3 notas sobre a morte de David Bowie

O que eu trouxe na bagagem da Colômbia

A(s) pergunta(s) que eu não fiz para Steve Aoki

8 de ago. de 2011

Pra celebrar os 30º que fizeram hoje em BH, em pleno inverno. É assim que eu gosto.





O meu mais novo objeto de desejo



O fetiche da mercadoria venceu. Pela primeira vez depois de longos onze anos, senti vontade de comprar um disco. Mais precisamente, não um, mas vários. Todos os seis que vêm na luxuosíssima caixa comemorativa dos 20 anos do Achtung Baby, do U2. Mas é bom deixar claro que essa vontade que eu já achava que não existia mais ganhou um belo empurrão por conta das bugigangas que recheiam a caixa: livro, revista, pôsteres, adesivos e um óculos de mosca idêntico ao que Bono usava nos shows da turnê do disco, a ultratecnológica (dentro dos limites do início dos anos 90) Zoo TV. Bingo. Estamos diante de um novo filão da indústria da música (vou falar de um segundo, mas ainda chego lá).



Já faz um tempo, essas caixas comemorativas vêm sendo apontadas como um dos caminhos para a indústria do disco compensar as perdas com as vendas de álbuns comuns, arruinadas pela livre circulação de música na internet. Até então não tinha botado muita fé porque esses relançamentos, que normalmente têm uma outra música com versão diferente, logo caíam novamente na internet. Mas eis que chega o U2, sempre muito bom nos negócios, e lota a caixa de coisas que não podem virar download. Mais: coisas que apelam para um dos desejos incontroláveis de fãs mais ardorosos, que é o relacionado à memorabília de seus ídolos.



A ideia não é tão inédita assim: lá em 1967, os Beatles (sempre eles) lançaram junto com o encarte de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band uma folha (ao lado) com distintivo, bigode e outras imagens que remetiam à iconografia do disco para serem recortados e usados pelso fãs.



Voltando ao presente, o fato é que, apesar do preço altíssimo (R$1,o54, conforme a cotação do dólar de hoje), um lançamento de disco há muito tempo não me parecia tão interessante. Tenho certeza que a estratégia comercial dessa caixa me acertou em cheio. Se a música é hoje tão gratuita, nada mais inteligente que vender algo extremamente ligado a ela (neste caso, objetos intimamente ligados com o universo de Achtung Baby), mas que não seja somente ela.



O outro filão, de que falei lá em cima, e que parece estar se delineado, é o de transmissão de shows em cinemas. O próprio U2 já fez isso, com o filme U2 3D, Kylie Minogue fará ainda este mês (26 e 27), assim como o Red Hot Chili Peppers (30).



Depois de podermos assistir ao vivo a shows em lugares longínquos direto da modesta tela de nossos laptops via YouTube (o Lollapalooza, no último fim de semana, foi só o exemplo mais recente), chegou a hora de vermos a apresentação em tela grande, alta definição, junto com outros fãs. É uma nova experiência de show.



Não sei quanto a você, mas estou gostando desse circo de novidades (apesar de que não irei ver o show de Flea e cia. porque acho que RHCP sem Frusciante é como Buchecha sem Claudinho). Ao contrário de alguns saudosistas, penso que nunca houve uma época tão boa para ser fã de música.



É por isso que rupturas no sistema (seja ele qual for) costumam são boas. Elas conduzem a uma mudança na ordem das coisas, obrigam a repensar e remodelar certos padrões. Tem sido assim nessa era da música digital e gratuita. O mercado teve que reagir e, pelo menos nesses dois aspectos citados acima, finalmente deu respostas interessantes.





1 de ago. de 2011

Receber shows internacionais já virou uma rotina para o Brasil desde a última década, mas o segundo semestre de 2011 traz uma agenda de shows gringos no país possivelmente inédita do ponto de vista quantitativo. Eu fiz as contas para sistematizar o que muita gente já vinha percebendo e cheguei aos números: de agosto a novembro, 91 atrações estrangeiras vão passar pelo país, fazendo um total de 140 apresentações.

A boa fase da nossa economia, em comparação com a pindaíba de Estados Unidos e Europa, pode ajudar a explicar a fartura abaixo da linha do Equador. A concentração de três grandes festivais (Rock in Rio, Planeta Terra e SWU) nos próximos meses também contribui para engrossar a lista. De qualquer forma, a quantidade de shows não deixa de ser notável.

A comemorar, o fato de as atrações atenderem a gostos variados e contemplarem não só medalhões, mas nomes que estão no auge ou despontando - normalmente, anos atrás, artistas nessas duas últimas condições chegavam aqui depois de já ter passado "seu momento". Claro, há também a turma do revival, mas existe público para isso também. De negativo, a concentração dos shows em São Paulo e no Rio de Janeiro. BH e Recife ficam com algumas migalhas. Porto Alegre, por outro lado, está se especializando cada vez mais em abocanhar boas atrações.

Só para lembrar, o número acima ainda pode crescer. Há boatos de que Justin Bieber pode se apresentar em São Paulo, em outubro, e o Queremos, movimento que leva shows para o Rio com base no sistema de crowdfunding, tenta viabilizar a ida de Primal Scream, The Pains of Being Pure at Heart e Ariel Pink's Haunted Graffiti para a capital carioca.

Abaixo, todos os shows previstos para o Brasil, mês a mês.

AGOSTO

2
Avril Lavigne- BH

4
Erasure - Brasília
Avril Lavigne - Brasília

6
Erasure - RJ

7
Erasure - BH

9
Erasure - SP

11
Erasure - Porto Alegre

13
Black Label Society - SP

14
Black Label Society - Porto Alegre

24
Chucho Valdés - SP (Telefonica Sonidos)

25
Omar Sosa - SP (Telefonica Sonidos)

26
Ricky Martin - SP
Alex Cuba - SP (Telefonica Sonidos)
Los Amigos Invisibles - SP (Telefonica Sonidos)
Julieta Venegas - SP (Telefonica Sonidos)
Juan Fomell y Los Van Van - SP (Telefonica Sonidos)
Tinariwen - RJ (Back2Black)
Macy Gray - RJ (Back2Black)

27
Ricky Martin - RJ
Pitingo - SP (Telefonica Sonidos)
Illya Kuryaki & The Valderramas - SP (Telefonica Sonidos)
Oumou Sangaré - RJ (Back2Black)
Chaka Khan - RJ (Back2Black)
Prince - RJ (Back2Black)

28
Aloe Blacc - RJ (Back2Black)

30
Aloe Blacc - SP (Back2Black)
Tinariwen - SP (Back2Black)

31
Metronomy - SP (Popload Gig)

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SETEMBRO


2
Metronomy - RJ

6
Blind Guardian - Porto Alegre

8
Blind Guardian - São Luís

9
Blind Guardian - SP

10
Blind Guardian - Curitiba
Judas Priest + Whitesnake - SP

11
Judas Priest + Whitesnake - RJ

13
Judas Priest + Whitesnake - BH

15
Judas Priest + Whitesnake - Brasília
The Pains of Being Pure at Heart - SP (Fourfest)
Ariel Pink's Haunted Graffiti - SP (Fourfest)

17
Rihanna - SP

18
Rihanna - BH

21
Red Hot Chili Peppers - SP
Rihanna - Brasília

23
Katy Perry - RJ (Rock in Rio)
Rihanna - RJ (Rock in Rio)
Elton John - RJ (Rock in Rio)

24
Primal Scream - SP (Popload Gig)
Stone Sour - RJ (rock in rio)
Snow Patrol - RJ (Rock in Rio)
Red Hot Chili Peppers - RJ (Rock in Rio)
Esperanza Spalding - RJ (Rock in Rio)
Mike Patton/Mondo Cane - RJ (Rock in Rio)

25
Katy Perry - SP
Coheed and Cambria - RJ (Rock in Rio)
Motörhead - RJ (Rock in Rio)
Slipknot - RJ (Rock in Rio)
Metallica - RJ (Rock in Rio)
Tarja Turunen - RJ (Rock in Rio)
The Twelves - RJ (Rock in Rio)

28
Ke$ha - SP

29
Janelle Monáe - RJ (Rock in Rio)
Ke$ha - RJ (Rock in Rio)
Jamiroquai- rj (rock in rio)
Steve Wonder - rj (Rock in Rio)
Afrika Bambaataa - RJ (Rock in Rio)
Joss Stone - RJ (Rock in Rio)
Masters at Work - RJ (Rock in Rio)

30
Lenny Kravitz - RJ (Rock in Rio)
Shakira - RJ (Rock in Rio)

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OUTUBRO

1
System of a Down - SP
Maná - RJ (Rock in Rio)
Jay-Z - RJ (Rock in Rio)
Coldplay - RJ (Rock in Rio)
Jorge Drexler - RJ (Rock in Rio)

2
Evanescence - RJ (Rock in Rio)
System of a Down - RJ (Rock in Rio)
Guns 'n' Roses - RJ (Rock in Rio)
The Growlers - RJ (Rock in Rio)

4
Tears for Fears - Porto Alegre

6
Eric Clapton - Porto Alegre
Tears for Fears - SP

8
Warpaint - SP (Popload Gig)
Tears for Fears - RJ

9
Eric Clapton - RJ
Tears for Fears - BH

10
Eric Clapton - RJ

11
Tears for Fears - Brasília
Bad Religion - Curitiba
Health - Salvador (No Ar Coquetel Molotov)
Guillemots - Salvador (No Ar Coquetel Molotov)

12
Eric Clapton - SP

13
Bad Religion - SP

14
Tears for Fears - SP
Health - Recife (No Ar Coquetel Molotov)
Guillemots - Recife (No Ar Coquetel Molotov)

15
Tears for Fears - Fortaleza

20
Saxon - RJ

21
Cut Copy - SP

22
Saxon - SP

23
Saxon - Curitiba

30
Aerosmith - SP

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NOVEMBRO

4
Pearl Jam - SP
Hanson - Porto Alegre

5
Beady Eye - SP (Planeta Terra)
Broken Social Scene - SP (Planeta Terra)
Goldfrapp - SP (Planeta Terra)
Interpol - SP (Planeta Terra)
Peter Björn and John - SP (Planeta Terra)
Strokes - SP (Planeta Terra)
Toro y Moi - SP (Planeta Terra)
White Lies - SP (Planeta Terra)

6
Pearl Jam - Rio
Hanson - SP

9
Pearl jam - Curitiba

10
Ringo - Porto Alegre

11
Pearl Jam - Porto Alegre

12
Ringo - SP
Black Eyed Peas - Paulínia (SWU)
Snoop Dog - Paulínia (SWU)
Damian Marley - Paulínia (SWU)
Michael Franti & Spearhead - Paulínia (SWU)
James Murphy - Paulínia (SWU)
Frankie Knuckles - Paulínia (SWU)

13
Ringo - SP
Peter Gabriel - Paulínia (SWU)
Chris Cornell - Paulínia (SWU)

14
Faith No More - Paulínia (SWU)
Sonic Youth - Paulínia (SWU)
Megadeth - Paulínia (SWU)
Primus - Paulínia (SWU)
Black Rebel Motorcycle Club - Paulínia (SWU)
311 - Paulínia (SWU)
Down - Paulínia (SWU)

15
Britney Spears - Rio de Janeiro
Ringo - Rio de Janeiro

16
Ringo - BH

18
Britney Spears - SP
Ringo - Brasília

20
Ringo - Recife

27 de jul. de 2011



Para marcar o início das vendas do álbum Concert for Bangladesh no iTunes, o show que originou o disco vai estar disponível na internet do próximo sábado (30) até a segunda-feira (1).

Realizado há exatos 40 anos, em 1971, o Concert for Bangladesh foi organizado por George Harrison e ficou marcado comno um dos pioneiros no formato show de rock beneficente ao arrecadar fundos para os refugiados do país asiático que batiza a apresentação. Além de George, Ringo, Bob Dylan, Eric Clapton, dentre outros, participaram do show.

Vá lá: theconcertforbangladesh.com

25 de jul. de 2011

Esse papo de Clube dos 27 é muito clichê. Para sair do óbvio, apresento o ainda aguardando "processo de mistificação" Clube dos 26, honrosamente "fundado" por um brasileiro.

Noel Rosa, sambista, morto em 1937, cinco meses depois de completar 26



Otis Redding, cantor de soul, morto em 1967, três meses depois de completar 26



Gram Parsons, músico norte-americano de country/rock, morto em 1973, dez meses depois de completar 26



Nick Drake, músico britânico de folk, morto em 1974, cinco meses depois depois de completar 26



Hillel Slovak, guitarrista do Red Hot Chili Peppers, morto em 1988, dois meses depois depois de completar 26

21 de jul. de 2011

Ainda mantendo o assunto do post de ontem, que tratou da obra do designer Alex Steinweiss, o criador da capa de disco, morto no último domingo, aproveito para fazer dois jabás, um pra ele, outro pra mim:

1)O livro "Alex Steinweiss, The Inventor of the Modern Album Cover", faz uma compilação dos trabalhos de Steinweiss, incluindo não só as capas de disco, mas também cartazes que ele produziu para a marinha norte-americana e rótulos para bebidas, dentro outros. À venda na Amazon por U$44. Aqui você pode folhear as primeiras páginas do livro.

2)Sigo firme e forte com o mostratuacapa.tumblr.com, inteiramente dedicado a capas de discos brasileiros. Em última análise, a página é uma consequência da invenção de Steinweiss.

20 de jul. de 2011

Morreu no último domingo, aos 94 anos, segundo informaram hoje (20) seus representantes o designer gráfico norte-americano Alex Steinweiss (à direita). Ele criou a capa de disco nos anos 1930, ao estilizar as embalagens dos LPs, até então papéis pardos monótonos cuja única função era proteger os discos.

Parafrasenado aquele cara que dizem ter ido à Lua, foi um pequeno passo para um homem, mas um grande passo para o mundo da música. Com o vasto universo iconográfico que se constituiu a partir da criação de Steinweiss, a música popular ganharia um forte aliado no seu processo de consolidação como principal produto da indústria cultural, justamente num século em que a imagem se mostrou tão poderosa na comunicação de valores e ideias.

Abaixo, em cinco flashes, um resumo mais que resumido (e bastante pessoal) da história que Steinweiss começou.

Tédio. Antes de Steinweiss, era tudo assim. Alguém consegue decifrar de quem é esse disco?


Singularidade. Quando Steinweiss resolveu levar o design para a música, cada disco ganhou uma capa pra chamar de sua. Acima, primeira capa feita pelo designer, para o disco Smash Song Hits, da dupla Rodgers & Hart, de 1939.


Identificação. Em tempos de domínio do rádio e pré-MTV, era a capa quem apresentava o artista. Roberto Carlos faz pose, em 1964, para seu terceiro álbum, "É proibido fumar".


Referência. Uma certa banda inglesa - sim, aquela -, contribuiu para elevar a capa de disco ao status de ícone ao estampar um disco já revolucionário com uma imagem sem precedentes e largamente copiada nos anos que sucederiam o histórico 1967.


Repercussão. Já estabelecidas como elemento integrante do disco, as capas, não raras as vezes, se sobrepuseram, de uma forma ou de outra, à música que ajudavam a divulgar. Uma das mais recentes polêmicas foi a capa de "My Beautiful Dark Twisted Fantasy", de Kanye West, censurada nos EUA no ano passado.
Beethoven foi-se e deixou composições que se transformariam em hits. As sinfonias nº5, nº7 e nº9 estão aí para provar (e, certamente, vão render posts nesse tema que pretendo transformar em série). Por hoje, resolvi destacar Für Elise, uma velha conhecida, principalmente das meninas. A bagatela é número 1 imbatível nas paradas de sucesso das caixinhas de música.

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