19 de jul de 2010



No último sábado assisti ao show "All You Need is Love e Orquestra", do qual falei aqui no blog na semana passada, e que faz um passeio cronológico por toda a história dos Beatles, tanto musicalmente quanto visualmente, com direito a trocas de figurino a cada mudança de fase dos fab four.

Grande fã de Beatles, nunca fui afeita a shows de bandas cover, seja dos ingleses, seja de qualquer outro grupo o qual eu admire. Ao vivo, só se for os originais ou, no mínimo, um registro em vídeo decente de alguma boa apresentação. Fui porque ganhei o ingresso, uma oportunidade que não fazia sentido rejeitar.

Apesar da expectativa contida em relação ao show, confesso que ele mexeu com meus sentimentos em relação a John e companhia. Com o show, definitivamente caiu a ficha daquilo que eu já sentia inconscientemente: os fãs de Beatles somos e sempre seremos carentes da experiência ao vivo com a banda, ainda que em vídeo. Além de o quarteto ter parado de fazer shows muito cedo, os registros de shows existentes são poucos, fragmentados, de baixa qualidade e não abrangem a fase mais brilhante da banda, excluindo de nós a possibilidade de sentir a emoção provocada pela execução ao vivo, totalmente distinta daquela sentida quando se ouve uma gravação de estúdio, por melhor que ela seja.

Durante o show, ao mesmo tempo em que constatava essa carência, decidia reconsiderar minhas restrições em relação ao cover e, com um esforço de imaginação e desprendimento, experimentava um pouquinho dessa emoção impossível para um fã de Beatles. O esforço de verossimilhança dos músicos no palco ajudava: além do figurino (que foi dos terninhos da fase iê-iê-iê às batas psicodélicas de Magical Mystery Tour, passando pelas fardas de Sgt. Peppers), os músicos conversam com o público em inglês, fazem movimentos característicos (como a clássica tremidinha da cabeça que Paul fazia nos primeiros anos da banda) e são acompanhados de um maestro que, representando George Martin, rege uma orquestra (que fez toda a diferença em "A Day in the Life").

Aqueles no palco não eram John, Paul, George e Ringo, mas não há fã que, diante de uma lacuna que jamais será preenchida, não se entregue à ilusão para se deliciar com a crença de que era mesmo Paul quem estava sentado ao piano berrando os versos de "Oh! Darling". Por duas horas, num Chevrolet Hall lotado, vivi, como uma criança ingênua, o impossível.

Bobagens que só quem é fã entende.

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