4 de abr de 2014

Pra quem Kurt apontaria a arma se voltasse à vida hoje?

Quando Kurt Cobain se matou, há vinte anos, estava assolado por uma depressão que lhe tirava o entusiasmo de tudo, inclusive da fama e do reconhecimento que havia conquistado com o Nirvana. Se, duas décadas depois, ele tivesse a oportunidade de ressuscitar e mudar os acontecimentos, talvez chegasse a cogitar pôr fim à banda ou fazer música ruim para cair no ostracismo e esquecimento. Talvez assim eliminasse o tratamento leviano que sua memória e legado vem sofrendo por parte de quem se dispõe a lembrar sua história - comportamento que ganhou mais impulso com a proximidade de seu aniversário de morte, neste sábado (5).

Começou com a polícia de Seattle revelando dezenas de fotos da cena do suicídio de Cobain no último mês de março. Fotos que não traziam nenhuma informação nova. Óculos, seringas, cigarro, notas de dinheiro que não dizem nada senão uma sacada esperta para alimentar o interesse mórbido de muita gente.

Courtney Love, eterna viúva, não ficou de fora e abriu a boca para a imprensa nas vésperas dos vinte anos de morte de Kurt, nesta semana, a fim de anunciar suas ideias para administrar o legado do músico. Disse que pretende fazer um musical sobre a vida do pai de sua filha, Frances. Está apelando para um formato de homenagem que, me parece, se distancia muito do universo no qual o Nirvana, Kurt, e todo o legado grunge orbitou.

Correndo por fora, temos forçações de barra, como o escritor Charles Cross, autor do livro "Here We Are Now: The Legacy of Kurt Cobain and Nirvana", que espertamente descobriu, também às vésperas desse aniversário de morte, uma suposta pista para a origem da letra de "Come As You Are" - estaria ligada, segundo ele, a um anúncio de um hotel de Aberdeen, cidade natal do músico, datado dos anos 1940.

Em meio a tantas lembranças por caminhos forçados, talvez esse pessoal que anda por aí vestindo camiseta do Nirvana, só porque está à venda na vitrine da loja ou no look do dia da blogueira, esteja fazendo, por vias tortas e inconscientes, um serviço mais honesto à memória de Kurt e do Nirvana, ao tranasformarem o nome e o símbolo da banda em ícones perto de serem tão identificáveis quanto a gigantesca boca que simboliza os Rolling Stones. Por não terem ideia do peso dos símbolos que estão evocando, por ignorarem a história, não têm interesses, não manipulam, apenas perpetuam uma imagem.

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