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17 de dez. de 2012


Nada de ~sertanejo universitário~ ou onomatopeias do tipo tchu, tcha, ai ai ai ou oi oi oi. Pelo menos na internet, o foco do brasileiro foi no hit meteórico "Gangnam Style". A música do sul-coreano Psy foi a mais buscada pelos brasileiros em 2012, segundo o Zeitgeist, relatório do Google que revela anualmente as tendências de pesquisas no site - uma espécie de retrospectiva das buscas na internet. Em todo o mundo, "Gangnam Style" foi o segundo termo mais pesquisado no ano (atrás apenas de Whitney Houston).

Foram necessários apenas quinze dias, em setembro, para que a música atingisse o pico de buscas pelos brasileiros e, consequentemente, o maior volume de pesquisas musicais no país em 2012.

Muito antes de sonharmos com a emergência do eletrônico cafona de Psy, porém, Adele reinava soberana nos ouvidos tupiniquins com "Someone Like You", lá para meados de abril, até começar a ser atropelada por hits nacionais: "Camaro Amarelo" (Munhoz & Mariano), "Vida de Empreguete" (da novela Cheias de Charme) e "Te Vivo" (Luan Santana). Nenhuma música, no entanto, em seu período de auge, no comparativo com "Gangnam Style", conseguiu atingir mais que a metade do volume de buscas obtido pelo sul-coreano.

Seguindo o ciclo de vida natural de muitos hits, todos já apresentam uma trajetória de queda, mas a música de Psy ainda mantém volumes razoáveis de busca ainda neste mês de dezembro.

O gráfico que fiz no Google Trends ilustra essas observações.


Nem outros dois megahits do ano (que, curiosamente, não aparecem na lista do Google, apesar dos altos volumes de buscas) tiveram forças para superar "Gangnam Style" nas pesquisas online. "Ai, se eu te pego", de Michel Teló (um dos dez artistas mais buscados no mundo segundo o Zeitgeist) vinha embalado pelo sucesso recente em 2011 e abriu janeiro com ritmo elevado de buscas, mas não maior que aquele que Psy obteria nove meses depois. "Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha", de João Lucas e Marcelo, começou a ganhar força depois daquele fatídico dia em fevereiro quando Neymar decidiu comemorar um gol fazendo a coreografia da música. O pico veio no mês seguinte, mas foi menos da metade de "Gagnam Style". O interesse pelos dois hits nacionais agora, em dezembro, é baixo nas buscas da internet conforme mostra a curva do gráfico.


No mundo, a supremacia de Psy é ainda mais contrastante. Em comparação com dois outros hits chiclete do ano, "Call Me Maybe", de Carly Rae Jepsen, e "What Makes You Beautiful", do One Direction, a curva que indica os volumes de buscas do sucesso sul-coreano é incrivelmente ascendente. Psy deve muito à Mongólia, país que mais pesquisou por sua música. A propósito, dos dez países que mais buscaram pelo nome da música, a maioria é asiática. Um hit mundial impulsionado por seus iguais, continentalmente.


21 de nov. de 2012



Ninguém pode dizer o quanto Psy e seu Gangnam Style vão durar no mundo da música. Mas os manda-chuvas da indústria fonográfica apostam que ele é o início de uma nova história no segmento: a invasão de artistas fora do eixo EUA-Inglaterra no topo das paradas mundiais, como aconteceu recentemente com o rapper farofa sul-coreano, que atingiu o número da Billboard (a parada mensura o mercado americano, mas ainda é de lá que muita coisa ecoa pro resto do mundo).

Relatório publicado neste mês pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI na sigla em inglês) sobre investimento em música por parte das gravadoras aponta que o setor considera ampliar os investimentos na carreira internacional de artistas de continentes que não frequentam as paradas mundiais. O principal exemplo mencionado é o K-Pop, o pop vindo do mesmo país de Psy, mas há uma menção genérica a mercados "emergentes", palavrinha mágica que imediatamente coloca o Brasil em cena. Não por acaso, Paula Fernandes é a única artista brasileira mencionada no relatório, justamente para exemplificar as ações promocionais voltadas para apresentar a cantora ao público fora do país. Paula andou por aí se apresentado ao lado do colombiano Juanes (em ação focada no público hispânico) e da norte-americana Taylor Swift (para o público de língua inglesa), conforme lembra o documento.

Se a estratégia da indústria vingar, poderá ser o começo do fim de décadas de domínio de artistas dos EUA no topo das paradas. Como reflexo da própria história da segunda metade do século XX, de 1955 até 2008, 76% dos 683 artistas que atingiram o número um da Billboard (que ditou e ainda dita muita coisa do que se ouve pelo mundo - mas não só nos dias de hoje, é bom reforçar) eram norte-americanos. As contas são feitas com base na compilação "Top Pop Singles", do historiador Joel Whitburn, que considera os artistas que atingiram o primeiro lugar no período mencionado (Psy foi incluído na lista por mim). Nesta tabela dá pra ver a lista de artistas por país e a quantidade de artistas por país.

A tão falada invasão britânica parece não ter sido tão ameaçadora assim e abocanhou apenas 12% do topo.  Os outros 12% são divididos entre artistas de outros 28 países (passe o mouse sobre o gráfico para identificar as fatias correspondentes a cada país).


A distribuição geográfica dos hits nº1, no mapa abaixo, mostra que desses 28 países restantes, a maioria se concentra na Europa (passe o mouse sobre os círculos para saber o país e a quantidade de números 1 que produziu). Canadá e Austrália, países de língua inglesa (apesar da porção canadense que fala francês), têm alguma repercussão. A América do Sul tem em Shakira a única representante a dominar o primeiro lugar da Billboard, feito que ocorreu após mudança na sua carreira, quando começou a cantar em inglês. Por sinal, isto indica que há uma outra barreira a ser quebrada, para além da geográfica: a linguística. Mas isso é outra história.





  
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