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2 de set. de 2014

NA NA NA He... ops, Zerô

Você deve saber, "Seven Nation Army", do White Stripes, além de ser uma das grandes músicas da década passada, é também o maior hino de futebol de todos os tempos do século XXI - virou trilha do tetra da Itália, em 2006, se converteu em hit desde então nas torcidas dos clubes europeus e, finalmente, fez onda no Brasil, primeiro nas torcidas do Inter e do São Paulo e, por último, do Cruzeiro.

Pois o hit de refrão perfeito que foi adotado pelo time desta blogueira para celebrar a reta final da conquista do Brasileirão do ano passado agora dá lugar há um clássico muito maior - até porque os prognósticos de vitória este ano apontam para conquistas maiores, néam? "Hey Jude", dos Beatles, ganhou nesta semana uma versão para a torcida celeste: "NA NA NA Vamos Ganhar/Vamos Ganhar Zêrooooo!!!". Dá para ouvir a versão musicada no site Geral Celeste.

Depois de Paul McCartney, vestindo um terninho azul, ser responsável por uma noite histórica na casa do Cruzeiro, quando, em 3 de maio do ano passado, fez a estreia mundial de sua turnê, tocou músicas dos Beatles que nunca tinham sido tocadas ao vivo, e ainda por cima disse uai, nada mais justo.

17 de jun. de 2014

A Copa é pop, a Copa é hit

A Copa começou com gol contra e pênalti duvidoso, continuou com muitas viradas, alguns poucos empates e surpresas e uma média de gols maior que a de edições anteriores. Tem gringo falando que é a Copa das Copas, tem meme pra mais de metro e não se fala de outra coisa. É um hit mundial a Copa do Fuleco. E se a Copa é pop e a música é uma linguagem universal, juntar as duas coisas pode te ajudar a entender nestes primeiros jogos. É mais ou menos assim que se configura a parada de sucessos do futebol ao fim da primeira rodada:

A Espanha, atual campeã do mundo, é aquela banda que passa pela crise do segundo disco. Fez um baita sucesso no primeiro trabalho, mas na busca pelo bi corre o risco de virar um cover de si mesma por causa da falta de renovação. O primeiro sintoma foi o 5 a 1 aplicado pela Holanda, que é como aquela banda indie super competente, mas que inexplicavelmente nunca atingiu o estrelato. Pode ser que o sucesso mundial finalmente venha agora, mas historicamente é aquela banda que não cruza a fronteira do mainstream mesmo tendo estabelecido referências usadas por muita gente. É um Velvet Underground.

Portugal é o Bon Jovi da Copa. Tem aquele cara bom de hit e bonitão ali na frente e só. Sem alguém como Richie Sambora para armar o ataque fica pior ainda. Cristiano Ronaldo, coitado, responde por um time inteiro, assim como Jon Bon Jovi é praticamente uma metonímia para sua banda, o Bon Jovi.

Os Estados Unidos surgem como aquela banda amadora que passou anos tocando em churrasco e agora resolveu contratar um empresário sério para dar um rumo mais profissional para a carreira. Como o chefe é do ramo (Jürgen Klinsmann, campeão mundial pela Alemanha em 1990) e os caras finalmente estão levando a sério o negócio (gente, os americanos estão se empolgando com uma Copa do Mundo), pode ser que tenhamos pela frente uma novidade interessante.

Chile, Bósnia, Croácia e Bélgica são como aquele pessoal da ~world music~: não seguem a linha do pop mainstream, a crítica especializada costuma apostar, mas eventualmente não se converte em sucesso estrondoso. A Costa Rica é séria candidata a one hit wonder por conta dos 3 a 1 sobre os bicampeões do Uruguai, mas se ganhar mais uma vira o hype da Copa.

Por fim, tem a turma do classic rock. Os feitos do passado vão parecer sempre mais brilhantes que o presente, mas existe um legado que sempre traz junto consigo certa expectativa. O Uruguai é aquela banda das antigas que resolveu ressuscitar a carreira depois de décadas, você achou que viria coisa boa, mas foi surpreendido por um single muito meia boca na estreia. Inglaterra e França são aquelas bandas que fizeram um disco histórico pra nunca mais e desde então vivem altos e baixos. A Inglaterra começou esta Copa com mais um baixo e a Itália, um alto.

A Argentina, tal qual o U2, liderada por uma figura messiânica e com cara de bom moço, arrastando uma multidão de fiéis na mesma proporção que a multidão de haters, fez sua parte e mostrou que continua grande. A Alemanha, linda, ostenta a dignidade inabalável de um Bruce Springsteen. Goleia Portugal por 4 a 0 com a mesma facilidade com que o Boss faz um show de três horas.

O Brasil é o Stones da coisa toda. O mundo sabe que não se pode simplesmente ignorar os gigantes da história ainda que "Exile on Main St" e "Let it Bleed", assim como as seleções de 1970 e 1982, sejam sempre melhores que qualquer coisa que se faça agora. Faltou show e sobrou polêmica na primeira apresentação, mas polêmica também faz parte do rock. Oh, wait! Será que é conveniente comparar a seleção com a banda do maior pé frio da história das Copas?

16 de jun. de 2014

Jay-Z também tá na Copa!

Você já sabe: tá tendo Copa. E tá tendo muita música da Copa também, e muita música melhor que aquela lá da Fifa, como já provou o Bonde do Rolê. A boa de hoje é "Jungle", remix do senhor Beyoncé, Jay-Z, para "The Game Before the Game", parceria do britânico Jammie N Commons com os norte-americanos do X Ambassadors. Então, na verdade, são duas boas.

Em ambos os casos, as músicas fazem a trilha sonora de um comercial da Beats, marca de fones de Dr Dre, produzido para o mercado norte-americano. Mostrando uma surpreendente capacidade de compreender o espírito da Copa, os americanos, que levam o futebol masculino cada vez mais a sério, revelam os rituais pré-jogo de Neymar, Götze e Chicharito, além de torcedores anônimos e famosos, tais como Serena Williams e Lil Wayne.

Na versão original, de mais de cinco minutos, com música do Commons e dos Ambassadors,  Neymar é a estrela absoluta e abre e encerra o vídeo com uma conversa motivacional com seu pai em belo português, som tão raro para ou ouvidos norte-americanos. No remix de Jay-Z, com versos de tom combativo, o Brasil vira o centro das atenções com referências à Cidade de Deus, o Cristo Redentor e com o rapper se auto-proclamando "o Godzilla das favelas".



12 de jun. de 2014

O Bonde tá na Copa


Habemus música da Copa, finalmente. Quando parecia que o beco estava sem saída, com Jennifer Lopez e Pitbull te cercando de um lado, e Fernanda Takai e Paulo Miklos de outro, o Bonde do Rolê surgiu dando golpes de power rangers aniquilando as inimigas. O trio curitibano apresentou ao mundo "Na Copa do Brasil Só Vai Ter CRAQ", que dá o recado em apenas 1:36.

É rapidinha, bem direta, até porque não há muito o que dizer. Mas tem aquele jeitinho le lek do futebol brasileiro, da ginga e da música local (Phd em trocadilhos infames), além de uma colagem de referências espertas.

#játátendocopa - com gol contra, pênalti roubado e tudo mais



St Vincent bate um bolão

Bem. Não se trata exatamente de uma interseção do pop com a Copa, pois o vídeo é do início do ano, mas o pontapé inicial para o mundial, hoje, fez o material ressurgir das profundezas da internet. Trata-se de imagens da moça St. Vincent ensinando como se faz uma lambreta. Bem no estilo vídeo-tutorial, a cantora evoca o nome de Pelé para em seguida mostrar o passo a passo do drible, que no inglês foi batizado de rainbow kick.

Mas por que justo ela?  Porque St Vincnet, como a própria revela no vídeo, jogou futebol até os 12 anos, e executar bem uma lambreta era uma de suas obsessões. Ela nunca chegou a utilizar o drible em jogo, mas sempre se dedicou a treiná-lo. Quando descobriu a guitarra, também aos 12 anos, a obsessão mudou de foco e ela trocou o esporte pela música.

Veja o vídeo abaixo.


9 de jun. de 2014

Um deles abençoou a seleção inglesa, o outro pode zicar o ataque norte-americano

Agora não tem mais volta. Parece que vai ter Copa mesmo. E, ainda por cima, com a benção de Morrissey. Indo na contramão de toda uma nação, o maior inglês vivo desejou sorte pessoalmente à seleção inglesa. O receptor da honrosa mensagem positiva foi o lateral-esquerdo Leighton Baines, que juntamente com o restante da seleção, estava hospedado no mesmo hotel que Moz em Miami.

Um indie no futebol, fã de Tame Impala e Miles Kane, Baines contou ao jornal The Mirror que abordou nosso ranzinza preferido após certo nervosismo (pois ele também é fã de Smiths) e recebeu a reação simpática do ex-Smiths. Como nada é perfeito, Baines ficou #chatiado ao perceber que, além dele, só o auxiliar técnico Gary Neville reconheceu Moz.

Da Inglaterra para os Estados Unidos, um nome para você prestar atenção nesta Copa é Chris Wondolowski, atacante do Exército do Tio Sam (Sam's Army), apelido que a seleção yankee ganhou. Não que ele seja candidato a disputar a artilharia da Copa e brilhar como se espera que Neymar brilhe, mas porque ele tem um dos rituais pré-jogo mais pitorescos que se poderia imaginar.

Antes de uma partida, ele entra em campo e visualiza as redes do gol devidamente paramentado com seus fones de ouvido, que tocam os discos do Jay-Z "Reasonable Doubt", "The Blueprint" e "Magna Carta", exatamente nesta ordem. O propósito é concentrar-se e entrar no clima do jogo. A história completa está na Rolling Stone gringa. Se faltar inspiração (ou se surpreender) no ataque dos Estados Unidos, você já sabe que a culpa é do marido da Beyoncé.

30 de mai. de 2014

Por que tem música da Copa? Por que é a Claudia Leitte que canta? Esclarecendo o mistério em 3, 2, 1...

Por acaso é a primeira resposta para a pergunta do título deste post. Por tradição estabelecida é a segunda. E por causa de uma parceria comercial é a terceira. E é por causa destas três razões, exatamente nesta ordem, que a gente hoje pragueja contra a artificialidade da alegria pré-fabricada e estereotipada de "We Are One", de Pitbull, Jennifer Lopez e Claudia Leitte, tema da Copa no Brasil.

A Copa do Mundo fez seu début em 1930, no Uruguai, mas foi só em 1962, no Chile, que uma música foi adotada como tema da competição pela primeira vez. Foi "El Rock Del Mundial", rockzinho à la Bill Haley, dos The Ramblers, uma das primeiras e mais bem sucedidas bandas de rock chilenas. Considerada hoje uma das canções de maior sucesso na história do Chile, com 2 milhões de cópias vendidas do compacto, a música foi composta apenas com o intuito de captar o clima de euforia do país às vésperas da Copa. Mas o sucesso foi tão grande e imediato que a organização decidiu adotá-la como hino.



Em 1966, a espontaneidade dá lugar à obrigação. Dona Fifa toma as rédeas do processo e começa a dar mostras de sua inaptidão para a tarefa. O mundo já estava tomado de assalto pela invasão britânica liderada por Beatles e Rolling Stones, filhos da sede do mundial daquele ano, a Inglaterra, mas o escolhido para a função foi o britânico Lonnie Donegan, que entregou "World Cup Willie (Where in this World are We Going)". Sim, ele é considerado um patrimônio do skiffle e na Inglaterra só perde para os Beatles em números de hits emplacados nas paradas de sucessos, porém já soava datado àquela altura. Dali em diante, a Fifa oscila entre temas que tentam se aproximar da identidade (ou dos clichês) do país-sede e temas eruditos. Ouça a introdução de "Fútbol México 70", composição do mexicano Roberto do Nascimento para a Copa do tri brasileiro, e tente não pensar em um grupo de mariachis. Ou ouça "Mundial 82" (daquela Copa espanhola de um certo Paolo Rossi), na voz de Plácido Domingo, e tente não pensar em touradas. Impossível.



Até que chegam os anos 1990, o mundo se globaliza e a Copa também. Cresce o número de seleções participantes de 24 para 32, países da Ásia, África e América do Norte ganham mais espaço na competição, e a Fifa parece buscar uma linguagem igualmente mais "global" para as músicas. O pop é quem passa a dar o tom dos temas oficiais na voz de astros internacionalizados. Uma parceria firmada com a gravadora Sony, que desde 1994 é responsável pela produção da música da Copa, tornou essa característica ainda mais aguda. Ricky Martin ("La Copa de La Vida", França, 1998), Anastacia ("Boom", Japão e Coreia, 2002), Toni Braxton ("The Time of Our Lives", Alemanha, 2006) e Shakira ("Waka Waka" - um dos dez vídeos mais vistos da história do YouTube, África do Sul, 2010), todos do elenco da gravadora, cantaram os temas das últimas edições.

Com um viés mais comercial, a música oficial em tempos recentes é responsável também por encabeçar um CD oficial com uma dezena de faixas que supostamente fariam a trilha da competição, mas que ninguém se lembra. No CD da "nossa" Copa tem Santana, Bebel Gilberto, Carlinhos Brown e Shakira outra vez. E, claro, tem também Claudia Leitte (que é da Sony e não Ivete, que é da Universal) pra lembrar a gente que vai ter Copa, sim, e ainda por cima com música ruim.

26 de mai. de 2014

A essa altura já deu para entender que quando se trata da Copa no Brasil, não é na Fifa que a gente tem que buscar as opções musicais mais interessantes inspiradas no mundial. Emicida e Gaby Amarantos são bons exemplos disso. Mas além do pessoal que quer fazer uma música da Copa pra chamar de sua, gente envolvida diretamente na competição também está trabalhando pra colocar muita música pra tocar em todos os níveis do mundial, mostrando que a Copa, essa senhora polêmica, é movida por torcida, amor, ódio, dinheiro e também muito pop. Tem música saindo de onde você menos imagina nessa Copa. Olha só:

1) As músicas que o Max Cavalera fez para a ESPN


A convite do canal a cabo, o músico à frente do Soulfly fez um conjunto de músicas com no máximo dois minutos de duração que serão tocadas ao longo das transmissões que a ESPN fará da Copa. O único detalhes revelado por Max é que lhe foram pedidas músicas "com riffs". Seu filho Zyon colaborou nas gravações tocando bateria e outros instrumentos de percussão. As gravações estão em fase de finalização e têm assinatura do produtor John Gray, que já trabalhou anteriormente com Max em discos do Soulfly.

2) As músicas que cada jogador da seleção inglesa escolheu para um disco especial


Os ingleses, esse povo que inventou o futebol mas só ganhou a Copa uma vez na vida, e também esse povo que leva música pop muito a sério (muito mesmo), vão ter um disco inteirinho só com músicas escolhidas pelos jogadores que vão defender a terra da Rainha aqui no Brasil. "The England Players' Playlist" terá 18 faixas, 13 delas escolhidas por 13 dos escolhidos do técnico Roy Hodgson e outras cinco incluídas para reforçar a trilha sonora que vai dar o ritmo da campanha da seleção nesta Copa.

O goleiro Joe Hart escolheu "Sonnentanz", do DJ austríaco Klangkarussell, e o zagueiro Phil Jones selecionou "I Got U", do DJ britânico Duke Dumont, ambas bem no estilo batidão dance que tanto agrada os europeus. A lista completa, com as escolhas dos demais jogadores, será revelada no dia 1º de junho. "PompeIi", do Bastille, "Ho Hey", do Lumineers, "Love Me Again", de John Newman, "Started From The Bottom", do Drake, "Blk and Blu", do Chase and Status, e "Blurred Lines", de Robin Thicke, vão completar o disco. Como a produção é da Universal Music, todas as músicas escolhidas (as reveladas até agora e as que ainda estão para ser divulgadas) fatalmente serão de artistas do casting da gravadora.

A iniciativa faz parte da England's Footballers Foundation, organização formada por jogadores ingleses que promove ações que arrecadam fundos para causas beneficentes. A renda arrecadada com as vendas do disco serão revertidas para este fim. O álbum será lançado no dia 2 de junho. Novidades no site www.englandplaylist.com.

3) As músicas que Lupe Fiasco vai usar para a preparação da seleção dos Estados Unidos


A informação mais importante aqui, na verdade, é que a seleção norte-americana tem um diretor musical. Sim. E o cara é o rapper Lupe Fiasco. Ele vai ser encarregado de produzir playlists pensadas diretamente para os jogadores nos preparativos para os amistosos das próximas semanas e para os jogos da primeira fase da Copa, aqui no Brasil. Também vai criar playlists que serão executadas nos intervalos dos amistosos em questão. A seleção musical vai ser disponibilizada no Spotify.

3 de mai. de 2014

Thiaguinho e Emicida, a melhor dupla de ataque musical da Copa, por enquanto

É quase um contrassenso. O país do futebol, o país da Copa, e por que não, o país da música - porque esta a maior expressão artística do Brasil aqui dentro e lá fora, ainda não tem uma ~música oficial da Copa~ decente. "We Are One" (aquela com Pitbull, J Lo e Claudia Leitte) e "We Will Find A Way" (com Santana e Alexandre Pires) só são chamadas de música da Copa porque foram encomendadas pela dona Fifa. No fim das contas, com a necessidade de se comunicarem com uma audiência global, e com uma linha percussiva feita em laboratório para emular referências brasileiras, traduzem mais o espírito de um comercial do Mc Donald's que de um campeonato mundial de futebol.

Mas eis que uma música lançada no ano passado, para comemorar o título da seleção Brasileira na Copa das Confederações, também sob encomenda, mas da Nike, parece ter mais apelo para o torcedor brasileiro (a quem mais interessa esta Copa, pelo bem e pelo mal) que espera um "hino" para torcer. É "Mostra Seu Jogo", parceria de Emicida e Thiaguinho. O rap de Emicida, que abre a música, sai do óbvio, com versos cifrados que trazem mensagem mais combativa e menos celebratória e ritmado com um certo peso roqueiro e alguns batuques. A parte de Thiaguinho apela mais para quem espera algo mais ufanista, na linha "pra frente, Brasil" - o caminho mais óbvio, mas ainda assim passa longe aspecto plastificado das músicas oferecidas pela Fifa. E olha só que importante: ela ainda tem um refrão fácil, que pega.

Provavelmente ciente desse potencial, Thiaguinho relançou a música esta semana, rebatizando-a de "Força, raça e fé" e apresentado-a como a sua música para a Copa. A regravação acabou ganhando introdução e desfecho mais melodramáticos e desnecessários, mas, por hora, ainda é o melhor que está tendo.

Abaixo, as duas versões: a de julho do ano passado, lançada logo após o título da seleção brasileira sobre a Espanha, e a divulgada esta semana por Thiaguinho.




2 de abr. de 2014

Se precisar de cheerleader, a seleção dos Estados Unidos já sabe com quem contar

Copa do Mundo é legal, assuma. E uma das coisas que faz a competição ser legal é o envolvimento direto ou indireto do pessoalzinho do pop - não estou falando necessariamente das músicas chapa-branca da Fifa. Com a proximidade do mundial, começam a aflorar em número maior os encontros entre música e futebol. Exemplo 1: as moças do Haim e o Diplo são alguns dos modelos do uniforme que a seleção norte-americana vai usar no Brasil. Filha de um jogador de futebol, Alana Haim postou em seu perfil no twitter a foto em que posa ao lado das duas irmãs e entregou: "estava sentindo falta do meu primeiro amor... #GOUSA".



Já o belga Stromae - aquele de "Alors On Danse" - ataca na sua própria área, a música, para impulsionar a campanha de seu país natal. É dele o tema oficial dos diabos vermelhos para a Copa no Brasil. "Ta Fête" é aquela mistura já conhecida de hip hop com dance music que fez o moço famoso, mas o mais legal da história é o vídeo de divulgação da música. Antes de apresentar a canção, com um certo humor disfarçado, Stromae brinca de tentar convencer jogadores e técnico belga sobre como sua música é legal para incentivar o time.



17 de mar. de 2014

"Desculpe, Neymar", é o que canta Edu Krieger

A Copa de 2014 ainda não tem um tema musical pra chamar de seu (só um rascunho do que vai ser a música-tema com Pit Bull cantando algo que não tem identificação com a relação entre o brasileiro e o futebol). Mas uma música que expõe o outro lado da Copa, o da insatisfação popular, que explodiu, num belo capricho do destino, em pleno país do futebol, já existe: "Desculpe, Neymar", recém-lançada pelo carioca Edu Krieger.

Em pouco mais de dois minutos de voz e violão, o compositor fala diretamente com o principal ídolo da seleção e com o técnico Felipão sobre sua rejeição do mundial em função de muitas das mesmas razões que vêm sendo expostas pelos movimentos das ruas (ainda que as demandas dessas manifestações não se restrinjam a questões relativas à Copa) - os gastos bilionários com a competição X o descaso com as incontáveis mazelas do país, pra resumir. Parece que as canções de protesto estão de volta, mesmo.

Ouça a música e veja a letra abaixo.


DESCULPE, NEYMAR
(Edu Krieger)

Desculpe, Neymar
Mas nesta Copa eu não torço por vocês
Estou cansado de assistir o nosso povo
Definhando pouco a pouco
Nos programas das TVs
Enquanto a FIFA se preocupa com padrões
Somos guiados por ladrões
Que jogam sujo pra ganhar
Desculpe, Neymar
Eu não torço desta vez

Parreira, eu vi
Aquele tetra fez o povo tão feliz
Mas não seremos verdadeiros campeões
Gastando mais de 10 bilhões
Pra fazer Copa no país
Temos estádios lindos e monumentais
Enquanto escolas e hospitais
Estão à beira de ruir
Parreira, eu vi
Um abismo entre Brasis

Foi mal, Felipão
Quando Cafu ergueu a taça e exibiu
Suas raízes num momento tão solene
Revelou Jardim Irene
Um retrato do Brasil
A primavera prometida não chegou
A vida vale mais que um gol
E as melhorias onde estão
Foi mal, Felipão
Nossa pátria não floriu

Eu sei, torcedor
Que a minha simples e sincera opinião
Não vai fazer você, que ganha e vive mal
Deixar de ir até o final
Junto com nossa seleção
Mesmo sem grana pra pagar o ingresso caro
Nunca vai deixar de amar o
Nosso excrete aonde for
Eu sei, torcedor
É você que tem razão

10 de fev. de 2014

Esta moça está patinando AND dançando uma música do Prince

Não foi só o Daft Punk que "deu as caras" (por intermédio de um pitoresco coral de policiais) nas olimpíadas de inverno realizadas em Sochi, na Rússia. O pop foi parte da trilha sonora das competições de patinação artística que ocorreram neste fim de semana.

Peças eruditas (principalmente nas apresentações solo masculina e feminina) e o foxtrot (principalmente nas apresentações de duplas mistas) são ainda gêneros dominantes para dar ritmo aos atletas, mas alguns patinadores optaram por temas pop para executar suas rotinas.

Teve "November Rain", do Guns (escolha da dupla alemã Maylin Wende e Daniel Wende), "Smooth", superhit do início dos anos 2000 do Santana com o Rob Thomas, e "Skyfall", da Adele (ambas escolhas da dupla norte-americana Marisa Castelli e Simon Shnapir). Teve ainda "Paint it Black", dos Rolling Stones, opção da chinesa Kexin Zhang, "The Question of U", do Prince, trilha da francesa Mae Berenice Meite e "Shine On You Crazy Diamond", trilha da norte-americana Ashley Wagner.

Infelizmente, os vídeos dessas apresentações não caíram no YouTube como desejado (só tem vídeos das apresentações da prodígio russa Yulia Lipnitskaya, 15, que ajudou sua a equipe a levar o ouro com uma coreografia ritmada pelo tema de "A Lista de Schindler", executado por John Williams). Mas consegui recuperar vídeos de algumas dessas coreografias em competições anteriores. Abaixo, na ordem, botando os patinadores pra dançar na pista de gelo: Rolling Stones, Prince e Pink Floyd.


"Paint It Black", Rolling Stones

"The Question of You", Prince

"Shine on You Crazy Diamond", Pink Floyd



Beijinho no ombro pra homofobia do Putin passar longe

Música de protesto tem um jeitão de rótulo anacrônico, perdido em algum lugar dos anos 1960 e 1970, mesmo que causas para protestar nunca tenham faltado no mundo. Rótulos datados à parte, 2014 já ganhou duas músicas que, mesmo que não sejam tão imediatamente classificadas ou concebidas como tal, tomam posições em demandas da ordem do dia que esse bando de gente perdida chamada humanidade inexplicavelmente ainda não conseguiu realizar plenamente: os direitos das mulheres e os direitos dos homossexuais.

"Russian Kiss", um batidão eletrônico da cantora norueguesa Annie, mira nas leis anti-gay do governo Putin (é proibido a casais homossexuais a demonstração de afeto em público e a qualquer pessoa falar positivamente da homossexualidade em público), que ganharam mais repercussão devido aos holofotes jogados sobre a Rússia em função da realização dos jogos de inverno no país, na cidade de Sochi.

O título da música carrega certo grau de ironia e provocação, mas os versos são bem diretos: "Don't give up, maybe then they can understand / It is right that you fight for your love demands" ("Não desista, talvez assim eles possam entender que é correto você lutar pelas suas exigências de amor"). O refrão tem tom de grito de guerra: "Shake a fist for the Russian kiss!" ("Erga os punhos pelo beijo russo").




"Go Forth, Feminist Warriors", por sua vez, junta quase duas dezenas de vozes num rap para tratar das diferentes lutas enfrentadas pelas mulheres em tom divertido e ao mesmo tempo estimulante, segundo uma das compositoras, Katy Davidson. O nome pro trás do projeto Key Losers dividiu a autoria da música com sua parceria constante de composição, Marianna Ritchey.

A música foi composta a pedido da revista online Rookie, dedicada ao público feminino e coordenada pela blogueira prodígio Tavi Gevinson (que participa dos vocais). O desejo da equipe da revista era conceber uma espécie de "We Are The World" feminista.

O time reunido é bem menos estrelado que aquele recrutado por Michael Jackson nos anos 1980, mas talvez isso não seja tão importante. Participam da gravação: Katie Crutchfield, MNDR, Kate Nash, Kimya Dawson, Suzy X., Tavi Gevinson, Katy Davidson, Marianna Ritchey, Geneviève Castrée, Thao Nguyen, Storey Littleton, Tegan and Sara, Dee Dee Penny (Dum Dum Girls), Ted Leo, Aimee Mann, Psalm One e Carrie Brownstein.

Entre os versos, "They mansplain every night and day/ But they can't mansplain our freedom away". "Mansplain" é um verbo fruto do neologismo e que, por isso, ainda não tem tradução direta para o português, mas pode ser entendido como a imposição da visão masculina para explicar uma determinada questão. Talvez algo como "eles impõem sua visão de mundo noite e dia, mas não vão impor a minha liberdade".



8 de fev. de 2014

Acredite, estes senhores estão cantando "Get Lucky"

A get-luckyzação do mundo não tem fim. Não basta sobreviver à virada de ano e se manter como hit máximo, levar todas no Grammy e virar cover do Tony Salles. Tem que cair nas graças dos russos também. Mais precisamente, nas graças do coral da guarda do Ministério das Relações Institucionais da Rússia, que com farda, bigode e coreografia de tiozinho empolgado fez o cover até agora mais improvável de "Get Lucky", do Daft Punk, numa espécie de pré-show da abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi. Agora, pensa: a TV transmitiu TRÊS horas de cerimônia pra deixar a parte mais legal de fora. Viva o YouTube.


6 de fev. de 2014

Flea com carinha de quem falou demais

Depois de telespectadores notarem que o baixo de Flea estava desplugado durante a participação que o Red Hot Chili Peppers fez no show de Bruno Mars, no intervalo do Super Bowl, e de a internet fazer um rebuliço em cima da história, o músico resolveu prestar esclarecimentos. E acabou esclarecendo coisa demais.

Em texto publicado no site do Red Hot Chili Peppers, Flea disse que foi uma exigência da NFL (a National Football League) o uso de bases pré-gravadas para o baixo, a bateria e a guitarra (a banda fez uma gravação especial para ser usada na apresentação). Apenas os vocais estavam "liberados" para serem ao vivo. Não havia espaço para negociar algo diferente disso, ele afirmou. Segundo Flea explica, a exigência se justifica pelos poucos minutos que a organização do Super Bowl tem para preparar o palco para o show do intervalo. Com tão pouco tempo, há o risco de se cometer algum erro na organização dos equipamentos e arruinar o show, completa o baixista.

O que dá para inferir desta explicação? Se o pouco tempo para organizar toda parafernália necessária para o uso de instrumentos musicais ao vivo torna melhor o uso de bases pré-gravadas, e se o pouco tempo é sempre o mesmo (porque há uma regularidade pré-estabelecida na duração de competições esportivas e em seus respectivos intervalos, mais ainda em uma transmissão ao vivo de TV, onde tudo é rigidamente cronometrado), então o uso de bases pré-gravadas/playback (com exceção talvez dos vocais) acontece sempre, não é mesmo?  Então parem de pegar o Flea pra Cristo porque ele é um cara legal.

3 de fev. de 2014

A galera tirando o pé do chão no show do intervalo

Bruno Mars suando a testa e Anthony Kiedis sem camisa no frio de 7ºC que fazia em Nova York. Não dá pra dizer que não houve esforço para entregar ao público um Halftime Show correspondente ao tamanho da expectativa que costuma gerar o show do intervalo da final do futebol americano, o Super Bowl. Mas não deu.

Estamos apenas há uma semana distantes da bomba atômica que foi o combo Daft Punk + Pharrell + Nile Rodgers + Stevie Wonder no Grammy e o impacto da explosão ainda ecoa no universo da apresentação-ao-vivo-da-TV-americana-para-o-mundo. Vai levar um tempo para o mundo se recuperar daquele momento freak out e vai ser preciso mais que um sanduíche de Bruno Mars com RHCP para nos engalobar - os hits de sempre do Mars ("Locked Out of Heaven", "Treasure", "Runaway Baby", "Just The Way You Are") com o hit de sempre do RHCP ("Give It Away") sem nenhum molho extra pra apimentar.

Porém, para nossa alegria,  mesmo não sendo sua função principal, os tão badalados comerciais do intervalo serviram alguns aperitivos musicais gostosinhos para compensar o prato principal não muito apetitoso. Protagonistas em diferentes graus nos comerciais, Bob Dylan, U2 e One Republic completaram a playlist da noite e causaram tanto buzz quanto a lavada que o Denver Broncos levou do Seattle Seahawks (43x8). Foi assim:

Bob Dylan causando em dose dupla
O rumor que se espalhou durante a semana e que ninguém confirmou e muita gente duvidou se confirmou: Bob Dylan estreou um comercial da Chrysler. Em dois minutos de propaganda, ele exalta a "America" e a combalida indústria automobilística de Detroit, um de seus traços definidores, segundo o texto. No twitter, houve quem achasse uó, houve quem achasse o melhor comercial ever.




Antes de dividir os telespectadores norte-americanos, Dylan fez uma "aparição" menos polêmica em um comercial da marca de iogurte Chobani. Ligeiramente surreal, a propaganda mostra um urso que invade um mercado em busca de um pote do tal iogurte ao som de "I Want You", do clássico "Blonde on Blonde", de 1966.





U2 lançando música nova e fazendo caridade
Mais U2 que nunca, o U2 foi gigante e bonzinho ao mesmo tempo: estreou música nova, "Invisible", em comercial do Bank of America. A música foi imediatamente disponibilizada online e, para cada download, houve a promessa de doar US$ 1 para a (RED), organização de combate à AIDS criada por Bono em 2006.




One Republic encerrando um comercial-reality
Um cara comum recebe um convite de uma bela moça em um bar, pega elevador com uma lhama, vai parar em uma festa que só tem gêmeos, joga pingue-pongue com o Arnold Schwarzenegger e divide o palco com o One Republic. Em resumo, foi assim que a cerveja Bud Light deu um jeito de colocar a música pop no seu especial para o Super Bowl.




Ah, o Halftime Chocho você pode ver aqui.

30 de jan. de 2014

Já dá pra ouvir Pitbull animando a Copa. Ainda teremos que esperar pra ouvir Cláudinha Milk e J-lo, que ainda não deu as caras pra nada 

Uma rádio sul-mato-grossense divulgou nesta semana o que afirma ser um trecho da música oficial da Copa do Mundo, "We Are One (Ole Ola)", gravada por Cláudia Leitte, Jennifer Lopez e Pitbull. O trecho em questão, de cerca de três minutos, tem apenas os vocais de Pitbull.

É um batidão dance que não deixa nada a dever ao estilo Pitbull, com trechos em inglês e espanhol e um assobio permanente que vai fazer a gente sentir saudade daquele zumbido sem fim das vuvuzelas.

O melhor da história, até o momento, é descobrir que, enquanto os Estados Unidos têm o Blink 182, nós temos a Blink 102, nome da emissora de rádio que revelou o trecho da música. Ouça:


6 de out. de 2013

Sou louca por ginástica artística desde o tempo em o esporte ainda era chamado de ginástica olímpica - cheguei até a ter aulas por uns dois anos, numa época pré-Daniele e pré-Daiane, e lembro-me de ter que ficar explicando na escola que coisa esquisita era aquela que eu fazia. Quando essa paixão apresenta encontros bem sacados com a música, minha paixão inconteste, eu dou um monte de duplo twist carpado de alegria. Foi o que aconteceu hoje, enquanto assistia à final do mundial de ginástica artística em Antuérpia, na Bélgica.

Em sua prova de solo, a romena Sandra Izbasa fez sua rotina de exercícios ao som de "Feeling Good", da Nina Simone. Longilínea e com uma graça toda peculiar na parte coreográfica, ela fez uma apresentação condizente com a beleza da música. Infelizmente, Izbasa perdeu altura na última acrobacia, o que a desequilibrou e lhe tirou dois pontos. Terminou a final em quarto lugar, com 13.733 pontos. O vídeo abaixo é um registro da mesma prova, mas no campeonato nacional de ginástica da Romênia, quando a atleta teve uma performance bem mais limpa e obteve incríveis 15.600 pontos.





Tendência
Já faz um tempo as ginastas não têm se limitado aos temas orquestrais para as trilhas das rotinas de solo, tirando a prova da mesmice. Um clássico da nossa ginástica nesse sentido - e, talvez, da ginástica mundial - é o Brasileirinho de Daiane dos Santos. No ano passado, as Olimpíadas de Londres também apresentaram exemplos muitos legais.  A romena Catalina Ponor fez sua rotina ao som de "Fever" (composição de Eddie Cooley e Otis Blackwell gravada por uma lista vasta de gente, de Elvis a Madonna); a australiana Lauren Mitchell, de "Besame Mucho" (Consuelo Vélazquez); e a britânica Beth Tweedle, de "Live and Let Die" (Paul McCartney).

Abaixo, na sequência, as performances de Daiane (primeiro vídeo), Catalina e Lauren (segundo vídeo, a partir de 14min20s ) e Beth (terceiro vídeo, em prova do campeonato britânico).


19 de mar. de 2013



Depois da Cavalera aclimatar seu verão 2013/14 com soul music, chegou a vez de Ronaldo Fraga colocar a música para dividir espaço com sua coleção nesta edição da São Paulo Fashion Week. Ao usar como referência as histórias de futebol contadas por seu pai, que foi jogador nos anos 1950, Ronaldo apresentou as peças inspiradas numa era romântica e ao som de uma trilha sonora executada ao vivo.

O responsável pelos trabalhos foi o instrumentista mineiro Célio Balona que, acompanhado por outros músicos, usou seu acordeon para dar uma sonoridade portenha às marchinhas de futebol que embalaram a seleção canarinho e suas conquistas em meados do século passado. "Na cadência do samba" ("Que bonito é...") é quase um tango, numa deliciosa e implícita provocação à nossa rivalidade futebolística com os vizinhos argentinos.

Falando nesse jogo saudável de rivalidades, uma das peças da coleção trazia escudos com formatos e detalhes similares aos de Cruzeiro e Atlético-MG, mas com as cores invertidas. Preto para o primeiro e azul para o segundo. Uma brincadeirinha, será?



Aqui no UOL, no fim da coluna à direita da página, em vídeo que não dá para incorporar no post, dá para ver o desfile completo.

31 de jul. de 2012



Não são poucos os nadadores que estão se apresentando para as provas nestes jogos olímpicos com chamativos fones de ouvido - os mesmos que recentemente atingiram o status de acessório de moda. Em sua defesa, eles dizem que o aparato é para manter a concentração, uma vez que eles isolam o ruído exterior. E a discórdia reside exatamente neste ponto. Há quem sustente que os atletas estão, na verdade, ignorando os torcedores. A "polêmica" virou tema de reportagem no Daily Mail. Eu só queria saber uma coisa: será que toca alguma musiquinha que entra pelos ouvidos destes rapazes que adoram fazer cara de marrentos?
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