3 notas sobre a morte de David Bowie

O que eu trouxe na bagagem da Colômbia

A(s) pergunta(s) que eu não fiz para Steve Aoki

8 de set de 2019



Às vezes o alento para um momento ruim pode começar a partir da compreensão daquilo que se está sentindo. Eu estava outro dia pensando sobre a bagunça desses últimos anos no Brasil e sobre todo o esforço pra se manter ainda de pé nesse cenário de caos, incerteza, com tudo desmoronando aos poucos - mas num ritmo mais rápido neste ano - e comecei a racionalizar os efeitos disso tudo. Uma exaustão decepcionante, porque não vem acompanhada de nenhum resultado, mas sim da percepção de que todo o empenho não é suficiente pra levar a gente pra lugar nenhum. É um desgaste diário pra continuar na mesma. Como correr pra ficar parada - numa perspectiva menos pessimista, já que a sensação, na maioria das vezes, é de estar andando para trás.

E assim Running To Stand Still foi surgindo detrás da parte mais nublada da minha memória, já que nunca foi uma das minhas faixas preferidas do Joshua Tree. Mas estava lá, empoeirada, traduzindo com certa exatidão, nos limites que a interpretação permite, esse sentimento pesado que é preciso carregar pra viver no nosso país nesses anos improváveis, mas reais.

A letra foi inspirada originalmente na epidemia de heroína que atingiu a Dublin do U2 nos anos 1980, mas tem elasticidade o suficiente pra caber em outras realidades de batalha, pessoal ou coletiva, contra forças que parecem ser mais indestrutíveis que a nossa resistência.

Seguimos correndo.
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