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12 de set. de 2011

Mantendo a fama de mau, Erasmo Carlos dá uma de avassalador e canta "Sou Foda". A versão para o funk que fez sucesso na internet com o grupo Avassaladores foi gravada para promover o VMB, que terá Erasmo como uma de suas atrações.


19 de abr. de 2011

Roberto, hoje, e seu grande companheiro Erasmo, em junho, completam 70 anos. Quem passa por aqui deve ter visto que adiantei esta efeméride neste texto que tenta compreender o sucesso dessa parceria. Postei ainda uma lista das grandes músicas feitas pelos dois segundo fãs anônimos e famosos da dupla.

Para não deixar a data passar em branco, mas também para não repetir assunto, passo hoje por um caminho diferente e me volto para as músicas que, apesar de popularizadas pela voz de Roberto, não foram compostas por ele e Erasmo, como acontece com a maioria de seus clássicos, muitos dos quais se cristalizaram no repertório nacional.

Roberto também se valeu muito de versões de músicas estrangeiras no início de sua carreira, assim como muita gente da turma da Jovem Guarda. Algumas dessas versões por Roberto, inclusive, são de responsabilidade, adivinhe, de Erasmo, o que me leva a concluir que os deuses de fato queriam que os dois se unissem - até com música dos outros eles dão certo.

Atendo às versões, senti falta, na versão original de O Calhambeque (Road Hog), do tom de malandragem que Roberto dá para sua interpretação, assim como estranhei o clima de "roquinho" em "Forget Him" (Esqueça). Cadê o amor, gente?

O calhambeque
(Road Hog - John Loudermilk/Gwen Loudermilk)



Esqueça
(Forget him - Mark Anthony)



Splish splash
(Bob Darian - Jean Murray)

5 de abr. de 2011

Tão vasta quanto a produção de Roberto e Erasmo Carlos - são cerca de 500 composições juntos - parece ser a predileção dos fãs da dupla por sua obra. Foram 20 músicas diferentes citadas pelos dez entrevistados do Pampulha. Entre as apontadas, hits da Jovem Guarda, sucessos românticos e exemplares religiosos, que resumem a diversidade da produção da dupla.

No primeiro lugar, com quatro votos, a influência clara da soul music nos anos 1970, com "As Curvas da Estrada de Santos", divide a preferência com "Detalhes".

"Por causa de ‘As Curvas...’, fiz até uma viagem para Santos, só para conhecer a estrada. Fiz questão de pegar o carro e ir dirigindo", revela Ivo Faria, chef do restaurante Vecchio Sogno. "Detalhes" também ganha o topo, na condição de um dos marcos da fase romântica de Roberto. "É como `Carinhoso´ (Pixinguinha), você ouve os acordes e já reconhece, não precisa nem cantar", justifica o historiador Paulo César de Araújo, autor da biografia "Roberto Carlos em Detalhes".

Na sequência, com três votos, "Quero que Vá Tudo pro Inferno". "Se tem uma música que consolidou Roberto, Rei da Juventude e nome principal da Jovem Guarda, é esta. É de modernidade e rebeldia na dose exata. Naquele ano (1965), a dupla Roberto e Erasmo fez tanto sucesso no Brasil quanto Beatles (‘Help’) e Rolling Stones (‘Satisfaction’)", observa Milton Luiz, subeditor do Pampulha.

A fase religiosa garantiu, com dois votos, o terceiro lugar, com "Nossa Senhora", oração em formato de canção. "Apesar de não seguir a religião católica, me sinto muito bem escutando esta música. Se colocar um desses padres cantores e o Roberto, acho que ele canta com mais sentimento", garante Ana Lúcia Damasceno, designer de jóias.

Ainda que em seus discos Erasmo também tenha gravado músicas assinadas com Roberto, a preferência do público aponta para as canções popularizadas pela voz do amigo. Para Paulo César de Araújo, Roberto é rei, mas sua história não se separa da de Erasmo. "O Roberto é o cantor mais popular da música brasileira e o Erasmo não pode acompanhar isso. Mas, como parceiro e amigo, ele é fundamental por causa do equilíbrio que traz. Talvez a obra do Roberto seria muito mais melosa e não teria tantas nuances se não fosse Erasmo", conclui.

Clique na imagem para ampliar

*Texto publicado na edição de 2/04 do Jornal Pampulha.

4 de abr. de 2011

Era 1958. Roberto, 17, precisava aprender a letra de "Hound Dog", da então sensação Elvis Presley para fazer o número de abertura do show que Bill Haley, outro sucesso do rock nascente, faria no Rio de Janeiro. Numa época em que os LPs ainda não traziam encarte com as letras de músicas - isso só viraria padrão nove anos depois, com os Beatles - e que usar a internet e o Google para encontrar qualquer informação era uma realidade que não se sustentava nem na imaginação, sugeriram ao cantor em início de carreira que procurasse Erasmo, também 17, carioca da Tijuca e colecionador de toda sorte de material sobre o rapaz americano que escandalizava com o movimento dos quadris.

Por pouco, o encontro não foi em vão. Roberto conseguiu a letra, mas não apresentou a música: menor de idade, foi proibido de subir ao palco. Bill Haley viu sua carreira esfriar. Elvis morreu (há quem diga que não). Mas Roberto e Erasmo deram ali o primeiro passo para uma amizade que se desdobraria em uma parceria musical que especialistas não hesitam em caracterizar como a mais bem-sucedida da música brasileira, comparável à da dupla Lennon/McCartney. Foram 500 composições assinadas em conjunto desde a inaugural "Parei na Contramão", muitas das quais escaparam ilesas do teste do esquecimento para se tornarem sucessos definitivos, como não se cansam de repetir por aí.

No ano em que os dois Carlos chegam aos 70 anos (Roberto no próximo dia 19 e Erasmo em 5 de junho) e anunciam a retomada dessa parceria - desde 2003 não há uma música inédita escrita pela dupla - o Pampulha foi buscar em fãs e estudiosos pistas que expliquem a parceria bem-sucedida da dupla.

Não é tão simples. A longevidade e a força da parceria resulta de uma fórmula que se sustenta na harmonia das afinidades e, ao mesmo tempo, no equilíbrio das oposições de cada um deles. "Eles têm uma química perfeita. O Roberto tem uma formação e uma sensibilidade bem mais romântica, diferentemente do Erasmo, que tem sensibilidade mais roqueira. Isso acabou resultando no que é conhecido como balada romântica. Se os dois fossem só roqueiros ou só românticos, talvez não funcionasse bem", argumenta Paulo César de Araújo, historiador e autor de "Roberto Carlos em Detalhes", biografia de Roberto lançada em 2006, mas recolhida das livrarias a mando do Rei.

A diferença na formação encontra paralelo nas personalidades distintas, evidenciadas em suas obras individuais. Enquanto, no correr dos anos 1970, Roberto deixava transparecer na música sua faceta religiosa, para muitos sinônimo de conservadorismo, Erasmo escrevia, sozinho, canções de teor mais libertário, como emancipação feminina a questões de sexualidade. "Erasmo nunca levou sua música para esse lado (religioso). No entanto, tocou em temas jamais abordados por Roberto, talvez pela polêmica que suscitavam, como na ótima ‘Close’, onde fala da modelo Roberta Close, a mais famosa transexual brasileira", observa o mestre em sociologia pela UFMG Daniel Martins.

Por outro lado, ambos cresceram fãs de Elvis e admiradores de João Gilberto, torcedores do Vasco e leitores das mesmas revistas em quadrinhos, e desenvolveram aptidões semelhantes. "Ambos fazem música e letra, diferente de Tom e Vinícius, por exemplo. Vinícius fazia a letra e Tom, a música. Roberto e Erasmo têm habilidades próximas, isso contribuiu para a longa produção da dupla", pontua Paulo César.

Nem por isso essas habilidades tenham sempre sido usadas em conjunto. "As músicas são assinadas pelos dois, mas quando é no disco do Erasmo, tem cara de Erasmo, e quando é no disco do Roberto, tem cara de Roberto. Existem boatos de que muitas músicas foram feitas ou por um ou por outro, mas é evidente que, provavelmente, as melhores foram feitas pelos dois juntos", diz o autor de "Como Dois e Dois São Cinco" (Ed. Boitempo), o jornalista e crítico de música Pedro Alexandre Sanches, ressaltando um mistério propício a mitos da música do porte da dupla.

Não chega a ser, no entanto, um método atípico. É bem semelhante ao que fizeram John Lennon e Paul McCartney, outra parceria sem precedentes na história da música. Apesar de terem assinado juntos a imensa maioria das canções dos Beatles, muitas das vezes os ingleses compuseram sozinhos, imprimindo suas personalidades às músicas. Mas o paralelo não para por aí, dando mais pistas da representatividade da parceria. Nos dois casos, ambos conheceram-se na adolescência e, juntos, criaram clássicos. Ao menos na América Latina, a dobradinha Roberto-Erasmo vendeu mais discos que Lennon-McCartney. Como observa Paulo César em seu livro, o Brasil talvez tenha sido o único país no qual, nos anos 1960, os Beatles não foram os principais ídolos e vendedores de discos. Tiveram que dividir o mercado com os sucessos de Roberto e Erasmo.

"Não existe outra dupla de compositores tão fortes e conhecidos como eles. A obra é enorme, com fases distintas. Tem uma discografia respeitável e sucesso pelo mundo", afirma Fernanda Takai, do Pato Fu, que, na sua história com a obra da dupla, guarda na memória os filmes que via na "Sessão da Tarde" estrelados por Roberto, nos moldes do que também fizeram os Beatles.

China, da banda Del Rey, que faz releituras da dupla, corrobora com a comparação. "Eles são nossos garotos de Liverpool. Um completa a obra do outro, do mesmo modo que Lennon completava McCartney, e vice-versa. O Roberto completa a obra do Erasmo por ser o intérprete que é, e o Erasmo completa Roberto com as letras e as belas sacadas poéticas".

Parceria é retomada aos 70

No ano em que completam 70 anos, Roberto e Erasmo devem voltar a escrever juntos. As possíveis novas composições em dupla devem constar no repertório do disco de inéditas que Roberto espera lançar até o fim do ano. Prometido pelo Rei desde 2008, o álbum de inéditas será o primeiro de Roberto em oito anos. Antes, chegam às lojas o CD e o DVD que registram o show feito em 2009 no Maracanã, em comemoração aos seus 50 anos de carreira. O lançamento está previsto para o Dia das Mães, ainda que produtos pirata da apresentação circulem na internet e nos camelôs desde sua realização.

Os 70 anos de Roberto devem ser comemorados no palco, com show no próximo dia 19, data de seu aniversário, em Vitória, no Espírito Santo. Belo Horizonte também deve assistir o Rei ao vivo ainda este ano. Segundo o produtor Lúcio Oliveira, da ArteBHZ, Roberto se apresentará na cidade no segundo semestre, no Mineirinho.

Erasmo finaliza a produção do disco sucessor de “Rock´n´Roll”, de 2009. O novo trabalho, que será lançado em maio, tem produção de Liminha e duas parcerias com Nelson Motta (“Vênus e Marte” e “Sem Dizer Adeus”). O Tremendão também deve se apresentar ao lado de convidados em um show em comemoração aos seus 70 anos, ainda sem data definida.

Leia mais aqui.

*Texto publicado na edição de 2/04 do Jornal Pampulha.

8 de jun. de 2009

Além de Roberto, o "outro Carlos", o Erasmo, também completa 50 anos de carreira neste ano. Para comemorar, Erasmo lança o disco de inéditas "Erasmo Rock 'n' Roll Carlos", que está disponível na íntegra no MySpace. O perfil do cantor no site, oficial e bem caprichado, também tem galeria de fotos e vídeos, como este do making of do disco.

Making Of "Rock 'N' Roll"
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