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23 de nov de 2013

A gente já sabe que aquela história segundo a qual o videoclipe estava morto foi uma das maiores furadas da MTV. Tanto que ela morreu antes. O clipe apenas migrou e se dispersou por outras mídias, e ainda por cima aproveitou as características técnicas destas novas mídias - computador, tablet e celular - para renovar sua linguagem. Tanto que há algum tempo a gente vê o lançamento dos chamados clipes interativos.

Mas nesta semana a nova categoria de clipe ganhou, de uma vez só, três novos exemplos de que, mais que viva, a linguagem dos videoclipes tem impensáveis caminhos de renovação, e talvez a gente ainda não faça a menor ideia de nem um décimo deles.

1)Queens of the Stone Age, "The Vampire of Time And Memory" e o clipe-hiperlink
Com a assinatura do Creators Project, o novo clipe da banda de Josh Macho-Alfa Homme propõe que o espectador explore a sala soturna na qual se passa a ação do vídeo. É possível ver a banda e atrizes em diferentes cenários. Paralelo a isso, os objetos de decoração do local remetem a conteúdos externos, tais como o link do novo disco da banda no Itunes e uma loja de pôsteres com a arte presente no vídeo. Muito esperto.

Versão interativa: www.vampyreoftimeandmemory.com




2)Pharrell, "Happy" e o clipe-estendido 
E se ao invés de um canal que passa clipes 24 horas por dia a gente tivesse um único clipe que ocupa as 24 horas de um dia? Pode não ter sido essa a pergunta que deu origem a "Happy", do Pharrell, mas é a inversão de termos que ele provoca. O clipe da música, que faz parte da trilha de "Meu Malvado Favorito 2", acompanha um dia inteiro na vida de Pharrell pelas ruas de Los Angeles. A concepção é do coletivo francês We Are From L.A.

Se você apertar o play e parar diante da tela, vai levar exatas 24 horas para chegar ao fim. Mas, claro, você não precisa gastar um dia inteiro para ver. É possível alternar aleatoriamente entre os vários momentos do dia clicando na posição correspondente do relógio que se sobrepõe à imagem, sempre mantendo a sequência da música - e essa é a graça da coisa: brincar de flanar com esse moço bonito que é o Pharrell.

Versão interativa: http://24hoursofhappy.com/




3)Bob Dylan, "Like a Rolling Stone" e o clipe-update
Um clássico feito há 48 anos ("Like a Rolling Sonte") com um clipe já bem legal feito há 18 anos (o vídeo de Michel Gondry para a versão dos Rolling Stones) ganhou novo frescor pelas mãos da  startup israelense Interlude.

Com a tela do computador simulando uma TV, o espectador tem à sua opção 16 canais com programação fictícia pelos quais pode zapear. As imagens são de telejornais, esportes e de gente cozinhando, mas todos os atores cantam os versos da música. Uma sugestão do descompasso na comunicação em meio à profusão de informações típica desse nosso tempo? Talvez, mas a princípio é só um material que coincide com o lançamento da "The Complete Album Collection Volume 1", com 47 CDs de Dylan. Ah, e claro, é também uma baita de uma diversão, do tipo que dá vontade de ver o clipe outra vez, sem necessariamente ter que ver o mesmo clipe. Que venham os próximos.

Versão interativa: http://video.bobdylan.com/


3 de nov de 2013

Foto: Uarlen Valério/O TEMPO

Acabaram-se as filas dos bares e banheiros, o público que se despertava no fim da pista sumiu. Todo mundo atendeu o chamado do baixo característico de Flea, que fez vibrar o Mega Space na introdução que se emendou em "Can't Stop". O público estava ali mesmo era pra ver o Red Hot Chili Peppers, em coerência com o status de atração principal da noite.

Com 30 anos de carreira e quatro passagens pelo Brasil, Belo Horizonte era ainda um território desconhecido para os californianos. Mas com o público já ganho, o debut em Minas dificilmente daria errado.

O caminho escolhido pela banda para adentrar solo mineiro foi o mesmo dos shows mais recentes: um espaço maior para as músicas do último disco, "I'm With You", e singles da virada dos anos 1990 para os 2000 ("Otherside", "Dani Califórnia", "Californication") para alegria dos fãs mais jovens da banda.

Do repertório do período em que a banda estourou para o mundo, no início dos anos 1990, pouca coisa, mas o básico: "Under the Bridge" e "Give it Away". Musicalmente, o ponto alto do show foi "Higher Ground", cover de Stevie Wonder registrado pela banda no fim dos anos 1980. Bem mais pesada que a versão em disco, ganhou o tom exato para o ao vivo. A jam session entre o percussionista brasileiro Mauro Refosco e o baterista Chad Smith, com referências ao samba, também agradou.

De poucas palavras com o público, a banda delegou a tarefa ao carismático Flea, que apresentou o percussionista brasileiro e, em vão, pediu que os skatistas na rampa ao fundo da pista fizessem manobras. A paisagem combinaria bem com a ensolarada Califórnia da banda, mas, sem entender inglês ou prestar atenção, os skatistas nada fizeram.

Sem dar descanso, a banda arrematou o show com "Around the World" e o hit máximo "Give it Away"' obtendo mais uma resposta calorosa do público. Provou que pouco mudou, apesar de a guitarra ter um rosto novo pela sétima vez (Josh Klinghoffer), e de Flea e o vocalista Anthony Kiedis já não serem tão frenéticos ao vivo quanto antes - a energia permanece na música. A boa forma de Kiedis, 51 anos completados na última sexta, também continua a mesma, dispensando até hoje a camisa.

Pouco mudou também a rotina de quem vai a festivais. As mesmas longas filas para banheiros e bares (cerca de 30 minutos de espera em cada uma), falta de lixeiras e preços altos (R$ 15 por um hambúrguer com pão, carne e queijo), falta de lixeiras. Em determinado momento, a água utilizada para preparar o macarrão instantâneo que era comercializado simplesmente acabou, deixando pra trás uma longa fila de insatisfeitos.

O escoamento do trânsito, ponto crítico comum a grandes eventos, foi também mais uma vez problemático. Se na ida houve lentidão provocada por uma manifestação que interditou uma das vias que dá acesso ao Mega Space, na volta, a saída de cerca de 40 mil pessoas de uma só vez, somada à inexistência de nenhuma opção de transporte público de massa e ao uso praticamente que único de transporte privado - carros (o estacionamento tinha capacidade para 7 mil), vans e táxis -, deram a fórmula para mais lentidão ainda.

O engarrafamento já começava dentro do Mega Space, no estacionamento. O carro da reportagem de O TEMPO gastou 20 minutos para fazer um trajeto de poucos metros. Do lado de fora, no sentido Santa Luzia, uma extensa fila de táxis e vans contratadas pelo público movia-se lentamente.  No sentido Belo Horizonte, centenas de pessoas caminhavam no meio da rua, em meio aos carros, tornando mais lento o deslocamento dos veículos - não havia uma via fechada exclusivamente para a passagem de pedestres, como já foi feito em shows no Mineirão, por exemplo. Em meio à confusão de carros e pedestres, um policial militar deu a seguinte "orientação" ao carro da reportagem: "Vai empurrando o pessoal". Fora do palco ainda não tem show.

*Texto produzido para o portal O TEMPO online
Foto: Uarlen Valério/O TEMPO

Em meio a uma lista de artistas que frequentaram as FMs nos anos 1990 e 2000, o Yeah Yeah Yeahs, cria da cena alternativa de Nova York do inicio dos anos 2000, era um estranho no ninho. Era de se esperar que levantar o publico, que estava em massa para ver o Red Hot Chili Peppers, seria uma tarefa difícil para a banda e assim o foi.

Quem estava sentado na pista guardando o melhor lugar para ver o Red Hot Chili Peppers até chegou a se levantar para lançar um olhar curioso para o palco, mas o público pouco se mexeu diante do rock moderninho da banda. Houve quem vaiasse a banda no incio do show - pedindo logo o show seguinte e quem acenasse com um tchau em direção à banda também pedindo pelo Chili Peppers. Alguns grupos isolados vibravam com o repertorio pouco conhecido do grande público - "Gold Lion", "Heads Will Roll", "Mosquito" e "Maps", um passeio pelos quatro discos da banda em cerca de 45 minutos de show.

Usando tênis esportivo, meias vermelhas até os joelhos, short e blazer rosa metálico (depois trocado por uma jaqueta de couro cravejada de tachas), e uma camiseta com o rosto de Lou Reed, morto no ultimo domingo (e para quem foi dedicada a musica "Maps"), a vocalista Karen O estava menos performática que o normal. Brincou de engolir o microfone - o que arrancou um raro grito coletivo durante o show -, convocou o público a bater palmas, mas permaneceu "comportada" para seus padrões.

Sua voz aguda foi prejudicada pela equalização do som da banda - apenas guitarra e bateria - e soou abafada a maior parte do show. Em determinado momento, os gritos de "cerveja, cerveja" de um pequeno grupo de pessoas na tentativa de chamar atenção de um ambulante chegou a soar mais alto que a voz de Karen. Mesmo sem a resposta devida do público, a banda pareceu se esforçar e até se divertir em determinados momentos, mas fez um show menos extenso do que poderia ter realizado.

Com a plateia estática e a banda acanhada, o show terminou em um frustrante empate.

*Texto produzido para o portal O TEMPO online
O repertório dos primeiros shows do Circuito Banco do Brasil, que acontece neste sábado, no Mega Space, teve jeito de rádio FM ambulante. Além de privilegiar os principais hits de suas carreiras, os primeiros artistas a se apresentarem apostaram em sucessos alheios da música popular e do rock nacional para ganhar o público.

Os mineiros do Tianastácia, que abriram a programação, fizeram homenagens ao Charlie Brown Jr. e ao Raimundos ("Mulher de Fases"). A paraense Gaby Amarantos, honrando suas referências populares, atacou de Wando ("Fogo e Paixão") e Chitãozinho e Xororó ("Evidências"). Ao lado de Fernanda Takai, convidada do show, cantou Roberto e Erasmo Carlos ("Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos") e Titãs ("Sonífera Ilha"). O Jota Quest também foi de Roberto e Erasmo ("Além do Horizonte") e Lulu Santos ("Tempos Modernos"), músicas que já fazem parte do repertório da banda.

A banda O Rappa é a próxima a subir no palco. Os shows estão começando com 20 minutos de atraso, em média. Segundo a organização do evento, o público estimado é de 40 mil pessoas.

*Texto produzido para o portal O TEMPO Online
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