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O que eu trouxe na bagagem da Colômbia

A(s) pergunta(s) que eu não fiz para Steve Aoki

14 de fev. de 2014

Alice só quer saber de carnavalizar a obra do avô Dorival

Esqueça purismos, reverências, mitificações e relações sacralizadas. Elas não cabem em “Dorivália”. Fusão de Dorival com Tropicália, o show de Alice Caymmi, neta de Dorival (1914-2008), que aporta no Granfinos no próximo sábado (15), vira as costas para os padrões e aponta para a liberdade estética para celebrar o centenário do compositor baiano - se vivo, ele faria 100 anos no próximo 30 de abril.

“Canção da Partida”, “Modinha Para Gabriela”, “Maracangalha”, “Oração de Mãe Menininha” e “O que é que a baiana tem?”, dentre outras composições do avô selecionadas pela memória afetiva de Alice surgem no repertório de “Dorivália” com novos arranjos, fundamentalmente de ritmos baianos como o axé, o samba reggae e o samba duro, mas também combinados com o peso da guitarra e a estridência do violino.

É um grito de liberdade e de transgressão inspirado no movimento fundado por Caetano e companhia nos anos 1960, segundo Alice, que pediu aos músicos que a acompanham (Gabriel Mayall, na guitarra, Gustavo Benjão, no baixo, Marcelo Lupis, no violino, Thiago Silva, na bateria, e Pacato, na percussão) que ignorassem o songbook de Caymmi na hora de retrabalhar as canções.

“Eu trouxe um conceito do tropicalismo para a obra dele (Dorival Caymmi) que é a antropofagia cultural, a liberdade de se interpretar uma obra sem saudosismo, sem purismo, sem burrice. Não quis ficar pensando na importância da obra do vovô em si, mas na importância que a obra dele tem pra mim, as coisas que ele me disse e que ele cantou, que me tocaram”, justifica.

Porém, mais que um impulso pessoal, a liberdade de interpretação, para Alice, é uma marca geracional, o que a coloca em lado oposto ao do próprio tio, Dori Caymmi. Em entrevista ao Pampulha< em dezembro de 2012, por ocasião de um show em homenagem à obra do pai, Dori defendeu a execução fiel das canções e disse não acreditar em releituras. “Esse homem tem 71 anos e eu tenho 23. Os mundos que nós frequentamos foram outros. Ele é um homem da época da pureza da música, ele estava lá, aprendeu a tocar violão com o Baden Powell. Ele faz o que quiser porque é um gênio”, reflete, para então teorizar sobre a questão geracional. “A minha geração só sabe reler. A genialidade da minha geração está na releitura e na interpretação subjetivas da obra que já foi. Quem tenta fazer igual, não faz. Fica parecendo um hippie chato”, defende.

Querendo fugir da chatice, a liberdade que fundamenta o show também se manifesta na performance de palco, lembra a cantora. “Falei para os meninos da banda não usarem camisa no show. Um deles brincou que era gordinho, e expliquei que o ‘Dorivália’ é você se mostrar e dane-se. Eu não sou modelo da Vogue e uso maiô no show porque o ‘Dorivália’ é isso, é transgressão”, reforça Alice, que demonstra o mesmo descomprometimento com convenções quando o assunto são os projetos que vão comemorar os 100 anos do avô – a família planeja o lançamento de uma caixa com a discografia completa de Dorival e a edição de livros e songbook. “Eu ouço falar e tal, mas não tenho a menor participação nisso. Eu vou a lançamentos porque tenho respeito, porque é minha família, mas não diz respeito a mim.”

Alice Caymmi – Dorivália
Encerramento: bloco Baianas Ozadas
Granfinos (av. Brasil, 326, Santa Efigênia, 3241-1482). Dia 15 (sábado), às 22h. R$ 30 (promocional, inteira)

*Texto produzido para o jornal Pampulha de 8/2/2014
Combo Katinguelê + Exaltasamba + Art Popular

O rock já está razoavelmente acostumado com os supergrupos. Os fulanos das bandas X, Y e Z se juntam e dão origem a um combo badalado. Caso do Atoms For Peace (Flea + Thom York + Nigel Godrich) e do Dead Weather (Jack White +  Alison Mosshart  + Dean Fertita). Agora é a vez do pagode entrar na onda.

Salgadinho, Chrigor e Márcio Art, representantes, respectivamente, do Katinguelê, Exaltasamba e Art Popular, três dos gigantes do pagode que dominou o cenário musical do Brasil nos anos 1990, lançam hoje o projeto Amigos do Pagode 90. Eles abrem em São Paulo uma turnê que pretende atravessar 2014 e durar até 2015.

Em entrevistas, o trio fala em resgatar "a era de ouro do pagode", diferenciando-se dos supergrupos tradicionais que, normalmente, se juntam para produzir material novo. É que, de fato, o projeto inevitavelmente nasce embalado pelo revival da década de 1990 (natural sucessora na fila da memória nostálgica, agora que já está virando ressaca o revival oitentista) e, em particular, do pagode noventista, que ganhou recentemente aquela graça do filtro retrô - vide o Raça Negra ganhando tributo indie e o Molejo virando queridinho na internet.

Além da turnê, foi lançado single com um pot-pourri de sucessos de cada um dos grupos: "Temporal" (Art Popular), "Recado à Minha Amada" (Katinguelê) e "Telegrama" (Exaltassamba). A promessa é de que virá mais coisa por aí.


13 de fev. de 2014

Foco nas trancinhas à la Snoop Dogg

Já faz um tempinho que os anos 1990 estão novamente entre nós, num revival progressivo da cultura e da moda daquela década. A Semana de Moda de Nova York, que dá o pontapé na temporada fashion, deu um jeito de unir essas duas vertentes e apresentou como tendência as trancinhas que Snoop Dogg e Coolio tanto usaram em seu auge nos anos 1990. O penteado foi a referência para os cabelos das modelos que desfilaram a coleção do estilista Adam Selman.

"Há elementos de streetwear dos anos 1990 nas roupas e isso traz junto uma série de referências musicais. Snoop Dogg foi uma delas", explicou à Vogue o hairstylist Duffy, responsável pela beleza do desfile de Selman.

Enquanto isso, no Japão
Madonna, que nunca sai de moda e sempre é tendência, anunciou nesta semana uma linha de produtos de beleza com a sua assinatura, a MDNA Skin. A cantora elucidou, assim, o misterioso post no Instagram feito há uma semana e que já sugeria alguma ação relativa à beleza. A linha é composta por serum facial, creme anti-idade e máscara de argila. Os produtos serão lançados mundialmente no próximo dia 23. Por enquanto, estão disponíveis apenas no Japão.

Madonna quer te ver bonitinha



Detalhe de"a premonição do É  o Tchan", uma das cenas da grande obra de Bosch


Uma usuária do tumblr gravou no piano as notas de uma partitura musical desenhada no bumbum de uma das figuras retratadas em "O Jardim das Delícias Terrenas", famosa obra do holandês Hieronymus Bosch pintada em torno de 1500.

No post, ela conta que analisava o quadro com um amigo quando notou o detalhe das notas musicais impressas no corpo de um dos pecadores pintados por Bosch no painel direito do tríptico - a obra retrata a criação do mundo ao centro, o paraíso à esquerda e o inferno à direita.

Após verter a partitura para a notação moderna e fazer a gravação ao piano, ela definiu o resultado como uma "música do bumbum dos infernos de 600 anos". Se ela fosse brasileira, certamente teria dito que foi uma premonição de Bosch sobre o advento do É o Tchan. Ouça o resultado aqui.

12 de fev. de 2014

Vida longa às inimigas e aos gênios anônimos da internet


Não fosse a falta de tradição no Brasil de lançar singles para venda no mercado, e não fossem também as complicadíssimas leis que regem os direitos de marca e direitos autorais, eu acho que Valesca Popozuda deveria fazer um relançamento de "Beijinho no Ombro" só para poder usar como capa a imagem acima que circulou hoje pelo meu feed do Facebook. Simples e genial.

Tão simples e tão genial que a sacada revela a razão de tanto recalque nesse mundo: subliminarmente, esse sentimento que virou tendência em tempos de internet habita a cozinha de nossas casas há décadas e é com ele que temos nos alimentado nesses anos todos. Beijinho no ombro pra vocês, geração nutrida à base de aveia Rekauq.

11 de fev. de 2014

Morrissey é uma palavra de nove letras e um homem de muitas palavras 


Vegetariano mais que ferrenho e mais que militante, Morrissey escreveu nesta semana uma carta aberta aos príncipes Harry e William para criticar uma recente viagem de caça dos dois irmãos, ocorrida logo após a dupla participar de um evento que clamou pelo fim da caça ilegal. A princípio, nada de novo até aí. Esta foi só mais uma das várias cartas abertas que Moz costuma escrever a torto e a direito, com aquele jeitão amargurado e rasgado que a gente tem preguiça, mas no fundo adora.

O fato é que são tantas cartas escritas até hoje que talvez seja hora de começar a levar a sério esse material. Tipo, fazer um tumblr. Ou editar um livro (menos talvez). Ou tipo, brincar de imaginar um disco solo do Morrissey só com músicas escritas a partir dos títulos que ele dá para as cartas, já que elas carregam aquela alma singular dos nomes das músicas dos Smiths. Olha só:

"The story is old, I know, but it goes on" - Sobre a viagem de caça de Harry e William
"Oh Lou / Why did you leave us this way?" - Por ocasião da morte de Lou Reed
"The world won’t listen" - Xingando muito os carnívoros
"If I by chance your eye offend you" - Desculpa melosa para o cancelamento da tour sul-americana do ano passado
"Margaret Dale" - Homenagem a uma fã de longa data falecida em 2013
"Surely how I feel is not nothing?" - Anti-homenagem a Margaret Thatcher, também falecida em 2013
"Thankskilling" - Fúria pura contra Obama e os perus do dia de ação de graças
"Hats are not worth killing for: guards wearing real fur reflects the human spirit at its lowest" - Uma encrenca com os chapéus de pele usados pela guarda real britânica

Não parece uma playlist dos Smiths?

Fãs de Michael vão ser indenizados pela morte do ídolo

Ei, você que tem um ídolo no mundo pop. Foco na França, que acaba de instituir um novo grupo passível de indenização. Um grupo de 34 fãs de Michael Jakcson composto por franceses, belgas e suíços, vai receber por ordem da justiça uma indenização por danos afetivos em função da morte do rei do pop, ocorrida em 2009. 

Um tribunal de última instância de Bordeaux condenou o médico que tratava do cantor, Conrad Murray, já condenado a quatro anos de prisão pela morte de Michael, a pagar a simbólica quantia de 1 euro ao grupo de fãs em função dos danos afetivos provocados pelo incidente que tirou a vida do astro. O tribunal francês entendeu, por meio de depoimentos e atestados médicos apresentados como provas, que houve, de fato sofrimento decorrente do episódio.

Segundo o advogado do grupo, caso a quantia em dinheiro não seja requisitada, o status de vítima atribuído aos fãs pela decisão judicial pode permitir que eles façam um requerimento para visitar o túmulo de Michael Jackson, cujo acesso ao público é proibido. 

Já posso pedir minha indenização pelo fim dos Beatles?

10 de fev. de 2014

Esta moça está patinando AND dançando uma música do Prince

Não foi só o Daft Punk que "deu as caras" (por intermédio de um pitoresco coral de policiais) nas olimpíadas de inverno realizadas em Sochi, na Rússia. O pop foi parte da trilha sonora das competições de patinação artística que ocorreram neste fim de semana.

Peças eruditas (principalmente nas apresentações solo masculina e feminina) e o foxtrot (principalmente nas apresentações de duplas mistas) são ainda gêneros dominantes para dar ritmo aos atletas, mas alguns patinadores optaram por temas pop para executar suas rotinas.

Teve "November Rain", do Guns (escolha da dupla alemã Maylin Wende e Daniel Wende), "Smooth", superhit do início dos anos 2000 do Santana com o Rob Thomas, e "Skyfall", da Adele (ambas escolhas da dupla norte-americana Marisa Castelli e Simon Shnapir). Teve ainda "Paint it Black", dos Rolling Stones, opção da chinesa Kexin Zhang, "The Question of U", do Prince, trilha da francesa Mae Berenice Meite e "Shine On You Crazy Diamond", trilha da norte-americana Ashley Wagner.

Infelizmente, os vídeos dessas apresentações não caíram no YouTube como desejado (só tem vídeos das apresentações da prodígio russa Yulia Lipnitskaya, 15, que ajudou sua a equipe a levar o ouro com uma coreografia ritmada pelo tema de "A Lista de Schindler", executado por John Williams). Mas consegui recuperar vídeos de algumas dessas coreografias em competições anteriores. Abaixo, na ordem, botando os patinadores pra dançar na pista de gelo: Rolling Stones, Prince e Pink Floyd.


"Paint It Black", Rolling Stones

"The Question of You", Prince

"Shine on You Crazy Diamond", Pink Floyd



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