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O que eu trouxe na bagagem da Colômbia

A(s) pergunta(s) que eu não fiz para Steve Aoki

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21 de set. de 2019


No post que marcou o fim de um hiato longuíssimo neste blog, comentei que um dos episódios que me gerou a inquietação para voltar a escrever aqui foi a viagem que fiz para Manchester no meio do ano. Mais especificamente, a viagem para a Manchester dos Smiths e do Joy Division. Detalhes dos porquês e dos rolês eu contei neste textão pro Festivalando, aquele blog que "me roubou" daqui (mentira, escolhas minhas :P).

2 de ago. de 2015

Shining: é black metal, é jazz, é Noruega



Eu fiz esse texto há quase um ano para o Festivalando, mas ele acabou não sendo publicado. Falo sobre duas bandas que conheci (e gostei muito) durante o Brutal Assault, festival de heavy metal na República Tcheca, no qual estive no ano passado. Aproveitando que nesta semana rola mais uma edição do festival, resgato o texto neste espaço.

Reza o clichê dos festivais de música que os mesmos são uma ótima oportunidade para descobrir (e aprender a gostar de) novas bandas e artistas, já que há oferta grande de shows num curto espaço de tempo. No meu caso, não havia lugar melhor para colocar o clichê à prova do que o Brutal Assault, na República Tcheca. Festival de heavy metal, que não é exatamente a minha praia, com uma tonelada de nomes desconhecidos pra mim (ok, como eu sou poser, pelo menos o Slayer me era um nome familiar).

Clichê posto à prova, clichê comprovado: depois de uma dezena de shows, saí de lá com duas bandas que se tornaram as minhas favoritas de todos os tempos dos últimos meses. Shining e Combichrist, ambas coincidentemente da Noruega, ambas coincidentemente escaladas para tocar uma na sequência da outra na penúltima noite do festival.

Roupa de indie
"Olha, Pri! Tá parecendo essas bandas que você gosta". Foi o comentário da Gra quando o Shining subiu no palco. E era verdade. Todos super elegantes em peças pretas de alfaiataria super bem ajustadas. Poderiam se passar por um Interpol, Franz Ferdinand ou Kraftwerk caso alguém olhasse bem rápido, de longe. Talvez o visual indie-friendly tenha me deixa mais predisposta a curtir o show, o que aconteceu de fato.

O que me conquistou no Shining foi o híbrido ousado de industrial com black metal e... jazz, este último onipresente no sax do vocalista Jørgen Munkeby. O disco "Blackjazz", de 2010, sintetiza em seu nome o som que a banda vem fazendo desde então. Antes disso, a banda fundada em 1999 fazia jazz instrumental, com um flerte para o rock sintetizadores no meio do caminho que acabou culminando no som atual. Vale a pena ouvir os trabalhos desde o início para entender como o Shining chegou até o seu único e peculiar black jazz.




PS: Shining deve ser um nome de banda com muito apelo na Escandinávia, visto que há uma banda homônima sueca de black metal. Munkeby declarou em entrevistas que não vê problema algum na coincidência.

Rave metal
Eu já estava satisfeita com minha descoberta do Shining quando, na sequência, o Combichrist veio completar minha alegria de criança provando doce novo. O que me pegou na banda, que está na ativa desde 2003, foi a mesma lógica do Shining, a combinação de elementos que normalmente não dialogam muito. No caso do Combichrist, a receita é música eletrônica com vocais e batidas agressivas, o que os ~entendidos~ chamam de aggrotech, um derivado do industrial.

Mais legal que conhecer as duas bandas (pohan, como eu consegui não conhecê-las durante esse tempo todo?), foi ver o público curtir os dois shows tendo em vista as propostas menos ortodoxas em relação gênero dominante do festival. Abaixo, trechos do Shining e do Combichrist no Brutal Assault 2013, na história noite em que ambos me conquistaram :P



27 de abr. de 2015

Não, eles não estão à venda no free shop

Acho triste como, em plena era do acesso fácil à informação abundante, a gente às vezes simplesmente negligencia certas coisas. Nunca foi tão fácil e barato ouvir toda e qualquer música de todo e qualquer lugar do mundo e, no entanto, a maioria se limita a ouvir música local e aquela que ainda é jorrada dos Estados Unidos e da Inglaterra. Me incluo nessa; shame on me.

Veja só: precisei viajar até a Colômbia para ouvir um pouco do que se está produzindo de música contemporânea por lá (ok, pra não dizer que estou tão ruim assim lembro que pelo menos o Bomba Stereo eu já conhecia). Na minha viagem para Bogotá, onde fui ao festival Estereo Picnic em missão do meu amado Festivalando, tive a oportunidade de ver ao vivo dois artistas emergentes da cena local.

Na verdade, são dois duos. O La Tostadora é um coletivo audiovisual que faz o que eles denominam de "rayacoco bailador", aquele tipo que é capaz de se acabar de dançar tanto com cumbia, regaetton, quanto com house. Ou seja, um encontro esperto de música eletrônica com elementos populares e folclóricos.



A performance de palco da dupla também entrega essa união de tradição e modernidade. Como é de costume na cena eletrônica hoje, eles se apresentam mascarados. Mas de uma maneira bastante singular, os adereços os transformam em "dois caciques de rave", nos próprios termos da dupla. Por enquanto, o La Tostadora tem um EP no currículo, "Rayacoco Bailador".



A outra dupla é Pedrina y Río (em foto que abre este post), dona de um pop delicado e gracioso, recheado com camadas eletrônicas e guitarra. A primeira música do duo, "Enamorada", foi lançada despretensiosamente no ano passado, sem nenhum artifício promocional, em uma rádio independente de Bogotá, e logo se converteu em hit nacional, daquele tipo que os ouvintes pedem nas rádios. Neste ano sai o primeiro álbum da dupla.

17 de abr. de 2015

Eu tenho sido uma moça tão rodada nos últimos tempos que rodei, rodei e fui para muito longe deste blog. Na foto, eu rodando no Chile, depois de rodar na Colômbia e antes do Paraguai 

Não tá fácil pra ninguém, muito menos pra este blog, que ficou parado lá em 2014. É que a dona dele anda atarefadíssima com a última cria, o Festivalando, projeto de turismo musical sobre o qual já falei aqui algumas vezes. Me sinto muito mal por isso, porque aqui é o meu playground maior, mas o Festivalando realmente precisa muito de mim neste momento e vai precisar por muito mais tempo. Amém.

Mesmo assim, vou me esforçar para manter alguma regularidade aqui, ainda que a periodicidade não seja das melhores. Para começar, vou reproduzir aqui um texto de minha autoria que fiz originalmente para o Papo de Homem um tempo depois da viagem de dois meses na qual o Festivalando foi parido. Ajuda a entender como ele e as experiências advindas dele invadiram minha vida de um jeito inescapável. Stay tuned!

O que aprendi viajando para festivais de música

Roskilde Festival, Dinamarca, julho de 2014. No acampamento, onde festas improvisadas se sucedem num contínuo temporal, um grupo de rapazes canta, dança e bebe umas cervejas do lado de fora da barraca. A alguns passos dali, atrás de uma barraca vizinha, um cara vira-se de costas, abre o zíper da calça e faz xixi. Uma menina se aproxima, fica do lado do cara, agacha-se, abaixa a calça e faz xixi. A festinha continua ao mesmo tempo em que alguns dormem nas barracas e outros circulam pelo acampamento. Enquanto isso, um menino, duas meninas e outro menino repetem a cena do xixi no mesmo local, sem alterar o curso festeiro.

Para os dinamarqueses, parece não importar muito quem está abaixando as calças para fazer xixi no matinho. Mas importava pra mim e pra Gra, amiga e companheira na travessia por sete festivais de música na Europa nos dois meses que se seguiriam. A jornada ainda ganharia lá no final, na Hungria, uma terceira mosqueteira, a Paula, para completar o trio de moças obsessivas-compulsivas por shows que se conheceram na faculdade de Comunicação.

Ali no Roskilde, onde presenciamos a cena em questão durante uma das muitas festas que acontecem no acampamento, dávamos o pontapé inicial na jornada de festivais e também ao Festivalando. Quem? Em sua forma concreta, Festivalando é o site que a gente transformou em bagagem para guardar os "causos" (somos mineiras!), experiências e memórias desses festivais, assim como lugares e pessoas que conhecemos e ainda pretendemos conhecer. Em sua forma abstrata, é a vontade de retomar o fôlego na vida e fazer o que a gente gosta do jeito que a gente quer: escrever, contar histórias, ir a shows, viajar. Tudo isso sem medo de escorregar na água derramada depois daquele chute básico no balde (alguns empregos foram abandonados nessa história).

Quando deixamos o Brasil atrás de um alívio para nossa fissura por shows e de experiências em terra estrangeira para contar no nosso site, não imaginávamos que ver meninos e meninas abaixando as calças lado a lado para atender à simples e natural necessidade de aliviar a bexiga seria uma das histórias que ficariam na nossa memória.

Entre perrengues com dinheiro, comida e banheiro (porque existem perrengues nos festivais europeus também, ainda que em menor grau); shows bons e ruins e episódios isolados como esse de Roskilde, nos festivais eu acabei vivendo de forma muito mais aguda aquele inevitável deslocamento cultural que vem de brinde com o deslocamento físico de uma viagem.

Passar dias e às vezes uma semana inteira indo a um mesmo festival me fez ver dinamarqueses, suecos, suíços, alemães, tchecos e húngaros pintando cenas comuns de seu dia e dia e de sua cultura com tintas mais carregadas. "Culpa" do natural clima de oba-oba, extroversão exacerbada e às vezes um quase desbunde que insiste em impregnar a atmosfera de festivais, mas que não se encontra nos roteiros turísticos tradicionais. Um sentimento cultivado e evocado pela mítica aura de liberdade e liberação herdada, consciente ou inconscientemente do mais mítico e arquétipo de todos os festivais, aquele lá de 1969 – o Woodstock.

Arte: equipe Papo de Homem

É claro que dinamarqueses e dinamarquesas não fazem xixi na rua uns do lado dos outros; existem banheiros separadinhos para cada um. Mas em uma região como a Escandinávia, onde a bandeira da igualdade de gênero é uma política levada a sério pelo Estado e com resultados efetivos (tinha até mulher narrando a final da Copa na TV, gente), a cena das moças e rapazes juntos no matinho sem serem incomodados ou questionados por ninguém é uma amostra desse quadro em sua versão, digamos, mais exagerada e libertina, como pede o clima de festival. O mesmo vale para a outra ponta do extremo, na República Tcheca, no Brutal Assault, festival de heavy metal, quando eu e Gra tivemos que lidar com assédios constantes e infantis de marmanjos que chegaram a tentar fotografar nossas bundas. Uma reprise exagerada e abobalhada dos gracejos que ouvimos nas ruas de Praga, direcionadas a nós mesmas ou a outras moças, muitas com cara de turistas.

Lá na Alemanha, quando passei um fim de semana no Resist to Exist – festival de punk, hard core e ska –, vi que o casal de punks debochados que seguravam um pedaço de papelão com os dizeres "Beer and Weed" (cerveja e maconha) em meio aos restos do muro de Berlim posicionados na Potsdamer Platz não eram só peça decorativa. Sempre há algo por trás da paisagem turística.

Concentrando uma amostragem na casa dos milhares da população punk que ainda resiste em Berlim, o festival me revelou algumas das diferentes razões dessa resistência e, meio sem querer, algumas sutis desigualdades. Como o menino que penou para me dizer em um inglês meio tabajara que se identificou com o punk diante da dificuldade de conseguir um emprego ou o estudante universitário que mora com a família e disse se identificar com as bandeiras políticas do movimento depois da gente ter uma conversa pseudointelectual e comparativa sobre as pegadinhas do alemão e de línguas neolatinas, como o francês. Foi também no festival que ouvi, durante os shows e no meio do público, os gritos mais altos contra o neonazismo, que hoje é uma assombração institucionalizada na figura do Partido Nacional Democrático (NPD), que propaga seus ideais neonazistas com representação no legislativo alemão em dois de 16 estados.

Discurso forte anti-nazismo em festival punk de Berlim

E eu, que só queria ver uns shows em lugares por onde ainda não havia passado e fugir do marasmo profissional que me perturbava já alguns anos, voltei para o Brasil sem o emprego que deixei para trás, com nove quilos de excesso de bagagem que me custaram 40 euros e mais uma bagagem na cabeça que vale mais que todos os euros que eu gastei em dois meses e que não pesa nem um décimo do medo que foi deixar para trás um emprego estável.

O Festivalando virou um projeto profissional em potencial, com todo o entusiasmo e energia que eu procurava há algum tempo e que uma ideia nova e promissora naturalmente tem. A peregrinação por festivais foi um encontro inesperado com alguns dos hábitos, valores e comportamentos de jovens como eu nos países por onde passamos, e que não se repetiu nos passeios que fiz por pontos turísticos tradicionais, tão cheios de gente de todo lugar do mundo, mas tão vazios de quem vive e faz o dia-a-dia e a cultura daquele lugar (isso não é um desprezo pelo turismo padrão. Trago comigo também boas recordações da turistagem no muro de Berlim e no Cassino de Montreux, por que não?).

Não imaginava que a vontade de ver os Stones no Roskilde Festival me levaria, sem querer, a ver como homens e mulheres enxergam uns aos outros na Dinamarca, naquela reveladora e anedótica cena do xixi lá do início do texto. Ou que a oportunidade de ir a um festival em Berlim para voltar a ouvir o punk rock que tanto escutei na adolescência me mostraria como há uma camada da população, principalmente jovem, consciente e temerosa dos riscos de uma nova onda conservadora (alguma semelhança com esse Brasil pré e pós eleitoral?). A gente quer explorar ainda mais esse recém-descoberto portal de experiências, e já temos outros cantos do mundo na mira das próximas viagens: Nepal, Japão, Colômbia, Estados Unidos.

Festivais de música:  eventos que aqui e lá apostam tanto numa tal de experiência e seguem se esforçando para entregar ao público ~experiências únicas~ em forma de lounges patrocinados e de uma alegria jovial e descolada pré-fabricada por departamentos de marketing e produção. Mal desconfiam que as experiências já estão prontinhas para acontecer, em qualquer lugar - no palco, claro, no meio do público e até atrás da moita.

25 de ago. de 2014

Até em festival de metal eu fui parar. Foto: Petr Hoffelner/www.hofik.cz

Espero voltar às atividades normais deste blog assim que o meu corpo voltar às atividades normais do ritmo dos trópicos, mas por hora finalizo a sequência de posts de retomada da primeira temporada do Festivalando rumo aos festivais de música do velho continente.

Depois de Montreux, na Suíça, fui para Berlim, na Alemanha, presenciar a resistência da comunidade punk no Resist to Exist. De lá, fui para a República Tcheca para participar do meu primeiro festival de heavy metal, o Brutal Assault. Fui, encarei, gostei e recomendo a experiência. Terminei a via crucis em Budapeste, na Hungria, com a encrenca do Sziget, o pior festival de música que você pode querer um dia ir na sua vida. Logo mais tem mais.

6 de ago. de 2014

Depois de ignorar Damon em Roskilde, não tive como escapar dele em Montreux


Nessa coisa de ir pra lá e pra cá em festivais de música pelo Festivalando, acabo me esbarrando com quem está para vir tocar no lado de baixo do Equador e, às vezes, acabo me esbarrando mais de uma vez, já que o apinhado calendário de festivais de verão na Europa acaba repetindo muitas atrações. Foi o caso de Damon Albarn, que já está com show confirmado na Argentina em outubro desse ano (data no Brasil, cadê?).

Ele fez um show em Roskilde, na Dinamarca, e não fiz o mínimo esforço para ir assistir. Motivo: tinha achado "Everyday Robots", seu novo disco meio tedioso. Quando cheguei em Montreux, na Suíça, lá estava Damon novamente prestes a fazer um show. Com a consciência um pouco pesada, afinal ele me deu um dos melhores shows da vida junto com o Blur, no Planeta Terra, no ano passado, me senti obrigada a dar uma segunda chance ao repertório de "Everyday Robots". Melhor decisão possível, pois o show desse novo disco é, na verdade, um showzaço. Lá no site do Festivalando, projeto de turismo musical que visita festivais de música pelo mundo, eu conto como foi a gloriosa noite do Damon em Montreux.

4 de ago. de 2014

Montreux te presenteia com progração gratuita e uma vista deslumbrante da riviera suíça

Ir ao Festival de Montreux foi a realização de um sonho. Finalmente lá estava eu presente nessa instituição cheia de história e charme dos festivais de música. Não tinha como ser decepcionante, mas também não imaginava que superaria minhas expectativas. Senti em Montreux uma atmosfera incrivelmente convidativa e ainda fui presenteada com uma das mais belas paisagens naturais que já vi na vida: o lago Leman e os alpes suíços, contíguos em um mesmo cartão postal. Fui pra lá pelo Festivalando, projeto de turismo musical que visita festivas pelo mundo, e compartilho neste texto aqui as maravilhas desse evento na estonteante riviera suíça.

1 de ago. de 2014

Tem música boa vindo da Suécia

Descobri o festival Popegoja, na Suécia, na necessidade de encontrar um evento gratuito naquele país, e acabei ganhando muito mais que economia com dinheiro para ingresso. O festival, que foi a segunda parada do Festivalando, novo projeto de turismo musical que visita festivais de música pelo mundo, é uma vitrine de novidades da cena sueca. Descobri sons bem legais que estão sendo feito na Escandinávia por agora e destaco alguns deles neste post aqui lá no Festivalando. A propósito, o Popegoja é um festival bem sossegado, num parquinho, ideal pra curar a lomba que ficou do furacão que foi o Roskilde. A Gra, que está nesse projeto junto comigo, conta aqui sobre a atmosfera do festival. Vai lá!

27 de jul. de 2014



Sumi sem avisar e deixei isso aqui acumular teia de aranha, não é mesmo? Mas é que uma viagem de dois meses por seis países diferentes dá uma bagunçada na vida da gente, mais ainda quando ela envolve trabalho. Mas hoje, na metade desses dois meses, finalmente consegui parar para dar satisfações por aqui. Estou em uma cruzada de dois meses pela Europa para acompanhar alguns festivais de verão por aqui. Tudo isso está sendo documentado pouco a pouco no Festivalando, projeto novo feito em parceria com as sisters Gracielle Fonseca e Paula Costa.

A ideia fundamental, amparada pelo conceito de turismo musical, é viajar pelo mundo para festivais de música e chamar atenção das pessoas para as experiências que se vive nesse tipo de evento. Entrelaçado com tudo isso, dicas e impressões sobre lugares, comidas e situações com as quais a gente se esbarra quando se está em viajem.

Começamos com nossas impressões sobre festivais brasileiros (porque a gente viaja pelo Brasil também, uai!) e contamos um pouco das nossas impressões sobre o Lolla, o Rock in Rio e o Roça in Roll. Agora, nesta primeira temporada de viagens, passamos pelo Roskilde, na Dinamarca, Popegoja, na Suécia, e Montreux, na Suíça. Nesta semana, tem dose dupla de Alemanha com o Resist to Exist e Wacken. Depois, seguimos para a República Tcheca, onde acompanhamos o Brutal Assault, e encerramos essa primeira turnê festivaleira no Sziget, na Hungria, já na segunda quinzena de agosto.

Até lá, vou continuar sem aparecer por aqui com outro assunto senão o próprio Festivalando. Nos próximos dias, vou recapitular alguns dos highlights dessa imersão no universo dos festivais de música. Se você quiser, pode ir lá direto no site e ler uma parte ainda pequena do grande conteúdo que a gente tem para despejar.


20 de mai. de 2014

Museus dos Beatles pelo mundo: Memorabilia em Buenos Aires X Experiências (como adentrar um submarino amarelo) em Liverpool

Eles têm o Papa, uma quantidade invejável de livrarias, um dos melhores sorvetes do mundo e um jogador de futebol belamente corajoso que se diz melhor que Pelé. O que mais poderiam ter os argentinos que ninguém - ou quase ninguém - nesse mundo poderia ter? Um museu dos Beatles e um Cavern Club, coisas que, de fato e de direito, fazem sentido em Liverpool - onde, realmente, ainda funciona o mítico Cavern Club e também o fofo museu Beatles Story.

Mas a questão é: esse é um diferencial vantajoso dos hermanos? Depende. Depende do quanto e de como você gosta dos Beatles e de música em geral, depende do que você considera ser um museu interessante, depende se você pode arcar com uma viagem com custos em peso ou em libras.

Único museu dedicado aos fab four fora de Liverpool (havia um em Hamburgo, na Alemanha, mas ele foi fechado por falta de público), o Museo Beatle é essencialmente um micro-complexo de memorabilia da banda. É uma pequena sala que concentra cerca de dois mil itens do aficionado Rodolfo Vazquez, argentino que consta no Guinness Book como o maior colecionador de objetos relacionados aos Beatles. Sua coleção soma cerca de 10 mil itens, que rotativamente são expostos no local. Há discos, roupas, bonecos, relógios, autógrafos, bichos de pelúcia, canecas, ingressos, chinelos (sim, um par que foi lançado para promover "Wingspan", um dos álbuns do Paul com o Wings), vitrolas, pacotes de chiclete, peruca e tijolos (sim, um do Cavern Club e outro do Star Club, de Hamburgo, onde os Beatles fizeram uma temporada no estilo prova de fogo antes do estrelato).

Depois da visita, não diria que é um museu dos Beatles, mas sim um museu de um fã dos Beatles. Um museu da beatlemania. Indiretamente, ele indica um pouco do que foi a banda, mas acho que ensina muito mais sobre o tipo de devoção e admiração que a banda provocou nesse último meio século. Lembra muito a London Beatles Shop, que tem à venda muitos dos mesmos itens postos a venda na loja de souvenirs localizada na Baker Street - inclusive autógrafos.

Completam o conjunto de atrações a Sala John Lennon - uma espécie de teatro de bolso, o Star Club Café, com pratos batizados com os nomes dos fab four (como o café Paul) e o Cavern Club portenho, que recebe shows, adivinha, de bandas que fazem cover de Beatles, mas também algumas peças de teatro, obedecendo à vocação de sua sede - tudo está localizado no Paseo La Plaza, uma galeria que concentra salas de teatro e alguns bares.

O Beatles Story, em Liverpool, já segue outro caminho e te oferece uma visita mais focada na experiência que na memória. Como o nome entrega, há um resgate da trajetória da banda e isso é feito principalmente pela reconstituição de espaços que, de uma maneira ou de outra, se tornaram icônicos na história da banda. A impressão que tive foi quando visitei o Beatles Story é que a intenção é te transportar para dentro dessa história. Você caminha pela Mathew Street, endereço do Cavern, sobe no palco do clube em questão, senta-se nas poltronas do avião da Pan Am que levou a banda para a gloriosa e determinante visita aos Estados Unidos, fica preso em um cubículo abafado pela gritaria estridente e histérica das fãs e descobre como o submarino amarelo é por dentro. Alguns objetos e documentos históricos, além de uma sala dedicada à trajetória pós-Beatles de cada um dos fab four e de uma outra dedicada à memória de John completam o material do Beatles Story.

Como sou mais afeita a estes museus moderninhos, e nunca fui uma fã chegada a acumular objetos, acho o Beatles Story um lugar que tem muito mais a acrescentar para quem gosta de Beatles (gente, poder entrar dentro do Yellow Submarine e descobrir como as coisas supostamente seriam lá dentro é uma viagem). Mesmo assim, consigo ver o Museo Beatle como um complemento nessa história toda. Ele é um espaço que dimensiona, em partes, o tipo de impacto que a banda gerou no público e não dá para falar de Beatles sem falar dos beatlemaníacos. Na dúvida, e havendo possibilidade$$$, visite os dois.

11 de jul. de 2012

No post de hoje da minha "série dentro da série" - locais relacionados aos Beatles em Londres na sequência de posts sobre a capital inglesa, dois lugares que serviram de cenário para a banda, mas que não atingiram o status icônico de Abbey Road.

4)Chiswick House and Gardens
Domingo no parque. Hora de sair da agitação da região central de Londres e ir para um bairro residencial, onde a vida parece mais normal, sem turistas de todo o mundo badalando a qualquer momento como se não houvesse amanhã. É neste bairro do oeste da cidade que fica o parque onde foram gravados os clipes de “Paperback Writer” e “Rain”. As esculturas que vemos nos clipes estão visivelmente mais bem conservadas hoje e a árvore de muitos galhos que lembra o cajueiro gigante de Natal (brinks) ainda está lá. Se no passado o lugar serviu de locação para os Beatles, hoje ele é palco do futebolzinho de domingo, do passeio com os cachorros e do piquenique com a família e os amigos. Os londrinos sabem muito bem como aproveitar as áreas verdes da cidade.  Desça na estação Turnham Green. Eu caminhei uns quinze minutos até chegar no parque. Como esta não é uma área turística a priori, não há sinalização indicando como chegar até lá, mas nada que pedir informação na rua não resolva.

A árvore de Rain...


5)Savile Row
The end. Termino meu relato onde uma parte da história dos Beatles também terminou. No número 3 da Savile Row fica o prédio onde no passado ficava o escritório da Apple e onde foi feito o rooftop concert. Tão frustrante quanto o fim da banda foi chegar lá e me deparar com tapumes que cobriam a entrada do prédio. Nada de foto posando de Apple scruff. Compartilhei minha decepção com dois espanhóis que estavam lá pelo mesmo motivo. A rua fica bem perto da estação Picadilly.


10 de jul. de 2012

Hoje, em mais um post dedicado aos Beatles dentro da série London, London, dois lugares que não estão nos guias de viagem, mas que guardam preciosidades da banda.

2)British Music Experience
Quinquilharias do passado. O British Music Experience (BME)é um museu dedicado à história da música pop britânica. Para quem, como eu, tem interesse (e fascínio) pessoal e profissional pelo som dos britânicos em geral, a visita já é valiosíssima. Fica melhor ainda porque, obviamente, os Beatles não ficariam de fora dessa história. O museu combina estações interativas,  em que você pode ouvir muita música e ter acesso a dados históricos, com uma vasta exposição de memorabília dos principais nomes da música da Grã-Bretanha.

Há um espaço dedicado somente aos Beatles com merchandising das antigas (como aquelas perucas que imitavam o corte mop top), um par de óculos do John, um Hoffner do Paul e o terninho que o Ringo usou em A Hard Day’s Night. Meu olhar de precisão cirúrgica identificou um sinal que denunciou a idade e o desgaste da peça: na altura do peito, dá pra ver uns furinhos no tecido! Adoro ver essas marcas que expõem a verdade dos objetos. Como tudo em Londres, é fácil chegar lá de metrô (BME). Localizado na The O2, um complexo de entretenimento, ele está integrado à estação North Greenwich.

British Library: fotos proibidas no interior,
assim como no BME
3)British Library
Relíquias. A biblioteca nacional do Reino Unido, imeeeensa, tem uma exposição permanente só com publicações raras. Em meio à Magna Carta, à Bíblia de Gutenberg e diários de contemporâneos de Shakespeare, há um espaço dedicado somente aos Beatles. Lá, vi com meus próprios olhos os manuscritos originais de “Help”, “Yesterday”, “Michelle” e “Ticket to Ride”, além de duas fotos raríssimas: uma tirada bem no início da banda, com o Stu ainda na formação, e outra de John, também desse mesmo período. A princípio é só uma foto aleatória, mas na imagem ele me encarava com aquele olhar magnético de Monalisa, topetinho à la Elvis e jaqueta de couro. Um olhar inescapável que me obrigou a pensar em tudo o que ele se transformaria a partir do instante em que foi tirada a foto e o desfecho de tudo nos anos 1980. Foi duro porque inconscientemente todos os quatro continuam vivos pra mim e de vez em quando rolam esses insights que me lembram do contrário: dois já se foram. Na lojinha da biblioteca, além de muitos livros e souvenirs relacionados à literatura, há mais merchandising oficial dos Beatles. Para chegar lá, fique na estação Euston.


9 de jul. de 2012

Para fechar a série London, London, ao longo desta semana vou publicar em partes um texto que fiz para o blog Beatles College descrevendo lugares relacionados aos Beatles em Londres. Afinal, é óbvio que os fab four não escapariam da minha rota turística. Começo com um passeio pelo distrito de St. John's Wood, que, por manobras do destino, reúne hoje quase meia dúzia de lugares relacionados à banda.

1)St. John’s Wood
Este é um distrito do noroeste de Londres que pode ser definido como um mini-complexo de atrações beatlemaníacas. Senta que lá vem história.

Um cafezinho, por favor. A diversão já começa quando você sai da estação de metrô, que leva o mesmo nome do local. À esquerda da saída, tem o Beatles Coffee Shop, um café bem pequenininho que serve lanches, café (óbvio), toca Beatles o dia inteiro e vende aqueles produtos oficiais da banda que podem arruinar suas economias.  A localização é estratégica: esta é a estação de metrô mais próxima de Abbey Road.  Se você pedir para algum dos atendentes informações sobre como chegar até a famosa rua, eles te darão um mapinha personalizado com as direções necessárias.

Enfim, Abbey Road. Com uns dez minutos de caminhada, você chega lá e se depara com uma cena comum a todos os pontos turísticos de Londres: muita gente chegando o tempo todo, falando todas as línguas do mundo. É preciso esperar sua vez para tirar a tão sonhada foto atravessando a rua dada a grande quantidade de interessados.  Um agravante é o trânsito do cruzamento: em contraste com boa parte do distrito, bastante calmo, o tráfego lá é movimentado (inclusive em um domingo à tarde, quando estive lá).  Das duas uma: ou você espera por um rápido momento sem passagem de carros e ônibus ou desafia os motoristas, muitos deles sem a menor paciência para aturar o movimento de turistas no meio da rua.

Olha eu

Residência McCartney. A aproximadamente dez minutos a pé de Abbey Road está, incrivelmente, a casa do Paul. Mais precisamente, na Cavendish Avenue. Como ele frequenta uma academia que fica basicamente a alguns passos de sua casa e procura levar uma vida de gente normal, há sempre aquela esperança de topar com ele virando a esquina. Não foi o que aconteceu comigo, mas a esperança se mantém para os que ainda irão fazer o mesmo caminho.  Fui lá na segunda (18), no dia do aniversário dele. Dei umas voltas no quarteirão para passar o tempo, mas achei melhor não dar margem a atitudes suspeitas e tomei o rumo da próxima parada do tour beatle por St. John’s Wood.

Money! Vinte minutos de caminhada depois, estava na Baker Street. O endereço foi primeiramente tornado célebre por ser o local de residência de Sherlock Holmes nas histórias de Conan Doyle, mas nos anos 1960 foi o lugar onde os Beatles instalaram a Apple Boutique.  O empreendimento como sabemos, logo morreu, mas o comércio relacionado aos fab four existe na rua hoje sob uma outra forma: é lá que fica a Beatles London Store, outro lugar fatal para o seu bolso: lá também há o mesmo merchandising oficial que se encontra na Beatles Coffee Shop, mas em quantidade e variedade exorbitante. O local divide as atenções com o museu dedicado a Sherlock Holmes. Os dois locais ficam separados por apenas uns três estabelecimentos.

28 de jun. de 2012

O British Music Experience (BME) não está nos guias de viagem de Londres. Uma pena. Este museu moderninho e interativo - daí o uso do termo "experience" no lugar do museu - sobre a música pop britânica é um dos lugares mais divertidos para se visitar em Londres quando se é melômano. Tão obrigatório quanto aquela passadinha em Abbey Road para fazer a clássica foto atravessando a rua.

Localizado na O2, complexo cultural que reúne em um só espaço a O2 Arena, restaurantes e cinemas, o espaço dedicado ao BME até que é pequeno se comparado à grandiosidade do complexo, mas há bastante informação condensada no museu (a propósito, foi pesquisando a programação de shows da O2 Arena no período em que estaria em Londres que felizmente descobri o museu).

O BME combina um extensa memorabília de artistas britânicos desde os anos 1950 aos dias atuais com estações interativas nas quais, com o toque das mãos, é possível conhecer os fatos mais importantes da música ligados aos nomes locais, muitos deles com contexto histórico. Há também estações mais didáticas, como as que tratam da influência musical mútua entre norte-americanos e britânicos e as que explicam determinados gêneros musicais e seus subgêneros por meio de conceitos e exemplos práticos. Neste último caso, para ativar as explicações, você toca em discos de vinis posicionados em uma mesa.

Dos tempos de Cliff Richard, o Elvis britânico
Para completar a diversão na poplândia britânica, há uma salinha em que você escolhe um ritmo e reproduz os passos de dança ensinados por uma professora em uma tela. Toda a sua performance é gravada por uma câmara. Outra sala reproduz um mini-estúdio com guitarras, baterias e, mais uma vez, vídeos gravados com instruções de professores. Sua performance como instrumentista também é registrada.

A jaqueta do Brett Anderson e a guitarra do Noel
O mais legal de tudo é que você sai de lá com toda a sua experiência registrada. Junto com seu ingresso, você recebe um cartão com um código numérico. Ao longo da visita, você é instruído a tocar o cartão em sensores localizados em todas as estações. Saindo de lá, você entra no site do BME e cadastra o código. Voilá! Todas as informações às quais você teve acesso (além do seu vergonhoso vídeo dançando e da sua vã tentativa de ser um instrumentista) estão armazenadas na sua conta pessoal no site em áudio, foto e texto e podem ser acessadas a qualquer momento, além de compartilhadas no Twitter e no Facebook. Se houver uma segunda visita, o novo cartão pode ser cadastrado, e as informações deste serão agregadas às do primeiro.

Recomendo demais a visita para quem curte música pop - um assunto que os britânicos levam muito a sério e sabem muito bem como tratar. Vá lá: http://www.britishmusicexperience.com/

E no Brasil? Por que não?
A propósito, uma pergunta que não sai da minha cabeça desde que descobri o MBE: porque o Brasil ainda não tem algo nessa linha? Nossa música é uma das mais conhecidas no mundo, tem um alto grau de diversidade e é um dos elementos fundamentais na formação da "identidade" nacional. Temos uma história fantástica para contar, histórias, no plural, diga-se de passagem, dado que ainda há muitos pontos e casos mal resolvidos que ainda precisam ser melhor compreendidos e aceitos como parte de um universo ainda limitado que se convencionou chamar de música brasileira. Poderíamos ter um museu dez vezes maior que o dos britânicos. E usar o espaço para entender melhor um dos nosso principais produtos de exportação para o mundo desde os tempos de Carmen Miranda. Fica a dica.  


27 de jun. de 2012

Vinil pra mais de metro

Londres é uma cidade de muitos museus. De todos os tipos. Considerando a acepção do termo no senso comum, qual seja, museu como local em que são reunidos objetos antigos com valor artístico e histórico (sei que hoje um museu pode ir muito além desse conceito), a HMV poderia entrar na lista de "museus" da capital inglesa. Em tempos de perrengue na venda de discos - inclusive na própria Inglaterra, é surpreendente o cenário avistado quando se entra na loja. 

Assim como nos tempos áureos das lojas de discos, há fileiras e fileiras de CDs E de vinis organizadas por gêneros musicais. Na loja da Oxford Street, a parte dedicada aos discos ocupa aproximadamente uns três quartos do primeiro dos dois pisos. Veja bem, a música é o que recepciona os clientes. O espaço é dividido com merchandising oficial de bandas, games e livros. A maior surpresa, porém, é ver, em plena quarta-feira, por volta das 19h, uma fila imensa, de dar voltas, tão grande quanto aquelas das Lojas Americanas em época de Páscoa ou Natal. Constatar que TANTA GENTE ainda compra disco foi quase um choque pra quem descartou esse hábito há quinze anos. É claro que não desconhecia a sobrevivência desse hábito ancestral, mas não imaginava que ele ainda poderia ser praticado em grandes coletivos.

À distância, aqui do outro lado do oceano, já era notável pra mim a relação de amor dos ingleses com a música pop. Na minha passagem pela HMV, senti que são amantes à moda antiga.

Fila pra pagar disco!

26 de jun. de 2012

O blog ficou bem abandonado nas últimas duas semanas porque estava em viagem de férias para Londres. Para compensar a falta de atualizações, começo amanhã uma pequena série de posts com observações trazidas na mala direto da terra que em breve vai abrigar as olimpíadas. Aguardem.
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