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2 de set. de 2014

NA NA NA He... ops, Zerô

Você deve saber, "Seven Nation Army", do White Stripes, além de ser uma das grandes músicas da década passada, é também o maior hino de futebol de todos os tempos do século XXI - virou trilha do tetra da Itália, em 2006, se converteu em hit desde então nas torcidas dos clubes europeus e, finalmente, fez onda no Brasil, primeiro nas torcidas do Inter e do São Paulo e, por último, do Cruzeiro.

Pois o hit de refrão perfeito que foi adotado pelo time desta blogueira para celebrar a reta final da conquista do Brasileirão do ano passado agora dá lugar há um clássico muito maior - até porque os prognósticos de vitória este ano apontam para conquistas maiores, néam? "Hey Jude", dos Beatles, ganhou nesta semana uma versão para a torcida celeste: "NA NA NA Vamos Ganhar/Vamos Ganhar Zêrooooo!!!". Dá para ouvir a versão musicada no site Geral Celeste.

Depois de Paul McCartney, vestindo um terninho azul, ser responsável por uma noite histórica na casa do Cruzeiro, quando, em 3 de maio do ano passado, fez a estreia mundial de sua turnê, tocou músicas dos Beatles que nunca tinham sido tocadas ao vivo, e ainda por cima disse uai, nada mais justo.

6 de jun. de 2014

Esta foto tem a única finalidade de embelezar este post. Sei que o Beckham já se aposentou.

Ingleses, este povo que inventou o futebol mas só ganhou um título mundial até hoje (e nenhuma Eurocopa), são muito mais campeões quando se trata de música pop. Às vésperas da Copa, tem gente boa por lá juntando a invenção nacional com o talento artístico para fazer músicas que empurrem a sempre desacreditada (por eles) seleção inglesa rumo a um bicampeonato mundial que vem sendo adiado há quase meio século.

Mark E Smith, para sempre o senhor The Fall, lançou hoje "England's Heartbeat", bem menos sujinha que seu pós-punk e bem mais down do que se espera de uma música que pretende embalar um time na Copa do Mundo. A letra segue esse clima e clama em tom de ressentimento a glória inglesa dentro da história do futebol: "When will the inventors of the game get justice?".




Lily Allen, num esquema "de repente, não mais que de repente", chegou no Twitter e apresentou para todo mundo "Bass Like Home" como sua música tema para a campanha inglesa, com uma ode patriótica-espirituosa a alguns dos grandes ingleses da história. "Who gave you Shakespeare, who gave you Lennon, who gave you Gazza, twistin your melon. God save the Queen with a pint of lager", ela canta.



Correndo por fora, o Kaiser Chiefs oferta "Coming Home", faixa do novo "Education, Education, Education & War". Ricky Wilson, que revelou que a banda rejeitou convite para criar o tema oficial da Inglaterra na Copa de 2006, encara a nova música como um hino não oficial da seleção de seu país e disse que espera que a mesma seja tocada quando "a Inglaterra estiver voltando pra casa com o título". O Kaiser Chiefs vai ter tempo para conquistar os ouvidos da seleção inglesa, já que faz um pocket show para os jogadores no jantar que antecede a viagem do time para o Brasil.

19 de mar. de 2013



Depois da Cavalera aclimatar seu verão 2013/14 com soul music, chegou a vez de Ronaldo Fraga colocar a música para dividir espaço com sua coleção nesta edição da São Paulo Fashion Week. Ao usar como referência as histórias de futebol contadas por seu pai, que foi jogador nos anos 1950, Ronaldo apresentou as peças inspiradas numa era romântica e ao som de uma trilha sonora executada ao vivo.

O responsável pelos trabalhos foi o instrumentista mineiro Célio Balona que, acompanhado por outros músicos, usou seu acordeon para dar uma sonoridade portenha às marchinhas de futebol que embalaram a seleção canarinho e suas conquistas em meados do século passado. "Na cadência do samba" ("Que bonito é...") é quase um tango, numa deliciosa e implícita provocação à nossa rivalidade futebolística com os vizinhos argentinos.

Falando nesse jogo saudável de rivalidades, uma das peças da coleção trazia escudos com formatos e detalhes similares aos de Cruzeiro e Atlético-MG, mas com as cores invertidas. Preto para o primeiro e azul para o segundo. Uma brincadeirinha, será?



Aqui no UOL, no fim da coluna à direita da página, em vídeo que não dá para incorporar no post, dá para ver o desfile completo.

11 de jul. de 2010

Para tentar preencher o vazio que começa a se formar com o fim da Copa, o jeito é tentar explorar o assunto por onde der. Abaixo, a lista de seis* fatos que deixaram este Mundial mais pop - dinâmico, descolado, popular e tantos outros sentidos que o termo pode sugerir.

Polvo Paul e os 100% de aproveitamento

Numa Copa cheia de zica - França e Itália caindo na primeira fase, Eslováquia chegando às oitavas e Inglaterra capenga, só para ficar nos poucos exemplos, nada mais natural que um polvo acertar todos os palpites e elevar ao ridículo nossas crenças em coincidências que não provam nada, nossas apostas no bolão e a credibilidade de comentaristas esportisvos

Mick Jagger encarnando a zica

No extremo oposto do Polvo Paul, Mick Jagger foi a seta que apontou para a derrota nesta Copa. Presente nas torcidas de EUA, Inglaterra e Argentina no mata-mata, viu todas estas seleções irem para a casa. O Brasil, com seu poder único de pentacampeão, resistiu à presença de Jagger em sua torcida na partida contra o Chile, mas não suportou a força do pé frio uma segunda vez, quando o cantor reapareceu torcendo para nossa seleção no jogo contra a Holanda. Anybody but the Spanish could get satisfaction.


Botão vuvuzela nos players do You Tube

A gracinha feita pelo You Tube escancara o aspecto "você não vale nada, mas eu gosto de você" da nossa relação com a vuvuzela: enche o saco, mas faz falta. Atire a primeira pedra quem não apertou a bolinha do player do You Tube voluntariamente SÓ para se sentir incomodado com o barulho da cornetinha hit da Copa.


Torcer para a Argentina em troca de um showzinho do Oasis ou se conformar definitivamente com o fim da banda e sua ausência dos palcos? O melhor do mundo que não fez gol na Copa deixou os fãs brasileiros do Oasis numa encruzilhada. Depois de ser apresentado ao som dos ingleses pelo colega de seleção Carlitos Tevez e pirar com a banda que um dia foi de Liam e Noel, Messi afirmou que pagaria o que fosse necessário para juntar a banda novamente e colocá-la para tocar na festa de comemoração do título argentino. Klose e cia. resolveram o problema pra nós.

O sucesso de Wavin' Flag

Tudo bem que foi a Coca Cola que nos enfiou goela abaixo a música do K'naan, mas reconheçamos o potencial pop de Wavin' Flag. Tocou (muito) antes, durante e depois da Copa, ganhou versão aportuguesada com o Skank (hitmakers natos) e, consequentemente, grudou na cabeça de todo mundo. Daqui a 10 anos você vai ouvir essa música e não vai ter outra lembrança senão a Copa da África do Sul. Fato.


Cala a boca, Galvão = Save Galvão birds

Até o ano passado, emplacar um assunto nos Trending Topics era a glória máxima que o Brasil podia alcançar no Twitter - lembram-se dos incríveis #mussumday, Yes we créu e #zemayerfacts? Nesta Copa, fomos muito mais longe. Enganamos o mundo inteiro inventando uma suposta campanha para salvar uma espécie de pássaro nativa, que teria até o apoio de Lady Gaga, que gravaria um single. O maior trote que o mundo já levou em 140 caracteres.

*Por que seis? Porque a Copa acaba, mas a expectativa pelo hexa continua.

5 de jul. de 2010

Esqueça Klose, Villa e Suarez. Quer dizer, não esqueça, mas junte a estes nomes da Copa da África do Sul mais um: vuvuzela. No melhor estilo "você não vale nada, mas eu gosto de você", a cornetinha onipresente já vem ensaiando sua entrada para a posteridade ao virar "musa inspiradora" de músicas, do jeito que merece, claro: com muito deboche e espirituosidade. Só assim para aturá-la, né?



17 de jun. de 2010

Todo mundo (ok, quase todo mundo) vira torcedor em época de Copa. Até popstars e medalhões da música. A diferença destes últimos para o torcedor comum é que eles podem transformar seus sentimentos futebolísticos em música e é exatamente isso que alguns fizeram.

O Weezer foi o responsável por entoar o coro da torcida norte-americana. "Represent" tem todo aquele clima de "vamos, vamos a ganar", como diriam os argentinos, mas não me convence. Nem com a improvável edição de imagens que tenta imprimir a ideia de torcida-engajada/jogadores-guerreiros-heróis consigo assimilar a ideia de que os EUA conseguem se envolver emocionalmente com o futebol. E o Weezer já fez coisa mais legal, né?



Os ingleses foram de hip hop com o rapper Dizzee Rascal, que canta "Shout for England". Poderia ter ficado mais imponente se não fosse a inclusão do refrão de "Shout", do Tears for Fears, em partes da música. Bem caretinha.



Por último, a melhor: Jorge Ben Jor e Mano Brown fizeram uma maravilhosa regravação de "Umbabarauma", música já suficientemente boa, aproveitando o clima de "a taça do mundo é nossa". Virou trilha sonora fácil, pelo menos na "minha" Copa do Mundo. Se a seleção reproduzir em campo o talento dessa parceria (ainda dá tempo), o hexa vem fácil.

6 de abr. de 2010



Palmas pra Fifa! Finalmente conseguiram escolher uma música para ser tema oficial da Copa do Mundo que não é baranga nem desnecessariamente dramática. Talvez o segredo esteja no fato de que a música em questão, "Wavin' Flag", do rapper somali K'naan, não tenha sido composta especialmente para a competição.

Uma das faixas de seu segundo álbum, "Troubadour", ela fala da superação de um passado de guerras e pobreza (problemas típicos do país de origem de K'naan), sugerindo com muita naturalidade aquele espírito de empolgação e celebração, que tanto serve para a trajetória vitoriosa narrada na música quanto para a mobilização que uma Copa do Mundo provoca nos torcedores.

Quem não se convenceu de que a música é legal para simbolizar a competição deste ano, compare-a com os temas oficiais de copas anteriores:

Alemanha, 2006: "Time of Our Lives" - Il Divo & Tony Braxton
Lembra tudo, menos a excitação de uma Copa do Mundo. Cairia bem como trilha de um dramalhão ou de uma daquelas animações em 2D da Disney da década de 90.



Japão e Coréia do Sul, 2002: "Boom" - Anastaciainha
Musiquinha pra tocar naquelas baladas beeeeem ruins.



França, 1998: "La Copa de La Vida" - Ricky Martin
Pode fazer um desavisado pensar que a França fica em algum lugar entre o México e a Patagônia.



EUA, 1994: "Gloryland" - Daryl Hall & Sounds of Blackness
Representa o que existe de mais barango no pop norte-americano. A única imagem que me vem à mente é de uma aspirante a Mariah Carey cantando essa música no American Idol - com direito a movimentar o braço para cima e para baixo na hora das notas mais altas, do jeito que Mariah gosta.

8 de jul. de 2009



A Rolling Stone Brasil deste mês circula com duas capas: uma com Ronaldo e outra com Michael Jackson. Dentro da revista, um perfil do jogador de futebol e um especial de 21 páginas em homenagem ao rei do pop.

Leia trechos da reportagem sobre Ronaldo aqui e do especial sobre Michael Jackson aqui.
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