19 de fev de 2014

Graças ao Brit Awards, a gente sabe agora que as moças do Haim têm família em Curitiba

O propósito era celebrar a música britânica, as principais atrações da noite foram emprestadas dos norte-americanos (Beyoncé, Pharrell, Bruno Mars e Katy Perry), mas o que teve de mais surpreendente no Brit Awards disse respeito ao Brasil - afinal, já dava pra sacar que ninguém ousaria negar o prêmio de melhor artista masculino a Bowie, de volta pra pista depois de dez anos; e o de melhor disco ao "AM", do Arctic Monkeys, em longo processo de canonização em sua terra natal.

Transmitida pelo Multishow com delay de cerca de uma hora, a cerimônia foi precedida, na TV brasileira, por uma mini cobertura do tapete vermelho feita por Titi Muller. O bate-papo com alguns dos convidados da noite teve pouco espaço - só 15 minutos - e foi transmitido gravado, o que tira um pouco o charme do tapete vermelho, mas foi nesse pequeno intervalo de tempo que vieram à tona os fatos mais interessantes da noite, todos eles ligados ao nosso país. A saber:

As irmãs do Haim têm família no Brasil. Mais precisamente em Curitiba. Pena que Titi não prolongou mais a conversa pra gente saber se esses parentes são americanos ou brasileiros ou se as garotas já deram umas voltinhas pela capital paranaense para tomar leiTE quenTE.

Boy George tem a intenção de fazer uma turnê sul-americana no segundo semestre. Ele foi ligeiramente vago ao responder Titi sobre seus planos para o Brasil, mas mencionou a ideia de dar uma voltinha no lado de cá do Equador "later this year".

Philip Treacy adora turistar no Brasil. O chapeleiro maluco dos britânicos, designer responsável por conceber chapéus para grifes (Chanel), para o cinema (Harry Potter), para celebridades (Lady Gaga e Sarah Jessica Parker) e para a realeza (inclusive muitos dos usados no casamento de Kate e William, como aquele inesquecivelmente ridículo usado pela princesa Beatrice) mencionou Ubatuba como uma de suas praias preferidas. Treacy desenhou a estatueta do Brit entregue aos vencedores este ano.

Fora isso, tivemos:

David Bowie criando um happening mesmo sem estar presente. Escolheu ser personificado por Kate Moss e, assim, pediu para a moça fantasiar-se com um dos figurinos usados nas turnês de Aladdin Sane e fazer o discurso de agradecimento pelo prêmio de melhor artista masculino.

Noel Gallagher sendo Noel Gallagher, abrindo a boca para despejar sinceridade ao explicar para o público porque Kate Moss aceitaria o prêmio de melhor artista masculino (apresentado por Gallagher) em nome de Bowie: "ele é cool demais pra essa merda toda". De fato, too damn cool.

Alex Turner sendo Alex Turner, com aquela nonchalance chapada que ele - e também o resto do Arctic Monkeys - demonstra nas premiações. A pose de desdém não desmontou mesmo quando ele resolveu, em discurso de agradecimento sério para seus padrões, filosofar sobre o ciclo de vida do rock. "Isso é o rock n' roll, ele simplesmente não vai embora. Talvez ele hiberne de tempos em tempos e afunde em um pântano (..). Mas ele está sempre por ali, em algum canto, pronto para retornar do lodo e romper o teto de vidro com uma aparência melhor do que nunca (...)". Talvez um jeitinho maroto de dizer que os próprios Monkeys encarnaram a etapa triunfante desse processo. A banda levou os prêmios de melhor grupo britânico e melhor disco, por "AM".

Pouco humor e muito protocolo numa cerimônia curta e grossa, sem as pieguices que se costuma ter nas premiações americanas, mas sem um pouquinho da fanfarronice que esses eventos precisam para ter mais apelo num aparelho de TV.

Veja todos os vencedores do Brit Awards aqui.



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