3 de ago de 2012


Olhar para trás tem sido um movimento comum na música neste início de século. Reunião de bandas com atividades encerradas, relançamentos de discos clássicos, turnês comemorativas de décadas de aniversário. Os Titãs não fazem diferente e comemoram os 30 anos da banda com a turnê que leva novamente para o palco todas as faixas do disco “Cabeça Dinossauro”, lançado em 1986. BH verá o show na próxima sexta (3), no Mix Garden.

Parte da turma que surfa na onda do revival pop, Tony Bellotto, guitarrista da banda, admite ver com ambiguidade essa tendência, mas resguarda o papel dos Titãs na história. “Como fã, eu gosto da ideia de uma banda tocar músicas de um determinado disco, mas por outro lado também pra fazermos esse show foi uma oportunidade de comemorarmos os 30 anos. Às vezes, me parece meio uma ideia passadista, de uma banda se apegar ao passado quando não tem mais o que dizer, o que não é o nosso caso”, argumenta.

Não é mesmo, pois há razões maiores para a comemoração. Desde os anos 1990 considerado o melhor disco dos Titãs e um dos melhores do rock brasileiro, “Cabeça Dinossauro” virou o jogo com o passar dos anos. À época do lançamento, o público acolheu bem o disco, que em menos de um ano vendeu 250 mil cópias. Mas, numa época em que o país já acumulava um histórico de canções de protesto e a consequente queda de braço com a censura, as rádios se autocensuraram, rejeitando faixas com teor provocativo e que atacavam instituições como “Polícia”, “Igreja” e “Família”, conforme comentários dos músicos em entrevistas daquele período. A crítica também se confundiu diante de faixas com sonoridades tão distintas como “Homem Primata” e “Bichos Escrotos” e enquadrou o disco em categorias díspares, como MPB e rock pesado.

“Era mais uma esquizofrenia da crítica. Quando a gente começou, nos anos 1980, já havia artistas dos anos 1970 como Raul Seixas, Rita Lee, e mesmo assim foi muito difícil para a crítica aceitar que o rock brasileiro tinha personalidade e relevância. Sempre foi mais fácil pra crítica entender o que era MPB e Bossa Nova. Havia um certo preconceito em relação ao rock brasileiro, mas com o tempo foi mudando e a gente foi ganhando respeito e compreensão”, avalia Tony.

Para Tony, o disco é uma referência para quem faz rock hoje no Brasil, mas quem absorve o espírito de “Cabeça Dinossauro” canta em outro ritmo. “O rap de hoje em dia contém muito mais essa linha de protesto, até mais que as bandas de rock propriamente ditas. Tudo o que se faz no Brasil hoje de mais representativo, em termos de posicionamento, é no rap. O rock brasileiro está acontecendo no rap brasileiro”, teoriza.

Essência
O show tenta prolongar a essência do disco agregando ao repertório outras músicas da carreira da banda que “são mais pesadas ou mais virulentas ou mais combativas”, diz o guitarrista, como “Vossa Excelência” e “A Verdadeira Mary Poppins”.

Ainda em comemoração aos 30 anos de banda, os Titãs – hoje Branco Mello, Sérgio Britto, Paulo Miklos e Tony –, devem se juntar aos ex-membros para uma turnê em seis capitais brasileiras. Segundo Tony, Charles Gavin e Arnaldo Antunes já confirmaram presença. Nando Reis ainda depende de disponibilidade de agenda. Mas, como o próprio Tony garante que os Titãs não vivem de passado, em 2013 deve sair o novo disco da banda. “Vamos mostrar que a banda continua andando pra frente. Tem que ser um disco que contenha a nossa fúria, é o que estamos procurando".

Titãs
No show “Cabeça Dinossauro”
Mix Garden (rua Projetada, 65, Jardim Canadá, 2532-8201). Dia 3 (sexta), às 22h. R$ 180 (masculino) e R$ 160 (feminino).

*Reportagem publicada na edição de 28/7 do Jornal Pampulha

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