3 notas sobre a morte de David Bowie

O que eu trouxe na bagagem da Colômbia

A(s) pergunta(s) que eu não fiz para Steve Aoki

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17 de jun. de 2014

A Copa é pop, a Copa é hit

A Copa começou com gol contra e pênalti duvidoso, continuou com muitas viradas, alguns poucos empates e surpresas e uma média de gols maior que a de edições anteriores. Tem gringo falando que é a Copa das Copas, tem meme pra mais de metro e não se fala de outra coisa. É um hit mundial a Copa do Fuleco. E se a Copa é pop e a música é uma linguagem universal, juntar as duas coisas pode te ajudar a entender nestes primeiros jogos. É mais ou menos assim que se configura a parada de sucessos do futebol ao fim da primeira rodada:

A Espanha, atual campeã do mundo, é aquela banda que passa pela crise do segundo disco. Fez um baita sucesso no primeiro trabalho, mas na busca pelo bi corre o risco de virar um cover de si mesma por causa da falta de renovação. O primeiro sintoma foi o 5 a 1 aplicado pela Holanda, que é como aquela banda indie super competente, mas que inexplicavelmente nunca atingiu o estrelato. Pode ser que o sucesso mundial finalmente venha agora, mas historicamente é aquela banda que não cruza a fronteira do mainstream mesmo tendo estabelecido referências usadas por muita gente. É um Velvet Underground.

Portugal é o Bon Jovi da Copa. Tem aquele cara bom de hit e bonitão ali na frente e só. Sem alguém como Richie Sambora para armar o ataque fica pior ainda. Cristiano Ronaldo, coitado, responde por um time inteiro, assim como Jon Bon Jovi é praticamente uma metonímia para sua banda, o Bon Jovi.

Os Estados Unidos surgem como aquela banda amadora que passou anos tocando em churrasco e agora resolveu contratar um empresário sério para dar um rumo mais profissional para a carreira. Como o chefe é do ramo (Jürgen Klinsmann, campeão mundial pela Alemanha em 1990) e os caras finalmente estão levando a sério o negócio (gente, os americanos estão se empolgando com uma Copa do Mundo), pode ser que tenhamos pela frente uma novidade interessante.

Chile, Bósnia, Croácia e Bélgica são como aquele pessoal da ~world music~: não seguem a linha do pop mainstream, a crítica especializada costuma apostar, mas eventualmente não se converte em sucesso estrondoso. A Costa Rica é séria candidata a one hit wonder por conta dos 3 a 1 sobre os bicampeões do Uruguai, mas se ganhar mais uma vira o hype da Copa.

Por fim, tem a turma do classic rock. Os feitos do passado vão parecer sempre mais brilhantes que o presente, mas existe um legado que sempre traz junto consigo certa expectativa. O Uruguai é aquela banda das antigas que resolveu ressuscitar a carreira depois de décadas, você achou que viria coisa boa, mas foi surpreendido por um single muito meia boca na estreia. Inglaterra e França são aquelas bandas que fizeram um disco histórico pra nunca mais e desde então vivem altos e baixos. A Inglaterra começou esta Copa com mais um baixo e a Itália, um alto.

A Argentina, tal qual o U2, liderada por uma figura messiânica e com cara de bom moço, arrastando uma multidão de fiéis na mesma proporção que a multidão de haters, fez sua parte e mostrou que continua grande. A Alemanha, linda, ostenta a dignidade inabalável de um Bruce Springsteen. Goleia Portugal por 4 a 0 com a mesma facilidade com que o Boss faz um show de três horas.

O Brasil é o Stones da coisa toda. O mundo sabe que não se pode simplesmente ignorar os gigantes da história ainda que "Exile on Main St" e "Let it Bleed", assim como as seleções de 1970 e 1982, sejam sempre melhores que qualquer coisa que se faça agora. Faltou show e sobrou polêmica na primeira apresentação, mas polêmica também faz parte do rock. Oh, wait! Será que é conveniente comparar a seleção com a banda do maior pé frio da história das Copas?

14 de jun. de 2014

Drake e Lil Wayne se juntaram à la Street Fighter

Tudo que eu queria ter postado essa semana, mas não postei:

- "Drake Vs. Lil Wayne": não é jogo da Copa nem treta de rapper. É só uma turnê que os dois farão juntos nos próximos meses

- Prime Music x Spotify, Pandora e Beats: não é jogo da Copa, mas é treta. O novo serviço de streaming da Amazon quer competir com os demais

- Nile Rodgers manda "Get Lucky" ao vivo

- Psy vive, ainda por cima em dueto com Snoop Dogg em "Hangover"

- Mais uma nova do Morrissey com début ao vivo em Boston: "Kick the Bride Down the Aisle"

- Mais um cancelamento do Morrissey: shows da turnê americana são cancelados por motivos de saúde. Paul McCartney também cancelou shows de junho nos EUA por recomendações médicas e só volta aos palcos em julho

- Arcade Fire toca Echo and the Bunnymen que toca Velvet Underground

- Weezer anuncia disco novo: "Everytinhg Will Be Alright in the End", ainda sem data de lançamento

28 de out. de 2013


É prática comum nas grandes publicações dos Estados Unidos, e em certo grau nas redações britânicas, a tentativa de resumir em apenas uma frase a vida e obra de personalidades nos obituários. É a chamada "cláusula quem", introduzida no New York Times pelo jornalista Robert McG Thomas Jr.

Quem me chamou atenção para isso há algum tempo foi o jornalista Mauricio Stycer, por ocasião da morte de Farrah Fawcett, e desde então fico atenta aos textos gringos dos jornalões - e "revistões" - que noticiam a morte de gente importante. Por mais árdua que seja a tarefa - condensar a complexidade de uma vida em poucas palavras com clareza - gosto de ver como as definições se complementam, se convergem ou divergem.

A morte de Lou Reed ontem - o cara que me fez entender lá pelos 16 anos que música "estranha" pode ser algo muito bom e, com isso,  abriu um buraco na minha cabeça dando espaço para novos sons - me fez prestar mais atenção ainda na prática. Abaixo, uma coletânea de "cláusulas quem" sobre ele, que vão da definição mais objetiva, com jeitão de dicionário, até a mais poética, deixando à mostra o fã que se esconde por trás de quem fez o texto.

Do New York Times:
Lou Reed, o cantor, compositor e guitarrista, cujo trabalho com o Velvet Underground em 1960 teve uma grande influência sobre gerações de músicos de rock, e que continuou a ser uma poderosa senão polarizante força para o resto de sua vida, morreu no domingo em sua casa em Amagansett, NY, em Long Island. Ele tinha 71 anos.

Do The Guardian:
Lou Reed, vocalista do Velvet Underground, cronista veterano do lado mais selvagem, desagradável e desesperado da vida, e um dos compositores mais influentes e distintivos de sua geração, morreu aos 71 anos de idade.

Da Rolling Stone:
Lou Reed, compositor maciçamente influente e guitarrista que ajudou a moldar quase cinquenta anos de rock, morreu hoje on Long Island.

Da NME:
Lou Reed, que morreu aos 71 anos, foi o eixo central por trás do Velvet Underground e um ícone da música com uma carreira de quase 50 anos.
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