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O que eu trouxe na bagagem da Colômbia

A(s) pergunta(s) que eu não fiz para Steve Aoki

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11 de mai. de 2015

Ainda bem que eu tenho os Beatles para colorir e posso, assim, fugir das tediosas e repetitivas mandalas

Nos últimos quinze dias eu dei uns rolês por umas quatro ou cinco livrarias, aqui em BH e em São Paulo, e me deparei com a onda dos livros de colorir para adultos. Onda, não. Tsunami, porque a coisa veio com força descomunal e de maneira repentina. Em quaisquer das livrarias, lá estavam os livros de colorir em pilhas imensas, expostos bem na entrada, para (retro)alimentar um desejo misterioso surgido do nada por colorir desenhos.

Em tese, problema nenhum. Não me importa se isso é uma moda passageira, um fenômeno saudosista ou o indício de uma mudança comportamental e surgimento de uma nova tendência - quem tem um hábito, seja lá qual for, o mantém independente das oscilações do mundo exterior. Mas me incomodou demais notar que em todas as livrarias os livros eram sempre os mesmos. Exatamente os mesmos - aqueles com desenhos de paisagens naturais, flores, folhas, mandalas, com padrões repetitivos.

Muita gente pode ter ficado com vontade de colorir da noite pro dia, mas nem todo mundo tem vontade de colorir essas coisas. Eu não tenho. Quero colorir coisas que tenham a ver comigo e de que eu goste. Desenhos dos Beatles, por exemplo. As fotos deste post são de um livro de colorir que comprei há três anos em Liverpool, no Beatles Story, o museu que conta a história da banda. Queria achar outras coisas ligadas a este universo musical. Tem gente que deve estar a fim de colorir os heróis da Marvel, outros a fim de uns desenhos de Star Wars, outros dos Simpsons. Ou paisagens de cidades futurísticas, de grandes obras de arte, das sete maravilhas do mundo, do espaço, de aliens, zumbis, whatever.



E aí que tem umas outras opções de livros do tipo no mercado (desenhos do Warhol, do Van Gogh, uns desenhos divertidíssimos de suruba feitos por vários cartunistas brasileiros), e eu não entendo porque as livrarias simplesmente não aproveitam a onda para expor uma gama maior de produtos aos seus clientes. E não entendo porque os detentores dos direitos de personagens e franquias como as que eu citei acima não acordam pra vida e lançam livros com seus personagens para surfar na onda, ganhar um $ a mais e ainda fazer a alegria da galera que está órfã de livros de colorir que dialoguem com seus interesses.

A internet, como sempre, muito mais rápida, já oferece opções menos pasteurizadas, caso dos sites Super Coloring e The Color (desconsidere o uso de Comic Sans).

PS: Sim, é verdade o que dizem. Colorir realmente ajuda a dar uma relaxada, a mergulhar em um outro mundo, além de fazer o tempo voar sem você perceber. Mas também deixa a mão doendo pra caramba, mas isso não te dizem.

2 de set. de 2014

NA NA NA He... ops, Zerô

Você deve saber, "Seven Nation Army", do White Stripes, além de ser uma das grandes músicas da década passada, é também o maior hino de futebol de todos os tempos do século XXI - virou trilha do tetra da Itália, em 2006, se converteu em hit desde então nas torcidas dos clubes europeus e, finalmente, fez onda no Brasil, primeiro nas torcidas do Inter e do São Paulo e, por último, do Cruzeiro.

Pois o hit de refrão perfeito que foi adotado pelo time desta blogueira para celebrar a reta final da conquista do Brasileirão do ano passado agora dá lugar há um clássico muito maior - até porque os prognósticos de vitória este ano apontam para conquistas maiores, néam? "Hey Jude", dos Beatles, ganhou nesta semana uma versão para a torcida celeste: "NA NA NA Vamos Ganhar/Vamos Ganhar Zêrooooo!!!". Dá para ouvir a versão musicada no site Geral Celeste.

Depois de Paul McCartney, vestindo um terninho azul, ser responsável por uma noite histórica na casa do Cruzeiro, quando, em 3 de maio do ano passado, fez a estreia mundial de sua turnê, tocou músicas dos Beatles que nunca tinham sido tocadas ao vivo, e ainda por cima disse uai, nada mais justo.

20 de mai. de 2014

Museus dos Beatles pelo mundo: Memorabilia em Buenos Aires X Experiências (como adentrar um submarino amarelo) em Liverpool

Eles têm o Papa, uma quantidade invejável de livrarias, um dos melhores sorvetes do mundo e um jogador de futebol belamente corajoso que se diz melhor que Pelé. O que mais poderiam ter os argentinos que ninguém - ou quase ninguém - nesse mundo poderia ter? Um museu dos Beatles e um Cavern Club, coisas que, de fato e de direito, fazem sentido em Liverpool - onde, realmente, ainda funciona o mítico Cavern Club e também o fofo museu Beatles Story.

Mas a questão é: esse é um diferencial vantajoso dos hermanos? Depende. Depende do quanto e de como você gosta dos Beatles e de música em geral, depende do que você considera ser um museu interessante, depende se você pode arcar com uma viagem com custos em peso ou em libras.

Único museu dedicado aos fab four fora de Liverpool (havia um em Hamburgo, na Alemanha, mas ele foi fechado por falta de público), o Museo Beatle é essencialmente um micro-complexo de memorabilia da banda. É uma pequena sala que concentra cerca de dois mil itens do aficionado Rodolfo Vazquez, argentino que consta no Guinness Book como o maior colecionador de objetos relacionados aos Beatles. Sua coleção soma cerca de 10 mil itens, que rotativamente são expostos no local. Há discos, roupas, bonecos, relógios, autógrafos, bichos de pelúcia, canecas, ingressos, chinelos (sim, um par que foi lançado para promover "Wingspan", um dos álbuns do Paul com o Wings), vitrolas, pacotes de chiclete, peruca e tijolos (sim, um do Cavern Club e outro do Star Club, de Hamburgo, onde os Beatles fizeram uma temporada no estilo prova de fogo antes do estrelato).

Depois da visita, não diria que é um museu dos Beatles, mas sim um museu de um fã dos Beatles. Um museu da beatlemania. Indiretamente, ele indica um pouco do que foi a banda, mas acho que ensina muito mais sobre o tipo de devoção e admiração que a banda provocou nesse último meio século. Lembra muito a London Beatles Shop, que tem à venda muitos dos mesmos itens postos a venda na loja de souvenirs localizada na Baker Street - inclusive autógrafos.

Completam o conjunto de atrações a Sala John Lennon - uma espécie de teatro de bolso, o Star Club Café, com pratos batizados com os nomes dos fab four (como o café Paul) e o Cavern Club portenho, que recebe shows, adivinha, de bandas que fazem cover de Beatles, mas também algumas peças de teatro, obedecendo à vocação de sua sede - tudo está localizado no Paseo La Plaza, uma galeria que concentra salas de teatro e alguns bares.

O Beatles Story, em Liverpool, já segue outro caminho e te oferece uma visita mais focada na experiência que na memória. Como o nome entrega, há um resgate da trajetória da banda e isso é feito principalmente pela reconstituição de espaços que, de uma maneira ou de outra, se tornaram icônicos na história da banda. A impressão que tive foi quando visitei o Beatles Story é que a intenção é te transportar para dentro dessa história. Você caminha pela Mathew Street, endereço do Cavern, sobe no palco do clube em questão, senta-se nas poltronas do avião da Pan Am que levou a banda para a gloriosa e determinante visita aos Estados Unidos, fica preso em um cubículo abafado pela gritaria estridente e histérica das fãs e descobre como o submarino amarelo é por dentro. Alguns objetos e documentos históricos, além de uma sala dedicada à trajetória pós-Beatles de cada um dos fab four e de uma outra dedicada à memória de John completam o material do Beatles Story.

Como sou mais afeita a estes museus moderninhos, e nunca fui uma fã chegada a acumular objetos, acho o Beatles Story um lugar que tem muito mais a acrescentar para quem gosta de Beatles (gente, poder entrar dentro do Yellow Submarine e descobrir como as coisas supostamente seriam lá dentro é uma viagem). Mesmo assim, consigo ver o Museo Beatle como um complemento nessa história toda. Ele é um espaço que dimensiona, em partes, o tipo de impacto que a banda gerou no público e não dá para falar de Beatles sem falar dos beatlemaníacos. Na dúvida, e havendo possibilidade$$$, visite os dois.

8 de fev. de 2014

Letterman com os homenageados da semana, em um papo que vai ao ar neste domingo (9/2) na TV americana

 O mundo respirou Beatles muito mais que o normal na última semana em função das recordações dos 50 anos que a banda visitou os Estados Unidos e ativou a beatlemania em escala mundial. Um dos responsáveis por injetar oxigênio nos ares beatlemaníacos dos últimos dias foi David Letterman. Ao longo da semana, ele recebeu em seu talk show artistas que homenagearam os fab four reinterpretando composições de diferentes fases da banda.

Teve artista que brilhou e levou estrelinha pra casa e teve artista que esqueceu a inspiração em algum lugar na hora de homenagear os fab four. Na primeira lista, Broken Bells, Flamin Lips e Lauryn Hill, que na execução musical ou na performance deram novo sentido às músicas que a gente já ama. Na segunda, Sting e Lenny Kravitz, que fizeram versões feijão com arroz de "Drive My Car" e "Get Back", respectivamente - por excesso de respeito às originais ou por falta de criatividade, vai saber. Foco no que interessa então:

Broken Bells e "And I Love Her"
Quem diria que essa baladinha poderia ganhar outra vida, não é? Adicione sons eletrônicos, coloque Ringo tocando virtualmente, faça uma fusão com a introdução de "I Am the Walrus" e... voilá.




Flaming Lips e "Lucy In The Sky With Diamonds"
É simplesmente a versão que a gente deveria ter visto os Beatles fazendo ao vivo, mas nunca vimos por motivos de turnês encerradas em 1965. Com a fácil predisposição de Wayne Cohen para o nonsense, a música de alma psicodélica ganhou corpo ao vivo na mesma medida da loucura com cenário, iluminação e chuva de papéis picados que criaram um clima viajandão. Teve também Sean Lennon no palco, meio que cosplay do pai, meio que figurante - Wayne rouba a cena fácil.  




Lauryn Hill e "Something"
Não basta ser eternamente linda por si só. "Something" tem que ficar mais linda ainda em uma versão encorpada e cheia de ginga. Coisas que só a black music pode fazer por você e que James Brown já tinha mostrado nos anos 1970.





7 de fev. de 2014

Eles chegaram lá em 1964 e disseram: perdeu, Tio Sam! Aha! Uhu! A América é nossa! 

It was 50 years ago today. Em 7 de fevereiro de 1964, os Beatles desembarcavam em Nova York, nos Estados Unidos para conquistar o mundo. A viagem de 15 dias previa duas aparições ao vivo na TV (nos dias 9, direto de Nova York, e 16, direto de Miami), uma aparição gravada, no dia 23, e dois shows em solo norte-americano (em Washington e Nova York) e foi arquitetada por Brian Epstein, empresário da banda, após alguns meses de insistência, ciente da importância estratégica de uma agenda de divulgação bem-sucedida nos Estados Unidos.

Do sucesso na "América" para o sucesso mundial era menos que um passo. Afinal, tratava-se da terra do showbiz e do centro irradiador de cultura de massa - se ainda hoje os Estados Unidos têm um peso definidor no que se consome no mercado da música, mesmo com o poder que cenas e mercados locais ganharam com a internet, pense há 50 anos, quando o país vivia o seu auge de nação imperialista após sair vitorioso da Segunda Guerra.

O sucesso da viagem já estava no papo. "I Wanna Hold Your Hand" havia atingido o número 1 da parada norte-americana dias antes da chegada da banda ao país e... Eram os Beatles, né? Mas era necessário ainda detonar a bomba-relógio da beatlemania latente nos Estados Unidos que contava os dias para explodir.
Quem fez as honras foi Ed Sullivan, que em seu famoso programa de TV apresentou os quatro rapazes para 74 milhões de americanos no dia 9 de fevereiro. "All My Loving", "Till There Was You", "She Loves You", "I Saw Her Standing There" e "I Want To Hold Your Hand". Cinco músicas. 5, 4, 3, 2, 1... Boooommmm!

Emblemática, a apresentação televisiva daquela noite converteu-se em um marco na história da banda e da cultura pop do século XX. Já não se conseguiria mais falar da música e do comportamento jovem que se desenvolveria nas décadas seguintes sem remeter àqueles quatro moços com cabelinho de tigela. Mas acho que disso você já sabe. O que você não deve saber é que*:

1) Brian Epstein ficou tão embasbacado ao receber o telegrama que confirmava a ida da banda aos Estados Unidos que sentou-se à mesa de jantar usando um penico na cabeça. Ele e a banda estavam em Paris, na França

2) John teve um enjoo durante o voo da Pan Am que levou a banda aos Estados Unidos

3) Havia dois homens chamados George Harrison no voo que saiu de Londres: aquele que você sabe quem é e um colunista do jornal Liverpool Echo, integrante da comitiva que acompanhava a banda

4) George (o beatle) estava gripado e teve 39º de febre

5) Próximo do pouso, os Beatles ouviram o seguinte anúncio vindo da tripulação: "O comandante pediu que transmitíssemos a seguinte mensagem: 'Avisem aos rapazes que há uma enorme multidão esperando por eles'

6) "É isso aí, pessoal! Todo mundo, calem a boca!". LENNON, John ou o que ficou sendo as primeiras palavras de um beatle em solo americano. John se dirigia aos jornalistas que aguardavam a banda para uma entrevista coletiva no aeroporto JFK

7) Para escapar das milhares de fãs que cercavam a banda no aeroporto, cada beatle foi erguido por dois policiais e colocado em seu próprio Cadillac que seguiria direto para o hotel

8) No hotel, durante toda a noite, a banda passou o tempo ligando para rádios locais e pedindo que as emissoras tocassem músicas das Ronettes, de Marvin Gaye e Smokey Robinson

9) Em um jantar no famoso restaurante 21, Ringo pediu que lhe fosse servida "uma garrafa antiga de Coca-Cola"

10) Já no camarim do programa de Ed Sullivan, Paul se deparou com uma pilha de cartas endereçadas à banda. Dentre elas, um telegrama de Elvis: "Parabéns pela participação no Ed Sullivan Show e por sua visita aos Estados Unidos. Esperamos que sua participação seja bem-sucedida e que sua visita seja agradável. Mandem nossas lembranças ao Ed Sullivan. Ass. Elvis e o Coronel"

11) O microfone de John praticamente não funcionou na primeira apresentação no Ed Sullivan, na noite do dia 9

12) O importante maestro Leonard Bernstein, que levou as filhas nos bastidores do Ed Sullivan, não foi reconhecido pelos Beatles

13) Na viagem de trem de Nova York para Washington, onde os Beatles fariam seu primeiro show nos Estados Unidos, Ringo pegou uma vassoura para varrer os vagões do trem. A locomotiva estava em mau estado de conservação e foi uma solução de última hora - a viagem seria de avião, mas uma tempestade de neve fez a produção da banda mudar de ideia

14) Em uma festa na embaixada britânica, Ringo teve um chumaço de cabelo cortado por uma fã que portava uma tesoura de unha na bolsa

15) Para despistar os fãs em Miami, os Beatles deixaram o hotel na traseira de um caminhão frigorífico

*Extraído dos livros: "The Beatles - A Biografia", de Bob Spitz, e "Magical Mystery Tours - Minha Vida Com os Beatles", de Tony Bramwell

Ladies and gentleman, The Beatles. Ame.

23 de jan. de 2014

Yellow Submarine pra assistir, ouvir e, agora, calçar

Depois de homenagear Pearl Jam, Pixies, Kiss, Iron Maiden, Motorhead e meio mundo do rock, a Vans vai lançar uma linha dedicada à banda que em maior ou menor grau serviu de referência para os nomes anteriores: os Beatles. No dia 1º de março, chega ao mercado uma coleção de quatro modelos inspirados no universo de "Yellow Submarine".

Dois deles estampam os fab four tal qual foram representados em sua versão desenho animado. Um terceiro elementos da aventura protagonizada pela banda abaixo do mar e o quarto modelo é inteiramente estampado com a frase "All You Need Is Love" com a mesma tipografia utilizada no trecho do filme em que a música homônima é executada pela banda. Em comum, todos os modelos carregam o visual lisérgico e ultra colorido característico do universo criado em torno do Submarino Amarelo. Lá fora, os tênis custarão entre US$ 65 e US$ 75.

Vale mencionar, o lançamento atende a uma demanda real. Na internet, não é difícil encontrar sites que vendem modelos da Vans costumizados por fãs com estampas dos Beatles.


24 de out. de 2013





Esqueça os mullets que Paul resolveu voltar a usar. Preste atenção nos amiguinhos que ele chamou para dividir a figuração de seu novo clipe "Queeni Eye", segundo single do recém-lançado álbum "New".

Como numa espécie de remake de luxo e em live action da capa do disco-dispensa-apresentações "Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band", personalidades contemporâneas estão reunidas em torno do beatle fazendo a festa nos estúdios de Abbey Road.

Johnny Depp, Jude Law, Meryl Streep, Sean Penn, Kate Moss, Tom Ford, Jeremy Irons e Tom Ford são "só" alguns deles. Peter Blake, o autor da capa de "Pepper", também dá as caras.

Abaixo, o making of do clipe.


12 de jun. de 2013

Ao centro, o três quartos que chamou atenção nas comunidades de fãs; à esq. e à direita, figurinos de 2010 e 2013, respectivamente

Há alguns poucos anos, é Stella McCartney quem cuida dos figurinos do pai, Paul, e de sua banda nos shows. Desde então, a estilista vinha vestindo o daddy com ternos coloridos - principalmente azul à la Roberto Carlos, ligeiramente estruturados nos ombros. Para dar uma variada, vez ou outra ele aparecia com um pretinho básico e gravata. No último fim de semana, em Nova York, Stella resolveu desviar um pouco do caminho que vinha traçando e a mudança gerou certo burburinho até em fóruns dedicados a discutir apenas a música do Sir.

Paul apareceu no palco do Barclays Center, no Brooklyn, trajando um terno preto que seria sóbrio demais não fosse o comprimento três quartos e os punhos da camisa branca usada por baixo estrategicamente dobrados para parecerem mais bufantes. Uma sobriedade elegante ou, como definiu um fã norte-americano, like a Sir.

8 de mai. de 2013



Não lembro mais com quem ou quando foi a conversa, mas uma vez me perguntaram o que eu faria se me encontrasse com o Paul. Seria histérica? Cairia no choro? Pediria uma tatuagem? Agarraria o beatle? Disse que só gostaria de dar um abraço e dizer um “muito obrigada”. Aconteceu.

Num presente antecipado em sete dias pelos meus 28 anos, que acontecem no próximo dia 11, finalmente fiquei cara a cara com Paul e seus olhos verdes, sua pele mais clara do que aparenta ser em fotos e sua testa suada após mais de duas horas de show. Mas aconteceu fora do script ideal que tinha em mente, pois jamais imaginei que isso ocorreria diante de mais de 50 mil pessoas e que o “muito obrigada” fosse ter seu sentido alterado.

Sempre quis agradecer Paul pelo que a música que ele fez junto com John, George e Ringo me proporcionou em termos de afetividade e emoção. De repente, lá estava eu agradecendo-o pelo gesto de reconhecimento que ele teve em relação ao trabalho que eu e a equipe da campanha “Paul, vem falar Uai” realizamos no desejo de ver aquilo tudo se concretizar no sábado, no Mineirão. Como assimilar a reverência que um beatle faz diante de um ato seu, quando, na verdade, o usual é o caminho contrário, ou seja, você é quem passa anos se curvando diante de tudo que ele fez? Difícil, pois essa generosidade que Paul demonstrou se choca com a grandiosidade que dá peso à sua trajetória.

Mas como Paul é, de fato, esse senhor inacreditável de 70 anos que, além de não beber água durante os shows, também dá bola para o seu público, a generosidade não se restringiu ao agrado feito ao pessoal da campanha.

Já na passagem de som feita horas antes do show para fãs que desembolsam algumas centenas de dólares, e da qual participei, Paul nos presenteou com uma versão mais blues de “Blue Suede Shoes”, “Honey Don’t” e “C Moon”. Também antecipou as novidades que viriam mais à noite, ao tocar “We Can Work It Out”.
Entre uma música e outra, brincou com as 250 pessoas que o assistiam, dedicou “Calico Skies” a um casal que comemorava aniversário de casamento e levou um cartaz pedindo que Paul tocasse a música em homenagem à união. Pouco depois, chamou um casal ao palco para receber de suas mãos um ukelele que ambos haviam encomendado a um luthier especialmente para presentear o ídolo. Paul testou o instrumento e os agradeceu.

Ao fim da apresentação da tarde, permaneceu no palco para fazer os últimos ensaios para a turnê e os fãs que aguardavam em uma área privada do estádio para retornar à pista prime puderam ouvir algumas das surpresas da noite serem testadas: Paul ensaiou com sua banda “Eight Days A Week”, “Listen To What The Man Said” e “Being For The Benefit Of Mr Kite”.

À noite, foi generoso de uma vez só com 52 mil pessoas ao tocar ao vivo pela primeira vez na história uma lista de clássicos dos Beatles: “Your Mother Should Know”, “Lovely Rita”, “All Together Now”, além da já citada “Being For The Benefit Of Mr Kite”. Disse o tão esperado uai, mas foi um pouco mais além e juntou em uma frase só outras palavras do mineirês: “Trem bão, sô!”, ele disse em outro momento do show.

E eu, que sempre quis chegar perto de Paul para dizer um simples “muito obrigada”, tive minha lista de motivos multiplicada quando a oportunidade caiu no meu colo. Thank you, Paul.

*Texto publicado no jornal O TEMPO de 6/5/2013. Nos últimos três anos, este blog foi testemunha dos meus relatos e minhas impressões sobre os shows do Paul no Brasil. Leia a minha saga:

A novela Paul no Brasil (8/9/2010)
Eu vou (19/11/2010)
Paul (22/11/2010)
A segunda vez (23/5/2011)
Paul in Brazil - reflexões (30/4/2012)

29 de abr. de 2013

Se George Harrison ficou conhecido como o beatle quieto, Ringo Starr como o brincalhão e John Lennon como o integrante dotado de rebeldia, sobrou para Paul McCartney os estereótipos de bom moço, carismático e educado. É a imagem que ele sugere no palco, em entrevistas e em biografias, desde a época dos Beatles até hoje, mas é também a impressão deixada pelo próprio em fãs que tiveram a oportunidade de se aproximar do músico, que no próximo sábado (4), estreia sua nova turnê, “Out There”, no Mineirão, com ingressos esgotados.

“Uma pessoa muito simpática, muito agradável, um cara sensível, engraçado e muito educado”, lista a carioca Lizzie Bravo ao adjetivar Paul. A lista de elogios é um resgate das anotações que fazia sobre ele em seu diário, na adolescência, entre 1967 e 1969. Neste período, entre os 15 e os 18 anos, Lizzie morou em Londres, onde trabalhou, estudou, acompanhou diariamente os Beatles na condição de fã, e também teve a honra de participar de uma gravação da banda – ela fez os backing vocals de “Across the Universe”.

Sua rotina na capital inglesa era ir para a escola (faltava muito) e o trabalho durante o dia e rumar para a porta dos estúdios de Abbey Road no fim da tarde, quando os quatro rapazes costumavam dar início às sessões de gravação. Topava com todos, que sempre se mostravam simpáticos, naturais e brincalhões, segundo Lizzie. Com Paul, especificamente, ela sentia-se mais à vontade para conversar, pois, diante de John, seu beatle preferido, gaguejava. Paul, por sua vez, retribuía as abordagens da garota com solicitude. “Ele foi extremamente atencioso comigo durante todo o tempo que morei na Inglaterra”.

Amostras dessa atenção incluíam atos simples: certa vez, Paul notou que Lizzie havia cortado os cabelos; em outra, folheou os cadernos da escola para checar se a menina estava estudando para valer; em outra ocasião, lhe emprestou um gravador. “Comentei que tinha recebido uma fita K7 de amigos brasileiros, mas não tinha conseguido ouvir ainda porque era difícil achar gravador naquela época. Ele então falou: ‘vai lá em casa que eu te empresto’. Ele me levou pra dentro da casa dele, me explicou como funcionava o gravador e fiquei com o aparelho emprestado uns dias. Ele era bastante acessível”, recorda. Isso foi em 1969, quando os Beatles já tinham feito história e construído um império.

Não raro, Lizzie e outras fãs acompanhavam Paul, tarde da noite, no trajeto do estúdio para casa, a mesma que ele mora até hoje, na Cavendish Avenue. Os poucos minutos que separam o local de gravação da residência eram feitos a pé, com um detalhe. “No verão, de vez em quando ele ia descalço”, diz.

A boa impressão que Paul deixou em Lizzie nos anos de Londres não foi quebrada quando os dois se reencontraram, 21 anos depois, em 1990, nos Estados Unidos, em uma coletiva de imprensa para jornalistas brasileiros, na qual Paul falaria sobre sua primeira turnê no Brasil. Ela foi credenciada como fotógrafa e teve uma surpresa no final. “Ele se levantou e apertou a mão de todo mundo que estava lá. Quando chegou minha vez, perguntou: ‘por que será que me lembro de você?’. Falei: por que cantei no mesmo microfone que você”, relata.

Moleton e cabelo atrapalhado
Repetindo cenas do passado protagonizadas por Lizzie, a arquiteta Marina Garcia usou o último dia de sua estada em Londres, no ano passado, para “fazer ronda” nas proximidades da casa de Paul na esperança de encontrá-lo. Depois de algumas voltas no quarteirão sem muito sucesso, o operário que trabalhava em uma obra na casa vizinha à do astro comentou com a fã que ele havia ido à academia, localizada num clube de críquete na rua contígua à que mora, junto com a esposa, Nancy. Dica de ouro.
Dez minutos depois, Marina avistou Paul dobrando a esquina. “Ele estava com roupa de academia, de moleton, com o cabelo atrapalhado”, descreve a arquiteta, que ressalta a gentileza do casal diante de sua abordagem. “Ele é essa pessoa meio inacreditável, que mora na mesma casa desde os anos 1960, perto de Abbey Road, onde tem muitos turistas e fãs, e estava indo para a academia a pé, sozinho, sem nenhum segurança”.

Paul apenas se recusou a dar um autógrafo. “Gentilmente, ele disse que não. Mostrou que ali era a rua da casa dele e brincou: ‘let’s shake hands, right?’”. Essa é uma postura corriqueira do beatle: oferece a fãs que o abordam na rua aperto de mão no lugar de autógrafos ou fotos. Em uma cena do documentário “The Love We Make”, sobre show beneficente que o músico organizou no pós-11 de setembro em Nova York, ele está dentro de um carro quando um homem lhe pede autógrafo pela janela. Ele reluta em dar sua assinatura alegando que há quem peça autógrafo com fins comerciais, como leiloar na internet.

Encontro particular
Mas isso não quer dizer que ele nunca presenteie os fãs. Virou moda em seus shows fãs pedirem autógrafos no corpo para transformá-lo em tatuagem e o ídolo atende alguns (a maioria meninas), chamando-os no palco para concluir o pedido. O publicitário Adriano Nunes tem uma dedicatória de Paul também, mas a conseguiu após um encontro particular com o beatle.

No show de Florianópolis, em abril do ano passado, ele comprou o ingresso que dá direito a assistir à passagem de som e aproveitou para levar um cartaz pedindo que Paul autografasse seu trabalho de conclusão de curso da faculdade, sobre a carreira do ídolo. Após o músico deixar o palco, Adriano foi chamado por um segurança: o Sir queria vê-lo.

Já no backstage, o publicitário foi surpreendido por um Paul que chegou sorridente e de braços abertos para abraçá-lo. “É uma atitude que eu não esperava de uma pessoa que está tão acostumada com assédio”, diz. Travado que o fã estava, coube a Paul puxar a conversa. O músico pediu detalhes sobre o trabalho, folheou as páginas, leu trechos em português e elogiou. Foram apenas cinco minutos, mas bastaram para que Adriano sanasse uma dúvida que tinha: seria Paul simpático como aparenta ser em público? “Ele é humilde, muito tranquilo. Deixa a pessoa à vontade e no mesmo nível dele. Fala olhando nos olhos, abraço e aperto de mão firmes, dá pra ver que não é falsidade”.

Mais 
O diário que Lizzie Bravo escreveu sobre sua convivência com os Beatles em Londres vai virar livro. O lançamento de “Do Rio a Abbey Road” deve ocorrer na BH Beatle Week, no fim do ano

VOCÊ SABIA?

Nome
Paul se chamaria James McCartney IV, em homenagem ao pai, ao avô e ao bisavô, todos batizados com o mesmo nome. Para facilitar a distinção entre os quatro, sua mãe, Mary, decidiu chamar o filho de James Paul McCartney

Música
Paul se iniciou na música tocando trompete, um presente do pai, Jim McCartney, para seu aniversário de 14 anos. Logo ele trocaria o instrumento por um violão. Ele queria algo que o permitisse cantar e tocar ao mesmo tempo

Animais
Desde 1966, Paul mantém na Escócia uma fazenda. Vegetariano e ativista dos direitos dos animais, o astro cria ovelhas na propriedade

Dinheiro
Em meados da década de 1960, Paul tinha o hábito de guardar os milhões que ganhava em sacos de dinheiro num cofre de sua casa. O compartimento não ficava trancado e continha centenas de pacotes

Arte
Paul é pintor e já criou mais de uma centena de telas, as quais incluem retratos e imagens abstratas

Vídeo game
Paul tem o hábito de jogar Beatles Rock Band com os netos. Ele sempre perde, mas corta o barato dos netos ao lembrar que o jogo só existe por causa dele

*Reportagem publicada na edição de 26/4/13 do jornal Pampulha
Paul McCartney vai estrear sua nova turnê em BH, no próximo dia 4 - depois desta que vos fala, em parceria com seus amigos, gritar insistentemente "Paul, vem falar uai" - e o portal do jornal O TEMPO preparou hotsite com conteúdo multimídia sobre a vinda do Sir a terras mineiras. Eu, de lá do meu cantinho da redação do Pampulha, colaborei com parte do conteúdo, e um deles diz respeito a um mega apanhando sobre as visitas que Paul fez ao Brasil desde sua estreia tupiniquim, em 1990.

Foi um trabalho de algumas contas, horas fuçando em arquivos de jornais e no site do próprio Paul para garimpar todos os dados, que foram apresentados graficamente de maneira bem descolada pela Aline Medeiros. Acesse este link para a versão interativa do material. Enjoy!



17 de mar. de 2013

Homenagem de fãs brasileiros feita a Macca virou camiseta

Pelo quarto ano consecutivo, Paul McCartney fará uma turnê pelo Brasil. Desta vez, as cidades felizardas são BH (3/5), Goiânia (provavelmente 4/5, mas a data ainda depende de confirmação) e Fortaleza (9/5). A dona deste blog está vibrando feito louca com a notícia, pois passou um ano e meio agitando, nas redes sociais, junto com mais cinco amigos, o movimento "Paul, vem falar uai", que pedia um show de Macca em Belo Horizonte.

Nessas visitas constantes ao Brasil, Paul foi surpreendido pelos fãs durante os shows com flash mobs fofinhos e um deles virou estampa de camiseta em seu site oficial: foi a homenagem (é assim que os fãs chamamos essas surpresinhas que preparamos) feita na primeira noite no Rio de Janeiro, em 2011, quando os fãs (eu inclusa) levantaram centenas de cartazes com a sílaba "NA" durante o refrão de "Hey Jude". À época, Paul chegou a publicar uma nota em seu site oficial agradecendo seu público pelo ato. "Eles poderiam apenas ter ido e assistido ao show, mas eles todos se comunicaram antes para fazer esse momento tão especial acontecer", dizia um trecho da declaração.

A estampa apresenta um recorte da multidão com os cartazes em mãos e deixa à vista uns poucos balões dos muitos que foram levados para incrementar a ideia. Uma imagem de Paul mais jovem, flutuando sobre as pessoas, faz uma intervenção na cena original e completa a estampa. US$40, aqui.

No vídeo abaixo, a partir de 3min, dá para relembrar ou conhecer o momento que originou a camiseta.





11 de mar. de 2013


Looks Chanel, Kenzo e Yohji Yamamoto
Hora de fechar o resumo do que tocou na temporada internacional de desfiles com a trilha da semana de moda de Paris. Teve clássico, teve hits noventistas, mas comecemos pela novidade. M.I.A, depois de se apresentar ao vivo no desfile da Etam, produziu uma mixtape exclusiva para o desfile da Kenzo. Um esquenta para o disco novo da cantora, que será lançado no mês que vem.



Da ala dos anos 1990, destaque para o resgate de "Around the World", do Daft Punk, feito pela Chanel, e para a deliciosa "Tom's Dinner", de Susanne Vega. O hit das FMs na infância da autora deste blog foi trilha da Maison Martin Margiela.



Para terminar, palmas para Yohji Yamamoto, que colocou seus modelitos para desfilar ao som de "Cry Baby Cry", daqueles quatro caras que ficaram conhecidos como Beatles.



Mais músicas na seleção da Vogue.

PS: Menção honrosa para "No Love Lost", do Joy Division, no desfile de Julien David.

31 de jan. de 2013



Mais uma camisa dos Beatles para querer ter na coleção: os fab four estampam algumas das camisetas criadas para promover a edição 2013 do Red Nose Day, mega-evento beneficente que arrecada fundos para a organização britânica Comic Relief, que ajuda pessoas em situação de vulnerabilidade social na Inglaterra e na África.

A autora das estampas é Stella McCartney, que já havia usado imagens da banda do papai Macca para camisetas da edição de 2009 do projeto. Para 2013, Stella escolheu uma foto tirada pela banda em abril de 1969, à época das primeiras sessões para o derradeiro "Abbey Road". Quatro anos atrás, a estilista havia usado uma das imagens registradas na festa  de lançamento de "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band". Além dos Beatles, Marilyn Monroe e o comediante britânico Tommy Cooper também tiveram seus rostos usados para promover a causa neste ano.


29 de jan. de 2013

"Passando no estúdio rapidinho para dar Bj nos meus amados fãs", dizia a legenda da foto

A cantora sertaneja Roberta Miranda, usuária assídua do Instagram, publicou hoje em seu perfil uma foto sua usando uma camiseta dos Beatles. Pode não parecer muito óbvia a associação entre a cantora e os fab four, mas Roberta demonstra ser fã dos ingleses. Em 2004, ela foi fotografada escrevendo uma mensagem nos muros do estúdio de Abbey Road, repetindo o gesto de milhares de fãs da banda que têm a oportunidade de passar pelo local.

 "Deixando uma homenagem para os Beatles em frente à gravadora Abbey Road", diz a legenda no site da cantora



3 de jan. de 2013

Queridinhas do mundo da moda há algum tempo e dos fãs de rock desde sempre, as camisetas de bandas ganharam uma lista do tipo best-selling na Inglaterra. A rede de lojas HMV, focada em produtos de música, cinema e tecnologia, revelou as dez camisetas de rock mais vendidas em 2012. Em meio a muitas estampas retrô, o modelo que reproduz o cartaz da turnê norte-americana de 1978 do Black Sabbath liderou as vendas. David Bowie, Beatles e Led Zeppelin também aparecem na lista.


1) Black Sabbath - US Tour 78


2) Led Zeppelin - USA 77


3) Led Zeppelin - Celebration Day


4) David Bowie - Smoking


5) Bruce Springsteen - Sand Tour


5) Foo Fighters - Gold logo


6) AC/DC - Angus And Brian


7) Metallica - Skull Explosion


8) Rolling Stones - Union Jack Tongue


9) Beatles - Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band


10) Guns N' Roses - Appetite For Destruction



20 de nov. de 2012



Último registro dos Beatles ao vivo, o show surpresa no teto do prédio da Apple, em 1969, também chamado de rooftop concert, é um dos vários momentos icônicos da história da banda, justamente por estes adjetivos que citei: foi o último, foi surpresa. Como praticamente tudo que eles fizeram, serviu de inspiração pra mais gente, como o U2, que em 1987 fez o mesmo na gravação do clipe de "Where The Streets Have No Name". Talvez não tenha sido pioneira.


Há quem defenda que Roberto Carlos o fez antes, na gravação do clipe "Quando", mas nunca concordei com a teoria (apesar de ser fã de King Robert). Gravado no terraço do edifício Copam, em SP, em 1967, o vídeo não retrata o show tampouco nenhuma outra exibição para o público. Do alto dos 35 andares do prédio, ninguém na rua jamais veria a ação, mesmo que fosse esta a intenção.

Mas Gonzagão, se estivesse aí, poderia reivindicar a autoria da ideia. Como registrado no filme "Gonzagão - De Pai pra Filho", lá pelos anos 1940, Gonzagão tocou na fachada do Cine Pax, no Rio, ao saber que havia uma multidão na rua que não conseguira comprar ingresso para o show que ele faria dentro do cinema. Vale lembrar que a história dos Beatles já se cruzou outras vezes com a de Gonzagão. Há quem diga que "The Inner Light" lembra muito "Asa Branca". Acho que o elo aí é a sonoridade semelhante daquela que remete ao sertão e as influências orientais de George, mas não deixa de ser curioso.

12 de nov. de 2012




O submarino amarelo foi reconstruído. Saem as placas em amarelo e laranja vibrantes, como pede a linguagem pop. Entram marimbas, pans e flautas, que em tons aquarelados redesenham a icônica imagem, uma das muitas associadas aos Beatles. A ilustração da capa do novo disco do Uakti, batizado simplesmente “Beatles”, revela o tratamento que o repertório dos fab four ganhou ao ser transportado para a peculiar linguagem instrumental do grupo mineiro: mais leveza, sem perder as estruturas essenciais. O público acompanha ao vivo este resultado de sexta (16) a domingo (18) no Palácio das Artes.

“A gente buscou uma relação mais fiel com temas e harmonias, foi até uma exigência que os próprios autores colocaram. Tem toda uma regulamentação para gravar Beatles. Mas tem muita coisa de improviso e de adaptação para os nossos instrumentos e isso possibilita timbres inusitados e ideias de arranjos que se diferenciam do original, mas sem perder o vínculo com a concepção das músicas”, resume Artur Andrés, ao falar do trabalho de criação dos arranjos, feito por Marco Antônio Guimarães.

O repertório, também escolhido por Marco, soma 16 músicas, todas pós-1966, quando os Beatles iniciaram a chamada fase de estúdio: abandonaram a barulheira das fãs nos shows para se dedicarem exclusivamente à gravação dos discos, o que resultou na grande guinada musical da banda. “Surgiram temas belíssimos e orquestrais, que inclusive era uma coisa nova para a época. O Marco Antônio optou por temas que tocaram ele mais”, completa Artur. Dentre estes temas, “A Day In The Life”, “Across The Universe”, “Golden Slumbers” e “Something”.
No show de estreia do trabalho, o trio vai ter companhia no palco. Para que seja reproduzido o que foi feito em estúdio, também vão participar das apresentações as esposas de Paulo (Josefina Cerqueira) e Artur (Regina Amaral) e os filhos de Josefina (Ian Cerqueira, guitarra) e de Artur (Alexandre Andrés, flauta).

Volume dois
Há mais material além do que foi registrado em estúdio, no entanto. Marco arranjou cerca de 25 músicas, num grupo que inclui também “Norwegian Wood”, “Because”, “Within you without you” e “Blue Jay Way”. Parte deste excedente vai entrar no repertório do show e, futuramente, as músicas não gravadas podem originar um segundo disco. “O ideal seria a gente ter gravado 14 músicas porque os direitos autorais encarecem muito o custo final do álbum. Colocamos forçosamente mais duas, mas nada impede de se gravar um segundo disco se a gente sentir que seria interessante expandir para outros temas”, diz Artur.

Nada impede também que a metade dos Beatles ainda viva, Paul e Ringo, tome conhecimento do trabalho. “A gente tem amigos em comum que podem ajudar. O Philip Glass (compositor norte-americano com quem o Uakti já gravou) já falou que, sendo amigo do Paul, pode passar pra ele. Talvez ele venha pra Belo Horizonte também e a gente consiga colocar na mão dele”.


Viagem inclassificável pela obra dos fab four
A obra dos Beatles já ganhou, no Brasil, uma longa série de releitura em choro. Sensação do Carnaval carioca, o Bloco do Sargento Pimenta transporta as músicas do quarteto para ritmo do Carnaval de rua, ditado pela percussão. A Orquestra Ouro Preto, assim como já fizeram algumas outras pelo mundo, traduz as canções para linguagem erudita. Lá fora, já virou objeto para uma banda de heavy metal, que une Beatles ao Metallica.

Em meio a esse apanhado de homenagens que perpetuam a já eternizada a produção do quarteto de Liverpool, “Beatles”, do Uakti, se diferencia por não levar a obra da banda para um universo musical demarcado. As melodias de alguns dos clássicos escolhidos para o repertório permanecem facilmente identificáveis, mas as regrava-ções transitam por climas variados.
É o caso de “Get Back”, originalmente rock puro que em seus cinco minutos no terreno do Uakti passeia por sons de flautas e de um berimbau de sete cordas para então retornar ao seu habitat natural com a entrada de uma guitarra para o solo final.

O violão melancólico e preguiçoso de “A Day In The Life” se transforma em sons doces com a marimba de vidro. “With A Little Help From My Friends” começa com uma introdução em tons mais graves para depois ganhar um ar festivo.

Assim como assinalou Artur Andrés, há espaço também para o improviso e para arranjos mais elásticos em relação aos originais, e isso se faz mais evidente em “Come Together” e “She's Leaving Home”. A viagem é múltipla e inclassificável.


Uakti
No show ‘Beatles’
Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, centro, 3236-7400). Dias 16 (sexta) e 17 (sábado), às 21h, e 18 (domingo), às 19h. R$ 60 (inteira)

*Texto publicado na edição de 10/11/12 do Jornal Pampulha

17 de out. de 2012

A notícia poderia ser "Vaza áudio de ensaio dos Rolling Stones para nova turnê", mas prefiro dar uma alfinetada na pseudo rixa Beatles x Stones (só acredito nela como uma brincadeira boba, mas gostosa) e dizer que "Stones comemoram 50 anos com nova versão para música dos Beatles". Explico: alguém conseguiu gravar um trecho do ensaio que Mick e cia. fizeram na semana passada na Inglaterra para os quatro shows (dois na Inglaterra e dois nos EUA) que a banda anunciou que fará em novembro para celebrar suas cinco décadas. Nele ouve-se uma versão diferente de "I Wanna Be Your Man", composição que John e Paul deram de presente para a então novata banda de Londres. Este foi o segundo single da banda e o primeiro a entrar nas paradas.

18 de set. de 2012

Liverpool é aqui. Pelo menos o será em novembro, a julgar pelo que está previsto na agenda de BH. Será neste mês que provavelmente o Uakti apresentará ao vivo seu novo trabalho, que consiste em adaptações de músicas dos Beatles para a sua peculiar linguagem instrumental.

E, lá no finalzinho do mês, no dia 29, começará a primeira BH Beatle Week, que segue até o dia 1/12 (é praticamente uma BH Beatle Weekend, né? rsrs). Presenças já confirmadas: Tony Bramwell (amigo de infância de George Harrison, braço direito de Brian Epstein e autor do livro de memórias "Magical Mystery Tours - Minha vida com os Beatles"), Lizzie Bravo (cuja voz está presente na gravação de "Across The Universe" e que prepara o lançamento do também livro de memórias "From Rio To Abbey Road") e a Orquestra Ouro Preto (que tem obras dos fab four em seu repertório).  

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