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12 de nov. de 2012




O submarino amarelo foi reconstruído. Saem as placas em amarelo e laranja vibrantes, como pede a linguagem pop. Entram marimbas, pans e flautas, que em tons aquarelados redesenham a icônica imagem, uma das muitas associadas aos Beatles. A ilustração da capa do novo disco do Uakti, batizado simplesmente “Beatles”, revela o tratamento que o repertório dos fab four ganhou ao ser transportado para a peculiar linguagem instrumental do grupo mineiro: mais leveza, sem perder as estruturas essenciais. O público acompanha ao vivo este resultado de sexta (16) a domingo (18) no Palácio das Artes.

“A gente buscou uma relação mais fiel com temas e harmonias, foi até uma exigência que os próprios autores colocaram. Tem toda uma regulamentação para gravar Beatles. Mas tem muita coisa de improviso e de adaptação para os nossos instrumentos e isso possibilita timbres inusitados e ideias de arranjos que se diferenciam do original, mas sem perder o vínculo com a concepção das músicas”, resume Artur Andrés, ao falar do trabalho de criação dos arranjos, feito por Marco Antônio Guimarães.

O repertório, também escolhido por Marco, soma 16 músicas, todas pós-1966, quando os Beatles iniciaram a chamada fase de estúdio: abandonaram a barulheira das fãs nos shows para se dedicarem exclusivamente à gravação dos discos, o que resultou na grande guinada musical da banda. “Surgiram temas belíssimos e orquestrais, que inclusive era uma coisa nova para a época. O Marco Antônio optou por temas que tocaram ele mais”, completa Artur. Dentre estes temas, “A Day In The Life”, “Across The Universe”, “Golden Slumbers” e “Something”.
No show de estreia do trabalho, o trio vai ter companhia no palco. Para que seja reproduzido o que foi feito em estúdio, também vão participar das apresentações as esposas de Paulo (Josefina Cerqueira) e Artur (Regina Amaral) e os filhos de Josefina (Ian Cerqueira, guitarra) e de Artur (Alexandre Andrés, flauta).

Volume dois
Há mais material além do que foi registrado em estúdio, no entanto. Marco arranjou cerca de 25 músicas, num grupo que inclui também “Norwegian Wood”, “Because”, “Within you without you” e “Blue Jay Way”. Parte deste excedente vai entrar no repertório do show e, futuramente, as músicas não gravadas podem originar um segundo disco. “O ideal seria a gente ter gravado 14 músicas porque os direitos autorais encarecem muito o custo final do álbum. Colocamos forçosamente mais duas, mas nada impede de se gravar um segundo disco se a gente sentir que seria interessante expandir para outros temas”, diz Artur.

Nada impede também que a metade dos Beatles ainda viva, Paul e Ringo, tome conhecimento do trabalho. “A gente tem amigos em comum que podem ajudar. O Philip Glass (compositor norte-americano com quem o Uakti já gravou) já falou que, sendo amigo do Paul, pode passar pra ele. Talvez ele venha pra Belo Horizonte também e a gente consiga colocar na mão dele”.


Viagem inclassificável pela obra dos fab four
A obra dos Beatles já ganhou, no Brasil, uma longa série de releitura em choro. Sensação do Carnaval carioca, o Bloco do Sargento Pimenta transporta as músicas do quarteto para ritmo do Carnaval de rua, ditado pela percussão. A Orquestra Ouro Preto, assim como já fizeram algumas outras pelo mundo, traduz as canções para linguagem erudita. Lá fora, já virou objeto para uma banda de heavy metal, que une Beatles ao Metallica.

Em meio a esse apanhado de homenagens que perpetuam a já eternizada a produção do quarteto de Liverpool, “Beatles”, do Uakti, se diferencia por não levar a obra da banda para um universo musical demarcado. As melodias de alguns dos clássicos escolhidos para o repertório permanecem facilmente identificáveis, mas as regrava-ções transitam por climas variados.
É o caso de “Get Back”, originalmente rock puro que em seus cinco minutos no terreno do Uakti passeia por sons de flautas e de um berimbau de sete cordas para então retornar ao seu habitat natural com a entrada de uma guitarra para o solo final.

O violão melancólico e preguiçoso de “A Day In The Life” se transforma em sons doces com a marimba de vidro. “With A Little Help From My Friends” começa com uma introdução em tons mais graves para depois ganhar um ar festivo.

Assim como assinalou Artur Andrés, há espaço também para o improviso e para arranjos mais elásticos em relação aos originais, e isso se faz mais evidente em “Come Together” e “She's Leaving Home”. A viagem é múltipla e inclassificável.


Uakti
No show ‘Beatles’
Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, centro, 3236-7400). Dias 16 (sexta) e 17 (sábado), às 21h, e 18 (domingo), às 19h. R$ 60 (inteira)

*Texto publicado na edição de 10/11/12 do Jornal Pampulha

18 de set. de 2012

Liverpool é aqui. Pelo menos o será em novembro, a julgar pelo que está previsto na agenda de BH. Será neste mês que provavelmente o Uakti apresentará ao vivo seu novo trabalho, que consiste em adaptações de músicas dos Beatles para a sua peculiar linguagem instrumental.

E, lá no finalzinho do mês, no dia 29, começará a primeira BH Beatle Week, que segue até o dia 1/12 (é praticamente uma BH Beatle Weekend, né? rsrs). Presenças já confirmadas: Tony Bramwell (amigo de infância de George Harrison, braço direito de Brian Epstein e autor do livro de memórias "Magical Mystery Tours - Minha vida com os Beatles"), Lizzie Bravo (cuja voz está presente na gravação de "Across The Universe" e que prepara o lançamento do também livro de memórias "From Rio To Abbey Road") e a Orquestra Ouro Preto (que tem obras dos fab four em seu repertório).  

7 de mai. de 2011



“Uakti 4 Tempos” é como um instantâneo do passado em pleno palco. O espetáculo que o grupo apresenta neste sábado (7), no Palácio das Artes, às 21h, faz uma síntese dos últimos quinze anos do trio, ao mesclar repertório de seus quatro álbuns mais recentes. “A gente está junto há mais de trinta anos. É para revelar como os grupos musicais passam por várias estações”, diz Paulo Sérgio Santos sobre o conceito do show.

De “Trilobita” (1997) e “Águas da Amazônia” (1999), Paulo destaca as parcerias com o compositor norte-americano Philip Glass e projeção que o segundo trabalho deu ao grupo no exterior. Já “Clássicos” (2003) evidencia a ligação do grupo com a música erudita2003 e “OIAPOK XUI” (2005) reforça a musicalidade brasileira. Para Paulo, no palco, a síntese desses trabalhos demonstra que “o Uakti é um grupo ativo, temos vários projetos, estamos sempre trabalhando bastante”.

Para o fim do ano, o Uakti prepara um disco com versões de músicas dos Beatles e, para 2012, álbum e turnê nacional com a cantora Mônica Salmaso.

Uakti
7 de maio (sábado)
21h
Palácio das Artes
R$ 60,00 (inteira), R$ 30,00 (meia-entrada)
Informações: (31) 3236-7400
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