3 notas sobre a morte de David Bowie

O que eu trouxe na bagagem da Colômbia

A(s) pergunta(s) que eu não fiz para Steve Aoki

31 de mar. de 2012

Com a promessa de suprir a lacuna de casas de shows de médio porte em Belo Horizonte, o Granfinos reabre as portas neste sábado (31), reformado e com capacidade para 800 pessoas, após ficar fechado por cerca de um mês. Quem faz o show de estreia da nova fase do espaço é o cantor e compositor Lula Queiroga, que lança seu novo disco, “Todo Dia É O Fim do Mundo”, com participação especial do conterrâneo Otto (leia mais abaixo). “O Lula tem a cara do conceito geral da casa, essa nova frente de música brasileira contemporânea e moderna”, compara o produtor Kuru Lima que, da Cria! Cultura, empresa que cuidará da gestão da casa a partir de agora.

O novo comando começa redefinindo a funcionalidade de cada um dos três espaços da casa, que antes eram tratados como uma coisa só, segundo Kuru. “A parte de baixo fica como pista de dança e lugar pra shows. Os dois mezaninos vão ser tratados como ambientes diferentes. Um tem uma coisa mais descolada e despojada, mais sofás, puffs, mesas de sinuca e o outro está sendo transformado em restaurante”, detalha. O espaço do palco também foi ampliado. Haverá ainda uma loja com produtos de músicos da cena mineira e um local para exposição de obras de artistas do Estado que será renovada a cada dois meses. O estreante é JB Lazzarini, com seus trabalhos influenciados pela pop art.

Quanto à agenda da casa, o desejo é preencher todos os dias da semana com atrações. Às segundas-feiras, as noites serão reservadas ao projeto “Cedo e Sentado”, parceria com o Studio SP (casa da capital paulista) e o Circuito Fora do Eixo (rede de produtores culturais das regiões sul, centro-oeste e norte) que deve unir artistas da nova cena musical brasileira a algum nome local, sempre em apresentações gratuitas. A princípio quinzenal, a primeira noite do projeto, nesta segunda-feira (2), terá a banda paraibana Cabruêra e os mineiros do 4Instrumental. As terças-feiras devem ganhar um perfil mais acústico, mas a programação só deve engrenar em maio. Sextas e sábados vão ter atrações mais variadas, “de uma festa eletrônica até um grande show de MPB”, e os domingos vão ser ou dia de gafieira ou dia de forró, em esquema de revezamento. A programação das quartas e quintas ainda está em processo de definição. “A reconfiguração do espaço em definitivo vai acontecer ao longo do mês”, retifica Kuru.

Apesar do olhar mais voltado para o que acontece na cena nacional, o Granfinos também pretende abrir as portas para atrações internacionais e já negocia com alguns nomes. “Cabe olhar especial para a cena latino-americana, eu digo até ibero-americana, porque tem muita gente de lá querendo fazer coisas no Brasil”, completa Kuru. O produtor garante que, apesar da Cria! Cultura, responsável pelo espaço, atuar no mercado de produção de shows e eventos na cidade – como o Conexão Vivo e Banda Mole, haverá abertura para que as demais produtoras da capital também negociem shows no Granfinos. “A gente deseja que isso seja uma possibilidade de potencializar todas as outras produtoras de BH. A casa está totalmente aberta a parcerias com elas”.

No fim do ano, a casa deve ser novamente fechada, por aproximadamente 20 dias, para passar por uma nova reforma, desta vez mais “estrutural”. Não há detalhes sobre essas mudanças.

Compositor convida Otto
Lula Queiroga acredita “há muito tempo” nas hipóteses de fim do mundo, mas foram visões bem reais num dia qualquer em Recife – um homem de terno falando em direção à calçada e uma mendiga obesa e grávida com um bebê no colo – que o inspiraram a compor sobre o fim dos tempos em “Todo Dia é o Fim Do Mundo”, seu quarto disco. O apanhado de canções que versam sobre o apocalipse cotidiano vai ser lançado na cidade pelo cantor e compositor pernambucano neste sábado (31) no Granfinos.

“Comecei a ver o sofrimento de algumas pessoas, que vivem dando duro o dia inteiro, a vida inteira. Todo dia é o fim do mundo pra elas. Essas duas visões me deixaram num estado intenso de sentimento e decidi mergulhar nisso”, conta.

O resultado, bem recebido pela crítica, que considera Queiroga um dos melhores compositores da atualidade, são canções com temática sombria, mesmo quando tratam de amor, mas que variam na musicalidade – há espaço para rock, samba e baladas que se destacam pela leveza.

“Todo Dia...” marca a continuidade do pernambucano na carreira musical, que se iniciou em 1983 com um disco gravado ao lado do parceiro Lenine e passou por um hiato de 18 anos, período no qual Queiroga dedicou-se à sua produtora de vídeo, uma das maiores do nordeste. Em 2001 ele retomou o caminho da música, com o lançamento de “Aboiando a Vaca Mecânica”. “Eu disse que só voltava a gravar alguma coisa minha quando não tivesse uma luz acesa dizendo a hora que eu tenho sair. Aí eu construí um estúdio e no dia seguinte comecei a gravar do jeito que achava que tinha que ser”.

Lula Queiroga/Reabertura Granfinos
Sábado (31), à 0h. Granfinos (Avenida Brasil, 326, Santa Efigênia). Ingressos: R$40 (inteira). Informações: 31 3284-0709

*Matéria publicada na edição de 31/03/2012 do Jornal Pampulha

27 de mar. de 2012


Considerado o precursor do choro, Ernesto Nazareth ganhou um site para celebrar seus 150 anos, que serão comemorados no ano que vem. É o www.ernestonazareth150anos.com.br

Além desta página, há uma outra, divertidíssima. Na http://www.ernestonazareth.com.br/ há um quiz musical, subdividido em três temas: choro, ritmos e instrumentos de percussão. Bem didático, ele explica conceitos musicais com áudios de Nazareth, vídeos e, obviamente, perguntas. Uma aulinha básica de teoria musical para quem, assim como eu, tem vontade de entender melhor a música nesse aspecto técnico.


26 de mar. de 2012

Sou da geração Escolinha do Professor Raimundo, aquela que assistia ao programa - cuja fórmula foi copiada à exaustão mas nunca com a mesma qualidade - nos fins de tarde antes da Globo criar "Malhação" (sou dessa geração também). Por isso, minha referência de Chico Anysio é basicamente essa, apesar de tê-lo assistido em formato stand-up aqui em BH em 2010 e da minha mãe, sua fã, sempre ter comentado comigo sobre os famosos personagens que figuravam em Chico City.

Surpresa boa foi descobrir, em meio à revisão da carreira do artista em função de sua morte, na última sexta, o personagem Baiano, um dos vários que criou. Inspirado em Caetano Veloso, ganhou vida ao lado do também humorista Arnaud Rodrigues, formando assim a dupla Baiano e Os Novos Caetanos, uma sátira aos tropicalistas. Muito mais que imitar os trejeitos e o visual dos músicos do movimento, a dupla compôs, gravou e lançou quatro discos entre 1974 e 1985. Como colocar música no meio da história é flecha certeira para me pegar de jeito, não preciso dizer que adorei os personagens.

Passei a tarde de domingo ouvindo ouvindo as músicas da dupla, que misturam a atmosfera tropicalista, uma vibe meio bicho-grilo, rock rural e elementos da música nordestina. Surpresa melhor ainda foi perceber que uma música feita a princípio pra fazer graça é seriamente boa. Baiano e Os Novos Caetanos merecem um verbete no Cravo Albim.

No vídeo abaixo, os personagens estão em ação em uma cena de Chico City, mas dá para ouví-los em disco no YouTube e nos downloads da vida.



Em tempo
Ao longo desta semana, lá no mostratuacapa.tumblr.com, meu tumblr de capas de discos nacionais, vou postar as capas dos discos da dupla.

12 de mar. de 2012



Honrando seu jeito rasgado de se expressar, Morrissey soltou a língua na turnê sul-americana que terminou ontem (11), em São Paulo: na Argentina, defendeu as Malvinas no conflito com os ingleses, colocou os músicos de sua banda para usar camisetas com os dizeres "Odiamos William e Kate"; no Rio, acusou o príncipe Harry, que visitava a cidade no mesmo dia, de querer apenas o dinheiro dos brasileiros.

As estripulias de Moz ecoaram em sua terra natal e alimentaram um breve debate promovido pelo jornal The Guardian. Um escritor e um crítico cultural inglês discutem o aparente paradoxo entre a importância que o ex-líder dos Smiths tem para a música de seu país e a rejeição que ele sempre demonstra por valores nacionais. Pra quem gosta dessas "cabeçudices", muito bom. Leia aqui.

28 de fev. de 2012

Partindo dos 70 anos de Bob Dylan e do Paul, o Guardian publicou dia desses um artigo em que atribui um novo status ao rock: música do envelhecimento. Além da idade avançada de dois de seus grandes medalhões, o texto faz referência a um trecho da entrevista de Paul à Rolling Stone EUA na edição de fevereiro, no qual ele chama o pessoal do Foo Fighters (cuja média de idade dos membros é de 43 anos) de "kids" (garotos). Em suma, tenta mostrar que quem faz rock hoje não é mais gente tão nova assim como o foi desde o início.

O fato é que, quanto mais o tempo passa, mais distante e frouxa fica a mola propulsora do rock lá nos anos 1950: já não é tão necessário assim meter o pé na porta para externar a rebeldia e o desejo . Os jovens hoje são mais livres, a educação é mais flexível, a adolescência já é uma faixa etária reconhecida e percebida e o mundo já aceitou que os adolescentes são "rebeldes" por natureza (até certo ponto).

As rugas de Paul, Dylan e seus 70 anos nas costas reforçam a ideia de que toda aquela magia que transitou entre os anos 1950 e 1970 pertence mesmo ao passado, apesar da perenidade de suas obras musicais. E o rock passou de transgressor a música "séria", estudada como fenômeno social pela academia, executada por orquestras e alguns de seus principais representantes alçados a grandes gênios do século XX (mais uma vez, Dylan e Paul, ao lado dos Beatles, servem como exemplo).

Só fico imaginando se ainda é possível assistirmos a um fenômeno semelhante nos próximos anos. Arrisco que não. Com a influência do mercado musical amortecida pela despolarização, pluralidade e efemeridade que a internet traz, fenômenos com essa uniformidade e perenidade parecem não ter mais tanta expectativa de vida. A internet ganha muitos pontos em abrangência, mas também impõe certa transitoriedade.

Enfim, o rock amadureceu até aquele ponto em que não dá mais para esconder a idade. Até aquele ponto em que o ritmo do tempo é um para o envelhecido e outro bem mais rápido para o mundo ao seu redor. E isso não é saudosismo ou lamentação. É só constatação. A vida segue e a música também.



27 de fev. de 2012

Mais uma filha na família das listas de 1001 itens indispensáveis para se conhecer ainda vivo. A mais recente integrante da família é a página 1001 videoclipes para ver antes de morrer. A lista, ainda em construção (140 clipes foram lembrados até agora), é de iniciativa de um brasileiro, João Paulo Porto, um professor de inglês de Campina Grande (PB).

A indicação de cada vídeo é caprichada, com textos sobre os artistas e a produção dos clipes em questão. O pecado - por enquanto e ao meu ver, uma admiradora de videoclipes - é focar na produção internacional. É certo que os gringos dominam a linguagem desse tipo de produto e são os criadores de alguns dos clipes mais memoráveis, mas uma lista desta vastidão pode dar conta também de fazer um traçado da produção nacional, que tem lá seus pontos representativos: os clipes feitos para (e pelo) Fantástico, as produções pensadas para a MTV, os clássicos que Skank e Paralamas, duas bandas que investiram muito em clipes, fizeram durante os anos 90.

Por enquanto, Raul Seixas, com "Gita", é o único do time nacional na seleção. Mas, como disse, a lista ainda está em construção, bem no começo. Ainda tem muito clipe pra rodar.

Vá lá: http://1001videoclips.com/

21 de fev. de 2012

Quem visita este blog com certa frequência sabe que sou uma espécie de esquizofrênica musical. O samba (e o Carnaval), obviamente, entra nesse mexidão musical que entra pelos meus ouvidos. Mas fiz essa seleção pensando em quem não consegue sequer ouvir falar em Carnaval. São músicas cujo título leva o nome da festa. Será que ao menos assim vocês reconsideram a data? rsrs    








20 de fev. de 2012

A frase do título deste post foi constantemente repetida na S.E.N.S.A.C.I.O.N.A.L, festa pré-carnaval de BH cuja terceira edição aconteceu no sábado, dia 11, na Praça da Liberdade. Sinto que é a verbalização de um sentimento de triunfo diante do bom andamento do movimento de ocupação dos espaços públicos da cidade, que começou com a Praia da Estação e tem seu grande auge nos dias de Carnaval, quando os blocos de rua, parte deles nascidos há no máximo três anos, festejam em alguns bairros da cidade.

Análises à parte, o fato é que fiz uma alusão da frase "BH é amor" com "Não Existe Amor Em SP", do Criolo, e saí da festa sentindo a urgência de uma "resposta" musical aos versos do paulista. E não é que gente com muito mais talento que eu pensou o mesmo e escreveu a música? "Se Falta Amor em SP" convida todo mundo para vir a BH, em ritmo de samba. A autoria é do Renato Villaça e do Rafael Azevedo.

Tecnologia do Blogger.