3 notas sobre a morte de David Bowie

O que eu trouxe na bagagem da Colômbia

A(s) pergunta(s) que eu não fiz para Steve Aoki

27 de dez. de 2014

Charlie XCX sabe se dar prazer melhor que aquele cara mais ou menos e ainda canta sobre isso. Deusa.

Quando Beyoncé surgiu no palco do Video Music Awards à frente de um telão com a palavra "feminista" em letras garrafais, em agosto, não estava só se posicionando positivamente em relação ao tema. Meio sem querer, acabou resumindo o que havia sido (e ainda seria) parte da pauta do pop em 2014. Taylor Swift finalmente percebeu que era uma feminista, Miley Cyrus reafirmou ser uma e ainda sobrou tempo para, aqui no Brasil, Pitty e Anitta protagonizarem um necessário debate sobre a liberdade sexual das mulheres (fora da música ainda teve o discurso de Emma Watson na ONU e todo o bafafá em torno do livro de Lena Dunham, Não Sou Uma Dessas).

Claro, o assunto não ficou só no nível das declarações e virou música também. O hit que colocou uma das vertentes do tema em debate pode ter sido "All About That Bass", de Meghan Trainor (um debate que ficou entre o acerto de incentivar a auto-aceitação do corpo e o equívoco de atacar outros tipos físicos para atingir essa aceitação), mas não foi essa a única música que tratou de questões feministas neste ano. Elas não escalaram as paradas de sucesso nem ganharam os mesmos holofotes e manchetes que o show de Beyoncé e a conversa de Pitty e Anitta, mas ainda dá tempo de você ouví-las:

O ano começou com "Go Forth, Feminist Warriors", uma espécie de versão feminista e mais hipster de "We Are The World" uma vez que reúne um grupo de mais de vinte vozes para tratar das diferentes lutas que as mulheres têm (ainda) que encarar. A comparação com o clássico beneficente capitaneado por Michael Jackson vem de uma das mentoras da gravação, a jovem Tavi Gevison, editora da Rookie, publicação online voltada para o público feminino.

A autoria é de Katy Davidson, nome por trás do projeto Key Losers. Nos vocais: Katie Crutchfield, MNDR, Kate Nash, Kimya Dawson, Suzy X., Tavi Gevinson, Katy Davidson, Marianna Ritchey, Geneviève Castrée, Thao Nguyen, Storey Littleton, Tegan and Sara, Dee Dee Penny (Dum Dum Girls), Ted Leo, Aimee Mann, Psalm One e Carrie Brownstein.

As moças cantam versos como "They mansplain every night and day/ But they can't mansplain our freedom away". "Mansplain" é um verbo fruto do neologismo e que, por isso, ainda não tem tradução direta para o português, mas pode ser entendido como a imposição da visão masculina para explicar uma determinada questão. Talvez algo como "eles impõem sua visão de mundo noite e dia, mas não vão impor a minha liberdade".




Em maio, a rapper norte-americana Sizzy Rocket fez uma espécie de revisão histórica ao reescrever os versos de "Girls", dos Beatie Boys, incontestavelmente um dos clássicos do trio nos anos 1980, mas também uma ode ao sexismo dados versos como "Girls - to do the dishes/Girls - to clean up my room/Girls - to do the laundry" (Garotas - pra lavar a louça/ Garotas - para limpar meu quarto/ Garotas - para lavar roupas).

A música já havia sido retrabalhada em favor das moças no fim de 2013, quando uma fabricante de brinquedos norte-americana usou uma paródia da letra para promover seus brinquedos, todos intencionalmente voltados para desenvolver em meninas o interesse por ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

Sizzy deu mais um passo à frente e reescreveu os versos de modo a criar uma versão que fortalecesse jovens garotas, segundo a própria. Ela canta: "They have no idea / the pressure that we have to feel / be skinny / be pretty / have sex appeal / bend over / give it to me like you want a record deal" (Eles não têm a ideia da pressão que sofremos. Seja magra, seja bonita, seja sensual, se curve e se entregue a mim já que você quer um contrato assinado).




Ainda em meados do ano, o quarteto de Seattle Tacocat usou ironia na música "Hey Girl" para esbravejar contra o assédio nosso de cada dia que as mulheres sofremos ao andar pelas ruas, como bem mostraram o viral da moça que recebeu mais de 100 cantadas em 10 horas de caminhada pelas ruas de Nova York e o projeto Chega de Fiu-Fiu. Um bônus-track das moças de Seattle que também merece ser ouvido é a faixa "Crimson Wave", um convite bem humorado à aceitação positiva da menstruação.




Quase aos 45min do segundo tempo, a inglesa Charlie XCX fecha bem a lista com a faixa "Body of My Own", presente em "Sucker", álbum lançado agora em dezembro. A nova música ajuda a ampliar a coletânea de temas pop dedicados à masturbação feminina e ainda afirma com todas as letras: ele sente muito mais prazer sozinha do que com aquele cara mais ou menos.


26 de nov. de 2014

Vem cá que eu vou te explicar a teoria da matemática McCartneyana

Quem viu Paul McCartney em Belo Horizonte no ano passado e não conseguiu repetir a dose no retorno do beatle ao Brasil neste mês pode ficar tranquilo. Com a exceção da ausência do "uai" em seu palavreado e da inclusão de músicas do seu mais recente álbum "New", lançado após o show no Mineirão, não houve quase nada de diferente no show que o músico fez no Allianz Parque, em São Paulo, nessa terça (24).

McCartney é a constante da música pop que permanece inalterada há cinco décadas mesmo com o surgimento de novas fórmulas de sucesso e de se fazer música. Em sua equação que faz de seus shows elementos invariáveis, há precisão que ameaça ser burocrática, mas uma combinação de elementos que indica conhecimento e domínio de gênio sobre a matéria.

A frase "nesta noite vou falar um pouquinho de português" é dita desde 2010 aqui no Brasil logo antes de "All My Loving", sempre a terceira música da noite, e surpreende mais quem a ouve na boca do beatle pela primeira vez (Paul veio ao Brasil em todos os anos desde 2010 e já soma 16 shows no período, em quatro regiões - apenas o norte ainda não recebeu o músico).

Por outro lado, mesmo repetitivas, não perdem o impacto a explosão de emoção na passagem do solo de ukelele para as guitarras em "Something", a sequência quase épica de clássicos em "Live and Let Die"/"Let it Be"/"Hey Jude" ou o dedilhado de violão em "Yesterday".  

As variáveis ficam por conta do que acontece fora do domínio do Sir. Na noite dessa terça, em São Paulo, ficaram a cargo da chuva incessante antes e durante o show, do som mal equalizado em alguns momentos e de uma falha repentina em um dos telões, que ficou totalmente apagado por alguns segundos.

E se Paul é uma constante, assim também o são seus efeitos sobre o público. Turnê após turnê, repetem-se as mesmas cenas: pais, filhos e netos unindo três gerações na plateia, estádios lotados cantando clássicos do século XX em coro, elogios à sua boa forma do alto de seus 72 anos e ao seu carisma.

Difícil distinguir quem reage assim porque acabou de descobrir a fórmula de quem reage dessa forma porque já a conhece e a compreende. Em ambos os casos, o resultado é um só: é uma fórmula ainda incontestável na ciência do pop.

*Originalmente publicado no portal O TEMPO.

4 de nov. de 2014

Chico Buarque lança em 14 de novembro o romance "O Irmão Alemão" (Companhia das Letras), cuja trama é "uma busca pela verdade e os afetos", segundo a misteriosa divulgação feita pela editora - além da sinopse econômica, foi divulgado também um vídeo no qual o autor lê um trecho do livro, o sétimo da carreira de Chico como compositor. Potencialmente um dos lançamentos literários mais badalados de 2014 no Brasil, este não é, porém, o único que envolve músicos atravessando a fronteira da literatura. Estreantes ou razoavelmente veteranos nas letras, outros compositores brasileiros também lançaram livros este ano. Veja:



Tony Bellotto e Bellini e o Labirinto (Companhia das Letras, 280 págs.)
Nono livro do guitarrista dos Titãs e quarto com o protagonista do título, Bellini e o Labirinto traz de volta o detetive particular fã de blues e morador de um apartamento na avenida Paulista. Desta vez, Bellini viajará a Goiânia para negociar com os sequestradores do milionário Brandãozinho, atendendo a pedido de Marlon, parte da famosíssima dupla sertaneja Marlon & Brandão.


Rita Lee e Storynhas (Companhia das Letras, 96 págs.)
Com ilustrações de Laerte, o livro é uma coletânea das micro-narrativas criadas por Rita Lee no Twitter desde 2010, quando a compositora aderiu à rede social. Organizadas para atender ao formato do livro, as histórias ganharam títulos, mas mantiveram a grafia original das mensagens de 140 caracteres, com abreviações, por exemplo.


Vitor Ramil e A Primavera da Pontuação (Cosac Naify, 192 págs.)
O músico gaúcho Vitor Ramil traz referências das manifestações ocorridas no Brasil em junho de 2013 para seu terceiro romance, A Primavera da Pontuação. Com traços de fábula e alegoria, a história transforma sinais ortográficos e regras gramaticais nos personagens da história. Tudo começa quando uma palavra-caminhão carregada de letras garrafais atropela um ponto e foge sem prestar socorro. A pontuação de Ponto Alegre se revolta e protagniza enfrentamentos com o governante, o Regente com problemas de regência, a Passiva, polícia secreta do Estado e os radicais Grego e Latino.


Pitty e Cronografia: uma trajetória em fotos (Edições Ideal, 160 págs.)
O primeiro livro da carreira de Pitty é uma biografia fotográfica da baiana entremeada por textos escritos pela própria artista. Partindo de sua infância, o livro segue para o resgate do início de sua carreira musical nas bandas Inkoma e Shes, relembra a consagração no início dos anos 2000 e abre espaço para o projeto paralelo Agridoce.


Thedy Corrêa e Noite Ilustrada (Belas-Letras, 131 págs.)
O vocalista do Nenhum de Nós lança seu segundo livro de poemas, que gira em torno da insônia e das longas madrugadas encaradas pelo artista em função dos shows com sua banda. O tango como trilha sonora das noites em claro, especulações sobre a insônia de Paul McCartney e a última noite de Natal com os pais são a matéria-prima para alguns dos versos.


Tico Santa Cruz e Pólvora (Belas-Letras, 168 págs.)
Pólvora é o terceiro livro de Tico Santa Cruz e a primeira incursão na ficção. O romance policial parte das incursões criminosas de uma dupla de jovens para fazer uma crítica caricata à realidade política, social e econômica do Brasil.

*Texto escrito para o Brasil Post

1 de out. de 2014



Brody Dalle soltou o verbo contra o clipe de "Booty", single de Jennifer Lopez e Iggy Azalea. Primeiro no Twitter, e depois no Facebook (onde prolongou o assunto porque precisou se explicar mais), Brody lamentou que o vídeo passe a imagem de que J Lo e Iggy são apenas partes de corpos disponíveis para o prazer dos homens (aquela discussão necessária sobre a objetificação, você sabe). Tudo de uma maneira muito bem fundamentada e respeitosa com as mulheres em geral e as duas moças do clipe em particular, em cujos talentos superiores ao físico Brody acredita.

Como Brody se mostrou muito consistente em seu ponto de vista sobre o clipe que enaltece os bunbuns das duas cantoras, queria muito saber o que ela teria a dizer sobre "Tá Pra Nascer Homem Que Vai Nascer em Mim", nova música de Valesca, que usa o popô no nome e no palco ao mesmo tempo em que brada sobre sua autonomia diante dos homens - em um discurso que não é novo e nem revolucionário, mas ainda necessário. E aí, Brody?
 

30 de set. de 2014

A it girl de Pharrell é japonesa

Back to the 90's
Primeiro o Weezer, depois o Belle and Sebastian, agora o Rancid. Parece que estou vivendo em 1999 outra vez e ninguém me avisou. Esse pessoal todo está de disco novo. "Everything Will Be Alright In The End", do Weezer, que você ouve aqui, sai dia no 7 de outubro. "...Honor Is All We Know", do Rancid, sai no dia 27 do mesmo mês. E "Girls In Peacetime Want To Dance", do Belle and Sebastian, sai em 20 de janeiro. 





Pharrell vai ao Japão
"It Girl", novo single do midas multi-talentos, é um mini-anime com toques de psicodelia japa. Todo mundo amou, todo mundo aplaudiu, mas mais alguém lembrou que lá no início dos anos 2000 o Daft Punk também entrou na onda dos mangás com o "Discovery", aquele que tinha "One more time...". Cada faixa ganhou um clipe, e juntos os segmentos deram vida ao filme "Interstella 5555: The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem". Será que a dupla robótica andou dando umas ideias pro Pharrell?



Bono disse que a próxima turnê do U2 vai priorizar arenas
O que vai ser da gente sem os palcos megalomaníacos? O U2 é o U2 em partes porque concebeu os palcos absurdos da Zoo TV, da Pop Mart, Vertigo e 360º e, com isso, ofertou ao público espetáculos de rock em sentido pleno, com megaestrutura de palco, imagem e luz, e música de verdade, feita ao vivo. Não quero ver palco mirrado na nova turnê, viu, Bono?

25 de set. de 2014

Morrissey é um dos assuntos favoritos deste blog, você já deve ter notado. É impossível não falar de Moz, até porque ele gera notícias com muita facilidade. Como ignorar, néam? A mais nova delas é que, depois de séculos, o maior inglês vivo finalmente lançou uma loja de merchandising oficial.

São camisetas, moletons e assessórios que carregam o espírito Morrissey na forma ou no conteúdo - seja nas camisetas que estampam a frase "Be Kind to Animals or I'll Kill You" ou nas mini-luvas de boxe, ótimas para descarregar fisicamente o ódio tipicamente "morrisseyano". Tem também uns itens no estilo trocadilho infame em referência a algumas músicas dos Smiths. Confira e compre aqui.


23 de set. de 2014

Weezer se descuida na internet e deixa à mostra o disco novo quase inteiro

Está ficando tão na moda liberar faixa de disco novo na internet aos poucos, como uma espécie de tira-gosto, que às vezes uma parte razoável do disco acaba sendo liberada antes. Me dei conta disso hoje quando li que o Weezer liberou hoje a música "The British Are Coming". Juntando os cacos, é a sétima faixa de "Everything Will Be Alright in the End" que eles jogam na rede. Antes, a gente já conhecia "Back to the Shack" e "Cleopatra", além de teasers de "The  Waste Land", "Ain't Got Nobody", "Go Away" (com Bethany Cosentino, do West Coast) e "Lonely Girl" . Juntei as sete abaixo pra começar a ter uma noção do que vai ser esse disco, o primeiro em quatro anos.

"Everything Will Be Alright in the End" sai só no dia 7 de outubro. Ainda dá tempo de liberar mais umas entradinhas pra gente. Mata o apetite da gente, Cuomo!

 







22 de set. de 2014

Ritinha tá aí pra despertar seus desejos consumistas

A descolada Adidas Originals, que já usou Four Seasons e Snoop Doog como trilhas de seus ótimos comerciais, e ainda colocou Noel Gallagher no meio disso tudo, deu mergulhos mais profundos na música este ano e colocou recentemente nas lojas coleções assinadas por Pharrell Williams, Rita Ora e uma terceira em homenagem ao Run DMC, cool do cool dos anos 1980.

Começando pelas moças, Rita Ora despejou de uma só vez cinco mini coleções que redesenham modelos clássicos da marca: Black (peças boyish), Pastel (referências românticas) e Colorblock Packs (esportivo), já nas lojas, e Spray (inspiração urbana) e Roses (estampas que evocam a natureza), à venda a partir de novembro. Mesmo com a variedade de conceitos, a jaqueta clássica da Adidas impera nas coleções. Mudam as modelagens e a cartela de cores, além de alguns detalhes, como transparências, telas e recortes propositalmente criados para deixar um pouco de pele à mostra, naquele jeitinho ~sexy sem ser vulgar~.



Já Pharrel Williams, aquele moço polivalente que neste já colaborou também com a Uniqlo, propõe uma coleção ecologicamente correta, com peças feitas a partir de detritos de plástico reciclado. São tênis e jaquetas bem na linha do color block, em tons de preto, vermelho e azul unicamente.



O Run DMC, por sua vez, ganhou uma ode em forma de camisetas, moletons e casacos com a logo do grupo mesclada a linhas que evocam a Nova York onde o trio se formou. Nas peças, dominam o branco, preto e vermelho, trinca de cores que foi apropriada pelo visual do Run DMC, anos antes do White Stripes sonhar em existir. Uma homenagem justa aos caras que já naturalmente transformaram as três listras da Adidas em parte de sua imagem.



Veja mais: www.adidas.com.br/originals
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