20 de jan de 2014

"Eu não vim pra explicar, eu vim pra confundir", Google Music Timeline

O Google lançou neste mês uma ferramenta que, de início, me pareceu fantástica, mas logo em seguido se mostrou ser bem #pegadinhadomallandrofeelings: a Music Timeline. Em resumo, é um gráfico que mostra a popularidade de artistas e gêneros musicais que lançaram discos a partir dos anos 1950. Como o nome sugere, essas informações são representadas graficamente em uma linha do tempo. E é aí que o Sérgio Mallandro surge na tela do seu computador e grita: rá! rá! pegadinha do Mallandro!

Se é uma linha do tempo, o mais natural é que você conclua que o gráfico está te contando uma história, falando do passado. Mas não está. Porque os dados usados pelo Google para mensurar a popularidade dos artistas são os do Google Play, ou seja, os dados do presente. Explicando melhor: a popularidade de artistas e gêneros foi calculada com base em quantos usuários do serviço possuem um álbum X. A marca temporal é apenas um referencial para identificar o ano de lançamento de um disco em questão e o período de atividade de um artista/banda.

Enfim, não é uma linha do tempo porque não conta a história da popularidade de artistas e gêneros ao longo do tempo, mas sim qual o grau de popularidade têm hoje diferentes artistas das últimas seis décadas (e mais: popularidade entre os usuários do Google Play). O Google até deixa isso bem claro no FAQ, mas não é todo mundo que vai parar para ler essas informações. E não adianta explicar se o gráfico (a apresentação, o nome do projeto) induz facilmente a outro tipo de interpretação. Batendo o olho, você acha que o Google está oferecendo uma história da música pop, mas, na verdade, é apenas um recorte dos hábitos musicais de um grupo determinado de pessoas.

Desfeito esse equívoco, a Music Timeline (por favor, mudem o nome disso) se torna um brinquedinho interessante pra quem é nerd de música (me). Vi, por exemplo, que o "Please Please Me" e o "A Hard Day's Night" são muito mais populares que o "Sgt. Pepper's" e "Revolver" entre os ouvintes que possuem discos dos Beatles. Que o Rage Against the Machine é classificado tanto quanto metal quanto alternativo. Que o metal farofa tem quase o mesmo nível de popularidade que o metal clássico. Vi também que os dados, apesar de dizerem respeito a um universo bastante específico de ouvintes, indicam quadros que podem ser generalizados ou frequentemente apresentados como certezas: que o hip hop atual ganha de longe em preferência dos usuários se comparado com o hip hop dos anos 1980; que a área visual que representa a popularidade dos Beatles se destaca em relação à dos demais artistas. E que o pessoal só quer mesmo ouvir o "Is This It" e não dá muita bola pro resto da discografia do Strokes. Nhé.

Para explorar o gráfico, é só clicar nas áreas correspondentes aos gêneros ou artistas ou fazer uma busca por nome na caixa no canto direito superior da página. É possível buscar por artistas brasileiros também. Em tese, daria para ouvir os discos dos artistas também, mas o serviço de streaming do Google Play ainda não está disponível no Brasil.

Conheça o projeto: http://research.google.com/bigpicture/music/#


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