3 notas sobre a morte de David Bowie

O que eu trouxe na bagagem da Colômbia

A(s) pergunta(s) que eu não fiz para Steve Aoki

26 de dez. de 2012


O mundo não acabou, 2012 também não (quase), mas este blog só quer saber de 2013. Por isso, ao contrário dos anos anteriores, uma tentativa de retrospectiva (que fiz de alguma forma no Data Música aqui e aqui) vai dar lugar a algumas perguntas que podem encontrar respostas no ano que em breve começará. São cinco, que entrarão no ar ao longo da semana. Voilá:

O Planet Hemp aumentou a lista de bandas que se reuniram; quem vai fazer o mesmo em 2013?

2)Reuniões de bandas, turnês comemorativas de décadas de carreira e de discos icônicos. O saudosismo vai continuar ampliando seu espaço na música?
Planet Hemp, Pulp, Black Sabbath e Stone Roses voltaram a tocar este ano depois de deixarem de existir. Blitz, Titãs, Barão Vermelho e Rolling Stones fizeram shows e turnês badalados alusivos a uma efeméride de suas carreiras ou de algum disco significativo. Até Rouge e É o Tchan entraram na onda e esboçaram um retorno. E ainda tem os hologramas, assunto do post anterior, que trazem de volta o passado em outros termos. O fato é que o rock já é um sujeito velho, quase na terceira idade, e somando isso à nossa tendência de revisitar o passado com mais benevolência e deslumbramento que o presente, o que um dia foi clássico está ficando mais clássico ainda (porque é mais passado do que já foi um dia) e, portanto, mais suscetível à nossa veneração. Pronto. Estamos a um passo de entrar num círculo vicioso que pode transformar a experiência musical num eterno retorno enquanto o presente passa diante dos nossos olhos - e só iremos perceber o quanto esse presente é legal o dia que ele for passado e lá estaremos nós perpetuando o saudosismo no futuro. Vixe. História e memória são fundamentais para dar forma ao que somos hoje e o que seremos um dia, mas talvez seja a hora de usar um pouco o freio quando o assunto é música.

PS: Simon Reynolds, crítico inglês, já alertou para isso em seu último livro, "Retromania - Pop Culture's Addiction to It's Own Past", leitura que me obrigo a fazer em 2013.
O mundo não acabou, 2012 também não (quase), mas este blog só quer saber de 2013. Por isso, ao contrário dos anos anteriores, uma tentativa de retrospectiva (que fiz de alguma forma no Data Música aqui e aqui) vai dar lugar a algumas perguntas que podem encontrar respostas no ano que em breve começará. São cinco, que entrarão no ar ao longo da semana. Voilá:

Cazuza vai ser o primeiro holograma de 2013 em solo brasileiro

1)Os hologramas vão se firmar como possibilidade para o mercado de shows?
Foi um furdunço quando Tupac "reapareceu" em forma de holograma no show de Snoop Dogg durante o Coachella, em abril deste ano. O uso da tecnologia para levar aos palcos o rapper assassinado em 1996 foi saudada como uma revolução na indústria de shows. Foi surpreendente de fato, e a engenhoca abriu possibilidade$$ para o mercado. Muito se especulou desde então sobre quem seria o holograma da vez, mas ainda não vimos nenhum grande astro retornar aos palcos sob a forma de projeção. Michael Jackson e Elvis ficaram na promessa - por enquanto. Por aqui no Brasil, a história está mais concreta. Já sabemos que Cazuza será o primeiro holograma com selo tupiniquim. No dia 4 de abril, praticamente um ano após a "ressurreição" de Tupac, terá início uma turnê em celebração aos 50 anos do compositor, na qual a imagem dele estará presente em boa parte do show, que terá também alguns de seus parceiros musicais. No segundo semestre, será a vez de Renato Russo, em um espetáculo com a participação da Orquestra do Teatro Nacional de Brasília. Vai ser o início do teste que vai mostrar se o bafafá do caso Tupac foi só surpresa ou o início de uma tendência.

20 de dez. de 2012

O Guinness soltou alguns recordes* do mundo da música pop de 2012 e este blog transformou tudo em gráfico. Enjoy it.



*Dados de maio/12

17 de dez. de 2012


Nada de ~sertanejo universitário~ ou onomatopeias do tipo tchu, tcha, ai ai ai ou oi oi oi. Pelo menos na internet, o foco do brasileiro foi no hit meteórico "Gangnam Style". A música do sul-coreano Psy foi a mais buscada pelos brasileiros em 2012, segundo o Zeitgeist, relatório do Google que revela anualmente as tendências de pesquisas no site - uma espécie de retrospectiva das buscas na internet. Em todo o mundo, "Gangnam Style" foi o segundo termo mais pesquisado no ano (atrás apenas de Whitney Houston).

Foram necessários apenas quinze dias, em setembro, para que a música atingisse o pico de buscas pelos brasileiros e, consequentemente, o maior volume de pesquisas musicais no país em 2012.

Muito antes de sonharmos com a emergência do eletrônico cafona de Psy, porém, Adele reinava soberana nos ouvidos tupiniquins com "Someone Like You", lá para meados de abril, até começar a ser atropelada por hits nacionais: "Camaro Amarelo" (Munhoz & Mariano), "Vida de Empreguete" (da novela Cheias de Charme) e "Te Vivo" (Luan Santana). Nenhuma música, no entanto, em seu período de auge, no comparativo com "Gangnam Style", conseguiu atingir mais que a metade do volume de buscas obtido pelo sul-coreano.

Seguindo o ciclo de vida natural de muitos hits, todos já apresentam uma trajetória de queda, mas a música de Psy ainda mantém volumes razoáveis de busca ainda neste mês de dezembro.

O gráfico que fiz no Google Trends ilustra essas observações.


Nem outros dois megahits do ano (que, curiosamente, não aparecem na lista do Google, apesar dos altos volumes de buscas) tiveram forças para superar "Gangnam Style" nas pesquisas online. "Ai, se eu te pego", de Michel Teló (um dos dez artistas mais buscados no mundo segundo o Zeitgeist) vinha embalado pelo sucesso recente em 2011 e abriu janeiro com ritmo elevado de buscas, mas não maior que aquele que Psy obteria nove meses depois. "Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha", de João Lucas e Marcelo, começou a ganhar força depois daquele fatídico dia em fevereiro quando Neymar decidiu comemorar um gol fazendo a coreografia da música. O pico veio no mês seguinte, mas foi menos da metade de "Gagnam Style". O interesse pelos dois hits nacionais agora, em dezembro, é baixo nas buscas da internet conforme mostra a curva do gráfico.


No mundo, a supremacia de Psy é ainda mais contrastante. Em comparação com dois outros hits chiclete do ano, "Call Me Maybe", de Carly Rae Jepsen, e "What Makes You Beautiful", do One Direction, a curva que indica os volumes de buscas do sucesso sul-coreano é incrivelmente ascendente. Psy deve muito à Mongólia, país que mais pesquisou por sua música. A propósito, dos dez países que mais buscaram pelo nome da música, a maioria é asiática. Um hit mundial impulsionado por seus iguais, continentalmente.


10 de dez. de 2012


O Rock in Rio anunciou neste mês mais uma atração para sua edição em 2013: Avenged Sevenfold. É o sétimo nome confirmado até agora para a quinta edição do festival no país e, assim como os demais artistas já garantidos na programação do ano que vem, é mais um nome do rock (num sentido mais amplo do termo) na lista: também se apresentam em 2013 Metallica, Iron Maiden, Muse, Sepultura, Bruce Springsteen e Alice in Chains.

Isso só representa um quinto dos shows previstos para o Palco Mundo - o principal, mas se o próximo Rock in Rio seguir a tendência dos anos anteriores, vai ter muito mais rock aí. O gênero de Chuck Berry e Elvis é predominante em toda a história do festival no Brasil. Sim. Em cada uma das quatro edições, e também no apanhado geral, 50% das atrações ou algo muito próximo disso eram de rock (veja gráficos abaixo), ao contrário do que faz crer o achincalhe nostálgico comum de parte do público contra as programações mais recentes - o rock estaria só no nome, diferentemente do que era naquele mítico Rock in Rio de 1985, dizem.

É certo que a presença de Britney, Rihanna e afins (razão das reclamações) impede que o festival seja hegemonicamente roqueiro, mas não é suficiente para fazer do estilo uma minoria. No máximo, gera uma ilusão de que o rock não tem espaço no evento. Ele tem o maior de todos, mas divide com outros gêneros a programação desde o primeiro ano.

É notável, inclusive, a regularidade com que os gêneros são representados proporcionalmente em cada edição. Metade fica com o rock, metade fica com pop, pop rock, artistas brasileiros e outras "minorias". É, no mínimo, coerente do ponto de vista artístico e comercial, respectivamente, porque condiz com a propaganda sugerida pelo nome e não exclui outros públicos. Sendo isso bom ou ruim, os ingressos evaporam até sem ter atração confirmada. Prova de que, no fim das contas, talvez esse papo de gênero seja até blábláblá demais. A força da marca supera o mimimi.

Veja aqui a lista de atrações por ano.


6 de dez. de 2012

Metallica oficializou hoje a liberação de seu  catálogo para streaming gratuito no Spotify

Houve uma época em que a indústria partia pra briga para tentar - inutilmente - frear o compartilhamento gratuito e em larga escala de música na internet (hoje, mais comedida, a indústria tenta aprender a lidar com o monstro). Naquela época, tão longe, tão perto, na virada do milênio, o símbolo máximo dessa briga era personificado em um ringue ocupado pela seguinte dupla: de um lado, Shawn Fanning, o Mark Zuckerberg do ano 2000, o criador do Napster, primeiro sistema a facilitar mundialmente o download de mp3. Do outro lado, Lars Ulrich, baterista do metálica, rock star milionário graças às engrenagens tradicionais da indústria do disco.

Os dois quebraram muito o pau (detalho abaixo) por conta daquela novidade que viraria regra nos anos que se seguiriam. Mas hoje, em Nova York, civilizadamente, Ulrich participou de uma conferência ao lado de Sean Parker (parceiro de Fanning na criação do Napster) para oficializar a liberação integral do catálogo do Metallica para o Spotify, serviço de streaming de músicas (ainda não disponível no Brasil). Parker é hoje um dos investidores do Spotify. Em outras palavras: Ulrich se sentou ao lado de um dos criadores do Napster, 12 anos depois, para dizer que está deixando a música de sua banda de graça pra todo mundo ouvir. Há coisas contra as quais não se pode lutar, deve ter pensado Ulrich.

Para quem não se lembra, à época do surgimento do Napster, Ulrich moveu uma série de processos contra centenas de milhares de usuários que haviam baixado músicas do Metallica e contra universidades norte-americanas por não bloquearem o uso do Napster em seus campi. O ápice e o momento mais pop dessa briga aconteceu no VMA de 2000, quando a MTV resolveu botar lenha na fogueira e permitir que ambos os lados se atacassem diante das câmeras.

Ulrich protagonizou um vídeo no qual satirizava o argumento do compartilhamento defendido por quem baixava as músicas. Curioso notar como naquela época a palavra "share" não tinha nem um décimo da importância e da presença em nossa vida como tem hoje. Já Fanning apareceu junto ao VJ pão da MTV dos States daquele período, Carson Daly, usando uma camisa do Metallica, para apresentar o show da Britney Spears - sei que não tem nada a ver com o post, mas é bom lembrar que o show dela foi tão bafo quanto a treta Ulrich/Napster. Britney apareceu toda coberta de terninho cantando "(I can't get no) Satsifcation" pra depois arrancar tudo e cantar "Ooops I Did It Again" com uma roupa propositalmente transparente. Bafo digno de Trending Topic, se existisse Twittter naquela época. Cheio de história aquele ano 2000.




28 de nov. de 2012




Roberto Carlos vendeu um milhão de cópias do compacto "Esse Cara Sou Eu", anunciou sua gravadora, Sony Music. Desde 2001, com seu Acústico MTV, Roberto não atingia esta marca, segundo dados da Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD). Com este novo milhão, Roberto ultrapassa, considerando as vendagens neste início de século, um dos maiores vendedores de discos no período, Padre Marcelo Rossi.

Até então, de 2000 pra cá, ambos tinham vendas que batiam na casa dos quatro milhões - 3,8 milões mais precisamente, conforme cálculos a partir dos arquivos da ABPD. Mas "Esse Cara Sou Eu" colocou o rei no trono novamente (vale lembrar que em toda sua carreira Roberto é imbatível, com seus 100 milhões de discos vendidos, marca que provavelmente jamais será alcançada dadas as mudanças ocorridas na indústria).

Nos últimos 12 anos, Padre Marcelo até lançou mais discos (dez, contra oito de Roberto), mas o rei obteve vendas mais expressivas de cada um de seus álbuns. Passou das 500 mil cópias e do 1 milhão três vezes, enquanto padre Marcelo bateu a casa do milhão duas. Os demais trabalhos do padre cantor ficaram todos abaixo dos 300 mil.


*Inclui apenas as vendas que atingiram quantidade certificada pela ABPD
**Em 2000, Roberto Carlos vendeu 1 milhão de cópias de "Amor Sem Limite" e 500 mil cópias de "30 Grandes Sucessos"
***Em 2009, Padre Marcelo Rossi vendeu 1 milhão de cópias de "Minha Benção", 300 mil cópias de "Paz Sim, Violência Não" e 50 mil cópias de "Momento de Fé Para Uma Vida Melhor"


Em tempos de vacas magras da indústria fonográfica, falar de 1 milhão de discos vendidos é relevante, até para um rei. Nos anos 1970 e 1980, era praxe os discos de Roberto já saírem da fábrica com essa tiragem, certa que era a altíssima procura nas lojas. Mais gente chegava fácil nesse número também. Recentemente, sabemos, o cenário mudou. Caiu para a metade a quantidade de artistas que chegaram ou ultrapassaram este total nas duas últimas décadas: de 22 nos anos 1990 para 11 nos anos 2000. No gráfico abaixo, dá para ver como o caldo tem ficado cada vez mais ralo. Milhão hoje, é para poucos: coisa de rei e de Jesus.




26 de nov. de 2012

Foto semi-profética de 2006, quando o Coldplay ironizou sobre seu suposto fim e foi mal interpretada pela imprensa

Não tá fácil pra ninguém, nem pros astros da música. Num momento em que reformas, turnês de reunião e comemorações de efemérides de gente fora da ativa estão na moda, há quem vá na contramão. De agosto até agora, cinco bandas/artistas anunciaram que vão tirar férias do estrelato, alguns deles por tempo indeterminado. A última a avisar sobre a pausa foi o Coldplay, na última sexta (23). Já que gente não pode ter esse luxo de se auto-decretar em férias, vamos ao menos recapitular quem são os dissidentes do showbiz.

Quem: Coldplay
Férias: pelo menos três anos
Motivo: não esclarecido. Ao menos, dá para inferir que o cancelamento súbito dos shows no Brasil não tem a ver com questões locais, como foi sondado por aí (risco de baixa venda de ingressos, o surgimento de uma oferta melhor $$$, falta de interesse em uma tour latina). O problema é com eles. Mas ainda há mistério nessa história toda

Quem: Foo Fighters
Férias: tempo indeterminado
Motivo: Dave Grohl quer se dedicar ao lançamento de documentário e álbum sobre o estúdio Sound City. O músico também vai assumir a bateria do Queens of The Stone Age, que começa a gravar novo disco no início do ano que vem. Notícia boa para os brasileiros, pois isto pode trazer Grohl novamente ao Brasil: o QOTSA toca no Lolla, em março.

Quem: Incubus
Férias: tempo indeterminado
Motivo: a banda precisa descansar da turnê que se arrasta por um ano e meio e não considera a possibilidade de fazer um novo disco apenas por pressão

Quem: Florence Welch
Férias: um ano
Motivo: Florence alega que precisa cuidar de incômodos que vem sentindo nas cordas vocais e está liberada pela gravadora para descansar pelo tempo que quiser

Quem: Scisor Sisters
Férias: tempo indeterminado
Motivo: não foi esclarecido, mas a banda assegurou que não vai ficar muito tempo longe dos palcos
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