3 notas sobre a morte de David Bowie

O que eu trouxe na bagagem da Colômbia

A(s) pergunta(s) que eu não fiz para Steve Aoki

22 de dez de 2011

Griselda, além de ser o nome da protagonista da novela das nove da Globo, "Fina Estampa", também é um personagem do folclore europeu que ficou registrado para a eternidade em um dos contos de "Decameron", obra literário do italiano Giovanni Boccaccio escrita no século XIV. Posteriormente, o texto serviu de base para a elaboração do libreto da ópera composta por Vivaldi no século XVIII que também leva o mesmo nome da arqui-rival da vilã Teresa Cristina.

 

14 de dez de 2011


Os meninos da Del Rey, de azul, nos bastidores da gravação do especial de fim de ano

Quem disse que especial de fim de ano do Roberto Carlos é sempre a mesma coisa? Bom, neste ano, na Globo, vai ser mesmo no esquema flashback, uma vez que a emissora vai reprisar o show do rei em Jerusalém. Mas a MTV tratou de mudar a ordem das coisas. No próximo domingo, às 23h, pra quem ainda não sabe, a banda Del Rey, especialista há quase dez anos em fazer versões para as músicas de Roberto e Erasmo, vai ser a responsável pelo especial inédito deste fim de ano.

Wanderléa e Fafã de Belém foram as convidadas da apresentação, que terminou com todos os VJs da casa fazendo em coro em "Quero Que Vá Tudo Pro Inferno", ao contrário dos shows do rei, que sempre são finalizados com "Jesus Cristo". Não disse que era diferente?

12 de dez de 2011

Poderia ser apenas uma campanha pra se autopromover e fazer frente à concorrência, mas foi uma bela sacada: em um vídeo produzido e publicado no Mega Upload, artistas cantam a "Mega Upload Song". Ou seja, gente que faz parte da indústria que tanto implica com o livre compartilhamento de arquivos na internet canta a favor dessa prática. E é gente muito grande: a lista de participantes inclui Will.i.am (que parece ter sido o compositor da música, que lembra bem seu estilo), Alicia Keys, Snoop Dogg e P Diddy, dentre outros.

A música em questão traz versos que tratam da maravilha que é o site de compartilhamento de arquivos intercalados com depoimentos nos quais alguns desses mesmos artistas falam sobre o uso que fazem do site.

8 de dez de 2011

Hoje marca o dia da morte do John, mas é bom lembrar que num mesmo 8 de dezembro, só que de 1994, foi-se embora outro nome da música: Tom Jobim.

1 de dez de 2011

A Rádio UOL disponibilizou cinco faixas do novo CD da Gal, "Recanto", inteiramente composto por Caetano. Prepare-se para uma atmosfera introspectiva construída com batidas eletrônicas. O disco será lançado na próxima terça-feira (6).

Ouça aqui.

29 de nov de 2011

Escrevi hoje de manhã, no Twitter, que me incomodavam as lembranças dos dez anos da morte do George especificamente no dia em que tudo ocorreu (a.k.a hoje). Disse que tudo me fazia lembrar daquela sexta-feira, da chuva que caía, da notícia, de Something tocando no repeat do Winamp. É mais fácil, pra mim, tecer homenagens e glorificar o John, já que eu nem estava neste mundo quando a vida dele foi tirada pelas costas. Não vi a coisa acontecendo, quando cheguei aqui, já estava assim.

Mas o dia de hoje não deixa de ser uma boa desculpa para lembrar como as músicas do George foram as que mais me cativaram de imediato quando comecei a desvendar os Beatles. Para lembrar como a beleza de "Something" era clara desde os primeiros acordes. Para lembrar como "I Me Mine" foi uma das primeiras músicas na vida que me deixou desconsertada, e me fez levantar do sofá da sala naquela tarde qualquer quando coloquei pra tocar o vinil de "Let it Be", logo depois de comprá-lo na Galeria da Praça 7 por R$10, uma pequena fortuna lá pelos ídolos de 2000.

Salve, George.

28 de nov de 2011


Já está no ar no site do Instituto Tom Jobim o Acervo Gilberto Gil. Imagens, vídeos, textos e outros tipos de mídia ajudam a contar vida e obra do compositor, que em 2012 chega aos 70 anos.

O próprio Tom, além de Chico, Dorival Caymmi e o arquiteto Lúcio Costa, também têm acervo no mesmo site.

24 de nov de 2011

E se o Paul voltasse para o Brasil no ano que vem? E se ele voltasse para BH? É um sonho (grande), mas sonhar não custa nada, tentar fazer algo pelo sonho também não. Seguindo essa filosofia, beatlemaníacos de BH iniciaram no Facebook a campanha "Paul, vem falar UAI!".

A ideia é mobilizar o maior número possível de fãs e mostrar para produtores e patrocinadores que a cidade tem público sedento por um show do Paul por aqui.

Quem quiser colaborar, é só entrar no link abaixo e curtir a página criada para divulgar a campanha. Quanto mais likes, mais amostras de mobilização.


Paul, o Independência (novinho em folha) te aguarda!

21 de nov de 2011

Já está no ar o Stones Archive, site lançado pelos Rolling Stones que contém material digitalizado da banda: fotos, vídeos, textos, memorabília, bootlegs e outras raridades. A primeira pérola colocada à venda é The Brussels Affair, registro de show feito pela banda em 1973 em Bruxelas, na Bélgica.

Com a proximidade dos 50 anos da banda e os rumores de que os quatro se reuniriam para uma possível turnê em 2012, o acervo do site só tende a aumentar.

17 de nov de 2011

"Ah, ele podia tocar 'Never Without'!". "Liverpool 8! Liverpool 8!". "Por que não entra 'Don't Pass Me By?". "Queria ouvir 'I Think Therefore I Rock 'n' Roll!'". "Ele tinha que tocar 'You're Sixteen'". Eu, particularmente, queria ouvir "Only You". E "Devil Woman". E "No No Song" também. Todos que estavam ontem no Chevrolet Hall devidamente paramentados com camisetas dos Beatles para ver a apresentação de Ringo tinham as suas músicas preferidas na voz do baterista na ponta da língua. Muitos conheciam muito bem a discografia solo de Ringo. Outros tinham no beatle mais "baixinho" (1,73m contra aproximadamente 1,80 dos outros colegas) o seu preferido dentre os fab four. Ninguém ali no público tinha dúvidas quanto ao fato de o Ringo ser um astro da mesma grandeza de John, Paul ou George.

Por outro lado, Ringo, que há 50 anos carrega a estrela em seu próprio nome, num ato de altruísmo, se recusa a se colocar diante do público como tal. Divide metade do repertório do show com seus colegas de banda de maneira matematicamente justa: dois números para cada um dos músicos. Tem sido assim há mais de vinte anos. É uma camaradagem das mais bacanas, eu penso, e os músicos não decepcionam tecnicamente. Mas gostaria de ver Ringo se assumir definitivamente como a estrela única de seus shows e tomar conta do repertório. Músicas para segurar um show inteiro e agradar ao menos a uma legião de beatlemaníacos (e não simplesmente a "simpatizantes" dos Beatles) ele tem (os exemplos acima comprovam). Jeito com a plateia também (as piadinhas irônicas muito me agradaram).

À parte o exemplo de idolatria a Ringo que o público de BH deu ontem, o baterista experimentou várias vezes estar no centro da história de sua grande banda. Nos filmes dos Beatles, era o centro das tramas (o portador do anel perseguido pela ceita indiana em "Help", o sumiço antes do show em "A Hard Day's Night", o responsável por levar os três parceiros para Pepperland em "Yellow Submarine"). Foi o único beatle que colaborou com os demais em carreira solo e que, em retribuição, teve a participação dos mesmos três em seus álbuns pós-Beatles. Quando ameaçou deixar a banda, foi recebido no estúdio com sua Ludwig repleta de pétalas de rosas. Era um querido dentro da banda. E continua sendo fora dela. Quero ver Ringo tomar essa condição para si e levar para o palco. Dominar seu show de cabo a rabo.

Parafraseando os versos que John escreveu para Ringo, possivelmente mandando um recado para seu parceiro: Ringo, você é o maior e é melhor você acreditar nisso, baby!


"Alquimistas do Som" é um documentário de 2003 recentemente postado na íntegra no YouTube. A coprodução da TV Cultura e da TV PUC trata da experimentação na música brasileira a partir de depoimentos dos próprios músicos que construíram suas carreiras a partir dessa premissa (Tom Zé, Egberto Gismonti, Júlio Medaglia).

16 de nov de 2011

Uma única estrela enfeita o bumbo da lendária Ludwig que Ringo Starr usa ao vivo. Mas o nome do show que o ex-baterista dos Beatles apresenta em Belo Horizonte nesta quarta-feira (16), no Chevrolet Hall, trata de espantar qualquer possibilidade de "propaganda enganosa". "Ringo Starr and His All Starr Band" deixa bem claro: todos no palco são considerados astros.

Os fãs de Beatles que assistiram Paul McCartney destrinchar exclusivamente suas composições feitas para sua ex-banda e sua carreira solo vão se deparar com um formato diferente de show na apresentação da segunda metade viva dos rapazes de Liverpool no Brasil. Este não será somente um show de Ringo. No palco, "com uma pequena ajuda dos amigos", ao longo do show ele divide o repertório com cada um dos músicos de sua banda, que também executam sucessos de suas carreiras.

Diversão
Ringo mantém este formato desde 1989, ano em que voltou a fazer turnês com regularidade. Criado com o intuito de simplesmente reunir alguns amigos no palco em nome da diversão, desde então a All Starr Band abrigou uma constelação. Já são11 formações diferentes, pelas quais passaram membros de importantes bandas do rock, como The Who, Byrds, Cream, Animals, Kinks e Emerson, Lake and Palmer. A formação atual está com Ringo desde o ano passado. Não é a mais estrelada de todas, mas vai despejar alguns hits conhecidos do público brasileiro (veja quadro abaixo).

"Vi um show do Ringo em 1998. Foi um super show, num lugar antológico em Londres, e o George estava no backstage. Nessa época, a banda dele tinha o Jack Bruce, do Cream, e o Peter Frampton. Em termos de comparação, acho aquela formação melhor que a de hoje, mas tudo vai ser relevado pela presença do cara ali. Até porque ele sempre foi o beatle que representava a alegria. Um beatle é sempre um beatle", conta o músico Aggeu Marques.

Nos shows que já fez até o momento em sua turnê latino-americana, que já passou por México, Chile e Argentina, Ringo tem alternado composições de sua carreira solo com músicas dos Beatles. Do período com os Beatles, "Yellow Submarine", "With a Little Help For My Friends" e "Boys" têm sido presença constante. Da fase pós-Beatles, "It Don´t Come Easy" e "Back of Bugaloo" são recorrentes no repertório.

Equilíbrio
"É um show imperdível para quem curte o Ringo e os Beatles porque a cada dia que passa ele prova mais e mais o seu valor como baterista. O Ringo é um cara muito querido e era considerado o ponto de equilíbrio dos Beatles", afirma Beto Arreguy, vocalista e guitarrista da banda Hocus Pocus, que também teve a oportunidade de ver Ringo no exterior.

Uma citação ao ex-companheiro de banda John Lennon também é praticamente presença certa nos atuais shows de Ringo: "Give Peace A Chance", também cantada por Paul McCartney em sua turnê. Na ausência de John, Ringo tem sido o beatle que mais fala de paz. A propósito, além dos sucessos, o público certamente ouvirá, no Chevrolet Hall, durante todo o show, Ringo pronunciar seu atual mantra: peace and love peace and love.

Ringo Starr and His All Starr Band
Quarta-feira (16). Chevrolet Hall (avenida Nossa Senhora do Carmo, 230). Ingressos: R$240 (somente inteira, no 5º lote). Infomações: 3209-8989

*Matéria publicada na edição de 12/11 do Jornal Pampulha

14 de nov de 2011

Não há conexão direta entre Tancredo Neves e John Lennon. Pelo menos não entre o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte, e o John Lennon Airport, em Liverpool. Não há voos diretos da capital para o berço dos Beatles. Mas o que a aviação impede, o sentimento dá conta de tornar possível. BH, que recebe na quarta (16), pela primeira vez, um beatle em seu solo, o baterista Ringo Starr, mantém laços particulares com a beatlemania e os ares de Liverpool.

Na falta de um avião que encurte as distâncias entre as cidades separadas pelo Atlântico, desenha-se uma ponte imaginária, como na mente do músico Aggeu Marques. "Liverpool é uma cidade do interior e considerada caipira pelos ingleses. Acho que o Brasil nos vê assim também. Na TV, os mineiros são retratados com jeito caipira. A gente aqui tem a impressão, como o Milton (Nascimento) disse uma vez, de que a mídia está olhando de frente pra praia e de costas pra gente. Liverpool tem a mesma sensação em relação a Londres, de marginalização cultural", compara Aggeu. Hoje no projeto Yesterdays, de tributo aos Beatles, ele acumula passagem por Hocus Pocus e Sgt. Pepper´s, mais antigos covers do quarteto na capital, com 27 e 22 anos de existência, respectivamente.

Apuro técnico
Com longo histórico e reconhecimento internacional, na International Beatle Week, principal festival em homenagem aos Beatles realizado anualmente em Liverpool, as duas bandas abriram caminho para que BH se transformasse em um dos polos de bandas cover do grupo inglês no país. Atualmente, estão em atividade na capital quase uma dezena de bandas que tocam repertório dos Beatles pelo menos quatro noites por semana. "Na cidade tem muita gente trabalhando com Beatles ou curtindo a banda. A formação de público é permanente", observa Beto Arreguy, vocalista e guitarrista da Hocus Pocus. A Sgt. Pepper´s, apontada na Beatle Week como um dos melhores covers de Beatles do mundo, recebeu elogios de Paul McCartney, via e-mail. "Ele agradeceu o material que enviamos. Falou que foi muito bem feito e que era a reconstrução do passado da banda", relata Jô.

Este esmero técnico é um dos pontos fortes das bandas locais, na opinião do produtor cultural Jeová Guimarães. "Os músicos mineiros não se preocupam tanto com o visual como em outras cidades, aqui se prima mais pela técnica", afirma Jeová, organizador da festa "Come Together", que reúne músicos para fazer versões de clássicos dos Beatles. Isso não impede, no entanto, que a cidade receba bem bandas de fora e com propostas diferentes. O projeto de São Paulo All You Need Is Love, que reconstitui ao vivo a trajetória dos Beatles por meio de figurinos e trejeitos, cativou o público local. Dos 25 mil DVDs que vendeu em todo o país, quase metade foi comprada pelos fãs mineiros. "O pessoal daí chega dez vezes mais animado pro show. A gente percebe a diferença no alvoroço", comenta o vocalista Sandro Peretto.

O primeiro
O alvoroço não é de hoje. Aos 12 anos, Lô Borges formou ao lado dos irmãos os The Beavers. De calça curta azul e camisa branca, eles reproduziam na BH dos anos 1960 a beatlemania em programas da TV Itacolomi e da rádio Inconfidência. "Só o Márcio sabia inglês. Ele escrevia os fonemas conforme se falava pra gente cantar: if ai feu in lov uit iu. Fizemos um certo sucesso", relembra Lô, um dos mentores do Clube da Esquina, fortemente influenciado pelos Beatles e considerado pela maioria dos entrevistados uma das raízes da beatlemania por aqui. Coincidência, ou não, a esquina das ruas Paraisópolis e Divinópolis já foi comparada com outra esquina célebre, na terra da rainha. "O Pat Metheny, guitarrista de jazz norte-americano, queria conhecer o local do Clube. O Milton explicou que era uma esquina como outra qualquer e ele falou que Abbey Road também era só um cruzamento. Ele falou pro Milton que a emoção de estar no Clube só era comparável à de estar em Abbey Road".

*Matéria publicada na edição de 12/11 do Jornal Pampulha

11 de nov de 2011

Parece que o Papai Noel resolveu recrutar o povo do rock para substituir as renas neste Natal. Depois de Iggy Pop virar garoto propaganda, com gorrinho do bom velhinho e tudo, de uma loja de departamento na França, os Smiths foram parar na trilha sonora da campanha de Natal de uma loja de departamento inglesa, a Jonh Lewis. A música em questão é "Please Please Please Let Me Get What I Want", em uma versão da cantora Amelia Warner, que se apresenta sob o nome de Slow Moving Millie.

O jornal inglês The Guardian já está chiando. Um artigo questiona porque uma banda tão anti-establishment como o Smiths liberou sua música para uma campanha que promove uma data tão propícia para o capitalismo. Moz, aguardamos seu pronunciamento.


9 de nov de 2011


Iggy Pop é o garoto propaganda da campanha de Natal da Galeries Lafayette, loja de departamento francesa. O clima natalino em tom de rock segue nas vitrines da loja, que abrigarão shows de bandas locais e estrangeiras, além de manequins com roupas de couro.

8 de nov de 2011

O Duran Duran divulgou hoje (8) o clipe da música "Girl Panic". O clipe com jeitão de curta-metragem (9:35 de duração) tem ares de editorial de moda em movimento: Naomi Campbell, Cindy Crawrofd, Eva Herzigova e Helena Christensen, todas super-modelos dos anos 90, são as estrelas do vídeo. Entre looks de passarela, festanças, cliques e swarovski, as quatro assumem a figura de cada um dos integrantes do Duran Duran.



#georgemichaelfeelings
"Girl Panic" me remeteu imediatamente a "Freedom '90" e "Too Funky", dois clipes muito representativos de George Michael e da própria década de 90, estrelados pelas principais modelos da época. Naomi e Cindy - pelo visto, eternas top models - participaram de ambos. Helena Christensen também teve seu momento MTV na década que parece estar voltando à moda. É ela a moça de um grande hit-videoclíptico: "Wicked Game", do Chris Isaak. Lembram?

7 de nov de 2011

"Uma estreia nacional de Chico é como uma festa. E enquanto o show não começa, a gente pensou em cantar para esperá-lo. Cantar junto. Cantar pra ele. Talvez lá do camarim ele até ouça o burburinho. Talvez não. De todo modo, cantar já é uma forma de nos prepararmos para recebê-lo, aqui em BH. Que daqui a pouco é ele quem vai cantar pra gente. E a gente ouve. Essa ideia surgiu entre alguns dos que dormiram na fila para comprar ingresso para esse show. Essa 'cola' é só pra ajudar na cantoria".

Folhas A4 distribuídas na fila de entrada do show de Chico no último sábado continham essa mensagem, seguida de letras de "A Banda", "Vai Passar", "João e Maria" e outras canções mais populares do compositor. A ideia, como explicado, era aquecer para a estreia do músico. Não colou muito. A cantoria ficou concentrada na lateral esquerda da Plateia I, provavelmente onde o pessoal que se conheceu na fila deve ter se sentado. Mas a tietagem impressionou. Parecia plateia de auditório de programa de domingo. Ou público de popstars. Ou torcida de futebol - os gritos de "Olê, olê, olá, Chicôôô, Chicôôô" reforçaram ainda mais essa última impressão.

O contraste ao ambiente caloroso começaria com 20 minutos de atraso e aplausos de pé da plateia. Pupilo da tradição bossa-novista, que preza pelo minimalismo da performance em favor da canção, Chico segue fazendo de tudo para não chamar a atenção. Só se dirige à plateia para dar um "boa noite, Belo Horizonte", logo após a abertura, com "Velho Francisco" e, mais adiante, para apresentar seus músicos e convidar o baterista Wilson das Neves para dividir o microfone em "Tereza da Praia" e "Sou Eu". A escolha do repertório deu pouquíssimo espaço para músicas "levanta multidão" (muitas das quais impressas no papel do "pré-show" dividido na fila). Quem esperaria por "Ana de Amsterdam" ou "Baioque"? Ao final de cada música, responde os aplausos com um discreto sorriso, os olhos fechados e a cabeça ligeiramente abaixada.

Não foi tão simples assim, porém, tentar apagar-se no palco. Involuntariamente, Chico desviou a atenção das canções para si mesmo quando se perdeu com a letra de "Injuriado" e entrou um pouco depois do tempo em um dos versos, graças ao público, que cantava a letra correta. E também em "Sob Medida", momento em que também se confundiu e admitiu: "Errei". Continuou do ponto em que tinha parado. Talvez mais deliberadamente, Chico chamou mais atenção para si do que para sua obra, de fato, quando, em ritmo de rap, agradeceu a Criolo, compositor revelação do ano, pela versão de "Cálice" que o rapper paulista vem apresentando em alguns de seus shows. Foi o ponto unanimemente destacado em seu show pelo noticiário de hoje. A atitude, certamente, surpreende tendo em vista que Chico, há muito tempo, é de poucas palavras, e muito tradicional em sua forma artística para flertar tão livremente com uma fronteira tão além-MPB como é o hip hop.

No balanço final, foi a música de Chico que prevaleceu. Saí do Palácio saciada por ter visto ao vivo não só um dos principais responsáveis por me abrir as portas (e ouvidos) para a música brasileira, mas principalmente por ter visto um artista tão esmerado com sua obra e com os músicos de longa data que ajudam a sustentá-la ao vivo. Chico me convenceu que o que criou é muito maior que o mito criado em torno da figura dele. Mas essa mesma conclusão, aliada ao fato de que esta é apenas a sua sexta turnê em quase 40 anos, me conduziu a uma questão que só ele pode me (nos) responder: qual a representatividade do palco para ele hoje?

3 de nov de 2011

Esta semana a MTV norte-americana realizou o O Music Awards, premiação dedicada à música digital. Entre categorias como "Gênio Digital" (Bjork), "Artista Que Você Tem Que Seguir" (Adam Lambert) e "Rede Social de Música Mais Viciante" (Spotify), houve também o prêmio para o "Melhor Vídeo Viral Vintage". O vencedor foi "Smells Like Teen Spirit", do Nirvana, que concorria com Queen, Metallica, Dolly Paton, Sinead O'Connor e Notorious B.I.G.

Vejam só: agora os vídeos da era pré-YouTube têm uma segunda chance e podem sair das profundezas do passado para ter seus 15 minutos de fama na internet. É como reviver o hype, mas trocando a tela: a da MTV pela do computador. Tudo em nome da galerinha que não acompanhou o frisson da época em que o único lugar de clipe era na eme-tê-vê. Não por acaso, a categoria assim se justifica: "Porque muitos de nós éramos jovens demais para termos vivido aquilo".

A celebração dos 20 anos do Nevermind (muito mais badalado que o Black Album, disco que também completou 20 anos, de outro concorrente, o Metallica) deve ter pesado na escolha.


1 de nov de 2011


Este toca-discos roda vinil. E CD e fita cassete. E MP3 também, graças a uma entrada USB. Ele ainda converte o som do vinil para MP3. Aqui.

24 de out de 2011

Quem acompanha o bafafá do mundo pop deve ter ficado sabendo que Beyoncé foi acusada de plagiar movimentos da coreografia criada pela belga Anne Teresa de Keersmaeker para o espetáculo "Rosas danst Rosas", em 1983, e considerado um dos mais influentes da dança contemporânea. Beyoncé admitiu ter usado alguns dos movimentos como referência. Pois fique sabendo:

1)A companhia belga Rosas, fundada por Anne Teresa, apresenta o espetáculo em questão no Brasil, em duas datas: nos dias 27 e 28 de outubro em São Paulo, no Sesc Pinheiros, às 21h, e dia 1º de novembro em BH, às 20h30, no Sesc Palladium, dentro da programação do Fórum Internacional de Dança (FID). Oportunidade para tirar a prova dos nove ao vivo.

2)Meses atrás, quando a equipe de Beyoncé estava, provavelmente, apenas sonhando em preparar a coreografia para o clipe de "Countdown", algumas mocinhas de um lugar da Europa que eu não consegui identificar levaram a célebre coreografia de Anne Teresa para o universo da diva pop-mor, Madonna, usando alguns dos movimentos de "Rosas danst Rosas" em "Like a Virgin". Pelo visto, a coreografia tem um apelo pop surpreendente para os padrões de linguagem da dança contemporânea.


23 de out de 2011

Essas competições de nado sincronizado do Pan estão me saindo melhor que encomenda. Hoje de manhã, acompanhava a reprise da final de duplas quando me deparei com a performance das canadenses. As duas moças, com aqueles maiôs glamourosos e maquiagem e cabelo elegantérrimos que não se desmancham nem debaixo d'água, executaram a coreografia ao som de "Master of Puppets", com uma breve intervenção de "Enter Sandman", ambas do Metallica. Ganharam o ouro.

21 de out de 2011

O clipe de "Doughnut", da banda norte-americana Parenthetical Girls, é daqueles feitos para bombar nesses tempos de internet. Para cada palavra da música, uma capa de disco correspondente, muitas delas paródias de capas famosas. Rola até uma paródia com a clássica capa de "Verde Que Te Quero Rosa", do Cartola. A concepção é do estúdio de desgin português Cãoceito. Todas as capas que aparecem no vídeo foram reunidas neste tumblr.


I Need Nothing - a nearly useless odyssey from Cãoceito on Vimeo.

20 de out de 2011

Estava assistindo hoje à tarde às finais do nado sincronizado no Pan de Guadalajara quando o locutor da Record mencionou o filme "Escola de Sereias", filme de 1944 que ajudou a popularizar o esporte em questão. Dei uma busca no YouTube e encontrei, dentre vários vídeos, este abaixo, que traz uma edição de imagens de Esther Williams, atleta norte-americana do nado sincronizado que estrelou "Escola de Sereias" e outros filmes da época, sempre em papéis que relacionados ao então desconhecido esporte, sempre muito glamourizado nas cenas que protagonizou.



As imagens acabaram puxando do fundo da minha memória o clipe de "Aeroplane", do Red Hot, que traz figurantes executando movimentos de nado sincronizado.

19 de out de 2011

A Dior mergulhou todo seu glamour no mundo dos games clássicos para criar a nova campanha de seus produtos de beleza. Para casar com o clima modernete, a trilha é do La Roux: "Tigerlily".

16 de out de 2011

Falta exatamente um mês pro show do Ringão em BH.

9 de out de 2011

Em pouco mais e um mês, em 29 de novembro, completam-se dez anos da morte do ex-beatle George Harrison, vítima de um câncer de pulmão. De maneira bastante estratégica, como exige este tipo de efeméride, é lançado hoje (10) em todo o mundo, depois de cinco anos de produção, o DVD de "Living in the Material World", documentário de Martin Scorsese sobre o guitarrista da banda inglesa que dispensa apresentações.

Lançamentos resultantes de celebrações de datas como essa costumam mobilizar mais os fãs, mas a cinebiografia que Scorsese acaba de entregar pode servir como uma bela carta de apresentação de George para quem conheceu os Beatles pegando carona apenas no mito em torno da banda, que muitas vezes faz da incontestável parceria Lennon/McCartney uma injusta sombra sobre a outra metade da banda. Ainda que muito rapidamente, o caçula dos Beatles é apresentado em sua infância e adolescência. Costurando depoimentos, Scorsese mostra como o garoto que garantiu sua vaga na banda graças à habilidade com a guitarra poderia ser hoje, para o senso comum, um compositor tão emblemático como John e Paul, mas não o se tornou porque seus dois parceiros pouco davam espaço para suas composições nos álbuns dos Beatles.

Aos beatlemaníacos, que inevitavelmente acompanharão histórias mais que conhecidas - o triângulo amoroso com Pattie Boyd e Eric Clapton, por exemplo - ficam reservados depoimentos mais pessoais do filho Dhani e da esposa Olivia, dos ex-companheiros Paul e Ringo (que chega a derramar lágrimas em determinado momento) e um tesouro: trechos do diário pessoal de George lidos por Dhani. Em um deles, o guitarrista descreve o dia em que deixou os Beatles.

O ídolo pop, porém, não é o foco maior do documentário. "Living in the Material World" (Vivendo no mundo material, em tradução livre) trata acima de tudo do garoto pobre, calmo e de olhar compenetrado que encontrou na fama, riqueza e reconhecimento trazidos pelos Beatles o ponto de partida para se transformar em uma pessoa de espiritualidade madura (elevada, diriam alguns), superior às frustrações e glórias de sua famosa banda e às dores e traumas provocadas pelo câncer e por um atentado sofrido em 1999, quando um maníaco invadiu sua casa e tentou matá-lo a facadas. Na música e filosofia indianas, como explora bem o filme, George encontrou o caminho para lidar com o mundo material.

As três horas e meia do documentário exigem um pouco de fôlego dos menos dispostos e menos curiosos, mas o ritmo da edição de Scorsese, que intercala depoimentos, imagens de arquivo pessoal e fotos raras dos primórdios dos Beatles facilitam o envolvimento com o filme. A recompensa ao final da maratona é descobrir, ou reforçar, que ao lado do carisma que Paul exala até hoje e da lenda que John virou por seu ativismo e cruel assassinato, esteve George com sua grandiosidade particular.



*Este texto também foi publicado no blog #ficaadica, do Jornal Pampulha

4 de out de 2011

Pode tirar o cavalinho da chuva, montar nele e sair galopando desembestadamente ao som de "Guilherme Tell", ópera do século XIX composta pelo italiano Gioachino Rossini. Vai ser preciso ouvir alguns belos minutos de calmaria antes que chegue o famoso trecho que sempre nos remete às corridas de cavalo, mas vale muito a pena. É de Rossini a também famosíssima ópera "O Barbeiro de Sevilha", imortalizada por Pica-Pau, mas isso é assunto para outro post. Mais pop, impossível.

3 de out de 2011

Kanye West entrou para o clube de cantores e músicos que se arriscam no design de moda. A quem interessar possa, ele lançou no fim de semana sua grife na poderosíssima semana de moda de Paris. Acho que se esqueceram de avisar pra ele que a temporada era das coleções de primavera e verão dada a quantidade de peças de couro, calças e mangas compridas, mas vale uma espiadinha se você tiver algum interesse por moda ou, ao menos, pelo alarde em torno da coisa. Veja a coleção completa aqui.



Achei esse look tão Teodora (personagem da Carolina Dieckmann em "Fina Estampa"). Será que Kanye andou vendo a novela das oito pra se inspirar?

29 de set de 2011

Vem com um dia de atraso, mas não podia deixar passar em branco.

28 de set de 2011


"E meteu-se com eles (os índios) a dançar, tomando-os pelas mãos; e eles folgavam e riam, e andavam com ele muito bem ao som da gaita". O trecho da carta de Pero Vaz de Caminha indica que a gaita, instrumento central da música celta, está no Brasil desde o seu descobrimento. Mais que um item qualquer da comitiva de Cabral, a gaita e toda essa tradição musical de origens medievais chegou e aqui ficou, fixando raízes na formação musical do Brasil. É o que vai mostrar o gaitista espanhol Carlos Núñez, em show no Teatro Dom Silvério na quinta-feira (29).

Natural da região da Galícia, um dos berços da música celta assim como a Irlanda, Escócia e algumas regiões de Portugal, o gaitista apresenta em sua turnê brasileira repertório de seus 20 anos de carreira com destaque para as faixas do disco "Alborada do Brasil".

O álbum, lançado em 2009, e com participações de Milton Nascimento, Fernanda Takai, Carlinhos Brown e Lenine, é resultado de pesquisa realizada ao longo de três anos por Carlos no Brasil, na qual o músico buscou identificar os elos entre a tradição musical celta e brasileira. "O Brasil guarda o tipo de escala da música celta e mantém vivos instrumentos que desapareceram na música europeia medieval, como a rabeca e a viola caipira. No Brasil isso é modernizado porque vocês estão continuamente misturando", explica Carlos.

Em suas viagens pelas cinco regiões do país, notou como o acordeon desempenha na música brasileira papel semelhante ao da gaita na musicalidade celta. Também encontrou gaitistas em Pernambuco e Minas, onde também descobriu uma relação ainda mais estreita com o outro lado do Atlântico. "Minas é a Galícia do Brasil. Por causa da febre do ouro, a cultura galega chegou a Minas pelos portugueses. Dizem que mineiro come quieto. É a mesma filosofia que existe em relação aos galegos na Espanha", compara o músico, segundo quem o amigo Milton Nascimento teve a mesma percepção quando esteve na Espanha. "O Milton me confessou que o Caminho de Santiago lembra muito o universo mineiro", diz.

Além do disco com cantores brasileiros, Carlos produziu em parceria com José Miguel Wisnik a trilha sonora do mais recente espetáculo do Grupo Corpo, "Sem Mim". O embrião do novo balé foi um conjunto de sete composições datadas do século XIII e de autoria do trovador Martín Codax, nascido na Galícia. Na costura entre tradição musical trovadoresca e música popular brasileira feita por Wisnik e Núñez, os versos de Codax, palavras que deixam transparecer a formação da língua portuguesa e espanhola, são interpretados por nomes como Chico Buarque, Milton Nascimento, Rita Ribeiro e Mônica Salmaso.

No Brasil, além dos shows, o músico lançará o documentário "Brasil Somos Nós", registro em filme de sua pesquisa no país. O longa estreia no Festival do Rio, em outubro.

Carlos Núñez
Teatro Dom Silvério (av. Nossa Senhora do Carmo, 230). Quinta-feira (29). Ingressos: R$20 (inteira). 2191-5700.

*Versão ampliada de texto publicado na edição de 24/09 do Jornal Pampulha

26 de set de 2011

- "O Roberto está assanhado, né?"

- "Ah, agora ele está mais light, não fica mais com aquela coisa de Maria Rita."

Ouvi este pequeno diálogo entre duas mulheres na saída do show de Roberto Carlos no último sábado, no Mineirinho. Provavelmente, elas se referiam a determinados momentos do show. O primeiro deles quando, antes de cantar "Proposta", o rei comentou sobre a necessidade que sentiu em certo ponto de sua carreira de escrever músicas sobre sexo. Disso nasceu a música em questão. Ele ainda estendeu o assunto, repetindo o que havia dito em uma coletiva de impressa que concedeu o ano passado quando: as três melhores coisas da vida são sexo, sexo com amor e sorvete. A "Proposta" seguiram-se "Côncavo e Convexo" e "Cavalgada", recheadas de metáforas sexuais.

Talvez, ainda, as duas mulheres estivessem se referindo aos momentos em que o cantor fez gestos insinuantes, estrategicamente captados em plano detalhe pelos dois telões, como em "Cama e Mesa": no verso "me esfregar na sua boca", o rei reproduziu o que cantava esfregando as mãos nos lábios; o mesmo aconteceu quando chegou ao verso "o sabonete que te alisa", deslizando as mãos pelo corpo. A mulherada, atiçada, respondeu com gritos.

A surpresa das duas fãs do início do texto põe por terra os argumentos de quem se recusa a ir a um show de Roberto argumentando, com certa indiferença e deboche, que o show nada mais é que aquele velho especial de Natal que assistimos de graça todos os anos (há muitos anos) no conforte de nossas casas. É fato que, assim como o especial de fim de ano da Globo, os shows de Roberto sempre começam com "Emoções" (com o imprescindível suspiro antes de começar a cantar a música) e terminam com "Jesus Cristo" (completada pela distribuição de rosas brancas e vermelhas). Mas o que acontece entre cada uma dessas músicas pode sofrer variações em relação ao que se vê na TV, como aconteceu no show de sábado. Não há a rigidez do tempo cronometrado ou do roteiro esquematizado normalmente exigida para um programa de TV, principalmente um programa tradicional produzido por uma emissora que precisa se submeter a fórmulas já consolidadas para não pôr em risco seu dito padrão de qualidade.

Sendo assim, além das insinuações que enlouqueceram as senhorinhas - e um rapaz sentado ao meu lado, que gritou "Lindo! Tira a roupa!!!!!!" - Roberto se permitiu gastar longos minutos com a apresentação de cada um dos membros de sua banda. A cada nome mencionado, uma história curiosa ou uma brincadeira bem-humorada.

Acima de tudo, há sempre o incomparável poder da execução ao vivo, que atesta a vivacidade de músicas definitivas do repertório popular brasileiro como "Detalhes", "O Portão" e "Como é grande o meu amor por você".

O único porém dessa apresentação mais solta ficou por conta do sistema de som (um problema não muito novo para o Mineirinho), que obrigou o show a ser interrompido na segunda música. Depois de microfonias em "Emoções" e uma bateria que se sobressaía ao restante dos instrumentos (e da voz de Roberto) em "Eu te amo, te amo, te amo", o rei disse algo inaudível à plateia e se retirou, juntamente com os músicos, do palco. Certamente, tentava explicar os problemas com o som.

Quando retornou, com "Além do Horizonte", sua voz oscilou de um tom abafado a um grave estourado enquanto o microfone era equalizado. Mais microfonias e chiados se seguiram até que, lá pela metade do show, o som finalmente foi acertado. A experiência dos músicos e, principalmente, a plateia mais que fiel impediram que os problemas fizessem a apresentação desandar, mas é espantoso ver um artista do porte de Roberto enfrentar esse tipo de contratempo.

Ah, houve um segundo porém. Roberto não cantou "As Curvas da Estrada de Santos". Poxa, Rei. Você ainda me deve essa. Fica pro próximo show.


24 de set de 2011

Por um certo tempo, Nirvana, pra mim, era uma lenda que aparecia nas camisetas pretas dos meninos do colégio e no discurso dos VJs da MTV - Gastão, Massari e cia. Era, mais ou menos, 96 ou 97 (com Kurt já falecido), e o que se dizia da banda era exatamente o que se repete hoje, exatos vinte anos depois do lançamento do disco que deu à banda a relevância que garante que ela seja lembrada e celebrada. Diziam que Nevermind havia resgatado o bom rock, que o alternativo finalmente havia penetrado no mainstream, que o rock nunca mais havia sido o mesmo.

Até que um dia, assistindo ao Hits MTV, finalmente ouvi e vi o Nirvana. O clipe era "Lithium". Devo ter criado muita expectativa por causa do excesso de mitificação da banda porque lembro que não achei a música aqueeeela Brastemp. Mas bastou conhecer o Nevermind mais a fundo, juntar com o Bleach e arrematar com o In Utero para o Nirvana se tornar uma das minhas bandas preferidas da adolescência e assim permanecer até hoje. Impossível ficar indiferente e não ser contaminada pela música da banda. Era rock dos barulhentos com uma linha pop muito bem costurada. Kurt, Krist e Dave pareciam tão normais. Com o all star, a calça jeans surrada e o casaco de lã, eram praticamente os mesmos meninos da escola com as camisetas de bandas de rock. Não tinha pose de rock star, tipo de roqueiro malvado, espetacularização ao vivo. Era tudo muito simples, direto e fácil de gostar.

Anos depois, continua sendo assim. Ouvir hoje o Nevermind é como andar de bicicleta depois de deixá-la encostada por um tempo. A coisa simplesmente flui. Houve mudanças também. "Breed" é trilha sonora de encerramento do Domingão do Faustão. A camisa de flanela virou peça do guarda-roupa de uma nova espécie urbana chamada hipster. Dave Grohl deixou de ser o cara escondido atrás da bateria para atingir o status de roqueiro cool. O rock viu uma infinidade de (muitas boas) bandas se proliferarem, principalmente na "era pós-Strokes", está mais para indie que mainstream, afastado das paradas de sucesso e da MTV, mas ao alcance de um clique na internet.

Talvez, por isso, muita gente esteja se queixando e esperando por um novo Nevermind, como espera por um novo messias. Mas não adianta forçar. A coisa vai acontecer sem querer, assim como aconteceu com o Nirvana. Enquanto isso, relaxa e põe o disco pra tocar.


21 de set de 2011

O R.E.M acabou. E daí?

E daí que o esforço que fiz aos 15 anos para decorar a letra de "It's the End of the World as We Know it" só para poder cantá-la em um show perdeu o sentido. E daí que não tem mais possibilidade de show depois de ter perdido a apresentação de 2008 por falta de dinheiro. E daí que não existe mais a chance de ao menos vê-los pela TV, como aconteceu em 2001 com a linda apresentação do Rock in Rio, que eu gravei em VHS (graças à transmissão da Globo) e K7 (graças à transmissão da Jovem Pan) em duas fitas perdidas em algum lugar da minha casa. E daí que a gravação só existe agora na minha memória.

E daí que os meus vinis do "Out of Time" e do "Automatic for the People" vão passar a ser mais valorizados não porque são realmente bons, mas porque foram gravados por uma banda que não existe mais.

E daí que eu não vou viver mais a expectativa de ouvir um disco novo e me surpreender deliciosamente com uma maravilha como foi o "Collapse Into Now". E daí que eu vou ficar andando em círculos, em um eterno retorno, ouvindo do primeiro ao último disco, do último ao primeiro, sem que possa existir uma gravação nova que puxe dessa linha circular uma reta que siga em direção ao futuro.

E daí que é o fim e eu não me sinto bem.


20 de set de 2011

Dois livros lançados recentemente estão fazendo a minha alegria e a de quem, como eu, gosta de música não só do ponto de vista artístico, mas também histórico e social. Em comum, os dois problematizam, cada um à sua maneira, alguns mitos alimentados em relação à música brasileira, cutucando os pilares da história única que tenta fazer a nossa música caber em uma sigla super restrita, a tal MPB.

"Histórias paralelas: 50 anos de música brasileira" (Casa da Palavra), de Hugo Sukman, conta a história da música feita no país por meio de vários caminhos que se desenvolveram paralelamente, fugindo da história única que costuma reduzir a "verdadeira" música nacional aos herdeiros da bossa nova e dos medalhões que surgiram nos festivais dos anos 1960. O livro não ignora esse fundamental capítulo da história da música brasileira (que na obra engloba o samba, a MPB e a Tropicália), mas acrescenta mais outros a essa trajetória: a Jovem Guarda e o brega, a música nordestina, o instrumental e a música das cidades.

Já "Simonal - Quem Não Tem Swing Morre com a Boca Cheia de Formiga" (Editora Record), fruto da dissertação de mestrado do historiador Gustavo Alonso, procura demonstrar como as pesquisas em torno da música brasileira das últimas décadas optou por glorificar e colocar sob os holofotes apenas a fatia artística comprometida com a música dita de protesto e de resistência, o que, consequentemente, condenou ao esquecimento nomes igualmente importantes para a música nacional. Para tanto, usa como exemplo o caso de Simonal, que a despeito do estrondoso sucesso na década de 1960, caiu no ostracismo a partir do momento em que foi condenado por supostamente colaborar com o Dops - a condenação é questionada até hoje.

Quebra-cabeça
Os dois livros, que já estão na minha fila de espera, me lembraram de outra obra lançada há mais tempo e que segue na mesma direção de resgatar artistas marginalizados pela "história oficial": "Eu não sou cachorro, não" (Record), do historiador Paulo César de Araújo, que mostra como cantores populares da música brega/romântica foram tão perseguidos pela censura como Chico, Caetano e Gil. Três livros, três peças de um quebra-cabeça chamado música brasileira.

15 de set de 2011

Criolo parece totalmente alheio ao turbilhão que tomou conta de seu nome nos últimos cinco meses, desde o lançamento de seu segundo disco, "Nó na Orelha". A fala serena e bastante reflexiva do rapper paulistano, batizado Kleber Gomes, contrasta radicalmente com a entusiasmada recepção que o mais recente trabalho provocou no público, responsável por um incessante burburinho nas redes sociais, na crítica e na classe artística.

O álbum teve 70 mil downloads somente no site de Criolo - foram 25 mil só nos três primeiros dias e recebeu críticas que o apontam como o melhor lançamento de 2011. Para o autor, rendeu capa de revista e um convite de Caetano Veloso para dividir o palco no "Vídeo Music Brasil", premiação da MTV que ocorre em outubro, na performance de "Não Existe Amor em SP", faixa do disco de maior repercussão até agora.

"O sentimento que eu tenho é de gratidão por todas as pessoas, as que estão comigo de longe e de perto acompanhando essa pequena história de 23 anos", diz Criolo, com a sensatez de quem não perseguia necessariamente um amplo reconhecimento público. Por isso mesmo, não se cansa de repetir nas inúmeras entrevistas que vem dando uma mesma avaliação do momento que vive. "Meus amigos falam que eu fiquei 23 anos plantando e agora é hora da colheita. Eu falo que eu fiquei esse tempo todo cuidando da terra e agora é hora de semear. Daqui a 20 anos, vamos ver se eu sou merecedor", reflete.

Compositor desde os 11, daí a referência constante à "pequena história" de mais de duas décadas, Criolo é MC de longa data na cena do rap paulista e idealizador da Rinha dos MC’s, evento já consolidado em São Paulo que há cinco anos reúne rappers para batalhas de improviso e que ajudou a revelar outro nome que vem se projetando nacionalmente, o rapper Emicida.

Virada
"Nó na Orelha" é um novo capítulo dessa história, e também uma virada na trama, na medida em que não utiliza somente o rap como cenário. O material, um apanhado de composições que Criolo vinha produzindo nos últimos anos, transita por gêneros da música negra como jazz, samba, soul, afrobeat e reggae, e não deixa de trazer faixas de rap em estado bruto, mas sua presença se dá de uma forma mais subjetiva. "O rap está em tudo porque essa é minha formação e meu berço. Ele pode não aparecer enquanto estética, mas está no gesto que antecede a criação: quais são seus desejos, o que te incomoda, o que te alegra. O rap nacional me deu toda essa base", enfatiza.

No palco o músico também experimenta uma nova fase e se diz "um aprendiz" dentro de todo o processo. O MC, que antes dividia o espaço somente com o DJ, agora se apresenta com mais outros seis músicos para dar conta de executar a diversidade do atual repertório. Baixo elétrico e acústico, guitarra, percussão, sax e flauta compõem uma banda grandiosa que, somada à euforia do público em torno do disco e à verve de intérprete de Criolo, que tem surgido no palco usando uma túnica, tem resultado em apresentações esgotadas e calorosas nos clubes da capital paulista.

"Não é um show meu, é um show nosso. A gente se confraterniza, cada um do seu jeito", comenta. Chegou a vez do público mineiro confraternizar.




*Reportagem publicada na edição de 10/09 do Jornal Pampulha

14 de set de 2011


No próximo dia 24, 500 fotos dos Beatles feitas pela fotógrafa alemã Astrid Kirchherr vão a leilão em Nova York, juntamente com outros objetos dos fab four. As imagens podem ser vistas neste link.

Só para lembrar, Astrid documentou de perto os primeiros anos da banda, ainda no período pré-beatlemania, quando os quatro excursionaram por Hamburgo, na Alemanha. O conteúdo das fotos compreende majoritariamente essa fase (1960-62), mas há algumas poucas imagens de anos posteriores. Belo arquivo.
O site de Abbey Road (aquele estúdio que ficou famoso por conta daquela banda) tem um link para uma câmera posicionada na exata travessia onde aqueles quatro caras tiraram a foto da capa daquele disco. As imagens são geradas ao vivo 24 horas por dia.

Tarefa para quem estiver a toa: contar quantas vezes ao dia alguém atravessa a rua imitando a pose dos Beatles na capa de Abbey Road.

12 de set de 2011

Mantendo a fama de mau, Erasmo Carlos dá uma de avassalador e canta "Sou Foda". A versão para o funk que fez sucesso na internet com o grupo Avassaladores foi gravada para promover o VMB, que terá Erasmo como uma de suas atrações.


11 de set de 2011

Há quase dez anos, quando o atentado contra o World Trade Center traumatizou a população norte-americana, foi divulgada uma lista com 150 músicas que deveriam ser banidas das rádios dos EUA por aludirem, em maior ou menor grau, e em alguns casos de maneira bastante subjetiva, ao ocorrido. A responsável pela censura foi a Clear Channel Communications, empresa proprietária e operadora de mais de 1 mil estações de rádio nos States.

Dez anos depois, poucos dias antes de completar-se uma década do ataque, a WNYC, rede pública de rádio de Nova York, fez o caminho oposto: perguntou aos seus ouvintes quais músicas gostariam de ouvir no próximo dia 11, que inevitável e exaustivamente será lembrado no país de Obama nos próximos dias.

Na lista de dez anos atrás, a da censura, algumas músicas traziam palavras que remetiam a choque/colisão, como "Crash Into Me", do Dave Matthews Band. Outras remetiam a fogo, como "Great Balls of Fire", do Jerry Lee Lewis. Outras eram ironicamente contraditórias, como "Safe in New York City", do AC/DC. E havia também as músicas do Rage Against The Machine, que foram TODAS censuradas simplestemente por serem do Rage Against The Machine, críticos escancarados de muitas das posturas adotadas pelo governo dos EUA.

Desta vez, a lista, um top 10, tem composições com tons dramáticos e melancólicos (é o caso das peças de Brahms e Samuel Barber), outras patrióticas ("America the Beautiful", tradicional canção do século XIX que exalta o país e "The Rising", de Bruce Springsteen, porta-voz das mágoas dos norte-americanos no pós-11 de setembro, quando lançou disco homônimo refletindo sobre o ocorrido).

O destaque de toda a história fica por conta de "New York, New York", a famosa canção de Frank Sinatra convertida em hino extra-oficial da cidade. Censurada na lista de 2001, talvez por sensibilizar exageradamente os já fragilizados nova-iorquinos, o sucesso aparece também nas escolhas dos moradores da cidade para as celebrações deste ano, provavelmente para voltar a exercer sua função original: exaltar a Big Apple.

Veja aqui a lista das 150 músicas censuradas.

Ouça abaixo as dez músicas mais votadas pelos ouvintes de NY para se ouvir nos dez anos do 11/9:


*Uma versão deste texto também foi publicada na edição online do Jornal Pampulha de 10/09/11

8 de set de 2011


"Rei" (Editora Toriba) é o nome da fotobiografia de Roberto Carlos que chega às livrarias em novembro. Fotos, documentos (como manuscritos de algumas composições) e intervenções gráficas contam a história de Roberto neste livro cercado de números: são 500 páginas, 25 quilos, 3 mil exemplares e o valor de R$6.500.

Acho maravilhoso um artista brasileiro ganhar uma obra desta envergadura - coisa já bastante comum lá fora. Também entendo a necessidade do mercado, seja ele de qual segmento for, de transformar o que vende em objeto de desejo se valendo de recursos diversos - neste caso, editando uma obra luxuosíssima e de acesso super restrito, seja no que se refere à tiragem, seja no que diz respeito ao valor. Mas é neste valor que mora o problema. Roberto é um rei com súditos populares, em sua maioria. Praticamente nenhum deles vai sequer sentir o cheiro desse livro - incluso eu.

Seria o caso, então, de seguir o exemplo de editoras como a alemã Taschen, especialista em livros de fotografia. Em muitos casos, uma edição de luxo, para colecionadores, de um mesmo livro é sempre acompanhada de uma edição dita comercial, com menos páginas, de menor tamanho e sem embalagem especial. Um lançamento recente sobre futebol americano, por exemplo, tem uma edição de U$50 e outra de U$1.800.

Para dar um exemplo mais próximo, ligado ao próprio rei, o show que Roberto fará aqui em BH no próximo dia 24 tem ingressos que variam de R$70 a R$650. O ingresso mais barato pode chegar a R$35 se considerarmos o desconto para estudantes e idosos. Fica a dica.

Para os pobres (literalmente) mortais, o site da editora disponibiliza uma galeria com imagens de algumas páginas do livro.

2 de set de 2011

Esse é bem fresquinho. Acabou de sair do forno do pop. Jack White se juntou aos rappers do Insane Clown Posse, de Detroit, para fazer um cover de "Leck mich im Arsch", composta por Mozart no fim do século XVIII. Abaixo, as versões original e regravada. Quanto ao nome da composição, por favor, peça ao tradutor do Google para convertê-lo do alemão para o português. É uma gentileza só.

1 de set de 2011

Uma das coisas mais legais em ser fã de Beatles é que nunca há pasmaceira, mesmo a banda não existindo há mais de quarenta anos. Tanto pelo peso histórico quanto pelo potencial de mercado, sempre há uma novidade para movimentar a vida dos fãs, seja com um lançamento relativo à banda, seja relativo a um de seus membros. Deste mês até o fim do ano, a agenda está bem recheadinha, o que me motivou a fazer um apanhado do que está por vir e

Setembro
Paul.doc. Entre as muitas produções relativas aos dez anos do atentado contra as Torres Gêmeas, no próximo dia 10, Paul lança o documentário "The Love We Make". O filme registra toda a concepção e organização do "Concert For New York City", show beneficente que Paul organizou pouco mais de um mês depois do atentado terrorista em NY. Paul estava na cidade no dia dos ataques. A estreia será no canal por assinatura Showtime.








Memórias de George. Ainda sem data definida, Olivia Harrison deve lançar ainda este mês o livro "Living in the Material World", que traça um perfil de George a partir de seu acervo pessoal - cartas, diários e fotos.


Outubro
George.doc. Nos dias 5 e 6, a HBO exibe, em duas partes, "Living in the Material World", documentário sobre George dirigido por Martin Scorsese. O filme também será lançado em DVD, que terá uma edição de luxo com livro de fotografias e CD de raridades de George.








Novembro
Ringão vem aí. Depois de recebermos a visita de Paul duas vezes em um intervalo de seis meses, Ringo vem pela primeira vez ao Brasil para uma série de sete shows em seis cidades, entre os dias 10 e 20 de novembro. Ingressos devidamente comprados há dois meses, né?




Julian Casablancas para Azarro. Uma das coisas mais legais com alguém do Strokes desde "Reptilia".



30 de ago de 2011

Na semana passada, Moraes Moreira, em companhia de seu filho, Davi Moraes, fez um show único e limitadíssimo no Rio, no qual tocou e comentou as faixas de "Acabou Chorare", pérola da discografia dos Novos Baianos. Para quem abriu o berreiro porque não esteve lá, a boa notícia: acabou chorare, o show está na íntegra na internet.




Show Acabou chorare por Moraes Moreira from IMS - Instituto Moreira Salles on Vimeo.

29 de ago de 2011

As primeiras notas da Tocata e Fuga em Ré Menor viraram praticamente símbolo de trilha de terror. Mas é interessante chegar até o final dos nove minutos dessa composição para órgão feita por Bach na primeira década do século XVIII para notar como ela passa também por momentos que sugerem tensão, outros que sugerem doçura.





24 de ago de 2011

Misto de Ramones e Kiss sem maquiagem, este é o Barão Vermelho da Espanha, o Barón Rojo. A banda anunciou hoje seu fim, 30 anos após sua fundação.



23 de ago de 2011

Taí o clipe do Jeneci. Música de hoje em dia que emociona, como essa, está difícil, viu?



22 de ago de 2011

"Living in The Material World", documentário sobre George Harrison dirigido por Martin Scorsese, já tem trailer. O filme estreia na HBO, dividido em duas partes, nos dias 5 e 6 de outubro. No dia 29 de novembro, completam-se dez anos da morte de George. No mês que vem, a viúva de George, Olívia (que também produz o filme), lançará um livro de memórias sobre o marido.







Por conta da data, outros materiais sobre o "quiet beatle" já foram editados este ano. No início do ano, chegou ao mercado em formato blu-ray o "Concert for George", show realizado um ano após a morte do guitarrista. No mês passado, o álbum "Concert for Bnagladesh", do show homônimo organizado pelo músico nos anos 1970 para arrecadar fundos para os refugiados do país asiático, passou a ser comercializado também no iTunes.




Tem rock, R&B e pop. Tem hit. Em comum na seleção de músicas abaixo, o fato de todas terem sido compostas por Jerry Leiber, que morreu hoje (22), e seu parceiro Mike Stoller, ainda vivo. Talvez a mais famosa e mais bela de todas elas seja "Stand By Me", originalmente gravada por Ben E. King, mas também muito conhecida na voz de John Lennon e, mais recentemente, gravada por Seal.


É sempre bom dar crédito aos compositores que, quando não são também intérpretes, costumam ficar nas sombras.



Ben E King - Stand By Me by madchicken88



Coasters - Poison Ivy by InsolentPup



14 - Peggie Lee - I'm a Woman by Fernando Seve



Elvis presley - jailhouse rock by txusduarte



Elvis Presley - Hound Dog by fabiogrando

18 de ago de 2011

Na próxima segunda (22), estreia no MTV na Brasa, às 20h30, o clipe de "Felicidade", uma das faixas de "Feito pra Acabar", um dos discos mais amados pelos ouvidos deste blog, primeiro trabalho solo de Marcelo Jeneci.



Há tempos não ficava tão ansiosa para ver um clipe. Primeiro, porque foi esta faixa que serviu de isca para que eu fosse capturada pelo disco de Jeneci. Segundo, porque há muitos anos a MTV abandonou a prática de fazer estreias de clipes (e, com isso, o suspense em torno da novidade), uma vez que o YouTube facilitou, e muito, a circulação mais imediata de vídeos.



Desta vez, pelo visto, a emissora fez uma parceria com o músico, e conseguiu segurar o lançamento todo pra ela. Jeneci estará no programa para comentar a estreia e, durante toda esta semana, China, o apresentador classe média mais jóia rara desse país, revelou teasers do vídeo. Abaixo, as pílulas de ansiedade:















17 de ago de 2011

O selo britânico Rhino, que vem trabalhando no relançamento de todo o catálogo dos Smiths, divulgou hoje um documentário da banda distribuído para a imprensa em 1992, mas até então desconhecido para o público. O vídeo, com pouco menos de 20 minutos, foi feito para acompanhar, à época, o material de divulgação do Best Of que a banda lançava.



Apenas um breve resumo em vídeo da curta história da banda, o documentário não traz nada de novo ou de surpreendente, exceto as primeiras linhas lidas pela voz em off nos segundos iniciais: "Dizem que a música reflete ou mesmo inspira a cultura de uma época. Os anos 1950 tiveram Elvis, os 1960, os Beatles e Bob Dylan. A Inglaterra, nos anos 1980, teve os Smiths." Smiths é uma das minhas bandas do coração eternamente, mas escorregaram feio nas proporções históricas dos nomes citados. Menos.



Assista aqui - não há como incorporar o vídeo no blog.





16 de ago de 2011

Music Phylosophy é o site criado pelo diretor de arte britânico Mico para abrigar os cartazes que ele cria a partir de versos de músicas de algumas de suas bandas preferidas. O acervo de imagens é pequeno, mas os poucos pôsteres publicados já valem a visita.





Os cartazes estão à venda, mas poderiam, mesmo, é virar estampa de camiseta.



Vá lá: www.musicphilosophy.co.uk

15 de ago de 2011

Ok, é só um programa de comédia. Pode ser só uma piada. Mas não deixa de chamar a atenção o fato de uma emissora musical expor a insatisfação de parte do público com a próxima edição do Rock in Rio, primeira no Brasil em onze anos.



Pensando bem, o tom de chacota da possível crítica por trás da paródia tenha se baseado no velho ditado "rir para não chorar".





9 de ago de 2011





Semana passada, descobri que, desde março, o YouTube hospeda um vídeo com o show completo que o Nirvana fez no Hollywood Rock, em 1993. Descoberta mais inesperada, impossível. Achava que as fitas com a gravação estavam se desintegrando em algum canto obscuro da Globo, responsável pela transmissão de todo o festival e, provavelmente, pouco interessada nesse material (se a dona fosse a MTV, essas imagens já habitado a TV pelo menos ao longo do resto da década de 1990).



O fato é que, há muitos anos, já havia me conformado em nunca ver essa apresentação que se tornou lendário por seus aspectos negativos. Durante anos, ouvi gente que presenciou a apresentação classificá-la como uma das piores e mais avacalhadas da curta existência do Nirvana, muito em função do estado degradante de Kurt que, àquela altura, meses antes de se matar, já estava tomado pelas drogas.



Mas eis que o passado ressurge na tela do meu laptop, me dando a oportunidade de conferir com meus próprios olhos qual foi a do Nirvana naquela noite. E é verdade. O show foi uma esculhambação e todos os méritos são de Kurt, que avacalha com a letra das músicas, com as notas e simplesmente parece não estar no palco. Fiquei imaginando o que se passou pela cabeça do Dave Grohl naquela noite, tendo em vista toda a competência dele, revelada pouco tempo depois com o Foo Fighters.



Ver o show me fez lembrar de um texto que o Álvaro Pereira Júnior publicou na Folha de S. Paulo no fim de semana, chamado "O YouTube Matou o Passado". Resumidamente, ele argumenta que o site transformou o passado em presente. Disponíveis em vídeos para serem checados a qualquer momento, muitos dos fatos ocorridos no passado não seriam mais objeto de dúvida, mistério ou lenda. O lado positivo disso, segundo Álvaro, é a disponibilidade de informação. Mas há também um lado "perverso", ele diz: "Onde não há passado não há ruptura. Se tudo está vivo, nada pode ser superado".



Ainda preciso refletir se o problema é mesmo esse, mas a uma conclusão eu cheguei com essa história toda. Com esse passado feito presente pelo YouTube, ficam menores as possibilidades de romantizar as memórias do passado para manter vivo somente o que for de nosso interesse, assim como diminuem as possibilidades de construí-lo conforme o nosso desejo, no caso de não tê-lo vivido.



No caso do show do Nirvana, a partir de agora, não posso mais dar à banda o benefício da dúvida, nem achar que quem criticou o a apresentação estava reclamando de barriga cheia - ter o Nirvana tocando no Brasil naquele momento, naquela época, não foi pouca coisa. O show foi ruim, é o que as imagens me mostram. Mas ainda assim vale a pena assistir. Pra quem não gastou dinheiro nem teve que se espremer no meio de uma multidão para ver a banda, o show até que fica menos pior no conforto de casa. Pode dar o play.

8 de ago de 2011

Pra celebrar os 30º que fizeram hoje em BH, em pleno inverno. É assim que eu gosto.





O meu mais novo objeto de desejo



O fetiche da mercadoria venceu. Pela primeira vez depois de longos onze anos, senti vontade de comprar um disco. Mais precisamente, não um, mas vários. Todos os seis que vêm na luxuosíssima caixa comemorativa dos 20 anos do Achtung Baby, do U2. Mas é bom deixar claro que essa vontade que eu já achava que não existia mais ganhou um belo empurrão por conta das bugigangas que recheiam a caixa: livro, revista, pôsteres, adesivos e um óculos de mosca idêntico ao que Bono usava nos shows da turnê do disco, a ultratecnológica (dentro dos limites do início dos anos 90) Zoo TV. Bingo. Estamos diante de um novo filão da indústria da música (vou falar de um segundo, mas ainda chego lá).



Já faz um tempo, essas caixas comemorativas vêm sendo apontadas como um dos caminhos para a indústria do disco compensar as perdas com as vendas de álbuns comuns, arruinadas pela livre circulação de música na internet. Até então não tinha botado muita fé porque esses relançamentos, que normalmente têm uma outra música com versão diferente, logo caíam novamente na internet. Mas eis que chega o U2, sempre muito bom nos negócios, e lota a caixa de coisas que não podem virar download. Mais: coisas que apelam para um dos desejos incontroláveis de fãs mais ardorosos, que é o relacionado à memorabília de seus ídolos.



A ideia não é tão inédita assim: lá em 1967, os Beatles (sempre eles) lançaram junto com o encarte de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band uma folha (ao lado) com distintivo, bigode e outras imagens que remetiam à iconografia do disco para serem recortados e usados pelso fãs.



Voltando ao presente, o fato é que, apesar do preço altíssimo (R$1,o54, conforme a cotação do dólar de hoje), um lançamento de disco há muito tempo não me parecia tão interessante. Tenho certeza que a estratégia comercial dessa caixa me acertou em cheio. Se a música é hoje tão gratuita, nada mais inteligente que vender algo extremamente ligado a ela (neste caso, objetos intimamente ligados com o universo de Achtung Baby), mas que não seja somente ela.



O outro filão, de que falei lá em cima, e que parece estar se delineado, é o de transmissão de shows em cinemas. O próprio U2 já fez isso, com o filme U2 3D, Kylie Minogue fará ainda este mês (26 e 27), assim como o Red Hot Chili Peppers (30).



Depois de podermos assistir ao vivo a shows em lugares longínquos direto da modesta tela de nossos laptops via YouTube (o Lollapalooza, no último fim de semana, foi só o exemplo mais recente), chegou a hora de vermos a apresentação em tela grande, alta definição, junto com outros fãs. É uma nova experiência de show.



Não sei quanto a você, mas estou gostando desse circo de novidades (apesar de que não irei ver o show de Flea e cia. porque acho que RHCP sem Frusciante é como Buchecha sem Claudinho). Ao contrário de alguns saudosistas, penso que nunca houve uma época tão boa para ser fã de música.



É por isso que rupturas no sistema (seja ele qual for) costumam são boas. Elas conduzem a uma mudança na ordem das coisas, obrigam a repensar e remodelar certos padrões. Tem sido assim nessa era da música digital e gratuita. O mercado teve que reagir e, pelo menos nesses dois aspectos citados acima, finalmente deu respostas interessantes.





1 de ago de 2011

Receber shows internacionais já virou uma rotina para o Brasil desde a última década, mas o segundo semestre de 2011 traz uma agenda de shows gringos no país possivelmente inédita do ponto de vista quantitativo. Eu fiz as contas para sistematizar o que muita gente já vinha percebendo e cheguei aos números: de agosto a novembro, 91 atrações estrangeiras vão passar pelo país, fazendo um total de 140 apresentações.

A boa fase da nossa economia, em comparação com a pindaíba de Estados Unidos e Europa, pode ajudar a explicar a fartura abaixo da linha do Equador. A concentração de três grandes festivais (Rock in Rio, Planeta Terra e SWU) nos próximos meses também contribui para engrossar a lista. De qualquer forma, a quantidade de shows não deixa de ser notável.

A comemorar, o fato de as atrações atenderem a gostos variados e contemplarem não só medalhões, mas nomes que estão no auge ou despontando - normalmente, anos atrás, artistas nessas duas últimas condições chegavam aqui depois de já ter passado "seu momento". Claro, há também a turma do revival, mas existe público para isso também. De negativo, a concentração dos shows em São Paulo e no Rio de Janeiro. BH e Recife ficam com algumas migalhas. Porto Alegre, por outro lado, está se especializando cada vez mais em abocanhar boas atrações.

Só para lembrar, o número acima ainda pode crescer. Há boatos de que Justin Bieber pode se apresentar em São Paulo, em outubro, e o Queremos, movimento que leva shows para o Rio com base no sistema de crowdfunding, tenta viabilizar a ida de Primal Scream, The Pains of Being Pure at Heart e Ariel Pink's Haunted Graffiti para a capital carioca.

Abaixo, todos os shows previstos para o Brasil, mês a mês.

AGOSTO

2
Avril Lavigne- BH

4
Erasure - Brasília
Avril Lavigne - Brasília

6
Erasure - RJ

7
Erasure - BH

9
Erasure - SP

11
Erasure - Porto Alegre

13
Black Label Society - SP

14
Black Label Society - Porto Alegre

24
Chucho Valdés - SP (Telefonica Sonidos)

25
Omar Sosa - SP (Telefonica Sonidos)

26
Ricky Martin - SP
Alex Cuba - SP (Telefonica Sonidos)
Los Amigos Invisibles - SP (Telefonica Sonidos)
Julieta Venegas - SP (Telefonica Sonidos)
Juan Fomell y Los Van Van - SP (Telefonica Sonidos)
Tinariwen - RJ (Back2Black)
Macy Gray - RJ (Back2Black)

27
Ricky Martin - RJ
Pitingo - SP (Telefonica Sonidos)
Illya Kuryaki & The Valderramas - SP (Telefonica Sonidos)
Oumou Sangaré - RJ (Back2Black)
Chaka Khan - RJ (Back2Black)
Prince - RJ (Back2Black)

28
Aloe Blacc - RJ (Back2Black)

30
Aloe Blacc - SP (Back2Black)
Tinariwen - SP (Back2Black)

31
Metronomy - SP (Popload Gig)

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SETEMBRO


2
Metronomy - RJ

6
Blind Guardian - Porto Alegre

8
Blind Guardian - São Luís

9
Blind Guardian - SP

10
Blind Guardian - Curitiba
Judas Priest + Whitesnake - SP

11
Judas Priest + Whitesnake - RJ

13
Judas Priest + Whitesnake - BH

15
Judas Priest + Whitesnake - Brasília
The Pains of Being Pure at Heart - SP (Fourfest)
Ariel Pink's Haunted Graffiti - SP (Fourfest)

17
Rihanna - SP

18
Rihanna - BH

21
Red Hot Chili Peppers - SP
Rihanna - Brasília

23
Katy Perry - RJ (Rock in Rio)
Rihanna - RJ (Rock in Rio)
Elton John - RJ (Rock in Rio)

24
Primal Scream - SP (Popload Gig)
Stone Sour - RJ (rock in rio)
Snow Patrol - RJ (Rock in Rio)
Red Hot Chili Peppers - RJ (Rock in Rio)
Esperanza Spalding - RJ (Rock in Rio)
Mike Patton/Mondo Cane - RJ (Rock in Rio)

25
Katy Perry - SP
Coheed and Cambria - RJ (Rock in Rio)
Motörhead - RJ (Rock in Rio)
Slipknot - RJ (Rock in Rio)
Metallica - RJ (Rock in Rio)
Tarja Turunen - RJ (Rock in Rio)
The Twelves - RJ (Rock in Rio)

28
Ke$ha - SP

29
Janelle Monáe - RJ (Rock in Rio)
Ke$ha - RJ (Rock in Rio)
Jamiroquai- rj (rock in rio)
Steve Wonder - rj (Rock in Rio)
Afrika Bambaataa - RJ (Rock in Rio)
Joss Stone - RJ (Rock in Rio)
Masters at Work - RJ (Rock in Rio)

30
Lenny Kravitz - RJ (Rock in Rio)
Shakira - RJ (Rock in Rio)

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OUTUBRO

1
System of a Down - SP
Maná - RJ (Rock in Rio)
Jay-Z - RJ (Rock in Rio)
Coldplay - RJ (Rock in Rio)
Jorge Drexler - RJ (Rock in Rio)

2
Evanescence - RJ (Rock in Rio)
System of a Down - RJ (Rock in Rio)
Guns 'n' Roses - RJ (Rock in Rio)
The Growlers - RJ (Rock in Rio)

4
Tears for Fears - Porto Alegre

6
Eric Clapton - Porto Alegre
Tears for Fears - SP

8
Warpaint - SP (Popload Gig)
Tears for Fears - RJ

9
Eric Clapton - RJ
Tears for Fears - BH

10
Eric Clapton - RJ

11
Tears for Fears - Brasília
Bad Religion - Curitiba
Health - Salvador (No Ar Coquetel Molotov)
Guillemots - Salvador (No Ar Coquetel Molotov)

12
Eric Clapton - SP

13
Bad Religion - SP

14
Tears for Fears - SP
Health - Recife (No Ar Coquetel Molotov)
Guillemots - Recife (No Ar Coquetel Molotov)

15
Tears for Fears - Fortaleza

20
Saxon - RJ

21
Cut Copy - SP

22
Saxon - SP

23
Saxon - Curitiba

30
Aerosmith - SP

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NOVEMBRO

4
Pearl Jam - SP
Hanson - Porto Alegre

5
Beady Eye - SP (Planeta Terra)
Broken Social Scene - SP (Planeta Terra)
Goldfrapp - SP (Planeta Terra)
Interpol - SP (Planeta Terra)
Peter Björn and John - SP (Planeta Terra)
Strokes - SP (Planeta Terra)
Toro y Moi - SP (Planeta Terra)
White Lies - SP (Planeta Terra)

6
Pearl Jam - Rio
Hanson - SP

9
Pearl jam - Curitiba

10
Ringo - Porto Alegre

11
Pearl Jam - Porto Alegre

12
Ringo - SP
Black Eyed Peas - Paulínia (SWU)
Snoop Dog - Paulínia (SWU)
Damian Marley - Paulínia (SWU)
Michael Franti & Spearhead - Paulínia (SWU)
James Murphy - Paulínia (SWU)
Frankie Knuckles - Paulínia (SWU)

13
Ringo - SP
Peter Gabriel - Paulínia (SWU)
Chris Cornell - Paulínia (SWU)

14
Faith No More - Paulínia (SWU)
Sonic Youth - Paulínia (SWU)
Megadeth - Paulínia (SWU)
Primus - Paulínia (SWU)
Black Rebel Motorcycle Club - Paulínia (SWU)
311 - Paulínia (SWU)
Down - Paulínia (SWU)

15
Britney Spears - Rio de Janeiro
Ringo - Rio de Janeiro

16
Ringo - BH

18
Britney Spears - SP
Ringo - Brasília

20
Ringo - Recife
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