29 de jan de 2013



Mal recuperava-se do affair Jack Endino (que fez uma crítica em seu perfil no Facebook às bandas brasileiras que cantam em inglês), a indielândia que habita as redes sociais se deparou com outra polêmica: o novo single dos Strokes, "One Way Trigger". Não bastasse o falsete agudíssimo de Julian Casablancas, a música tem elementos cuja sonoridade remete aos games de 8 bits, aos anos 80 e ao nosso tecnobrega. Enfim, uma faixa a algumas milhas de distância do universo strokiano - "algumas" porque, lá no fundo, dá pra ouvir aquela guitarrinha que só o Mammond Jr. sabe fazer. O fato é que geral fez cara de quem ouviu e não gostou. E eu fiz cara de quem não entendeu tanto espanto e cara de nojinho. Por quê?

1)Desde o "First Impressions" que o Strokes vem virando um rascunho de si mesmo, com uma faixa boazinha aqui ou acolá, mas nada que se aproxime daquele espasmo garageiro do "Is This It". Ver a banda tomar um novo rumo - ainda que misterioso, é mais confortável que o sacrifício de vê-la tentar fazer algo que já não consegue fazer tão bem quanto antes

2)Julian adora um sonzinho à la 80's e mostrou isso em seu disco solo "Phrazes For The Young". Os primeiros sons que se ouve ao dar o play em "Angles" é algo muito semelhante ao que se ouve na faixa nova.  Enfim, a banda já tinha colocado um pé nesse universo, o que não dá vazão a reações tão surpresas

3)A música nova lembra tecnobrega, lembra Gaby Amarantos (que já prometeu fazer uma versão, à sua moda, alguma música da banda), lembra os mash ups do DJ Cremoso. Sem que antes a banda se pronuncie a respeito, não dá pra saber se isso tudo é uma grande coincidência (afinal, o tecnobrega, como bom filho do Brasil, se alimenta de elementos próprios, mas também daqueles além-mar, que estão à disposição de criadores em outros cantos do mundo) ou se os Strokes estão flertando intencionalmente com o ritmo nacional. Mas essa dinâmica toda é muito mais rica e divertida que o apego à banda. Vamos esperar menos e curtir mais. This is It é ótimo, um discos que mais ouvi na minha adolescência, mas é passado.


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