3 notas sobre a morte de David Bowie

O que eu trouxe na bagagem da Colômbia

A(s) pergunta(s) que eu não fiz para Steve Aoki

29 de set de 2011

Vem com um dia de atraso, mas não podia deixar passar em branco.

28 de set de 2011


"E meteu-se com eles (os índios) a dançar, tomando-os pelas mãos; e eles folgavam e riam, e andavam com ele muito bem ao som da gaita". O trecho da carta de Pero Vaz de Caminha indica que a gaita, instrumento central da música celta, está no Brasil desde o seu descobrimento. Mais que um item qualquer da comitiva de Cabral, a gaita e toda essa tradição musical de origens medievais chegou e aqui ficou, fixando raízes na formação musical do Brasil. É o que vai mostrar o gaitista espanhol Carlos Núñez, em show no Teatro Dom Silvério na quinta-feira (29).

Natural da região da Galícia, um dos berços da música celta assim como a Irlanda, Escócia e algumas regiões de Portugal, o gaitista apresenta em sua turnê brasileira repertório de seus 20 anos de carreira com destaque para as faixas do disco "Alborada do Brasil".

O álbum, lançado em 2009, e com participações de Milton Nascimento, Fernanda Takai, Carlinhos Brown e Lenine, é resultado de pesquisa realizada ao longo de três anos por Carlos no Brasil, na qual o músico buscou identificar os elos entre a tradição musical celta e brasileira. "O Brasil guarda o tipo de escala da música celta e mantém vivos instrumentos que desapareceram na música europeia medieval, como a rabeca e a viola caipira. No Brasil isso é modernizado porque vocês estão continuamente misturando", explica Carlos.

Em suas viagens pelas cinco regiões do país, notou como o acordeon desempenha na música brasileira papel semelhante ao da gaita na musicalidade celta. Também encontrou gaitistas em Pernambuco e Minas, onde também descobriu uma relação ainda mais estreita com o outro lado do Atlântico. "Minas é a Galícia do Brasil. Por causa da febre do ouro, a cultura galega chegou a Minas pelos portugueses. Dizem que mineiro come quieto. É a mesma filosofia que existe em relação aos galegos na Espanha", compara o músico, segundo quem o amigo Milton Nascimento teve a mesma percepção quando esteve na Espanha. "O Milton me confessou que o Caminho de Santiago lembra muito o universo mineiro", diz.

Além do disco com cantores brasileiros, Carlos produziu em parceria com José Miguel Wisnik a trilha sonora do mais recente espetáculo do Grupo Corpo, "Sem Mim". O embrião do novo balé foi um conjunto de sete composições datadas do século XIII e de autoria do trovador Martín Codax, nascido na Galícia. Na costura entre tradição musical trovadoresca e música popular brasileira feita por Wisnik e Núñez, os versos de Codax, palavras que deixam transparecer a formação da língua portuguesa e espanhola, são interpretados por nomes como Chico Buarque, Milton Nascimento, Rita Ribeiro e Mônica Salmaso.

No Brasil, além dos shows, o músico lançará o documentário "Brasil Somos Nós", registro em filme de sua pesquisa no país. O longa estreia no Festival do Rio, em outubro.

Carlos Núñez
Teatro Dom Silvério (av. Nossa Senhora do Carmo, 230). Quinta-feira (29). Ingressos: R$20 (inteira). 2191-5700.

*Versão ampliada de texto publicado na edição de 24/09 do Jornal Pampulha

26 de set de 2011

- "O Roberto está assanhado, né?"

- "Ah, agora ele está mais light, não fica mais com aquela coisa de Maria Rita."

Ouvi este pequeno diálogo entre duas mulheres na saída do show de Roberto Carlos no último sábado, no Mineirinho. Provavelmente, elas se referiam a determinados momentos do show. O primeiro deles quando, antes de cantar "Proposta", o rei comentou sobre a necessidade que sentiu em certo ponto de sua carreira de escrever músicas sobre sexo. Disso nasceu a música em questão. Ele ainda estendeu o assunto, repetindo o que havia dito em uma coletiva de impressa que concedeu o ano passado quando: as três melhores coisas da vida são sexo, sexo com amor e sorvete. A "Proposta" seguiram-se "Côncavo e Convexo" e "Cavalgada", recheadas de metáforas sexuais.

Talvez, ainda, as duas mulheres estivessem se referindo aos momentos em que o cantor fez gestos insinuantes, estrategicamente captados em plano detalhe pelos dois telões, como em "Cama e Mesa": no verso "me esfregar na sua boca", o rei reproduziu o que cantava esfregando as mãos nos lábios; o mesmo aconteceu quando chegou ao verso "o sabonete que te alisa", deslizando as mãos pelo corpo. A mulherada, atiçada, respondeu com gritos.

A surpresa das duas fãs do início do texto põe por terra os argumentos de quem se recusa a ir a um show de Roberto argumentando, com certa indiferença e deboche, que o show nada mais é que aquele velho especial de Natal que assistimos de graça todos os anos (há muitos anos) no conforte de nossas casas. É fato que, assim como o especial de fim de ano da Globo, os shows de Roberto sempre começam com "Emoções" (com o imprescindível suspiro antes de começar a cantar a música) e terminam com "Jesus Cristo" (completada pela distribuição de rosas brancas e vermelhas). Mas o que acontece entre cada uma dessas músicas pode sofrer variações em relação ao que se vê na TV, como aconteceu no show de sábado. Não há a rigidez do tempo cronometrado ou do roteiro esquematizado normalmente exigida para um programa de TV, principalmente um programa tradicional produzido por uma emissora que precisa se submeter a fórmulas já consolidadas para não pôr em risco seu dito padrão de qualidade.

Sendo assim, além das insinuações que enlouqueceram as senhorinhas - e um rapaz sentado ao meu lado, que gritou "Lindo! Tira a roupa!!!!!!" - Roberto se permitiu gastar longos minutos com a apresentação de cada um dos membros de sua banda. A cada nome mencionado, uma história curiosa ou uma brincadeira bem-humorada.

Acima de tudo, há sempre o incomparável poder da execução ao vivo, que atesta a vivacidade de músicas definitivas do repertório popular brasileiro como "Detalhes", "O Portão" e "Como é grande o meu amor por você".

O único porém dessa apresentação mais solta ficou por conta do sistema de som (um problema não muito novo para o Mineirinho), que obrigou o show a ser interrompido na segunda música. Depois de microfonias em "Emoções" e uma bateria que se sobressaía ao restante dos instrumentos (e da voz de Roberto) em "Eu te amo, te amo, te amo", o rei disse algo inaudível à plateia e se retirou, juntamente com os músicos, do palco. Certamente, tentava explicar os problemas com o som.

Quando retornou, com "Além do Horizonte", sua voz oscilou de um tom abafado a um grave estourado enquanto o microfone era equalizado. Mais microfonias e chiados se seguiram até que, lá pela metade do show, o som finalmente foi acertado. A experiência dos músicos e, principalmente, a plateia mais que fiel impediram que os problemas fizessem a apresentação desandar, mas é espantoso ver um artista do porte de Roberto enfrentar esse tipo de contratempo.

Ah, houve um segundo porém. Roberto não cantou "As Curvas da Estrada de Santos". Poxa, Rei. Você ainda me deve essa. Fica pro próximo show.


24 de set de 2011

Por um certo tempo, Nirvana, pra mim, era uma lenda que aparecia nas camisetas pretas dos meninos do colégio e no discurso dos VJs da MTV - Gastão, Massari e cia. Era, mais ou menos, 96 ou 97 (com Kurt já falecido), e o que se dizia da banda era exatamente o que se repete hoje, exatos vinte anos depois do lançamento do disco que deu à banda a relevância que garante que ela seja lembrada e celebrada. Diziam que Nevermind havia resgatado o bom rock, que o alternativo finalmente havia penetrado no mainstream, que o rock nunca mais havia sido o mesmo.

Até que um dia, assistindo ao Hits MTV, finalmente ouvi e vi o Nirvana. O clipe era "Lithium". Devo ter criado muita expectativa por causa do excesso de mitificação da banda porque lembro que não achei a música aqueeeela Brastemp. Mas bastou conhecer o Nevermind mais a fundo, juntar com o Bleach e arrematar com o In Utero para o Nirvana se tornar uma das minhas bandas preferidas da adolescência e assim permanecer até hoje. Impossível ficar indiferente e não ser contaminada pela música da banda. Era rock dos barulhentos com uma linha pop muito bem costurada. Kurt, Krist e Dave pareciam tão normais. Com o all star, a calça jeans surrada e o casaco de lã, eram praticamente os mesmos meninos da escola com as camisetas de bandas de rock. Não tinha pose de rock star, tipo de roqueiro malvado, espetacularização ao vivo. Era tudo muito simples, direto e fácil de gostar.

Anos depois, continua sendo assim. Ouvir hoje o Nevermind é como andar de bicicleta depois de deixá-la encostada por um tempo. A coisa simplesmente flui. Houve mudanças também. "Breed" é trilha sonora de encerramento do Domingão do Faustão. A camisa de flanela virou peça do guarda-roupa de uma nova espécie urbana chamada hipster. Dave Grohl deixou de ser o cara escondido atrás da bateria para atingir o status de roqueiro cool. O rock viu uma infinidade de (muitas boas) bandas se proliferarem, principalmente na "era pós-Strokes", está mais para indie que mainstream, afastado das paradas de sucesso e da MTV, mas ao alcance de um clique na internet.

Talvez, por isso, muita gente esteja se queixando e esperando por um novo Nevermind, como espera por um novo messias. Mas não adianta forçar. A coisa vai acontecer sem querer, assim como aconteceu com o Nirvana. Enquanto isso, relaxa e põe o disco pra tocar.


21 de set de 2011

O R.E.M acabou. E daí?

E daí que o esforço que fiz aos 15 anos para decorar a letra de "It's the End of the World as We Know it" só para poder cantá-la em um show perdeu o sentido. E daí que não tem mais possibilidade de show depois de ter perdido a apresentação de 2008 por falta de dinheiro. E daí que não existe mais a chance de ao menos vê-los pela TV, como aconteceu em 2001 com a linda apresentação do Rock in Rio, que eu gravei em VHS (graças à transmissão da Globo) e K7 (graças à transmissão da Jovem Pan) em duas fitas perdidas em algum lugar da minha casa. E daí que a gravação só existe agora na minha memória.

E daí que os meus vinis do "Out of Time" e do "Automatic for the People" vão passar a ser mais valorizados não porque são realmente bons, mas porque foram gravados por uma banda que não existe mais.

E daí que eu não vou viver mais a expectativa de ouvir um disco novo e me surpreender deliciosamente com uma maravilha como foi o "Collapse Into Now". E daí que eu vou ficar andando em círculos, em um eterno retorno, ouvindo do primeiro ao último disco, do último ao primeiro, sem que possa existir uma gravação nova que puxe dessa linha circular uma reta que siga em direção ao futuro.

E daí que é o fim e eu não me sinto bem.


20 de set de 2011

Dois livros lançados recentemente estão fazendo a minha alegria e a de quem, como eu, gosta de música não só do ponto de vista artístico, mas também histórico e social. Em comum, os dois problematizam, cada um à sua maneira, alguns mitos alimentados em relação à música brasileira, cutucando os pilares da história única que tenta fazer a nossa música caber em uma sigla super restrita, a tal MPB.

"Histórias paralelas: 50 anos de música brasileira" (Casa da Palavra), de Hugo Sukman, conta a história da música feita no país por meio de vários caminhos que se desenvolveram paralelamente, fugindo da história única que costuma reduzir a "verdadeira" música nacional aos herdeiros da bossa nova e dos medalhões que surgiram nos festivais dos anos 1960. O livro não ignora esse fundamental capítulo da história da música brasileira (que na obra engloba o samba, a MPB e a Tropicália), mas acrescenta mais outros a essa trajetória: a Jovem Guarda e o brega, a música nordestina, o instrumental e a música das cidades.

Já "Simonal - Quem Não Tem Swing Morre com a Boca Cheia de Formiga" (Editora Record), fruto da dissertação de mestrado do historiador Gustavo Alonso, procura demonstrar como as pesquisas em torno da música brasileira das últimas décadas optou por glorificar e colocar sob os holofotes apenas a fatia artística comprometida com a música dita de protesto e de resistência, o que, consequentemente, condenou ao esquecimento nomes igualmente importantes para a música nacional. Para tanto, usa como exemplo o caso de Simonal, que a despeito do estrondoso sucesso na década de 1960, caiu no ostracismo a partir do momento em que foi condenado por supostamente colaborar com o Dops - a condenação é questionada até hoje.

Quebra-cabeça
Os dois livros, que já estão na minha fila de espera, me lembraram de outra obra lançada há mais tempo e que segue na mesma direção de resgatar artistas marginalizados pela "história oficial": "Eu não sou cachorro, não" (Record), do historiador Paulo César de Araújo, que mostra como cantores populares da música brega/romântica foram tão perseguidos pela censura como Chico, Caetano e Gil. Três livros, três peças de um quebra-cabeça chamado música brasileira.

15 de set de 2011

Criolo parece totalmente alheio ao turbilhão que tomou conta de seu nome nos últimos cinco meses, desde o lançamento de seu segundo disco, "Nó na Orelha". A fala serena e bastante reflexiva do rapper paulistano, batizado Kleber Gomes, contrasta radicalmente com a entusiasmada recepção que o mais recente trabalho provocou no público, responsável por um incessante burburinho nas redes sociais, na crítica e na classe artística.

O álbum teve 70 mil downloads somente no site de Criolo - foram 25 mil só nos três primeiros dias e recebeu críticas que o apontam como o melhor lançamento de 2011. Para o autor, rendeu capa de revista e um convite de Caetano Veloso para dividir o palco no "Vídeo Music Brasil", premiação da MTV que ocorre em outubro, na performance de "Não Existe Amor em SP", faixa do disco de maior repercussão até agora.

"O sentimento que eu tenho é de gratidão por todas as pessoas, as que estão comigo de longe e de perto acompanhando essa pequena história de 23 anos", diz Criolo, com a sensatez de quem não perseguia necessariamente um amplo reconhecimento público. Por isso mesmo, não se cansa de repetir nas inúmeras entrevistas que vem dando uma mesma avaliação do momento que vive. "Meus amigos falam que eu fiquei 23 anos plantando e agora é hora da colheita. Eu falo que eu fiquei esse tempo todo cuidando da terra e agora é hora de semear. Daqui a 20 anos, vamos ver se eu sou merecedor", reflete.

Compositor desde os 11, daí a referência constante à "pequena história" de mais de duas décadas, Criolo é MC de longa data na cena do rap paulista e idealizador da Rinha dos MC’s, evento já consolidado em São Paulo que há cinco anos reúne rappers para batalhas de improviso e que ajudou a revelar outro nome que vem se projetando nacionalmente, o rapper Emicida.

Virada
"Nó na Orelha" é um novo capítulo dessa história, e também uma virada na trama, na medida em que não utiliza somente o rap como cenário. O material, um apanhado de composições que Criolo vinha produzindo nos últimos anos, transita por gêneros da música negra como jazz, samba, soul, afrobeat e reggae, e não deixa de trazer faixas de rap em estado bruto, mas sua presença se dá de uma forma mais subjetiva. "O rap está em tudo porque essa é minha formação e meu berço. Ele pode não aparecer enquanto estética, mas está no gesto que antecede a criação: quais são seus desejos, o que te incomoda, o que te alegra. O rap nacional me deu toda essa base", enfatiza.

No palco o músico também experimenta uma nova fase e se diz "um aprendiz" dentro de todo o processo. O MC, que antes dividia o espaço somente com o DJ, agora se apresenta com mais outros seis músicos para dar conta de executar a diversidade do atual repertório. Baixo elétrico e acústico, guitarra, percussão, sax e flauta compõem uma banda grandiosa que, somada à euforia do público em torno do disco e à verve de intérprete de Criolo, que tem surgido no palco usando uma túnica, tem resultado em apresentações esgotadas e calorosas nos clubes da capital paulista.

"Não é um show meu, é um show nosso. A gente se confraterniza, cada um do seu jeito", comenta. Chegou a vez do público mineiro confraternizar.




*Reportagem publicada na edição de 10/09 do Jornal Pampulha

14 de set de 2011


No próximo dia 24, 500 fotos dos Beatles feitas pela fotógrafa alemã Astrid Kirchherr vão a leilão em Nova York, juntamente com outros objetos dos fab four. As imagens podem ser vistas neste link.

Só para lembrar, Astrid documentou de perto os primeiros anos da banda, ainda no período pré-beatlemania, quando os quatro excursionaram por Hamburgo, na Alemanha. O conteúdo das fotos compreende majoritariamente essa fase (1960-62), mas há algumas poucas imagens de anos posteriores. Belo arquivo.
O site de Abbey Road (aquele estúdio que ficou famoso por conta daquela banda) tem um link para uma câmera posicionada na exata travessia onde aqueles quatro caras tiraram a foto da capa daquele disco. As imagens são geradas ao vivo 24 horas por dia.

Tarefa para quem estiver a toa: contar quantas vezes ao dia alguém atravessa a rua imitando a pose dos Beatles na capa de Abbey Road.

12 de set de 2011

Mantendo a fama de mau, Erasmo Carlos dá uma de avassalador e canta "Sou Foda". A versão para o funk que fez sucesso na internet com o grupo Avassaladores foi gravada para promover o VMB, que terá Erasmo como uma de suas atrações.


11 de set de 2011

Há quase dez anos, quando o atentado contra o World Trade Center traumatizou a população norte-americana, foi divulgada uma lista com 150 músicas que deveriam ser banidas das rádios dos EUA por aludirem, em maior ou menor grau, e em alguns casos de maneira bastante subjetiva, ao ocorrido. A responsável pela censura foi a Clear Channel Communications, empresa proprietária e operadora de mais de 1 mil estações de rádio nos States.

Dez anos depois, poucos dias antes de completar-se uma década do ataque, a WNYC, rede pública de rádio de Nova York, fez o caminho oposto: perguntou aos seus ouvintes quais músicas gostariam de ouvir no próximo dia 11, que inevitável e exaustivamente será lembrado no país de Obama nos próximos dias.

Na lista de dez anos atrás, a da censura, algumas músicas traziam palavras que remetiam a choque/colisão, como "Crash Into Me", do Dave Matthews Band. Outras remetiam a fogo, como "Great Balls of Fire", do Jerry Lee Lewis. Outras eram ironicamente contraditórias, como "Safe in New York City", do AC/DC. E havia também as músicas do Rage Against The Machine, que foram TODAS censuradas simplestemente por serem do Rage Against The Machine, críticos escancarados de muitas das posturas adotadas pelo governo dos EUA.

Desta vez, a lista, um top 10, tem composições com tons dramáticos e melancólicos (é o caso das peças de Brahms e Samuel Barber), outras patrióticas ("America the Beautiful", tradicional canção do século XIX que exalta o país e "The Rising", de Bruce Springsteen, porta-voz das mágoas dos norte-americanos no pós-11 de setembro, quando lançou disco homônimo refletindo sobre o ocorrido).

O destaque de toda a história fica por conta de "New York, New York", a famosa canção de Frank Sinatra convertida em hino extra-oficial da cidade. Censurada na lista de 2001, talvez por sensibilizar exageradamente os já fragilizados nova-iorquinos, o sucesso aparece também nas escolhas dos moradores da cidade para as celebrações deste ano, provavelmente para voltar a exercer sua função original: exaltar a Big Apple.

Veja aqui a lista das 150 músicas censuradas.

Ouça abaixo as dez músicas mais votadas pelos ouvintes de NY para se ouvir nos dez anos do 11/9:


*Uma versão deste texto também foi publicada na edição online do Jornal Pampulha de 10/09/11

8 de set de 2011


"Rei" (Editora Toriba) é o nome da fotobiografia de Roberto Carlos que chega às livrarias em novembro. Fotos, documentos (como manuscritos de algumas composições) e intervenções gráficas contam a história de Roberto neste livro cercado de números: são 500 páginas, 25 quilos, 3 mil exemplares e o valor de R$6.500.

Acho maravilhoso um artista brasileiro ganhar uma obra desta envergadura - coisa já bastante comum lá fora. Também entendo a necessidade do mercado, seja ele de qual segmento for, de transformar o que vende em objeto de desejo se valendo de recursos diversos - neste caso, editando uma obra luxuosíssima e de acesso super restrito, seja no que se refere à tiragem, seja no que diz respeito ao valor. Mas é neste valor que mora o problema. Roberto é um rei com súditos populares, em sua maioria. Praticamente nenhum deles vai sequer sentir o cheiro desse livro - incluso eu.

Seria o caso, então, de seguir o exemplo de editoras como a alemã Taschen, especialista em livros de fotografia. Em muitos casos, uma edição de luxo, para colecionadores, de um mesmo livro é sempre acompanhada de uma edição dita comercial, com menos páginas, de menor tamanho e sem embalagem especial. Um lançamento recente sobre futebol americano, por exemplo, tem uma edição de U$50 e outra de U$1.800.

Para dar um exemplo mais próximo, ligado ao próprio rei, o show que Roberto fará aqui em BH no próximo dia 24 tem ingressos que variam de R$70 a R$650. O ingresso mais barato pode chegar a R$35 se considerarmos o desconto para estudantes e idosos. Fica a dica.

Para os pobres (literalmente) mortais, o site da editora disponibiliza uma galeria com imagens de algumas páginas do livro.

2 de set de 2011

Esse é bem fresquinho. Acabou de sair do forno do pop. Jack White se juntou aos rappers do Insane Clown Posse, de Detroit, para fazer um cover de "Leck mich im Arsch", composta por Mozart no fim do século XVIII. Abaixo, as versões original e regravada. Quanto ao nome da composição, por favor, peça ao tradutor do Google para convertê-lo do alemão para o português. É uma gentileza só.

1 de set de 2011

Uma das coisas mais legais em ser fã de Beatles é que nunca há pasmaceira, mesmo a banda não existindo há mais de quarenta anos. Tanto pelo peso histórico quanto pelo potencial de mercado, sempre há uma novidade para movimentar a vida dos fãs, seja com um lançamento relativo à banda, seja relativo a um de seus membros. Deste mês até o fim do ano, a agenda está bem recheadinha, o que me motivou a fazer um apanhado do que está por vir e

Setembro
Paul.doc. Entre as muitas produções relativas aos dez anos do atentado contra as Torres Gêmeas, no próximo dia 10, Paul lança o documentário "The Love We Make". O filme registra toda a concepção e organização do "Concert For New York City", show beneficente que Paul organizou pouco mais de um mês depois do atentado terrorista em NY. Paul estava na cidade no dia dos ataques. A estreia será no canal por assinatura Showtime.








Memórias de George. Ainda sem data definida, Olivia Harrison deve lançar ainda este mês o livro "Living in the Material World", que traça um perfil de George a partir de seu acervo pessoal - cartas, diários e fotos.


Outubro
George.doc. Nos dias 5 e 6, a HBO exibe, em duas partes, "Living in the Material World", documentário sobre George dirigido por Martin Scorsese. O filme também será lançado em DVD, que terá uma edição de luxo com livro de fotografias e CD de raridades de George.








Novembro
Ringão vem aí. Depois de recebermos a visita de Paul duas vezes em um intervalo de seis meses, Ringo vem pela primeira vez ao Brasil para uma série de sete shows em seis cidades, entre os dias 10 e 20 de novembro. Ingressos devidamente comprados há dois meses, né?




Julian Casablancas para Azarro. Uma das coisas mais legais com alguém do Strokes desde "Reptilia".



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