3 notas sobre a morte de David Bowie

O que eu trouxe na bagagem da Colômbia

A(s) pergunta(s) que eu não fiz para Steve Aoki

10 de fev. de 2014

Comprar uma mansão + um iate + uma Ferrari ou o tênis do Kanye?

Você pode ter em suas mãos - ou pés - um dos últimos modelos de tênis criado por Kanye West para a Nike. Basta ter US$ 16 milhões de dólares e arrematar o produto no eBay.

Ironicamente batizado de "Red October" (Outubro Vermelho, um dos nomes pelos quais é conhecido o segundo grande levante que deu cabo à Revolução Russa, em 1917), o modelo teve seu valor jogado nas alturas e foi parar no eBay graças a consumidores que sacaram que o calçado pode ganhar status de item de colecionador - se é que alguém coleciona sneakers desenhados pelo Kanye West.

Mesmo sem nenhum tipo de publicidade, o Red October esgotou-se minutos após ser colocado à venda no site da Nike neste domingo (9) e provavelmente será o último modelo da colaboração de West com a Nike, uma vez que o rapper anunciou, no ano passado, ter fechado parceria com a Adidas.

Na loja virtual do fabricante, o par estava à venda por US$ 245.
Beijinho no ombro pra homofobia do Putin passar longe

Música de protesto tem um jeitão de rótulo anacrônico, perdido em algum lugar dos anos 1960 e 1970, mesmo que causas para protestar nunca tenham faltado no mundo. Rótulos datados à parte, 2014 já ganhou duas músicas que, mesmo que não sejam tão imediatamente classificadas ou concebidas como tal, tomam posições em demandas da ordem do dia que esse bando de gente perdida chamada humanidade inexplicavelmente ainda não conseguiu realizar plenamente: os direitos das mulheres e os direitos dos homossexuais.

"Russian Kiss", um batidão eletrônico da cantora norueguesa Annie, mira nas leis anti-gay do governo Putin (é proibido a casais homossexuais a demonstração de afeto em público e a qualquer pessoa falar positivamente da homossexualidade em público), que ganharam mais repercussão devido aos holofotes jogados sobre a Rússia em função da realização dos jogos de inverno no país, na cidade de Sochi.

O título da música carrega certo grau de ironia e provocação, mas os versos são bem diretos: "Don't give up, maybe then they can understand / It is right that you fight for your love demands" ("Não desista, talvez assim eles possam entender que é correto você lutar pelas suas exigências de amor"). O refrão tem tom de grito de guerra: "Shake a fist for the Russian kiss!" ("Erga os punhos pelo beijo russo").




"Go Forth, Feminist Warriors", por sua vez, junta quase duas dezenas de vozes num rap para tratar das diferentes lutas enfrentadas pelas mulheres em tom divertido e ao mesmo tempo estimulante, segundo uma das compositoras, Katy Davidson. O nome pro trás do projeto Key Losers dividiu a autoria da música com sua parceria constante de composição, Marianna Ritchey.

A música foi composta a pedido da revista online Rookie, dedicada ao público feminino e coordenada pela blogueira prodígio Tavi Gevinson (que participa dos vocais). O desejo da equipe da revista era conceber uma espécie de "We Are The World" feminista.

O time reunido é bem menos estrelado que aquele recrutado por Michael Jackson nos anos 1980, mas talvez isso não seja tão importante. Participam da gravação: Katie Crutchfield, MNDR, Kate Nash, Kimya Dawson, Suzy X., Tavi Gevinson, Katy Davidson, Marianna Ritchey, Geneviève Castrée, Thao Nguyen, Storey Littleton, Tegan and Sara, Dee Dee Penny (Dum Dum Girls), Ted Leo, Aimee Mann, Psalm One e Carrie Brownstein.

Entre os versos, "They mansplain every night and day/ But they can't mansplain our freedom away". "Mansplain" é um verbo fruto do neologismo e que, por isso, ainda não tem tradução direta para o português, mas pode ser entendido como a imposição da visão masculina para explicar uma determinada questão. Talvez algo como "eles impõem sua visão de mundo noite e dia, mas não vão impor a minha liberdade".



Sobre qual Arctic você pensou que se tratava o assunto?

Aprendiz de Bono, Chris Martin usa sua visibilidade para defender boas causas. A mais recente delas é a campanha "Save the Arctic" (Salve o Ártico), do Greenpeace, que chama atenção para o derretimento das calotas polares do Ártico - o problema, provocado pelo uso de combustíveis fósseis, e agravado pela exploração de petróleo e pesca predatória na região, se não for controlado, pode comprometer a regulação do ecossistema local e da temperatura do planeta, explica a organização ambiental.

Chris é um dos garotos-propaganda da campanha, que convocou um time de celebridades para posar vestindo camiseta criada por Vivienne Westwood, engajada em causas climáticas - você pode saber o que a estilista tem feito no site Climate Revolution, que ela criou exclusivamente para tratar de seu envolvimento com questões políticas. Além de Chris, a cantora britânica Paloma Faith, a modelo Georgia May Jagger e o ator para-sempre-bonitão George Clooney também estrelam a campanha vestindo Westwood para chamar sua atenção para a causa. Saiba mais aqui.

8 de fev. de 2014

Letterman com os homenageados da semana, em um papo que vai ao ar neste domingo (9/2) na TV americana

 O mundo respirou Beatles muito mais que o normal na última semana em função das recordações dos 50 anos que a banda visitou os Estados Unidos e ativou a beatlemania em escala mundial. Um dos responsáveis por injetar oxigênio nos ares beatlemaníacos dos últimos dias foi David Letterman. Ao longo da semana, ele recebeu em seu talk show artistas que homenagearam os fab four reinterpretando composições de diferentes fases da banda.

Teve artista que brilhou e levou estrelinha pra casa e teve artista que esqueceu a inspiração em algum lugar na hora de homenagear os fab four. Na primeira lista, Broken Bells, Flamin Lips e Lauryn Hill, que na execução musical ou na performance deram novo sentido às músicas que a gente já ama. Na segunda, Sting e Lenny Kravitz, que fizeram versões feijão com arroz de "Drive My Car" e "Get Back", respectivamente - por excesso de respeito às originais ou por falta de criatividade, vai saber. Foco no que interessa então:

Broken Bells e "And I Love Her"
Quem diria que essa baladinha poderia ganhar outra vida, não é? Adicione sons eletrônicos, coloque Ringo tocando virtualmente, faça uma fusão com a introdução de "I Am the Walrus" e... voilá.




Flaming Lips e "Lucy In The Sky With Diamonds"
É simplesmente a versão que a gente deveria ter visto os Beatles fazendo ao vivo, mas nunca vimos por motivos de turnês encerradas em 1965. Com a fácil predisposição de Wayne Cohen para o nonsense, a música de alma psicodélica ganhou corpo ao vivo na mesma medida da loucura com cenário, iluminação e chuva de papéis picados que criaram um clima viajandão. Teve também Sean Lennon no palco, meio que cosplay do pai, meio que figurante - Wayne rouba a cena fácil.  




Lauryn Hill e "Something"
Não basta ser eternamente linda por si só. "Something" tem que ficar mais linda ainda em uma versão encorpada e cheia de ginga. Coisas que só a black music pode fazer por você e que James Brown já tinha mostrado nos anos 1970.





Acredite, estes senhores estão cantando "Get Lucky"

A get-luckyzação do mundo não tem fim. Não basta sobreviver à virada de ano e se manter como hit máximo, levar todas no Grammy e virar cover do Tony Salles. Tem que cair nas graças dos russos também. Mais precisamente, nas graças do coral da guarda do Ministério das Relações Institucionais da Rússia, que com farda, bigode e coreografia de tiozinho empolgado fez o cover até agora mais improvável de "Get Lucky", do Daft Punk, numa espécie de pré-show da abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi. Agora, pensa: a TV transmitiu TRÊS horas de cerimônia pra deixar a parte mais legal de fora. Viva o YouTube.


MC Amaury. #sqn 

Tudo que eu poderia ter postado essa semana, mas não postei:

- Amaury Jr. cantando rap. Tinha cara de pegadinha. E era. Pegadinha do viral, rá!

- t.A.T.u, a dupla pop lésbica que não era lésbica, foi atração da abertura dos jogos de inverno de Sochi, na Rússia, país cujo governo tem se mostrado abertamente contrário aos direitos gays. Tem alguma piada ou mensagem subliminar que eu não entendi?

- Música em série: Prince fazendo uma ponta em "New Girl", Lily Allen estreando música nova em "Girls"

- Adele ainda vende igual água no Brasil

- Do bem: Alex Kapranos pediu desculpas a Pharrell por acusá-lo de plágio

- Do mal: Axl Rose alfinetou Flea pelo "semi-playback" no Superbowl

- Tom Zé e Caetano gravam juntos

- Not such a bad girl: RiRi é solidária e oferece apoio a família de fã brasileiro assassinado

- Obama vai dar uma pausa nas operações de guerra no Oriente Médio para analisar pedido de extradição de Bieber


7 de fev. de 2014

Eles chegaram lá em 1964 e disseram: perdeu, Tio Sam! Aha! Uhu! A América é nossa! 

It was 50 years ago today. Em 7 de fevereiro de 1964, os Beatles desembarcavam em Nova York, nos Estados Unidos para conquistar o mundo. A viagem de 15 dias previa duas aparições ao vivo na TV (nos dias 9, direto de Nova York, e 16, direto de Miami), uma aparição gravada, no dia 23, e dois shows em solo norte-americano (em Washington e Nova York) e foi arquitetada por Brian Epstein, empresário da banda, após alguns meses de insistência, ciente da importância estratégica de uma agenda de divulgação bem-sucedida nos Estados Unidos.

Do sucesso na "América" para o sucesso mundial era menos que um passo. Afinal, tratava-se da terra do showbiz e do centro irradiador de cultura de massa - se ainda hoje os Estados Unidos têm um peso definidor no que se consome no mercado da música, mesmo com o poder que cenas e mercados locais ganharam com a internet, pense há 50 anos, quando o país vivia o seu auge de nação imperialista após sair vitorioso da Segunda Guerra.

O sucesso da viagem já estava no papo. "I Wanna Hold Your Hand" havia atingido o número 1 da parada norte-americana dias antes da chegada da banda ao país e... Eram os Beatles, né? Mas era necessário ainda detonar a bomba-relógio da beatlemania latente nos Estados Unidos que contava os dias para explodir.
Quem fez as honras foi Ed Sullivan, que em seu famoso programa de TV apresentou os quatro rapazes para 74 milhões de americanos no dia 9 de fevereiro. "All My Loving", "Till There Was You", "She Loves You", "I Saw Her Standing There" e "I Want To Hold Your Hand". Cinco músicas. 5, 4, 3, 2, 1... Boooommmm!

Emblemática, a apresentação televisiva daquela noite converteu-se em um marco na história da banda e da cultura pop do século XX. Já não se conseguiria mais falar da música e do comportamento jovem que se desenvolveria nas décadas seguintes sem remeter àqueles quatro moços com cabelinho de tigela. Mas acho que disso você já sabe. O que você não deve saber é que*:

1) Brian Epstein ficou tão embasbacado ao receber o telegrama que confirmava a ida da banda aos Estados Unidos que sentou-se à mesa de jantar usando um penico na cabeça. Ele e a banda estavam em Paris, na França

2) John teve um enjoo durante o voo da Pan Am que levou a banda aos Estados Unidos

3) Havia dois homens chamados George Harrison no voo que saiu de Londres: aquele que você sabe quem é e um colunista do jornal Liverpool Echo, integrante da comitiva que acompanhava a banda

4) George (o beatle) estava gripado e teve 39º de febre

5) Próximo do pouso, os Beatles ouviram o seguinte anúncio vindo da tripulação: "O comandante pediu que transmitíssemos a seguinte mensagem: 'Avisem aos rapazes que há uma enorme multidão esperando por eles'

6) "É isso aí, pessoal! Todo mundo, calem a boca!". LENNON, John ou o que ficou sendo as primeiras palavras de um beatle em solo americano. John se dirigia aos jornalistas que aguardavam a banda para uma entrevista coletiva no aeroporto JFK

7) Para escapar das milhares de fãs que cercavam a banda no aeroporto, cada beatle foi erguido por dois policiais e colocado em seu próprio Cadillac que seguiria direto para o hotel

8) No hotel, durante toda a noite, a banda passou o tempo ligando para rádios locais e pedindo que as emissoras tocassem músicas das Ronettes, de Marvin Gaye e Smokey Robinson

9) Em um jantar no famoso restaurante 21, Ringo pediu que lhe fosse servida "uma garrafa antiga de Coca-Cola"

10) Já no camarim do programa de Ed Sullivan, Paul se deparou com uma pilha de cartas endereçadas à banda. Dentre elas, um telegrama de Elvis: "Parabéns pela participação no Ed Sullivan Show e por sua visita aos Estados Unidos. Esperamos que sua participação seja bem-sucedida e que sua visita seja agradável. Mandem nossas lembranças ao Ed Sullivan. Ass. Elvis e o Coronel"

11) O microfone de John praticamente não funcionou na primeira apresentação no Ed Sullivan, na noite do dia 9

12) O importante maestro Leonard Bernstein, que levou as filhas nos bastidores do Ed Sullivan, não foi reconhecido pelos Beatles

13) Na viagem de trem de Nova York para Washington, onde os Beatles fariam seu primeiro show nos Estados Unidos, Ringo pegou uma vassoura para varrer os vagões do trem. A locomotiva estava em mau estado de conservação e foi uma solução de última hora - a viagem seria de avião, mas uma tempestade de neve fez a produção da banda mudar de ideia

14) Em uma festa na embaixada britânica, Ringo teve um chumaço de cabelo cortado por uma fã que portava uma tesoura de unha na bolsa

15) Para despistar os fãs em Miami, os Beatles deixaram o hotel na traseira de um caminhão frigorífico

*Extraído dos livros: "The Beatles - A Biografia", de Bob Spitz, e "Magical Mystery Tours - Minha Vida Com os Beatles", de Tony Bramwell

Ladies and gentleman, The Beatles. Ame.

6 de fev. de 2014

Madonna: apenas divando ou atiçando nossa curiosidade?

Madonna está brincando de detetive com a gente. A cantora postou na noite de ontem a foto acima em seu perfil no Instagram com a seguinte legenda: "She's done for the day! Bath or Shower? #MDNASKIN". E nada mais. Acontece que "MDNASKIN" também é o endereço de um site com domínio japonês, o www.mdnaskin.jp, que contém apenas uma imagem (abaixo) informando que a misteriosa MDNA Skin será revelada no Japão na próxima quarta-feira (12).

A especulação na  rede está lançada: há quem tenha entendido que Madonna, dona de uma linha de perfumes e de uma rede de academias, vai ampliar sua atuação nos negócios da beleza e irá lançar uma linha de cosméticos (daí a referência à pele, skin). Mas não se pode descartar também algum lançamento musical. É sabido que ela trabalha em novo disco, previsto para ser lançado este ano - Madonna já convidou Adele para ser parceira de composição e foi vista no início de janeiro com o produtor Patrick Leonard, que trabalhou com a cantora no single "Who's That Girl", trilha do filme homônimo.


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