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O que eu trouxe na bagagem da Colômbia

A(s) pergunta(s) que eu não fiz para Steve Aoki

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4 de jun. de 2014

Eles são bons de palco, são chiques, mas estão ficando caros

Se o assassinato do arquiduque Franz Ferdinand foi o estopim para a Primeira Guerra Mundial, o preço dos ingressos para ver aqui no Brasil outro Franz Ferdinand, aquela banda mezzo-escocesa/mezzo-brasileira, poderia servir de estopim para uma micro Terceira Guerra Mundial.

A banda se apresenta no Vivo Rio, no dia 2 de outubro, com entradas que variam entre R$ 360 e R$ 600, valores muito acima dos cobrados nas 4564589 passagens anteriores dos escoceses pelo Brasil. A propósito, tanta frequência assim (com vindas duas vezes em 2006, além de turnês em 2009, 2010, 2012 e 2013) basicamente sempre nos mesmos lugares (RJ e SP) poderia resultar em preços mais sensatos, já que o quarteto não é tão mais novidade assim (mas não deixa de ser uma das minhas bandas preferidas da safra pós-Strokes para todo o sempre, amém).

Na estreia da banda por aqui, em 2006, com shows primeiro na abertura do show do U2 no Morumbi, no finado Motomix, ambos em São Paulo, e na noite dita histórica no Circo Voador, no Rio, a média de preços dos ingressos ficou em R$ 196. Em 2009, o show concorridíssimo na The Week, em São Paulo, custou R$ 260 para cada um dos apenas 500 fãs que tiveram acesso aos ingressos. Em 2010, a média de preços na turnê tripla (que incluiu RJ, SP e POA) ficou em R$ 176. Em 2012, vimos o Franz de graça, com direito a tumulto da PM, no Parque da Independência, em São Paulo. No ano passado, entre o Lollapalooza e um show no Recife, a média foi de R$ 275 (no Lolla, pagava-se R$ 350 para ver o Franz e mais uma boa dezena de bandas). Até que chegamos a uma média de R$ 446 para os shows do Rio, neste ano. Todos os valores consideram os preços de entrada inteira.

Uma inflação que teima em não ser controlada, uma crise no meio do caminho e um câmbio que nunca mais ficou abaixo dos R$ 2 justificam até certo ponto o aumento dos preços, mas é difícil conseguir justificativas para os R$ 360 reais cobrados por um lugar na frisa que dá visão parcial do palco do Vivo Rio. O mesmo valor também é cobrado para a pista. A maioria acaba pagando menos, pois se beneficia (honestamente ou não) da meia entrada, mas subir os valores da inteira é uma forma esperta e há muito tempo usada para tornar a meia entrada mais rentável.

Ah, e o nonsense dos preços cobrados neste show do Rio chega ao ponto de um tal camarote B custar R$ 20 a mais que a frisa com visão parcial. A frisa, que não te dá visão completa do palco, custa R$ 360 (mesmo valor da pista, inclusive) e o camarote, R$ 380. Mas como um lugar com visão parcial pode custar praticamente o mesmo que um camarote? Há também um camarote no estilo VIP do VIP por R$ 600. Já podem inaugurar o gênero indie ostentação.


Veja abaixo os valores de inteira para todos feitos pelo Franz Ferdinand no Brasil até agora.

Franz em 2006 (média R$ 196)
Na abertura do U2
R$ 160 (arquibancada)
R$ 200 (pista)
R$ 230 (cadeira superior)

No Circo Voador
R$ 100 no Circo Voador

No Motomix 
R$ 120

Franz em 2009
No The Week
R$ 260

Franz em 2010 (média R$ 176)
R$ 80 e R$ 120 em Porto Alegre
R$ 140 em São Paulo
R$ 180, R$ 240 e R$ 300 no Rio

Franz em 2012
De graça, no Parque da Independência

Franz em 2013 (média R$ 275)
No Recife
R$ 200 no Recife

No Lolla
R$ 350, o dia, ou R$ 495 o passaporte para os três dias

Franz em 2014 (média R$ 446)
R$ 360 pela pista, balcão ou frisa com visão parcial (!!), R$ 380 para camrote B e R$ 600 para camarote A, no Rio

17 de mar. de 2014

O Metallica trabalhando à toa para produzir música nova que a maioria não quer ouvir

Conforme prometido quando anunciou a turnê na América do Sul, o Metallica vai apresentar uma música nova no lado de cá do Equador. A banda divulgou na semana passada imagens dos trabalhos em estúdio durante a produção da composição inédita. Mas James e cia. talvez não precisassem se dar ao trabalho. A julgar pela decisão do público, que teve a oportunidade de escolher, dentre todas as músicas já feitas pelo Metallica, quais a banda tocará no show do próximo dia 22, no Morumbi, a maioria não está com vontade de ouvir coisa nova.

Das 17 músicas mais votadas pelos fãs brasileiros, 15 foram compostas até 1991 (veja abaixo). A exceção, de fato, ao Metallica pós-"Black Album" (o disco lançado neste limite temporal (in)conscientemente criado pelos fãs) é "Fuel", presente em "Reload", de 1997. Há também "Whiskey in the Jar", gravada em 1998 para o disco "Garage Inc.", mas, além de não ser de autoria do Metallica, é uma música mais velha ainda que os sucessos que a banda produziu entre 1983 e 1991 - a música é uma tradicional canção irlandesa e já foi gravada por muita gente do rock, sendo uma das principais versões a do Thin Lizzy, feita em 1993. O resultado das votações no Equador, Chile, Argentina, Paraguai, por onde a banda também vai passar, e por países europeus difere quase nada do resultado da enquete brasileira. Quando há alguma música diferente, ela também é pré-1991 (caso de "Whiplash", de 1983, e "Blackened", de 1989, recorrentes nos resultados dos demais países sul-americanos).

É claro que toda banda tem seu auge criativo, seguido por momentos não tão inspirados, e é por isso que, por exemplo, o público quer ouvir cinco músicas do "Black Album". Ou que "Master of Puppets", do disco homônimo de 1986, e "One", de "...And Justice For All", de 1989, são a primeira e a segunda mais votadas em todas as enquetes da América do Sul e nas votações que foram abertas na Europa até o momento. É um consenso muito claro e óbvio que o melhor período do Metallica se concentra nesse espaço de tempo. E é claro que um setlist não pode virar as costas pra isso. Mas é curioso perceber que a maioria do público simplesmente ignora o que a banda fez nos últimos 23 anos. Será que é tão ruim assim? (Não acho que é. Sério que "Hero of the Day" não significa nada pra vocês que aprenderam a ouvir Metallica nos anos 1990 por causa da MTV?). E se for tão ruim assim, por que continuar acompanhando a banda se você não está disposto a abrir os ouvidos para o que ela tem a te oferecer enquanto está em atividade?

O fato de o Metallica ser uma banda que ajudou a levar o heavy metal para o mainstream e, com isso, conseguiu atrair gente acostumada a ouvir outros gêneros musicais pode ser apontado por alguém como justificativa para a prevalência das músicas mais populares em detrimento de outras mais, digamos, alternativas na votação. Mas não acho que fãs ocasionais estejam mais interessados em escolher o que a banda toca do que fãs que são profundos conhecedores da discografia do grupo. Seja lá quem votou, houve uma opção acomodada pelo mais do mesmo (o repertório escolhido é parecidíssimo com os dos shows mais recentes da banda aqui, no Rock in Rio em 2011 e 2013) num raríssimo momento em que o artista deixa os fãs escolherem o que ele vai apresentar.

Vira o disco, alguém diria pra esse pessoal. Mas parece que ninguém quer virar porque fez a agulha propositalmente arranhar a última faixa do "Black Album", que vai ficar se repetindo eternamente na vitrola do tempo. Por isso mesmo, não vai dar para aceitar choradeira quando o Metallica decidir terminar, porque isso já aconteceu há 23 anos para os ouvidos de muita gente, que só não percebeu porque está dormindo profundamente por causa do Sandman.

Veja abaixo as escolhas dos fãs segundo o álbum e a lista de músicas que estarão no show conforme porcentagem de votos. 

Ouça, mais abaixo, a nova música do Metallica, "The Lords of Summer", que foi apresentada pela primeira vez no domingo (16), em Bogotá, na Colômbia.





Editado às 10h21 de 17/03/2014.

31 de jan. de 2014

O amor e o poder: Mrs. e Mr. Carter são os únicos artistas entre os poderosos da indústria

A revista Billboard, em sua edição norte-americana, publicou a Power 100, lista que aponta quem são as figuras mais poderosas da indústria fonográfica. Tal como representantes únicos de uma casta bastante privilegiada o casal Carter, a.k.a Beyoncé e Jay-Z, são os únicos artistas que aparecem na lista. E mais: eles ocupam juntos o primeiro lugar.

Deixaram pra trás executivos de gravadoras (37.1% dos nomes mencionados), inclusive a Roc Nation, pertencente a Jay-Z; representantes de produtoras gigantes do entretenimento que agenciam artistas e grandes turnês (21%), como a Live Nation; o alto escalão de grandes corporações de mídia (15.2%), como a CBS; e de grandes empresas que patrocinam a música de alguma forma (15.2%), como a Pepsi (que esteve envolvida no lançamento de uma das faixas do último disco de Beyoncé).

Em proporções bem menores, foram listados dirigentes de empresas de música digital (5.7%), como o Spotify; e de instituições ligadas à música (3.8%), como a Academia Nacional de Artes e Ciências da Gravação, responsável, dentre outras ações, pelo Grammy.

O curioso nisso tudo é notar que, ao mesmo tempo em que mais da metade da lista puxa a sardinha para gente que representa os modelos tradicionais de negócios da indústria do disco, endossando um status quo em crise, Beyoncé e Jay-Z foram condecorados com a primeira posição devido às estratégias inovadoras que ambos adotaram em 2013: Jay-Z disponibilizou gratuitamente para usuários de aparelhos Samsung, por cinco dias, seu disco "Magna Carta". Já Beyoncé fez o lançamento de seu quinto álbum, homônimo, em esquema de exclusividade com iTunes por uma semana. Em ambos os casos, diz a Billboard, além da inovação, houve uma valorização do formato disco, já que os fãs tinham apenas a possibilidade de acessar o álbum de uma vez só, sem direito a comprar ou ouvir faixas separadamente.

Veja a Power 100 na íntegra: http://www.billboard.com/biz/5869768/the-2014-billboard-power-100



20 de jan. de 2014

Nada de bará, berê ou lek lek. É RiRi quem mais emplaca hits nas baladas daqui

Quando o assunto é o gênero musical, o sertanejo, turbinado nos últimos anos por arranjos acelerados e dançantes, impera nas baladas brasileiras. Ao mesmo tempo, a artista que mais prevalece nas pistas de dança do lado de cá do Atlântico é Rihanna. É o que mostra levantamento do Ecad, Escritório Central de Arrecadação e Distribuição dos direitos autorais, referente ao ano de 2013.

Das 20 músicas mais tocadas em casas noturnas no ano passado, seis são de artistas sertanejos. O funk vem logo atrás, com quatro representantes - Anitta e Naldo, dois dos maiores hitmakers de 2013 inclusos, ao lado da turma do Lelek lek lek. Junto com o pagode do Sorriso Maroto, são 11 sucessos nacionais (55,5%) na lista, confirmando, sem surpresas, a prevalência do consumo de música nacional. Mesmo assim, a única artista que conseguiu emplacar sozinha mais de um hit na lista é internacional: Rihanna. "Diamonds", "Titanium" e "Found Love". Sucessos de 2012 ainda ecoam nas pistas daqui: Gotye ("Somebody That I Used To Know") e Psy ("Gagnam Style") figuram na lista.

O sertanejo também predomina na lista das músicas mais tocadas nas rádios, com quatro sucessos do gênero. Naldo e Anitta, confirmando o sucesso do ano passado, também têm seus sucessos entre os mais tocados. Novamente, Rihanna aparece com mais de um hit na lista. São dois desta vez ("Diamonds", "Titanium" ), feito equiparado por Luan Santana e Bruno Mars. Novamente também, os artistas brasileiros são maioria: 60%. O rock tem representante solitário: "Meu Novo Mundo", do Charlie Brown Jr. Na última posição da lista, a música também foi a última de Chorão com a banda e teve seu sucesso impulsionado no ano passado pela morte do vocalista e, em seguida, do baixista Champignon

Mais tocadas em casas de diversão em 2013
Louquinha - João Lucas & Marcelo
Amor de Chocolate - Naldo
Gatinha Assanhada - Gusttavo Lima
Don't you worry child - Swedish House Mafia
Camaro Amarelo - Munhoz & Mariano
Show das poderosas - Anitta
Sinal disfarçado - Zé Ricardo & Thiago
Titanium - Rihanna
Diamonds - Rihanna
Gagnam Style - Psy
Ela é top - MC Bola
Parabéns a você
Só vou beber mais hoje (vou parar) - Humberto e Ronaldo
Feel So Close - Calvin Harris
We found love - Rihanna
Flor - Jorge & Mateus
I Follow Rivers - Lykke Li
Passinho do Volante - MC Federado e os Leleks
Assim você mata o papai - Sorriso Maroto
Somebody that I used to know - Gotye


Mais tocadas nas rádios em 2013
93 million miles - Jason Mraz
Don't you worry child - Swedish House Mafia
Esse cara sou eu - Roberto Carlos
Vidro fumê - Bruno & Marrone
Vagalumes - Pollo
Diamonds - Rihanna
Amor de chocolate - Naldo
Te esperando - Luan Santana
Sogrão caprichou - Luan Santana
Locked out of heaven - Bruno Mars
When I Was Your Man - Bruno Mars
Show das Poderosas - Anitta
Vai e Chora - Sorriso Maroto
I Follow Rivers - Likky Li
A Thousand Years - Christina Perri
Quando Você Some - Victor & Leo
Stay - Rihanna
Fala Baixinho - Revelação
Tempos Modernos - Lulu Santos
Meu Novo Mundo - Charlie Brown Jr
"Eu não vim pra explicar, eu vim pra confundir", Google Music Timeline

O Google lançou neste mês uma ferramenta que, de início, me pareceu fantástica, mas logo em seguido se mostrou ser bem #pegadinhadomallandrofeelings: a Music Timeline. Em resumo, é um gráfico que mostra a popularidade de artistas e gêneros musicais que lançaram discos a partir dos anos 1950. Como o nome sugere, essas informações são representadas graficamente em uma linha do tempo. E é aí que o Sérgio Mallandro surge na tela do seu computador e grita: rá! rá! pegadinha do Mallandro!

Se é uma linha do tempo, o mais natural é que você conclua que o gráfico está te contando uma história, falando do passado. Mas não está. Porque os dados usados pelo Google para mensurar a popularidade dos artistas são os do Google Play, ou seja, os dados do presente. Explicando melhor: a popularidade de artistas e gêneros foi calculada com base em quantos usuários do serviço possuem um álbum X. A marca temporal é apenas um referencial para identificar o ano de lançamento de um disco em questão e o período de atividade de um artista/banda.

Enfim, não é uma linha do tempo porque não conta a história da popularidade de artistas e gêneros ao longo do tempo, mas sim qual o grau de popularidade têm hoje diferentes artistas das últimas seis décadas (e mais: popularidade entre os usuários do Google Play). O Google até deixa isso bem claro no FAQ, mas não é todo mundo que vai parar para ler essas informações. E não adianta explicar se o gráfico (a apresentação, o nome do projeto) induz facilmente a outro tipo de interpretação. Batendo o olho, você acha que o Google está oferecendo uma história da música pop, mas, na verdade, é apenas um recorte dos hábitos musicais de um grupo determinado de pessoas.

Desfeito esse equívoco, a Music Timeline (por favor, mudem o nome disso) se torna um brinquedinho interessante pra quem é nerd de música (me). Vi, por exemplo, que o "Please Please Me" e o "A Hard Day's Night" são muito mais populares que o "Sgt. Pepper's" e "Revolver" entre os ouvintes que possuem discos dos Beatles. Que o Rage Against the Machine é classificado tanto quanto metal quanto alternativo. Que o metal farofa tem quase o mesmo nível de popularidade que o metal clássico. Vi também que os dados, apesar de dizerem respeito a um universo bastante específico de ouvintes, indicam quadros que podem ser generalizados ou frequentemente apresentados como certezas: que o hip hop atual ganha de longe em preferência dos usuários se comparado com o hip hop dos anos 1980; que a área visual que representa a popularidade dos Beatles se destaca em relação à dos demais artistas. E que o pessoal só quer mesmo ouvir o "Is This It" e não dá muita bola pro resto da discografia do Strokes. Nhé.

Para explorar o gráfico, é só clicar nas áreas correspondentes aos gêneros ou artistas ou fazer uma busca por nome na caixa no canto direito superior da página. É possível buscar por artistas brasileiros também. Em tese, daria para ouvir os discos dos artistas também, mas o serviço de streaming do Google Play ainda não está disponível no Brasil.

Conheça o projeto: http://research.google.com/bigpicture/music/#


29 de abr. de 2013

Paul McCartney vai estrear sua nova turnê em BH, no próximo dia 4 - depois desta que vos fala, em parceria com seus amigos, gritar insistentemente "Paul, vem falar uai" - e o portal do jornal O TEMPO preparou hotsite com conteúdo multimídia sobre a vinda do Sir a terras mineiras. Eu, de lá do meu cantinho da redação do Pampulha, colaborei com parte do conteúdo, e um deles diz respeito a um mega apanhando sobre as visitas que Paul fez ao Brasil desde sua estreia tupiniquim, em 1990.

Foi um trabalho de algumas contas, horas fuçando em arquivos de jornais e no site do próprio Paul para garimpar todos os dados, que foram apresentados graficamente de maneira bem descolada pela Aline Medeiros. Acesse este link para a versão interativa do material. Enjoy!



4 de mar. de 2013



Durante o mês de janeiro e parte de fevereiro, participei de um curso online sobre visualização de dados ofertado pelo Knight Center for Journalism in the Americas, projeto de extensão da Universidade do Texas, em Austin, para qualificação de jornalistas da América Latina e do Caribe. O trabalho final consistia em trabalhar dados em linguagem gráfica + textual. A escolha do tema era livre. Obviamente, procurei por algo que orbitasse em torno do universo da música e me deparei com um estudo britânico sobre taxas de mortalidade entre rock stars. Segue o resultado do trabalho (passe o mouse sobre os gráficos para visualizar os dados):

Hope I Die Before I Get Old
Os versos cantados por Roger Daltrey no hit do The Who de 1965, "My Generation", podem não ser uma verdade para ele, que está vivo hoje aos 67 anos, mas se aplica alguns de seus colegas de estrelato. Estudos conduzidos pelo Centro de Saúde Pública da Liverpool John Moores University mostram que pop stars morrem mais cedo que a média das pessoas. Uma análise com 1489 músicos de pop e rock da Europa e da América do Norte que alcançaram a fama entre 1956 e 2006 revela que a mortalidade cresce em relação à população em geral a partir do momento que se atinge a fama. 9.2% dessa amostra é de falecidos. As taxas de morte para os astros norte-americanos na casa dos vinte anos, por exemplo, são três vezes mais altas do que as da população comum.


Sexo, drogas e rock 'n' roll
O uso de substâncias químicas ou riscos relacionados a este comportamento são as principais causas de morte prematura entre pop stars. 26.3% da amostra estudada morreu de overdose de álcool ou de outros tipos de drogas. As consequências provenientes do uso de substâncias químicas foi causa de 44.7% das mortes.





All By Myself
Se o artista é do sexo masculino, segue carreira solo e atingiu a fama antes de 1980, o risco de morte prematura é maior. Considerando apenas a mortalidade entre artistas pertencentes a uma banda e artistas solo, por exemplo, as taxas para os últimos são duas vezes maiores que as verificadas para os primeiros.






O Clube dos 27: um mito
Janis Joplin, Jimi Hendrix e Kurt Cobain. Todos morreram aos 27, o que fez se formar uma crença segundo a qual pop stars nesta idade têm mais risco de morrer. Entretanto, de acordo com a pesquisa, picos de morte são observados aos 32 anos. Em geral, as taxas de morte são similares aos 25 (0.56), 27 (0.57) e 32 (0.54).


5 de jan. de 2013

"Channel Orange", do rapper Frank Ocean, provavelmente foi o melhor disco do ano na visão da crítica. O lançamento foi o mais mencionado pelos críticos nos top 10 mundo afora. A propósito, sendo ou não o novo rock conforme se proclama por aí, o rap ao menos foi o gênero que mais se aproximou da unanimidade na eleição dos melhores discos de 2012. Seguindo Frank Ocean, o rapper Kendrick Lamar teve um dos lançamentos mais mencionados nas listas: "good kid, m.A.A.d city".

Para deixar 2012 para trás de vez, este blog fez uma varredura nas listas de melhores discos do ano de 10 veículos gringos para achar os melhores dos melhores. O caminho para encontrar os "dez mais dos dez mais" foi simples. Quem tinha mais menções nas listas de NME, Rolling Stone USA, Spin, Spinner, Pitchfork, Stereogum, The Guardian, MTV.com, BBC e Fact Magazine foi passando na frente.

58 lançamentos foram citados nestas dez listas, mas só dois deles se aproximaram da unanimidade, como dito acima: Frank Ocean e Kendrick Lamar apareceram em 9 das dez listas. Fiona Apple e Japandroids apareceram em metade delas. Na sequência, Grimes e Swans apareceram em quatro. Tame Impala, Jessie Ware e Alt-J, em três. E, finalmente, Miguel, em duas. No desempate, quem tinha mais menções entre o 1º e o 5° lugar pegou a posição da frente.

43 discos ou 74% dos listados foram citados uma única vez - o que mostra uma forte discordância - ou variedade de pontos de vista, como quiser - por parte da crítica.

Abaixo, o resumo disso tudo e as listas de cada um dos veículos mencionados.




NEW MUSICAL EXPRESS
1 "Lonerism", Tame Impala
2 "Visions", Grimes
3 "Channel Orange", Frank Ocean
4 "(III)", Cristal Castles
5 "An Awesome Wave", Alt-J
6 "Given to the Wild", The Maccabees
7 "Beard Wives Denim", Pond
8 "In the Bellow of the Brazen Bull", The Cribbs
9 "Jake Bugg", Jake Bugg
10 "Django Django", Django Django

ROLLING STONE
1 "Wrecking Ball", Bruce Springsteen
2 "Channel Orange", Frank Ocean
3 "Blunderbuss", Jack White
4 "Tempest", Bob Dylan
5 "The Idler Wheel Is Wiser than the Driver of the Screw and Whippin Cords Will Serve You More than Ropes Will Ever Do", Fionna Apple
6 "good kid, m.A.A.d city", Kendrick Lamar
7 "Here", Edward Sharpe & The Magnetic Zeros
8 "Uno!", Green Day
9 "Celebration Rock", Japandroids
10 "Psychedelic Pill", Neil Young and Crazy Horse

SPIN
1 "Channel Orange", Frank Ocean
2 "good kid, m.A.A.d city", Kendrick Lamar
3 "Celebration Rock", Japandroids
4 "Teklife Vol. 1 - Welcome to the Chi", DJ Rashad
5 "Kaleidoscope Dream", Miguel
6 "The Haunted Man", Bat For Lashes
7 "The Seer", Swans
8 "R.A.P. Music", Killer Mike
9 "Twins", Ty Segall
10 "Master of My Make-Believe", Santigold

SPINNER
1 "The Idler Wheel Is Wiser than the Driver of the Screw and Whippin Cords Will Serve You More than Ropes Will Ever Do", Fionna Apple
2 "Channel Orange", Frank Ocean
3 "Celebration Rock", Japandroids
4 "good kid, m.A.A.d city", Kendrick Lamar
5 "Old Ideas", Leonard Cohen
6 "A Thing Called Divine Fits", Divine Fits
7 "Tramp", Sharon Van Etten
8 "Boys & Girls", Alabama Shakes
9 "Bloom", Beach House
10 "Visions", Grimes

PITCHFORK
1 "good kid, m.A.A.d city", Kendrick Lamar
2 "Channel Orange", Frank Ocean
3 "The Idler Wheel Is Wiser than the Driver of the Screw and Whippin Cords Will Serve You More than Ropes Will Ever Do", Fionna Apple
4 "Lonerism", Tame Impala
5 "The Seer", Swans
6 "Visions", Grimes
7 "Bloom", Beach House
8 "Kill For Love", Chromatics
9 "The Money Store", Death Grips
10 "Shields", Grizzly Bear

STEREOGUM
1 "The Idler Wheel Is Wiser than the Driver of the Screw and Whippin Cords Will Serve You More than Ropes Will Ever Do", Fionna Apple
2 "Channel Orange", Frank Ocean
3 "good kid, m.A.A.d city", Kendrick Lamar
4 "The Seer", Swans
5 "Devotion", Jessie Ware
6 "Attack on Memory", Cloud Nothings
7 "Celebration Rocks", Japandroids
8 "Heaven", The Walkmen
9 "Something", Chairlift
10 "Swing Lo Magellan", Dirty Projectors

THE GUARDIAN
1 "Channel Orange", Frank Ocean
2 "Visions", Grimes
3 "Devotion", Jessie Ware
4 "Swing Lo Magellan", Dirty Projectors
5 "good kid, m.A.A.d city", Kendrick Lamar
6 "Lonerism", Tame Impala
7 "An Awesome Wave", Alt-J
8 "Coexist", The XX
9 "In Our Heads", Hot Chip
10 "The Bravest Man in the Universe", Bobby Womack

MTV.com
1 "Celebration Rocks", Japandroids
2 "good kid, m.A.A.d city", Kendrick Lamar
3 "Red", Taylor Swift
4 "Channel Orange", Frank Ocean
5 "Fear Fun", Father John Misty
6 "R.A.P. Music", Killer Mike
7 "Kaleidoscope Dream", Miguel
8 "Some Nights", Fun.
9 "Sweet Heart Sweet Light", Spiritualized
10 "The Idler Wheel Is Wiser than the Driver of the Screw and Whippin Cords Will Serve You More than Ropes Will Ever Do", Fionna Apple

BBC MUSIC BLOG
1 "good kid, m.A.A.d city", Kendrick Lamar
2 "Channel Orange", Frank Ocean
3 "One Day I'm Going to Soar", Dexys
4 "Devotion", Jessie Ware
5 "Trouble", Totally Enormous Extinct Dinosaurs
6 "The Money Store", Death Grips
7 "Reggae Music Again", Busy Signal
8 "Love This Giant", David Byrne and St. Vincent
9 "An Awesome Wave", Alt-J
10 "Boys & Gitls", Alabama Shakes

FACT MAGAZINE
1 "good kid, m.A.A.d city", Kendrick Lamar
2 "Dutch TV Ashar Plumes", Lee Gamble
3 "Playin Me", Cooly G
4 "Celestial Joy", Horrid Red
5 "Godo f Black", Spaceghostpurrp
6 "How to Dress Well", Total Loss
7 "Classical Curves", Jam City
8 "From the Far Future Part. 2", Terrence Dixon
9 "The Seer", Swans
10 "Rückverzauberung 6", Wolfgang Voigt



20 de dez. de 2012

O Guinness soltou alguns recordes* do mundo da música pop de 2012 e este blog transformou tudo em gráfico. Enjoy it.



*Dados de maio/12

17 de dez. de 2012


Nada de ~sertanejo universitário~ ou onomatopeias do tipo tchu, tcha, ai ai ai ou oi oi oi. Pelo menos na internet, o foco do brasileiro foi no hit meteórico "Gangnam Style". A música do sul-coreano Psy foi a mais buscada pelos brasileiros em 2012, segundo o Zeitgeist, relatório do Google que revela anualmente as tendências de pesquisas no site - uma espécie de retrospectiva das buscas na internet. Em todo o mundo, "Gangnam Style" foi o segundo termo mais pesquisado no ano (atrás apenas de Whitney Houston).

Foram necessários apenas quinze dias, em setembro, para que a música atingisse o pico de buscas pelos brasileiros e, consequentemente, o maior volume de pesquisas musicais no país em 2012.

Muito antes de sonharmos com a emergência do eletrônico cafona de Psy, porém, Adele reinava soberana nos ouvidos tupiniquins com "Someone Like You", lá para meados de abril, até começar a ser atropelada por hits nacionais: "Camaro Amarelo" (Munhoz & Mariano), "Vida de Empreguete" (da novela Cheias de Charme) e "Te Vivo" (Luan Santana). Nenhuma música, no entanto, em seu período de auge, no comparativo com "Gangnam Style", conseguiu atingir mais que a metade do volume de buscas obtido pelo sul-coreano.

Seguindo o ciclo de vida natural de muitos hits, todos já apresentam uma trajetória de queda, mas a música de Psy ainda mantém volumes razoáveis de busca ainda neste mês de dezembro.

O gráfico que fiz no Google Trends ilustra essas observações.


Nem outros dois megahits do ano (que, curiosamente, não aparecem na lista do Google, apesar dos altos volumes de buscas) tiveram forças para superar "Gangnam Style" nas pesquisas online. "Ai, se eu te pego", de Michel Teló (um dos dez artistas mais buscados no mundo segundo o Zeitgeist) vinha embalado pelo sucesso recente em 2011 e abriu janeiro com ritmo elevado de buscas, mas não maior que aquele que Psy obteria nove meses depois. "Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha", de João Lucas e Marcelo, começou a ganhar força depois daquele fatídico dia em fevereiro quando Neymar decidiu comemorar um gol fazendo a coreografia da música. O pico veio no mês seguinte, mas foi menos da metade de "Gagnam Style". O interesse pelos dois hits nacionais agora, em dezembro, é baixo nas buscas da internet conforme mostra a curva do gráfico.


No mundo, a supremacia de Psy é ainda mais contrastante. Em comparação com dois outros hits chiclete do ano, "Call Me Maybe", de Carly Rae Jepsen, e "What Makes You Beautiful", do One Direction, a curva que indica os volumes de buscas do sucesso sul-coreano é incrivelmente ascendente. Psy deve muito à Mongólia, país que mais pesquisou por sua música. A propósito, dos dez países que mais buscaram pelo nome da música, a maioria é asiática. Um hit mundial impulsionado por seus iguais, continentalmente.


10 de dez. de 2012


O Rock in Rio anunciou neste mês mais uma atração para sua edição em 2013: Avenged Sevenfold. É o sétimo nome confirmado até agora para a quinta edição do festival no país e, assim como os demais artistas já garantidos na programação do ano que vem, é mais um nome do rock (num sentido mais amplo do termo) na lista: também se apresentam em 2013 Metallica, Iron Maiden, Muse, Sepultura, Bruce Springsteen e Alice in Chains.

Isso só representa um quinto dos shows previstos para o Palco Mundo - o principal, mas se o próximo Rock in Rio seguir a tendência dos anos anteriores, vai ter muito mais rock aí. O gênero de Chuck Berry e Elvis é predominante em toda a história do festival no Brasil. Sim. Em cada uma das quatro edições, e também no apanhado geral, 50% das atrações ou algo muito próximo disso eram de rock (veja gráficos abaixo), ao contrário do que faz crer o achincalhe nostálgico comum de parte do público contra as programações mais recentes - o rock estaria só no nome, diferentemente do que era naquele mítico Rock in Rio de 1985, dizem.

É certo que a presença de Britney, Rihanna e afins (razão das reclamações) impede que o festival seja hegemonicamente roqueiro, mas não é suficiente para fazer do estilo uma minoria. No máximo, gera uma ilusão de que o rock não tem espaço no evento. Ele tem o maior de todos, mas divide com outros gêneros a programação desde o primeiro ano.

É notável, inclusive, a regularidade com que os gêneros são representados proporcionalmente em cada edição. Metade fica com o rock, metade fica com pop, pop rock, artistas brasileiros e outras "minorias". É, no mínimo, coerente do ponto de vista artístico e comercial, respectivamente, porque condiz com a propaganda sugerida pelo nome e não exclui outros públicos. Sendo isso bom ou ruim, os ingressos evaporam até sem ter atração confirmada. Prova de que, no fim das contas, talvez esse papo de gênero seja até blábláblá demais. A força da marca supera o mimimi.

Veja aqui a lista de atrações por ano.


28 de nov. de 2012




Roberto Carlos vendeu um milhão de cópias do compacto "Esse Cara Sou Eu", anunciou sua gravadora, Sony Music. Desde 2001, com seu Acústico MTV, Roberto não atingia esta marca, segundo dados da Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD). Com este novo milhão, Roberto ultrapassa, considerando as vendagens neste início de século, um dos maiores vendedores de discos no período, Padre Marcelo Rossi.

Até então, de 2000 pra cá, ambos tinham vendas que batiam na casa dos quatro milhões - 3,8 milões mais precisamente, conforme cálculos a partir dos arquivos da ABPD. Mas "Esse Cara Sou Eu" colocou o rei no trono novamente (vale lembrar que em toda sua carreira Roberto é imbatível, com seus 100 milhões de discos vendidos, marca que provavelmente jamais será alcançada dadas as mudanças ocorridas na indústria).

Nos últimos 12 anos, Padre Marcelo até lançou mais discos (dez, contra oito de Roberto), mas o rei obteve vendas mais expressivas de cada um de seus álbuns. Passou das 500 mil cópias e do 1 milhão três vezes, enquanto padre Marcelo bateu a casa do milhão duas. Os demais trabalhos do padre cantor ficaram todos abaixo dos 300 mil.


*Inclui apenas as vendas que atingiram quantidade certificada pela ABPD
**Em 2000, Roberto Carlos vendeu 1 milhão de cópias de "Amor Sem Limite" e 500 mil cópias de "30 Grandes Sucessos"
***Em 2009, Padre Marcelo Rossi vendeu 1 milhão de cópias de "Minha Benção", 300 mil cópias de "Paz Sim, Violência Não" e 50 mil cópias de "Momento de Fé Para Uma Vida Melhor"


Em tempos de vacas magras da indústria fonográfica, falar de 1 milhão de discos vendidos é relevante, até para um rei. Nos anos 1970 e 1980, era praxe os discos de Roberto já saírem da fábrica com essa tiragem, certa que era a altíssima procura nas lojas. Mais gente chegava fácil nesse número também. Recentemente, sabemos, o cenário mudou. Caiu para a metade a quantidade de artistas que chegaram ou ultrapassaram este total nas duas últimas décadas: de 22 nos anos 1990 para 11 nos anos 2000. No gráfico abaixo, dá para ver como o caldo tem ficado cada vez mais ralo. Milhão hoje, é para poucos: coisa de rei e de Jesus.




22 de nov. de 2012



Os Rolling Stones fazem neste domingo (25), em Londres, o primeiro show da turnê 50 and Counting. É certo que eles vão despejar décadas de hits sobre o público e já dá para sondar quais os possíveis sucessos eleitos para irem ao palco. O show de domingo é a estreia da turnê, mas não a estreia da banda ao vivo em 2012. Os Stones fizeram três apresentações surpresa em Paris em outubro e em novembro. Unindo os três curtos repertórios de cada uma delas (foram dez músicas em média, metade do que eles tocaram nas duas últimas turnês) e comparando-os com as estatísticas dos setlists da banda na história, dá para ter algumas pistas do que pode ser parte desse novo set.

Das 22 músicas tocadas nos três shows na França, quatro foram covers. Das 18 próprias da banda, 11 estão entre as 20 mais tocadas em turnês, sendo oito delas parte do grupo das dez mais tocadas (do top 10, só não entraram nos shows de aquecimento "Satisfaction" e "Sympathy For The Devil"). Será que Mick e cia vão contrariar as próprias estatísticas?

Desse grupo de 18 músicas tocadas nos clubinhos de Paris ainda temos as recém-lançadas "Doom And Gloom" e "One More Shot", que certamente não ficarão de fora. Como a banda está prometendo três horas de show, tem espaço pra entrar muito mais coisa, mesmo que essas 18 já tenham garantido lugar no show. O gráfico mostra as músicas tocadas em Paris, agrupadas conforme a posição no ranking das mais executadas ao vivo pela banda. O número em parênteses corresponde à posição específica de cada música no ranking.



Bonus Track? Nos ensaios de outubro, conforme registrou este usuário do YouTube, a banda tocou "I Wanna Be Your Man", presente da dupla Lennon-McCartney para Mick-Richards nos anos 1960. Não é das mais recorrentes nos shows, mas ficou uma interrogação com este ensaio.

Na TV O show do dia 15 de dezembro, em New Jersey, será exibido no Brasil, ao vivo, pelo Multishow, a partir da meia-noite.

21 de nov. de 2012



Ninguém pode dizer o quanto Psy e seu Gangnam Style vão durar no mundo da música. Mas os manda-chuvas da indústria fonográfica apostam que ele é o início de uma nova história no segmento: a invasão de artistas fora do eixo EUA-Inglaterra no topo das paradas mundiais, como aconteceu recentemente com o rapper farofa sul-coreano, que atingiu o número da Billboard (a parada mensura o mercado americano, mas ainda é de lá que muita coisa ecoa pro resto do mundo).

Relatório publicado neste mês pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI na sigla em inglês) sobre investimento em música por parte das gravadoras aponta que o setor considera ampliar os investimentos na carreira internacional de artistas de continentes que não frequentam as paradas mundiais. O principal exemplo mencionado é o K-Pop, o pop vindo do mesmo país de Psy, mas há uma menção genérica a mercados "emergentes", palavrinha mágica que imediatamente coloca o Brasil em cena. Não por acaso, Paula Fernandes é a única artista brasileira mencionada no relatório, justamente para exemplificar as ações promocionais voltadas para apresentar a cantora ao público fora do país. Paula andou por aí se apresentado ao lado do colombiano Juanes (em ação focada no público hispânico) e da norte-americana Taylor Swift (para o público de língua inglesa), conforme lembra o documento.

Se a estratégia da indústria vingar, poderá ser o começo do fim de décadas de domínio de artistas dos EUA no topo das paradas. Como reflexo da própria história da segunda metade do século XX, de 1955 até 2008, 76% dos 683 artistas que atingiram o número um da Billboard (que ditou e ainda dita muita coisa do que se ouve pelo mundo - mas não só nos dias de hoje, é bom reforçar) eram norte-americanos. As contas são feitas com base na compilação "Top Pop Singles", do historiador Joel Whitburn, que considera os artistas que atingiram o primeiro lugar no período mencionado (Psy foi incluído na lista por mim). Nesta tabela dá pra ver a lista de artistas por país e a quantidade de artistas por país.

A tão falada invasão britânica parece não ter sido tão ameaçadora assim e abocanhou apenas 12% do topo.  Os outros 12% são divididos entre artistas de outros 28 países (passe o mouse sobre o gráfico para identificar as fatias correspondentes a cada país).


A distribuição geográfica dos hits nº1, no mapa abaixo, mostra que desses 28 países restantes, a maioria se concentra na Europa (passe o mouse sobre os círculos para saber o país e a quantidade de números 1 que produziu). Canadá e Austrália, países de língua inglesa (apesar da porção canadense que fala francês), têm alguma repercussão. A América do Sul tem em Shakira a única representante a dominar o primeiro lugar da Billboard, feito que ocorreu após mudança na sua carreira, quando começou a cantar em inglês. Por sinal, isto indica que há uma outra barreira a ser quebrada, para além da geográfica: a linguística. Mas isso é outra história.





  

6 de nov. de 2012


Britânico, Paul McCartney divulgou nesta segunda (5) em seu canal no YouTube um vídeo no qual encoraja seus fãs americanos a comparecerem às urnas hoje (6) e votarem em Obama. Aproveita para reforçar que os músicos de sua banda, norte-americanos, fizeram a mesma escolha (nos Estados Unidos é possível votar antes do dia das eleições - é o que eles chamam de early voting). Se um músico membro do império britânico está se intrometendo nas eleições presidenciais norte-americanas, é de se esperar que os músicos-eleitores estadunidenses façam o mesmo. E fizeram.

Ao longo da campanha, em maior ou menor grau, artistas demonstraram apoio ou a Obama ou a Romney publicamente. Mais que envolvimento na decisão dos rumos do país, as listas (no fim do post) que dividem os músicos em pró-democratas ou pró-republicanos sugerem alguns padrões relacionados ao gênero musical. Conforme já resume o título do post, o hip hop, o r&b e o pop votam em Obama. O Country vai de Romney massivamente. O rock se divide (gráficos abaixo).

Aproximadamente um terço (33%) dos artistas que declararam voto em Obama são de hip hop e r&b. A segunda maior fatia, muito próxima da primeira, é do pop: 31%. Do lado republicano, mais da metade dos artistas que votarão hoje em Romney são do country (55%). O rock, por sua vez, tem fatias menos desiguais nos dois lados: cerca de um quinto dos que vão votar em Obama (19%) e aproximadamente um quarto dos artistas que escolherão Romney (27%).

Dentre os artistas eleitores de Obama, há um peso de nomes dos gêneros de origem negra (note bem: os gêneros são de origem negra, mas não necessariamente os artistas). Além de o hip hop e o r&b, juntos, serem responsáveis pela maior fatia de apoios segundo o estilo musical, artistas de blues, jazz e soul também aparecem na lista. Se somados os músicos de todos esse gêneros, eles representam 42% do total. Dentre os que apoiam Romney, o único gênero de origem negra que tem representante na lista além do hip hop e do r&b é o jazz.

Outro detalhe do grupo de músicos que apoiam Obama é a diversidade e um equilíbrio maior em relação ao gênero musical. Há representantes de mais estilos (blues, soul e folk só aparecem na lista dos apoiadores do candidato democrata) e não há um gênero hegemônico como no caso dos pró-Romney, onde mais da metade são do country. A maior presença de gente do gênero country também faz a lista de suporte do republicano ser mais "obscura" para quem não vive nos Estados Unidos. Como este é um estilo com repercussão basicamente lá, fica difícil, aqui, reconhecer quem é a maioria dos nomes que aparecem na lista, ao contrário da turma obamista. Aos olhos dos estrangeiros, ela parece ser mais popular por concentrar, em fatias próximas, artistas do pop, do rock e do r&b, gêneros que a indústria musical norte-americana há tempos conseguiu fazer penetrar mundo afora.

Simon Frith, sociólogo britânico especializado em música pop e suas implicações culturais, é um cara que defende que o gênero musical é a grande bússola da indústria da música - desde as decisões das gravadoras, passando pela performance dos músicos e o comportamento dos fãs. A julgar pelos gráficos, o gênero também pode operar como bússola para o voto de alguns.



Pró-Obama
50 Cent
Marc Anthony
Fiona Apple
Billie Joe Armstrong
Burt Bacharach
Jeff Beck
Natasha Bedingfield
Tony Bennett
Mary J. Blige
Jon Bon Jovi
Jimmy Buffett
David Byrne
Colbie Caillat
Mariah Carey
Cher
Eric Church
Kelly Clarkson
Common
Chris Cornell
Sheryl Crow
Ice Cube
Miley Cyrus
Neil Diamond
Jack Dishel
Snoop Dogg
El Debarge
Gloria Estefan
Ben Folds
Peter Frampton
Aretha Franklin
Michael Franti
Lady Gaga
Philip Glass
Al Green
Cee Lo Green
Josh Groban
Buddy Guy
Merle Haggard
Anthony Hamilton
Herbie Hancock
Jennifer Hudson
Mick Jagger
Elton John
Jack Johnson
Quincy Jones
Toby Keith
R. Kelly
Alicia Keys
B.B. King
Carole King
Beyoncé Knowles
Dave Koz
Kris Kristofferson
Jay-Z
Adam Lambert
Cyndi Lauper
John Legend
Jared Leto
Adam Levine
Jennifer Lopez
LeToya Luckett
Ludacris
Joel Madden
Madonna
Barry Manilow
Chris Martin
Ricky Martin
Dave Matthews
Bette Midler
Nicki Minaj
Moby
Janelle Monáe
Jason Mraz
Nas
Ne-Yo
Randy Newman
Thao Nguyen
Aubrey O'Day
Joell Ortiz
Johnny Otto
Katy Perry
Pink
Pitbull
Pras
Busta Rhymes
Flo Rida
Axl Rose
Kelly Rowland
Rza
Johnny Rzeznik
Jessica Sanchez
Paul Simon
Trey Songz
Regina Spektor
Bruce Springsteen
Yvonne Staples
Barbra Streisand
James Taylor
Toni Tennille
T.I.
Treach
Justin Timberlake
Usher
Pete Wentz
Kanye West
will.i.am
Stevie Wonder


Pró-Romney
Trace Adkins
Rodney Atkins
Jack Blades
Neal E. Boyd
Zac Brown
Robert Burck
Charlie Daniels
Sara Evans
David Foster
Lee Greenwood
Andy Griggs
Taylor Hicks
Vanilla Ice
Bruce Johnston
Big Kenny
Mike Love
Meat Loaf
Jo Dee Messina
Ronnie Milsap
Sam Moore
Dave Mustaine
Wayne Newton
Ted Nugent
Jamie O'Neal
Donny Osmond
Marie Osmond
John Ondrasik
Randy Owen
Collin Raye
John Rich
Kid Rock
T.G. Sheppard
Shyne
Gene Simmons
Ricky Skaggs
Scott Stapp
Cowboy Troy
Lane Turner
Hank Williams, Jr.
Gretchen Wilson



30 de out. de 2012


Norte-americanos e ingleses estão "ultrajados" e "furiosos" (para usar alguns termos empregados pelos sites de notícias gringos) com os preços cobrados pelos ingressos dos quatro shows anunciados para comemorar seus 50 anos de carreira. Estão caríssimos, eles reclamam. Agora, pensa só: gringos chiando por causa de ingresso caro. O que será então de nós, tupiniquins, se os Stones resolverem vir com essa turnê pra cá, onde ingressos de shows internacionais já são absurdamente mais caros que lá fora? Talvez paguemos no mínimo R$270 pelo setor mais barato.

Como Ronnie Wood já andou dizendo por aí que a banda não descarta alongar a turnê, vamos tentar imaginar quanto esses ingressos poderiam custar aqui no Brasil. As referências são os valores cobrados nos Estados Unidos para esta turnê e os valores pagos aqui no país na turnê Bridges to Babylon, em 1998 (a última turnê paga dos Stones no Brasil, visto que o show de A Bigger Band, em 2006, foi gratuito, na praia de Copacabana). Os valores daquele ano foram corrigidos pela inflação do período.

Em 1998, quem foi ver os Rolling Stones no Anhembi, em São Paulo, ainda ganhou "de brinde" o Bob Dylan (sim, veja aqui. Eu, infelizmente, só vi na época pela transmissão da Globo). Para tanto, desembolsou o que seria equivalente hoje a R$159,07 pelo ingresso mais barato e  R$293,67 pelo mais caro. Mas, como é nossa sina pagar mais caro que os norte-americanos para ver exatamente a mesma coisa, esses preços eram, respectivamente, 44% e 73% maiores que os preços cobrados nos Estados Unidos na mesma turnê (os valores de lá também foram corrigidos).

E se essa porcentagem extra for transposta para os ingressos de uma possível turnê no Brasil tendo como base os preços cobrados hoje nos Estados Unidos pela turnê de 50 anos? O ingresso mais barato para os dois shows em Nova Jersey custa US$95 (ou R$192,44). Se ele aumentar 44% aqui, como ocorreu com a Bridges, o preço irá para R$277,11. Já o mais caro custa US$750 (ou R$1519,28) nos Estados Unidos. Se tivermos que pagar 73% a mais no Brasil, o valor final vai para R$2.628,35.

A conta pode seguir outro caminho também e considerar a variação de preços, nos Estados Unidos, entre os ingressos da Bridges e a atual turnê. Os possíveis valores finais para o Brasil, no entanto, ficam bem próximos da primeira conta. O ingresso mais barato tem um preço hoje 75% maior nos Estados Unidos que em 1998. Seguindo a mesma variação, no Brasil, isso ficaria em R$278,37. Já o ingresso mais caro é absurdos 798% maior hoje que 14 anos atrás. No Brasil, isso daria um preço final de R$2.637,15.

Resumindo: os ingressos poderiam ficar entre R$270 e R$2.600 (insano, este valor seria para um tal de "tongue-pit", bem na beirada do palco, sem ter a necessidade de acampar horas ou dias para ter acesso à primeira fila). Esses valores foram calculados somente de forma comparativa com os preços que pagamos aqui no passado e os preços cobrados hoje lá fora. Outros fatores podem fazer essas cifras se esticarem ou se contraírem feito elástico. A famigerada meia-entrada é uma delas, que sempre joga os preços pro alto. O número de ingressos postos à venda também. Nos Estados Unidos, os Stones tocam em arenas. Por aqui, o destino mais provável, hoje, seria um estádio, o que quase triplicaria o público e, em tese, permitiria baixar um pouco mais o preço.

O certo é que não vai ser barato. E os Stones provam que nem sempre dá pra ter o que a gente quer.


   

16 de out. de 2012



A realização de shows gringos no Brasil tem sempre um momento esperado no script: aquele em que os fãs reclamamos do alto preço dos ingressos, turbinados pela profusão de entradas de estudante vendidas e a maldita taxa incompreensivelmente chamada de "conveniência". Comparados com os preços praticados fora do país (outra parte recorrente desse script), os valores que pagamos aqui ficam ainda mais caros.

Com o Lollapalooza Brasil, que só acontece no feriado da Páscoa no ano que vem (29, 30 e 31 de março), não foi diferente. Há gente reclamando do valor cobrado pelo passaporte de três dias de festival (R$900 - todos os valores citados aqui referem-se à inteira). Há gente reclamando pelo valor cobrado para cada um dos três dias (R$330 agora, R$360 a partir de janeiro de 2013). Mas caro e barato podem ser adjetivos aplicáveis a estes valores conforme o seu foco no festival.

Vamos comparar nossa situação com a dos gringos. Na edição norte-americana do Lolla deste ano, em Chicago, os passaportes variaram entre US$75 e US$230 (R$150 e R$460). Os ingressos individuais custaram US$95 (R$190). Os Chilenos, que também terão um Lolla no ano que vem, um fim de semana após o nosso, vão pagar entre 45 mil e 75 mil pesos pelo passaporte de dois dias (entre R$193 e R$322). A média por dia sai consideravelmente menor que aqui no Brasil. Ainda não há preços separados para cada um dos dias.

Mas vamos isolar a nossa realidade pelo menos por este momento, uma vez que ela não mudará enquanto não houver mudança na lei que regulamenta a meia-entrada ou na fiscalização exercida sobre esse benefício. O que você pretende com o Lolla? Ver todas as bandas (ou, pelo menos, a maioria delas, tendo em vista que os horários de algumas atrações coincidem) ou só o headliner (o chamariz para a maior parte das 70 mil pessoas que passarão pelo Jockey Clube)? Dependendo da resposta, a ida ao festival pode sair uma pechincha ou mais cara que um show comum. Vejam as contas feitas para cada situação:

Quanto mais, melhor - para quem quer ver o máximo de bandas que puder
Número de bandas por dia de festival: 20
Valor médio por banda:
Comprando o Lollapass: R$15 por banda (R$18 incluindo a taxa de conveniência)
Comprando o ingresso de dias separados: R$16,50 por banda (R$19,80 incluindo a taxa de conveniência)

Só o headliner me interessa
Quero ver só o Pearl Jam
No Lolla você paga: entre R$330 e R$360
No show que a banda fez no Morumbi no ano passado você pagou: entre R$190 e R$380
Diferença de R$140 considerando os ingressos mais baratos

Quero ver só o Killers
No Lolla você paga: entre R$330 e R$360
No show que a banda fez na Chácara do Jockey em 2009 você pagou: entre R$200 e R$350
Diferença de R$130 considerando os ingressos mais baratos

Como o Black Keys ainda não tocou no Brasil, não dá para fazer essa comparação com a dupla dos EUA.

Agora é com vocês. Decidam o que querem que entre pelos seus ouvidos e o que saia dos seus bolsos e vejam se a equação compensa.

28 de nov. de 2011


Já está no ar no site do Instituto Tom Jobim o Acervo Gilberto Gil. Imagens, vídeos, textos e outros tipos de mídia ajudam a contar vida e obra do compositor, que em 2012 chega aos 70 anos.

O próprio Tom, além de Chico, Dorival Caymmi e o arquiteto Lúcio Costa, também têm acervo no mesmo site.

15 de jun. de 2011

Embalado pelos grandes festivais que, nesta época do ano (verão no hemisfério norte), pipocam na Inglaterra e em outros países europeus, o jornal inglês The Guardian colocou no ar esta semana um mega especial sobre a história da música moderna.

Como exige esse universo multimídia chamado internet, a cada dia um estilo musical diferente tem sua história passada a limpo através de uma linha do tempo muito bem bolada e de uma playlist (infelizmente, as músicas estão armazenadas no Spotify, serviço de streaming que ainda não está disponível no Brasil, mas uma busca no YouTube resolve parte do problema).

Pop, rock, hip hop, indie e dance foram os ritmos que tiveram sua história resumida até agora. Estão na lista de espera para os próximos dois dias world music (vamos ver como os gringos vão abordar esse "gênero" por demais genérico e preguiçoso do ponto de vista cultural) e jazz foram os estilos musicais selecionados pelo jornal.

A leitura do material toma um certo tempo, mas vale a pena. É um curso do tipo intensivão sobre parte da música popular produzida nas últimas décadas.


Vá lá: www.guardian.co.uk/music/interactive/2011/jun/11/history-modern-music-timeline
PS: Antes que alguém pergunte: não, o Guardian não está me pagando para replicar seu conteúdo online (ontem falei do Glastopoly). É que o jornal é muito legal.

3 de fev. de 2011


Conductor: www.mta.me from Alexander Chen on Vimeo.


Conductor é um projeto que transforma o metrô de Nova York em um instrumento de cordas. Reproduzindo o mapa que o sistema de transporte tinha em 1972, a engenhoca produz sons sempre que uma linha se cruza com a outra. O vídeo acima dá uma amostra do projeto, mas o legal é visitar o site. Lá, o movimento das linhas corresponde ao trajeto que os trens estão fazendo em tempo real, no momento em que a página é acessada, o que resulta em uma "música" diferente a cada visita.

Para saber mais, clique aqui.
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