3 notas sobre a morte de David Bowie

O que eu trouxe na bagagem da Colômbia

A(s) pergunta(s) que eu não fiz para Steve Aoki

30 de ago de 2012

Nesta sexta (31), quem morar no Brasil (e também Alemanha, Austrália, Bélgica, Canadá, EUA, França, Holanda, Suécia e Reino Unido) e acessar  listentobobdylan.com vai descobrir como ouvir o novo disco de Bob Dylan, "Tempest". Funciona assim: para cada país, haverá um mapa que indicará locais onde as faixas poderão ser ouvidas em dispositivos móveis. Uma das faixas, "Duquesne Whistle", já foi revelada com direito a clipe.


29 de ago de 2012

Eu já não acreditava mais, mas vai sair, finalmente, em setembro, o primeiro disco de estúdio do Los Sebosos Postizos, formação paralela da Nação Zumbi que se dedica unicamente ao repertório de Jorge Ben Jor. Espécie de "Chinese Democracy" da NZ (ok, exagerei), o disco vinha sendo prometido pelo menos desde 2009. Desta vez dá pra ter certeza que não falha o lançamento: já tem capa e faixa circulando na internet. Um alívio poder ouvir a ambientação levemente soturna que a banda dá pras músicas do Jorge com um som limpo, depois de passar tanto tempo escutando as gravações não profissionais (mas providenciais) de shows do Sesc.


28 de ago de 2012

Como uma grande coincidência e com datas muito próximas, chegaram ao Brasil, nos cinemas, "Rock of Ages" e "Aqui é o Meu Lugar", e nas livrarias, "Popcorn - O Almanaque dos Filmes de Rock". O primeiro filme, que trata da cena rock de Nova York dos anos 1980, e o segundo, que coloca Sean Penn como um roqueiro em fim de carreira, caberiam perfeitamente na lista de filmes que o jornalista britânico Gary Mulholland faz em "Popcorn". Só não estão lá porque, obviamente, são mais recentes que a edição do livro.

Mas o que importa é que Popcorn faz uma compilação de cem filmes que orbitam em torno do rock (mais enquanto cultura e comportamento e menos enquanto gênero musical), revelando como duas indústrias (a da música e a do cinema) encontraram um prolífico casamento (como bem demonstrado no prefácio). A saber, filmes de rock, para o autor, são aqueles que tratam de um astro pop, seja na ficção ou na realidade ("The Doors - O Filme", "The Wonders"), os musicais ("Grease"), os que tratam de bastidores da indústria da música ("Josie e As Gatinhas"), os documentários ("Os EUA contra John Lennon"), as comédias ("Escola do Rock") ou os comportamentais ("Easy Rider"). Cada filme tem sua análise, nada isenta por sinal, mas como Mulholland deixa esse aspecto claro e o faz com certo humor e sarcasmo, tudo fica mais interessante.

Só não se engane com o subtítulo do livro, que começa por "almanaque". Existente só na versão traduzida para o português, provavelmente deve ter sido uma jogada esperta da editora, tendo em vista a mania de almanaques que há um tempo surgiu no mercado editorial brasileiro e tem se mostrado bem sucedida. De almanaque, a linguagem gráfica do livro não tem nada. É texto, texto, mais texto e somente texto em longas 420 páginas. Ao final, há algumas páginas com fotos de cartazes e cenas de alguns filmes citados. Um despiste que não engana. Desnecessário esse truque porque, além da singularidade do livro, a edição brasileira ainda tem apresentação de Kid Vinil e prefácio de Rubens Ewald Filho, que muito acrescentam ao conteúdo da publicação.

27 de ago de 2012

Em "A Visita Cruel do Tempo", a escritora norte-americana Jennifer Egan profetizou a transformação dos bebês em salvadores da indústria fonográfica num futuro não muito distante, os anos 2020. Falei disso hoje mais cedo aqui. Pois os descolex de São Paulo estão tratando de dar uma nova dimensão para a profecia: estreou neste mês, em Pinheiros, a ~balada~ Disco Baby, na qual pais levam seus bebês pra ~curtirem um som~. Até mandamentos a festa tem (abaixo). Leia mais aqui.


1) Na Disco Baby, a diversão é em família. Seu filhote não veio aqui para ser deixado sozinho.
2) Todo mundo veio aqui para dançar, né? Evite corre-corre, você pode causar acidentes.
3) É proibida a entrada de adultos desacompanhados de crianças.
4) A idade mínima para trazer um bebê é uma decisão dos pais.
5) A idade recomendada para os frequentadores da Disco Baby é de 5 meses a 10 anos.
6) Crianças mais velhas são bem-vindas, desde que zelem pelo espaço dos menores.
7) A música na Disco Baby é de responsabilidade dos DJs. Ele suou muito a camisa para selecionar o som que você vai ouvir. Respect the DJ!
8) Temos forno de micro-ondas para esquentar papinha e mamadeira. É só pedir para usar.
9) O volume de som da Disco Baby respeita limites de decibéis recomendados pela Organização Mundial de Saúde. Não peça para aumentar.
10) Dance como se não houvesse amanhã, mas cuidado com os pezinhos alheios.
Terminei de ler "A Visita Cruel do Tempo", livro da norte-americana Jennifer Egan e ganhador do Pulitzer de 2011. Tudo no livro é ótimo, desde a completa falta de linearidade da narrativa até o pano de fundo da história - a indústria musical, passando, obviamente, pela trama em si, que trata do surpreendente efeito da passagem do tempo na vida dos personagens. No último capítulo, que se passa em um futuro parcialmente determinado (202- é a única pista sobre o ano, dada no capítulo anterior), a autora faz um genial exercício de imaginação e projeta a existência do Starfish, aparelho eletrônico que será um dos salvadores da indústria fonográfica, graças à descoberta de um novo público alvo: os bebês.  Assustador, mas plausível.

Agora que os consoles infantis chamados Starfish estavam por toda parte, qualquer criança capaz de apontar podia baixar músicas - o mais jovem comprador de um disco era um menino de três meses de idade de Atlanta, que tinha comprado uma música do Nine Inch Nails chamada "Ga-ga". Quinze anos de guerra tinham se encerrado com um pico de natalidade, e esses bebês não apenas ressuscitavam uma indústria morta, mas também se tornaram árbitro do sucesso mundial. As bandas não tinham outra alternativa a não ser se reinventar para crianças que ainda nem sabiam falar. Até Biggie tinha lançado mais um álbum póstumo cuja canção título era o remix de uma de suas músicas mais famosas, "Fuck You, Bitch" ("Vai se foder, cachorra"), que fazia as palavras soarem como "You're Big, Chief" ("Você é demais, bacana"), acompanhada por uma foto de Biggie balançando sobre os joelhos um menino de origem indígena com um cocar na cabeça. O Starfish tinha outras funções - pintura a dedo, sistemas de GPS para bebês que estavam aprendendo a andar, correio eletrônico com desenhos -, mas Cara-Ann nunca tinha posto a mão em um desses consoles, e Rebecca e Alex tinham decidido que ela não o faria até completar 5 anos. Eles próprios evitavam usar seus consoles na frente da filha.  (p.307)

22 de ago de 2012

Foram confirmado hoje seis shows de Robert Plant no Brasil em outubro:  Rio de Janeiro (18, no HSBC Arena), por Belo Horizonte (20, no Expominas), São Paulo (22, no Espaço das Américas), Brasília (25, no ginásio Nilson Nelson), Curitiba (27, no Teatro Guaíra) e Porto Alegre (29, no estádio Gigantinho).

O que esperar desse show? Digo o que não esperar: hard rock. Acompanhado de sua banda, agora rebatizada de The Sensational Space Shifters (antes era Strange Sensation), Plant apresenta músicas de sua carreira solo, com uma vibe meio celta, meio mística, e aproveita para colocar os clássicos do Led no mesmo pacote. Sim. Numa manobra meio #bobdylanfeelings, Plant pinta e borda com os arranjos de seus grandes sucessos. Mas, ao contrário de Dylan, que altera os arranjos de suas composições mantendo a sonoridade folk que nos acostumamos a ouví-lo tocar, o ex-Led Zeppelin transporta os clássicos do hard rock para um terreno musical bem diferente do seu habitat natural. Irreconhecível é pouco para a nova cara das músicas.

Lembram-se daquela versatilidade dele de que falei aqui na segunda? Pois é. Quem não acreditou, que aperte o play.

Muito prazer, Whole Lotta Love




Muito prazer, Black Dog


21 de ago de 2012

Certamente você já ouviu falar sobre Pussy Riot, a banda russa condenada por protestar contra o governo Putin. Mas você já parou para escutar a banda? Olha, não é uma tarefa tão simples. Até então obscuro nas bandas de cá do mundo, o grupo, de fato, só veio à luz por causa da polêmica e é a respeito dela que consiste a maior parte do material que eu achei no YouTube - reportagens, em todas as línguas, sobre o que vem ocorrendo. E ainda tem os vídeos cujas informações estão em russo.

Mas lá pela quarta página de resultados achei um vídeo com uma das músicas das meninas. "Putin Lights Up The Fires", cantada em russo, mas cuja letra foi gentilmente traduzida para o inglês por uma alma boa lá nos comentários. É um hardcore dos nervosos, mas com um solo até amigável para a estridência do resto da música.  Já deixei de escutar há muitos anos esse tipo de música - não por negação, mas por mudanças pessoais e musicais mesmo -, mas vale o registro e a curiosidade.


20 de ago de 2012

O parabéns de hoje vai para Robert Plant pelos seus 64 anos e pela sua versatilidade, que vai da sensualidade agressiva e andrógena dos anos 1970 ao romantismo cavalheiro e brega de "Sea of Love", registrado neste vídeo inacreditável na década seguinte. E nem vem brigar comigo porque eu gosto dos dois Plants.


 

15 de ago de 2012

Montagem do Camilo Lucas, um dos membros da trupe Paul, vem falar UAI

Peças de um quebra-cabeças indicam que Paul McCartney pode vir tocar em Belo Horizonte em janeiro do ano que vem no Mineirão, que a esta altura estará novo em folha. Pode ser que seja na primeira quinzena do mês. Por que digo isso? Para quem não sabe, desde novembro do ano passado, organizo junto com um grupo de amigos a Paul, vem falar UAI, campanha que põe em evidência o desejo dos fãs mineiros de ver o baixista canhoto tocando em sua capital. A mobilização acabou me aproximando de gente que tem informações privilegiadas nesse sentido. Muitas delas têm sido divulgadas nas últimas semanas na página que o nosso grupo criou no Facebook para dar visibilidade à ideia.

É fato que a boataria sobre um retorno de Paul ao Brasil em 2013, que incluiria, além de BH, Rio e São Paulo, já corria desde abril. Mas nos últimos dois meses a coisa parece estar ficando mais séria, tendo em vista as informações que o nosso grupo está recebendo de fontes próximas ao epicentro destes fatos/boatos. E quais seriam eles? 1)O governo de Minas quer reinaugurar o Mineirão com um grande show. 2)Paul McCartney é uma das possibilidades para este propósito e, inclusive, isso já foi discutido em reuniões do governo. 3)O Mineirão tem as datas de 12 e 13 de janeiro reservadas para um grande evento. Estas informações se relacionam umas com as outras em maior ou menor grau, mas o uso mínimo da lógica nos leva a deduzir que onde há fumaça, há fogo, certo?

De todo modo, é bom colocar a dita desconfiança mineira em prática porque o nosso histórico não é dos mais positivos em negociações de shows do Paul. Em 2010, BH era candidata a dividir com São Paulo os shows da Up and Coming Tour, mas o fechamento simultâneo do Mineirão e do Independência para obras eliminou qualquer possibilidade de show naquele ano. No ano passado, em dezembro, a equipe dele avaliou o estádio do Horto para uma futura turnê que viria a ocorrer em abril deste ano, mas inadequações do estádio à estrutura do show atrapalharam novamente uma vinda dele à cidade. Com uma dose imensa de bondade do destino, temos agora uma terceira chance. Que ela não escape pelas mãos.

3 de ago de 2012


Olhar para trás tem sido um movimento comum na música neste início de século. Reunião de bandas com atividades encerradas, relançamentos de discos clássicos, turnês comemorativas de décadas de aniversário. Os Titãs não fazem diferente e comemoram os 30 anos da banda com a turnê que leva novamente para o palco todas as faixas do disco “Cabeça Dinossauro”, lançado em 1986. BH verá o show na próxima sexta (3), no Mix Garden.

Parte da turma que surfa na onda do revival pop, Tony Bellotto, guitarrista da banda, admite ver com ambiguidade essa tendência, mas resguarda o papel dos Titãs na história. “Como fã, eu gosto da ideia de uma banda tocar músicas de um determinado disco, mas por outro lado também pra fazermos esse show foi uma oportunidade de comemorarmos os 30 anos. Às vezes, me parece meio uma ideia passadista, de uma banda se apegar ao passado quando não tem mais o que dizer, o que não é o nosso caso”, argumenta.

Não é mesmo, pois há razões maiores para a comemoração. Desde os anos 1990 considerado o melhor disco dos Titãs e um dos melhores do rock brasileiro, “Cabeça Dinossauro” virou o jogo com o passar dos anos. À época do lançamento, o público acolheu bem o disco, que em menos de um ano vendeu 250 mil cópias. Mas, numa época em que o país já acumulava um histórico de canções de protesto e a consequente queda de braço com a censura, as rádios se autocensuraram, rejeitando faixas com teor provocativo e que atacavam instituições como “Polícia”, “Igreja” e “Família”, conforme comentários dos músicos em entrevistas daquele período. A crítica também se confundiu diante de faixas com sonoridades tão distintas como “Homem Primata” e “Bichos Escrotos” e enquadrou o disco em categorias díspares, como MPB e rock pesado.

“Era mais uma esquizofrenia da crítica. Quando a gente começou, nos anos 1980, já havia artistas dos anos 1970 como Raul Seixas, Rita Lee, e mesmo assim foi muito difícil para a crítica aceitar que o rock brasileiro tinha personalidade e relevância. Sempre foi mais fácil pra crítica entender o que era MPB e Bossa Nova. Havia um certo preconceito em relação ao rock brasileiro, mas com o tempo foi mudando e a gente foi ganhando respeito e compreensão”, avalia Tony.

Para Tony, o disco é uma referência para quem faz rock hoje no Brasil, mas quem absorve o espírito de “Cabeça Dinossauro” canta em outro ritmo. “O rap de hoje em dia contém muito mais essa linha de protesto, até mais que as bandas de rock propriamente ditas. Tudo o que se faz no Brasil hoje de mais representativo, em termos de posicionamento, é no rap. O rock brasileiro está acontecendo no rap brasileiro”, teoriza.

Essência
O show tenta prolongar a essência do disco agregando ao repertório outras músicas da carreira da banda que “são mais pesadas ou mais virulentas ou mais combativas”, diz o guitarrista, como “Vossa Excelência” e “A Verdadeira Mary Poppins”.

Ainda em comemoração aos 30 anos de banda, os Titãs – hoje Branco Mello, Sérgio Britto, Paulo Miklos e Tony –, devem se juntar aos ex-membros para uma turnê em seis capitais brasileiras. Segundo Tony, Charles Gavin e Arnaldo Antunes já confirmaram presença. Nando Reis ainda depende de disponibilidade de agenda. Mas, como o próprio Tony garante que os Titãs não vivem de passado, em 2013 deve sair o novo disco da banda. “Vamos mostrar que a banda continua andando pra frente. Tem que ser um disco que contenha a nossa fúria, é o que estamos procurando".

Titãs
No show “Cabeça Dinossauro”
Mix Garden (rua Projetada, 65, Jardim Canadá, 2532-8201). Dia 3 (sexta), às 22h. R$ 180 (masculino) e R$ 160 (feminino).

*Reportagem publicada na edição de 28/7 do Jornal Pampulha
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