2010), todos do elenco da gravadora, cantaram os temas das últimas edições.

Com um viés mais comercial, a música oficial em tempos recentes é responsável também por encabeçar um CD oficial com uma dezena de faixas que supostamente fariam a trilha da competição, mas que ninguém se lembra. No CD da "nossa" Copa tem Santana, Bebel Gilberto, Carlinhos Brown e Shakira outra vez. E, claro, tem também Claudia Leitte (que é da Sony e não Ivete, que é da Universal) pra lembrar a gente que vai ter Copa, sim, e ainda por cima com música ruim.

27 de mai de 2014

Lana tem mais duas músicas novas pra te mostrar

Lana Del Rey está de volta. "Ultraviolence", seu novo disco, sai em 16 de junho. Devagar, devagarinho, a moça vai revelando pra gente um pouco do novo trabalho, que tem produção do indie-bluseiro Dan Auerbach, uma das metades do "Black Keys". Depois de há mais ou menos um mês divulgar a faixa "West Coast", Lana começou esta semana mostrando mais duas novas: a faixa-título, que entrou no repertório de seu show no Canadá, no fim de semana, e "Shades of Cool", lançada na plataforma Vevo.

A belíssima "Shades of Cool" tem aquela atmosfera chique-retrô-melancólica-meio-jeitão-de-chanson-francesa-e-filtro-de-Instagram que definiu "Video Games" e foi responsável por criar, há dois anos, o hype justificado em torno da cantora que tanto contrastava (e ainda contrasta) com as principais cantoras pop em evidência no mercado. E se "West Coast" segue o mesmo caminho que a maior parte de "Born To Die", o debut da artista Lana em disco (até 2010 apresentava-se como Lizzy Grant), mais carregada em batidas eletrônicas, um trip hop meio tímido, "Ultraviolence" está no cruzamento entre o primeiro e o segundo caminho. A conferir por qual das pistas Lana vai trafegar mais.




26 de mai de 2014

A essa altura já deu para entender que quando se trata da Copa no Brasil, não é na Fifa que a gente tem que buscar as opções musicais mais interessantes inspiradas no mundial. Emicida e Gaby Amarantos são bons exemplos disso. Mas além do pessoal que quer fazer uma música da Copa pra chamar de sua, gente envolvida diretamente na competição também está trabalhando pra colocar muita música pra tocar em todos os níveis do mundial, mostrando que a Copa, essa senhora polêmica, é movida por torcida, amor, ódio, dinheiro e também muito pop. Tem música saindo de onde você menos imagina nessa Copa. Olha só:

1) As músicas que o Max Cavalera fez para a ESPN


A convite do canal a cabo, o músico à frente do Soulfly fez um conjunto de músicas com no máximo dois minutos de duração que serão tocadas ao longo das transmissões que a ESPN fará da Copa. O único detalhes revelado por Max é que lhe foram pedidas músicas "com riffs". Seu filho Zyon colaborou nas gravações tocando bateria e outros instrumentos de percussão. As gravações estão em fase de finalização e têm assinatura do produtor John Gray, que já trabalhou anteriormente com Max em discos do Soulfly.

2) As músicas que cada jogador da seleção inglesa escolheu para um disco especial


Os ingleses, esse povo que inventou o futebol mas só ganhou a Copa uma vez na vida, e também esse povo que leva música pop muito a sério (muito mesmo), vão ter um disco inteirinho só com músicas escolhidas pelos jogadores que vão defender a terra da Rainha aqui no Brasil. "The England Players' Playlist" terá 18 faixas, 13 delas escolhidas por 13 dos escolhidos do técnico Roy Hodgson e outras cinco incluídas para reforçar a trilha sonora que vai dar o ritmo da campanha da seleção nesta Copa.

O goleiro Joe Hart escolheu "Sonnentanz", do DJ austríaco Klangkarussell, e o zagueiro Phil Jones selecionou "I Got U", do DJ britânico Duke Dumont, ambas bem no estilo batidão dance que tanto agrada os europeus. A lista completa, com as escolhas dos demais jogadores, será revelada no dia 1º de junho. "PompeIi", do Bastille, "Ho Hey", do Lumineers, "Love Me Again", de John Newman, "Started From The Bottom", do Drake, "Blk and Blu", do Chase and Status, e "Blurred Lines", de Robin Thicke, vão completar o disco. Como a produção é da Universal Music, todas as músicas escolhidas (as reveladas até agora e as que ainda estão para ser divulgadas) fatalmente serão de artistas do casting da gravadora.

A iniciativa faz parte da England's Footballers Foundation, organização formada por jogadores ingleses que promove ações que arrecadam fundos para causas beneficentes. A renda arrecadada com as vendas do disco serão revertidas para este fim. O álbum será lançado no dia 2 de junho. Novidades no site www.englandplaylist.com.

3) As músicas que Lupe Fiasco vai usar para a preparação da seleção dos Estados Unidos


A informação mais importante aqui, na verdade, é que a seleção norte-americana tem um diretor musical. Sim. E o cara é o rapper Lupe Fiasco. Ele vai ser encarregado de produzir playlists pensadas diretamente para os jogadores nos preparativos para os amistosos das próximas semanas e para os jogos da primeira fase da Copa, aqui no Brasil. Também vai criar playlists que serão executadas nos intervalos dos amistosos em questão. A seleção musical vai ser disponibilizada no Spotify.

24 de mai de 2014

Who's the grand grand daddy now?

Tudo que eu queria ter postado essa semana, mas não postei:

- Mick Jagger é bisavô

- Plágio 1: Led Zeppelin teria "se inspirado" em "Spirit", da banda Taurus, para escrever "Stairway to Heaven"

- Plágio 2: Shakira teria "se inspirado" no clipe de "Iron", do Woodkid, para fazer o clipe de "La la la (Brasil 2014)"

- Quer que eu desenhe? Bowie explica Ziggy Stardust em entrevista animada

- Do fundo do baú: Oasis cantando "Cigarettes and Alcohol"

- Ele outra vez: música nova do Morrissey, "Istanbul"

- E tem música nova da Nicki Minaj também: "Pills and Potions"

- E tem 150 músicas novas do R.E.M

- Tem ainda clipe novo da M.I.A, "Double Bubble Trouble"

23 de mai de 2014

Pharrell CHO-CA-DO porque descobriram a fórmula dos sucessos dele

Why the hell esse tal de Pharrell consegue fabricar tantos hits? A pergunta que você já deve ter feito para si mesmo encontra resposta na sacada do inglês Mark Savage, que atende pelo nome de Mr. Disco Pop no Soundcloud. Ele compilou uma série de músicas produzidas por Pharrell, desde o primeiro, em 1992 ("Right Here", do SWV, grupo vocal feminino pré-TLC e pré-Destiny's Child), até mais recentes, como "Gust of Wind", de seu último álbum, "Girl", além de sucessos absurdos, como "Blurred Lines". Em todos, encontrou uma semelhança: uma introdução padronizada, estruturada em quatro notas (ouça abaixo).

Para Savage, sinal de que o midas "é um compositor brilhante, mas não se esforça muito na introdução de suas músicas. (...) Todas elas usam o mesmo truque". Repetição ou assinatura própria, fica a seu critério.

O que chama atenção na história toda, além da óbvia recorrência do mesmo recurso na introdução das músicas, é a ausência do hit máximo do produtor na lista. "Get Lucky", o sucesso global, não repete os padrões usados por Pharrell em sucessos anteriores. Se ele tinha uma fórmula até então secreta para criar hits, deve haver uma outra fórmula mais secreta ainda que não foi explorada em todo seu potencial. Estamos no aguardo dos próximos sucessos.


20 de mai de 2014

Museus dos Beatles pelo mundo: Memorabilia em Buenos Aires X Experiências (como adentrar um submarino amarelo) em Liverpool

Eles têm o Papa, uma quantidade invejável de livrarias, um dos melhores sorvetes do mundo e um jogador de futebol belamente corajoso que se diz melhor que Pelé. O que mais poderiam ter os argentinos que ninguém - ou quase ninguém - nesse mundo poderia ter? Um museu dos Beatles e um Cavern Club, coisas que, de fato e de direito, fazem sentido em Liverpool - onde, realmente, ainda funciona o mítico Cavern Club e também o fofo museu Beatles Story.

Mas a questão é: esse é um diferencial vantajoso dos hermanos? Depende. Depende do quanto e de como você gosta dos Beatles e de música em geral, depende do que você considera ser um museu interessante, depende se você pode arcar com uma viagem com custos em peso ou em libras.

Único museu dedicado aos fab four fora de Liverpool (havia um em Hamburgo, na Alemanha, mas ele foi fechado por falta de público), o Museo Beatle é essencialmente um micro-complexo de memorabilia da banda. É uma pequena sala que concentra cerca de dois mil itens do aficionado Rodolfo Vazquez, argentino que consta no Guinness Book como o maior colecionador de objetos relacionados aos Beatles. Sua coleção soma cerca de 10 mil itens, que rotativamente são expostos no local. Há discos, roupas, bonecos, relógios, autógrafos, bichos de pelúcia, canecas, ingressos, chinelos (sim, um par que foi lançado para promover "Wingspan", um dos álbuns do Paul com o Wings), vitrolas, pacotes de chiclete, peruca e tijolos (sim, um do Cavern Club e outro do Star Club, de Hamburgo, onde os Beatles fizeram uma temporada no estilo prova de fogo antes do estrelato).

Depois da visita, não diria que é um museu dos Beatles, mas sim um museu de um fã dos Beatles. Um museu da beatlemania. Indiretamente, ele indica um pouco do que foi a banda, mas acho que ensina muito mais sobre o tipo de devoção e admiração que a banda provocou nesse último meio século. Lembra muito a London Beatles Shop, que tem à venda muitos dos mesmos itens postos a venda na loja de souvenirs localizada na Baker Street - inclusive autógrafos.

Completam o conjunto de atrações a Sala John Lennon - uma espécie de teatro de bolso, o Star Club Café, com pratos batizados com os nomes dos fab four (como o café Paul) e o Cavern Club portenho, que recebe shows, adivinha, de bandas que fazem cover de Beatles, mas também algumas peças de teatro, obedecendo à vocação de sua sede - tudo está localizado no Paseo La Plaza, uma galeria que concentra salas de teatro e alguns bares.

O Beatles Story, em Liverpool, já segue outro caminho e te oferece uma visita mais focada na experiência que na memória. Como o nome entrega, há um resgate da trajetória da banda e isso é feito principalmente pela reconstituição de espaços que, de uma maneira ou de outra, se tornaram icônicos na história da banda. A impressão que tive foi quando visitei o Beatles Story é que a intenção é te transportar para dentro dessa história. Você caminha pela Mathew Street, endereço do Cavern, sobe no palco do clube em questão, senta-se nas poltronas do avião da Pan Am que levou a banda para a gloriosa e determinante visita aos Estados Unidos, fica preso em um cubículo abafado pela gritaria estridente e histérica das fãs e descobre como o submarino amarelo é por dentro. Alguns objetos e documentos históricos, além de uma sala dedicada à trajetória pós-Beatles de cada um dos fab four e de uma outra dedicada à memória de John completam o material do Beatles Story.

Como sou mais afeita a estes museus moderninhos, e nunca fui uma fã chegada a acumular objetos, acho o Beatles Story um lugar que tem muito mais a acrescentar para quem gosta de Beatles (gente, poder entrar dentro do Yellow Submarine e descobrir como as coisas supostamente seriam lá dentro é uma viagem). Mesmo assim, consigo ver o Museo Beatle como um complemento nessa história toda. Ele é um espaço que dimensiona, em partes, o tipo de impacto que a banda gerou no público e não dá para falar de Beatles sem falar dos beatlemaníacos. Na dúvida, e havendo possibilidade$$$, visite os dois.

19 de mai de 2014

Você já se cansou de ver o Morrissey aqui, né?

Está difícil não falar de Morrissey por aqui. A gente tenta, mas não consegue. Vivendo dias agitados, na última semana Morrissey dividiu a cena com Nancy Sinatra, mandou recado para as eleições no Brasil e entrou no Twitter #sqn. O motivo de hoje é que, aos moldes de "World Peace Is None Of Your Business", primeiro single de seu álbum homônimo que sai em junho, o bardo, no melhor sentido do termo, lançou mais dois vídeos promocionais nos quais recita os versos de duas outras faixas do disco: "Istambul" e "The Bullfighter Dies", que você vê no fim do texto, abaixo, e também aqui. O clima elegante do primeiro se repete nestes últimos: Morrissey na estica, piano, meia-luz.

Chama atenção os diferentes caminhos que artistas e gravadoras estão encontrando para promover o buzz em torno do lançamento de discos, na tentativa de impulsionar as vendas desse produto que um dia foi a galinha dos ovos de ouro da indústria fonográfica. Enquanto Morrissey solta esparsadamente estes vídeos super produzidos nos quais recita sua própria música, o Coldplay espalhou manuscritos de Chris Martin com as letras de todas as músicas de "Ghost Stories" e os escondeu aleatoriamente em livros de bibliotecas de todos os continentes. Coube aos fãs encontrar o material, por meio de pistas dadas pela internet.




Candidatos à mitologia americana do futuro, Jay-Z e Beyoncé encarnam os mitos do passado Bonnie e Clyde

Bonnie e Clyde, dupla assaltantes que liderou um bando aterrorizante de roubo a bancos, comércios e postos de gasolina no início dos anos 1930, nos Estados Unidos, e cuja morte completa redondos 70 anos nesta semana, é um dos casais mais icônicos da cultura norte-americana. Povoam o imaginário yankee sustentados por um fascínio gerado pela mistura de amor, poder e transgressão. Seduzem pela interpretação dúbia de mocinho e bandido que provocam: desrespeitavam a lei, mas atacavam instituições que levaram os Estados Unidos à bancarrota em 1929 - quase como uma versão em inglês de Lampião e Maria Bonita.

Poderosos que são, e cientes desses símbolos poderosos - ou talvez apenas conduzidos pelo poder que esses símbolos exercem sobre o seu imaginário enquanto norte-americanos, Beyoncé e Jay-Z brincam com fogo sem o menor pudor e encaram uma sugestiva releitura contemporânea do famoso casal no vídeo que promove sua nova turnê conjunta, "On The Run", que estreia nos Estados Unidos no mês que vem com muita pompa e roubo na bilheteria - com o perdão do trocadilho, tem gente por lá vendo como assalto os preços dos ingressos, que variam de US$ 300 a US$ 5 mil.

Tão poderosa quanto o casal que tem os únicos nomes da classe artística na lista das 100 pessoas mais poderosas da indústria musical hoje, a peça promocional, que já chegou estrondosa na internet em formato inédito para a simples divulgação de uma turnê, é um falso trailer de um falso filme chamado "Run". "Coming never" nos cinemas, junta "apenas" Sean Penn, Jake Gyllenhaal, Blake Lively e mais um punhado de gente de Hollywood para mostrar como Jay-Z, um gângster com muita ambição, envolve a amada Beyoncé em uma perigosa trama criminosa. O resto é tiro, porrada e bomba.

Dias depois de dizer que eram gente como a gente, com seus próprios casos de família, ao justificar a briga de Solange Knowles com Jay-Z em um elevador (o "Solangegate"), Beyoncé e o marido rapper lembram o mundo que não é bem assim com o lançamento de "Run". Com as armas que têm - popularidade, poder e carisma, tomam mais uma vez o mundo de assalto e usam um dos principais símbolos do folclore de seu país para mostrar que, assim como Bonnie e Clyde, têm um apelo irresistível e duradouro, seja lá quais forem seus fins. E com eles ninguém pode.





PS: Aparentemente predestinados a encarnar a versão moderna do mito de Bonnie e Clyde, Beyoncé e Jay-Z já haviam vivido a dupla na faixa "'03 Bonnie and Clyde" em faixa e clipe lançados pelo rapper em 2002, quando os dois estavam a um passo de formar um casal.






17 de mai de 2014

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Tudo que eu queria ter postado essa semana, mas não postei:

- Oscar de Melhor Atuação em Clipe para Andrew Garfield em "We Exist", do Arcade Fire

- Muito bom ver esse bromance de volta: Carl e Pete postam foto e vídeo juntos no aquecimento para a volta do Libertines

- A versão de "Sgt. Pepper's Lonely Hears Club Band" segundo o Flaming Lips já tem data pra sair: 28 de outubro. Enquanto isso, "Lucy In The Sky With Diamonds", com participação de Miley Cyrus, serve de aperitivo

- Música nova 1: "Europa Geht Durch Mich", do Manic Street Preachers

- Música nova 2: "Instant Disassembly", baladinha épica de sete minutos do Parquet Cours

- Música nem tão nova assim 3: M.I.A aproveitou o Solangegate (briga de Solange Knowles com Jay-Z dentro de um elevador, com direito a Beyoncé fazendo a egípcia) para divulgar seu remix de "Flawless"

- Música nem tão nova assim 4: Bob Dylan revela sua versão para "Full Moon And Empty Arms", conhecida na voz de Sinatra. A faixa vai estar em seu próximo álbum

- Dizem que não vai ter Copa, mas clipe da Copa já tem

16 de mai de 2014

The dream is over: Morrissey diz que há um impostor em seu lugar no Twitter

Fomos trolados. O perfil do Twitter @itsmorrissey não é de Morrissey. O maior inglês vivo divulgou hoje nota no site True To You, mantido por fãs mas praticamente um site oficial usado corriqueiramente pelo próprio para pronunciamentos, que ele não possui nenhuma conta no Twitter e não faz ideia de quem abriu-a em seu nome. E mais: ele nega também ter uma página oficial no Facebook. Dizendo-se "untwitterably" (um neologismo próximo de algo como "intuitável"), o músico não presta mais esclarecimentos, o que deixa em aberto algumas questões:  

1) Se a conta do Twitter não é de Morrissey, por que ela carrega o selo de conta verificada, mecanismo que o próprio Twitter criou para garantir a autenticidade de perfis de gente famosa?

2) Se a página do Facebook existe desde 2010 e se apresenta como canal oficial do músico na rede social, por que só agora, quatro anos e mais de 1 milhão de seguidores depois, Moz resolveu esclarecer que não tem nenhuma ligação com a fan page?

3) Quem é (ou quem são) o ser humano que conseguiu driblar o esquema de contas verificadas do Twitter, manteve por quatro anos um suposto canal oficial no Facebook sem ser incomodado e conseguiu enganar meio mundo?

Leia abaixo a íntegra do comunicado de Morrissey, que não responde a nenhuma dessas perguntas:

"Eu gostaria de salientar que eu não tenho uma conta no Twitter nem no Facebook. Vi que foi aberta uma conta no Twitter em meu nome - como "Its Morrissey" - mas NÃO é Morrissey. Eu não sei quem abriu esta conta, mas lembre-se que ela é falsa. Isso, claro, se você deveria remotamente se preocupar com isso". 

Untwitterably yours,
MORRISSEY
Salt Lake City
15 May 2014.

15 de mai de 2014

Albert Hammond Jr. quer acompanhar o Arctic Monkeys em turnê brasileira

Admirador declarado do Arctic Monkeys, Albert Hammond Jr, guitarrista dos Strokes, entregou em entrevista à NME o desejo de sair em turnê com a banda britânica... no Brasil. O moço que tomou de Julian Casablancas o posto de mais gato do Strokes revelou que enviou um e-mail a Alex Turner sugerindo a possibilidade de se juntar aos macacos do ártico na turnê pelas bandas de cá do Equador. Ainda segundo ele, Turner respondeu dizendo que não havia muito o que fazer. #chatiado, Hammond Jr. acha que talvez Alex não goste dele. Veja o vídeo aqui.

De quebra, meio assim sem querer, Albert ajudou a botar lenha na fogueira de boatos que dizem que o Arctic Monkeys fará turnê no Brasil no segundo semestre. Na semana passada, a Popload jogou a bomba sobre prováveis shows em outubro ou novembro. Hoje, Hammond Jr. injetou um pouco mais de certeza nessa história.
Siga este moço no Twitter: @itsmorrissey

Em um dia histórico, como definiu de maneira maravilhosamente exagerada o Pitchfork, Morrissey fez sua estreia no Twitter, na última quarta (14). A conta de Moz já existia desde 2009, mas os primeiros 140 caracteres só foram digitados ontem - e, sim, as mensagens (três até agora) são de autoria do próprio, conforme confirmação de sua conta no Facebook.

A adesão do músico ao microblog não deixa de parecer uma jogada articulada para promover o lançamento de seu novo álbum, "World Peace Is None Of Your Business", previsto para julho (e cujo primeiro single, homônimo, foi divulgado nesta semana), mas nada tira o brilho do fato de que agora o maior inglês vivo habita o mesmo espaço que eu, você e o Johnny Marr.

O ex-companheiro de Moz, por sinal, está fazendo a egípcia até o momento sobre esse bombástico acontecimento, mas o resto do mundo não se conteve e, em 140 caracteres, despejou impressões rasgadas de amor e/ou ódio combinadas com um fino sarcasmo sobre a novidade. Ou seja, bem no nível da escala Morrissey de drama e acidez.

Algumas das melhores manifestações:









14 de mai de 2014

Ela canta, ela compõe e, por acaso, também é irmã de Beyoncé

Não deve ser fácil ser "a irmã da Beyoncé". Menos fácil ainda é ser "a irmã maluca da Beyoncé que atacou o Jay-Z no elevador". Por isso, dê uma chance a Solange Knowles e reserve um tempo para ouvir o que a também cantora produziu em sua carreira que já soma pouco mais de uma década. A produção nesse período foi econômica - dois álbuns e um EP, mas sinaliza para uma artista que aos poucos descobre quem realmente é. Não por acaso, seu terceiro disco de estúdio, anunciado para este ano, gera expectativa como nenhum outro trabalho seu gerou até hoje.

Solange estreou com "Solo Star" (2003), conjunto incipiente e açucarado de canções de R&B que formavam uma sombra do que a já famosa irmã fazia à época no Destiny's Child. Dá para pular esse primeiro capítulo da discografia da moça sem peso na consciência, mas também sem jogar pedras na cantora estreante: a moça tinha apenas 17 anos e especulou-se na época que seu pai, Mathew Knowles, empresário do Destiny's Child, articulava a carreira da caçula para incluí-la no grupo vocal de Beyoncé, transformando-o em um quarteto.

Cinco anos de afastamento da música, um casamento, um filho e um divórcio fizeram Solange amadurecer e surtiram efeito no seu retorno em disco em disco, em 2008, com "Sol-Angel and the Hadley St. Dreams". É a partir daqui que você pode começar a apertar o play para ouvir não mais a "irmã de Beyoncé", e sim Solange. Tomando as rédeas da autoria, a cantora escreveu 12 das 11 faixas do disco. O R&B continuou sendo a base musical, mas ela também assumiu com personalidade influências do hip hop e da música soul. É por esse caminho que passam algumas das faixas mais interessantes deste segundo trabalho, caso de "I Decided", que tem o toque do midas Pharrell Williams, e "6' O' Clock Blues", com produção de Mark Ronson, que mostrou que não foi só na parceria com Amy Winehouse que ele conseguiu imprimir o som da Motown.






Mais quatro anos de pausa e Solange retornou no fim de 2012 com o EP "True". Uma nova virada na sua trajetória, o conjunto de sete músicas apresenta uma artista mais singular, que se encontrou em sintetizadores oitentistas, camadas e temas mais introspectivos. Talvez você conheça "Losing You", música que conserva o lado mais pop dos trabalhos anteriores e que contou com a participação de Beyoncé na apresentação que Solange fez no mês passado no descolado Coachella. Mas vale ouvir também "Bad Girls", que fecha o EP e deixa uma interrogação instigante sobre o que ainda está por vir.







13 de mai de 2014

O novo single de Morrissey é da conta dos brasileiros


Morrissey, o nosso ranzinza preferido, o maior inglês vivo (dizem), presenteou o mundo hoje com música nova que fala diretamente, ao e do Brasil, com todas as letras. "World Peace Is None Of Your Business", a música em questão, que também batiza o novo álbum que sai em julho, é uma crítica irônica à opressão promovida por governos e seus aparatos, como as forças de segurança - bem Morrissey.

Depois de bradar contra a violência policial e o abismo social sustentado pelo sistema econômico, Moz dá o recado ao fim da música (veja a letra abaixo): "A cada vez que você vota, você apoia o processo. Brasil, Bahrein, Egito, Ucrânia. Tanta gente sofrendo". Certamente atento ao noticiário internacional, Morrissey deve ter se inspirado nos protestos ocorridos no país que viraram notícia lá fora. Ele talvez só não deve ter imaginado que faria um verso tão certeiro, pelo menos no que diz respeito ao Brasil, tendo em vista que estamos em ano de eleições majoritárias por aqui.

A versão de estúdio do novo single está disponível para audição no iTunes. Também circula no You Tube uma versão ao vivo da música, em show que Morrissey fez na California na semana passada. A melhor versão, porém, é a recitada. Em vídeo promocional, Moz divide a cena com Nancy Sinatra. Em clima de mistério, ele toca piano, quando Nancy surge com uma mala que contém a letra de "World Peace Is None Of Your Business". Enquanto isso, em off, a voz do britânico recita os versos da música nova.




"World Peace Is None Of Your Business", a música

World peace is none of your business
You must not tamper with arrangements
Work hard and sweetly pay your taxes
Never asking what for
Oh oh, you poor little fool

World peace is none of your business
Police will stun you with their stun guns
Or they? ll disable you with tasers
That? s what Government? s for
Oh oh, you poor little fool

World peace is none of your business
So would you, kindly keep your nose out
The rich must profit and get richer
And the poor must stay poor
Oh oh, you poor little fool

Each time you vote, you support the process
Each time you vote, you support the process
Each time you vote, you support the process
Brazil, Bahrain, Egypt, Ukraine
So many people in pain

No more you poor little fools
No more you fool

"World Peace Is None Of Your Business", o disco

1. World Peace is None of Your Business
2. Neal Cassady Drops Dead
3. Istanbul
4. I’m Not a Man
5. Earth Is the Loneliest Planet
6. Staircase at the University
7. The Bullfighter Dies
8. Kiss Me a Lot
9. Smiler With Knife
10. Kick the Bride Down the Aisle
11. Mountjoy
12. Oboe Concerto

St. Vincent gosta tanto de café que criou um blend próprio

O café é o novo projeto paralelo dos músicos. Depois de James Murphy e Beck, chegou a vez de St. Vincent ter um blend de café para chamar de seu. A moça se juntou à Intelligentsia Coffee, empresa descolada com algumas lojas nos Estados Unidos, e da parceria nasceu o blend "Bring Me Your Mugs", trocadilho com o single da cantora "Bring Me Your Loves".

Os grãos são originários da Costa Rica, mais precisamente da montanha de Talamanca, localizada na cidade de Santa Maria. Eles são cultivados exclusivamente por uma cooperativa de agricultores fundada em 1960 e que atualmente trabalha em parceria com a Intelligentsia no projeto Flecha Roja. É um café de aroma açucarado e frutado, com notas de pêssego e ameixa. St. Vincent chegou ao resultado final de "Bring Me Your Mugs" depois de experimentar amostras que lhe foram enviadas ao longo de sua atual turnê, Digital Witness.

À Intelligentsia, a cantora revelou sua paixão pela bebida. "Eu amo café. Às vezes, fico empolgada durante a noite pensando no café que vou beber pela manhã. Café é uma razão para acordar. Claro que há outras razões, mas café o incentivo inicial".

O blend está à venda nas lojas da Intelligentsia e, em breve, estará à venda online também, no site da cantora.


5 de mai de 2014



Numa vibe meio "amiga, vamos ali no banheiro que eu tenho que te contar uma coisa", Shirley Manson e Brody Dale, amigas pra valer, se juntaram para compartilhar uns desabafos e o resultado desse papo de moça saiu hoje em vídeo.

"Girl Talk", composta pelo Garbage em 2007, mas que só veio a público agora como lançamento especial para o Record Store Day, é um sutil manifesto a favor da autoconfiança e da capacidade de não se importar com o que os outros dizem. Shirley e Brody esbravejam os versos juntas, embaladas por um ritmo furioso, mais chegado ao estilo de Brdody - mas lá no fundo a gente reconhece alguns elementos que sempre foram a cara do Garbage.

Um pouquinho antes, lá em fevereiro, as duas moças também já haviam se juntado pra outro papo. Daquela vez, foi Brody quem chamou Shirley para uma colaboração em "Meet The Foetus", conversinha básica sobre filhos e casamento e a paixão de Brody por seu maridão Josh Homme e pelos dois lindos filhos que teve com o frontman do QOTSA.

Veja os vídeos abaixo.





3 de mai de 2014

DINOS are back!

Tudo que eu queria ter postado essa semana, mas não postei

- 21 anos depois, trilha de "Jurassic Park" ganha lançamento cool em vinil

- Aleluia, irmão! Tem clipe novo do Black Keys, "Turn Blue". Tem também mais um faixa revelada, "Bullet In The Brain"

- A super-eletrônica "eez-eh", do Kasabian, também já tem clipe

- Alegria, alegria. Depois de "Happy", Pharrell entrega pra gente "Smile", faixa bônus de "Girl" exclusiva para o mercado japa

- Black Sabbath + Beth Gibbons = Black Sabbeth

- O Manic Street Preachers lança o álbum "Futurology" só em julho, mas antes a gente já pode ouvir "Walk Me To The Bridge"

- Prepare-se para o excesso: Baz Luhrmann negocia a direção de cinebiografia de Elvis.

- Johnny Marr, Ed O'Brien, Dave Gilmour e outros guitarristas querem que os presidiários britânicos continuem tendo o direito de tocar violão na cadeia - o instrumento foi proibido nas prisões recentemente

"In It For The Money" é o nome de um disco do Supergrass, mas se aplica ao espírito dos quatro libertinos

Pego emprestado do blog do Mauricio Stycer, que escreve sobre TV, o "Troféu Sinceridade", dado a personalidades que falam a verdade sem mimimi. Como o assunto aqui é música, o troféu vai, com muito orgulho, para Pete Doherty, que nesta semana disse que o Libertines aceitou fazer o show de retorno da banda no Hyde Park, em julho, pelo dinheiro (que não é pouco). E mais: disse que, lá no início dos anos 2000, a banda aceitou assinar com uma gravadora também por razões financeiras.

Certíssimo esse menino Pete. Afinal, quem recusaria um frila de 500 mil elizabetinhas? - meio milhão de libras é o pagamento que ele e Carl Bârat, seu companheiro de banda, receberão cada um pelo show. Num mundo em que eu, você e outros milhões já não gastamos mais nosso dinheiro comprando os discos das nossas bandas preferidas porque achamos mais justo baixar tudo de graça na internet, é justo também que os artistas procurem outras vias para faturar. E num mundo em que todos têm contas e impostos a pagar, desconfio muito que haja a pura "arte pela arte" - e isso não a torna obrigatoriamente menos autêntica.

A propósito, o "dilema" música x dinheiro foi uma pauta quente na semana e chegou também aos domínios do Oasis. Depois que Liam Gallagher tuitou as letras O A S I S na base da trollagem, fazendo todo mundo achar que este poderia ser um sinal da volta de sua ex-banda, o resto do grupo foi instado a comentar o tópico "volta do Oasis", e sabe-se que uma negociação para tal fatalmente envolveria muitas cifras.

O engraçado é que, apesar de a turma Gallagher nunca ter economizado na sinceridade, a motivação financeira para um hipotético retorno da banda foi colocada (com sinceridade ou não, vai saber) em segundo plano. Noel Gallagher disse que voltaria com o Oasis por meio bilhão de libras, mas também por meio bilhão de camisinhas, de sachês de chá ou de potes de macarrão instantâneo. Já o guitarrista Bonehead, que andou tomando umas cervejinhas com Liam por esses dias, foi mais franciscano ainda e disse que tocaria em um retorno do Oasis "por nada". Então tá.
Thiaguinho e Emicida, a melhor dupla de ataque musical da Copa, por enquanto

É quase um contrassenso. O país do futebol, o país da Copa, e por que não, o país da música - porque esta a maior expressão artística do Brasil aqui dentro e lá fora, ainda não tem uma ~música oficial da Copa~ decente. "We Are One" (aquela com Pitbull, J Lo e Claudia Leitte) e "We Will Find A Way" (com Santana e Alexandre Pires) só são chamadas de música da Copa porque foram encomendadas pela dona Fifa. No fim das contas, com a necessidade de se comunicarem com uma audiência global, e com uma linha percussiva feita em laboratório para emular referências brasileiras, traduzem mais o espírito de um comercial do Mc Donald's que de um campeonato mundial de futebol.

Mas eis que uma música lançada no ano passado, para comemorar o título da seleção Brasileira na Copa das Confederações, também sob encomenda, mas da Nike, parece ter mais apelo para o torcedor brasileiro (a quem mais interessa esta Copa, pelo bem e pelo mal) que espera um "hino" para torcer. É "Mostra Seu Jogo", parceria de Emicida e Thiaguinho. O rap de Emicida, que abre a música, sai do óbvio, com versos cifrados que trazem mensagem mais combativa e menos celebratória e ritmado com um certo peso roqueiro e alguns batuques. A parte de Thiaguinho apela mais para quem espera algo mais ufanista, na linha "pra frente, Brasil" - o caminho mais óbvio, mas ainda assim passa longe aspecto plastificado das músicas oferecidas pela Fifa. E olha só que importante: ela ainda tem um refrão fácil, que pega.

Provavelmente ciente desse potencial, Thiaguinho relançou a música esta semana, rebatizando-a de "Força, raça e fé" e apresentado-a como a sua música para a Copa. A regravação acabou ganhando introdução e desfecho mais melodramáticos e desnecessários, mas, por hora, ainda é o melhor que está tendo.

Abaixo, as duas versões: a de julho do ano passado, lançada logo após o título da seleção brasileira sobre a Espanha, e a divulgada esta semana por Thiaguinho.




1 de mai de 2014

No lançamento de "Ghost Stories", o Coldplay te convida a explorar um pouco da literatura de terror e fantástica


Em uma das ações promocionais mais legais já armadas para o lançamento de um disco, o Coldplay espalhou cada uma das letras das nove faixas de seu novo disco, "Ghost Stories", escritas à mão por Chris Martin, em nove bibliotecas da América do Norte, Europa, África e Oceania. Por meio de pistas enviadas pelo perfil da banda no Twitter, fãs foram convocados a encontrar o material, escondido em livros nas tais bibliotecas. Seguindo a linha do nome do álbum, todas as obras escolhidas para abrigar os versos das novas músicas são histórias de terror ou de mistério em algum grau. Há clássicos e autores mais contemporâneos, livros para o público adulto e infanto-juvenil. Veja a lista e escolha qual será sua próxima leitura:

"Um Conto de Natal" (1843), Charles Dickens 
Na Biblioteca Vasconcelos, no México, com a letra de "Magic"
Quase um grinch, o velho Scrooge recebe a visita do fantasma de seu falecido sócio às vésperas do Natal e vive uma experiência que pode mudar seus valores e comportamento.

"Ghost Stories" (2008), Peter Washington (org.) 
Na Biblioteca Nacional de Singapura, com a letra de "Another's Arms"
Sem edição em português, é uma coletânea de contos que abordam o tema da assombração sob diferentes perspectivas. O mais interessante é a lista de autores que figuram na seleção: Nabokov, Borges, Ray Bradbury e Guy de Maupassant.

"Mister B. Gone" (2007), Clive Barker 
Na Biblioteca Rikhardinkatu, na Finlândia, com a letra de "Always In My Head"
Diário de Jakabok Botch, filho de dois demônios que herdou as duas caudas do pai, teve sua face queimada e se envolve com uma mulher que, descobre-se, é um anjo. Sem tradução para o português.

"O Cão dos Baskervilles" (1902), Arthur Conan Doyle 
Na Biblioteca Santa-Creu, na Espanha, com a letra de "True Love"
Considerado o creme de la creme das histórias protagonizadas por Scherlock Holmes, a saga coloca o detetive para investigar a morte de um milionário, cujo corpo foi encontrado em um pântano. A suposição inicial é de ataque cardíaco, mas outras evidências apontam para conexões entre um cão-fantasma, uma maldição de família e uma lenda que pode se provar verdadeira.

"O Morro dos Ventos Uivantes" (1847), Emily Brontë 
Na Biblioteca Dartford, na Inglaterra, com a letra de "Oceans"
A história do amor intenso e impossível entre Catherine e Heathcliff que se desenvolve em uma dramática e complexa trama de família, filhos, irmãos, ciúme e vingança. A história envolve um certo fantasma, mas não cabe detalhar isso aqui por motivos de spoiler.

"Who's Haunting The White House?" (2008), Jeff Belanger 
Na Biblioteca Pública de Nova York, nos Estados Unidos, com a letra de "O"
Esse é para quem tem filhos, sobrinhos ou primos um pouco crescidinhos. Voltado para leitores com mais de dez anos, o livro explora mistérios, fantasmas e assombrações que teriam feito parte da história da Casa Branca ao longo de todas as administrações presidenciais - de George Wasignton a Obama (em edição mais recente). Sem edição no Brasil.

"A Assombração da Casa da Colina" (1959), Shirley Jackson
Na Biblioteca Municipal de Tauranga, na Nova Zelândia, com a letra de "A Sky Full of Stars"
O livro da autora norte-americana é considerado um clássico da literatura fantástica e de terror dos Estados Unidos. É a história de um parapsicólogo que reúne um grupo de pessoas em uma mansão supostamente assombrada a fim de provar a existência de fenômenos sobrenaturais no local. Há quem sugira que a obra foi uma das inspiralções de Stephen King para escrever "O Iluminado".

Ghosthunters and the Bloodthirsty Baroness! (2007)
Na Biblioteca Camelia Funke, na Irlanda, com a letra de "Midnight"
Feito para o público infanto-juvenil, é parte da série "Ghosthunters", uma espécie de Harry Potter, da Alemanha, país de origem da autora. No Brasil, a série ainda não ganhou tradução, mas outras obras da autora já ganharam edição em portuguÇes (caso das séries "Trilogia do Mundo de Tinta" e "Reckless")

Treasury of Ghost Stories (1996), Kenneth Ireland
Na Biblioteca de Joanesburgo, na África do Sul, com a letra de "Ink"
Antologia de contos de terror para crianças e adolescentes, combina contos folclóricos com histórias autorais. Sem edição em português.
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