8 de nov de 2012

Por favor, nada de rixas entre as duas neste momento; o assunto agora é sério

Foi um dos assuntos da semana: o encalhe dos ingressos pros três shows que Lady Gaga fará no Brasil, em SP, no RJ e em POA, a partir de amanhã (9). Segundo informações do jornal O Globo, no Rio, foram vendidos apenas 15% do total de 86 mil ingressos postos à venda. Em São Paulo, aproximadamente metade dos 66 mil foram comprados. Madonna, que também fará três shows no país no mês que vem, exatamente nas mesmas cidades que Gaga, também está passando pelo mesmo perrengue no Rio. Apesar de a produtora que traz os shows para o Brasil, a Time for Fun, ter anunciado meses atrás que já haviam sido vendidos cerca de 100 mil ingressos para os três shows, no Rio esse total não passaria de 15 mil.

Promoções do tipo "pague um e leve dois" e o sorteio de 500 pares de ingresso para servidores da prefeitura do Rio ajudaram a dar força às informações.

Ninguém cravou a razão para as baixas vendas, mas algumas hipóteses foram levantadas: a proximidade com os shows de Madonna (é certo que há uma parte do público que se digladia no nível Fla x Flu, mas há uma outra parcela que se interessa por ambas), o preço alto dos ingressos (no mínimo R$90 e no máximo R$750, com várias faixas de preço intermediárias), somado à famigerada e já maldita taxa de conveniência e o superdimensionamento do público. Ou tudo isso junto. E se for este último o problema?

É interessante notar que não há relatos vindos de fora reportando dificuldade de venda de ingressos para os shows de ambas as cantoras em suas turnês pela Europa e EUA. É interessante notar também que os shows majoritariamente acontecem em arenas, todas com uma capacidade média de público de 20 mil pessoas. Para citar algumas das principais: o Madison Square Garden, Staples Center, MGM Arena (Nova York, Los Angeles e Las Vegas, respectivamente, nos Estados Unidos) e a O2 Arena (em Londres). É importante lembrar também que tem outros artistas gringos que tocam lá fora nas mesmas condições, em arenas, mas chegam aqui e conseguem levar muita gente para o estádio.

Não seria o caso, então, de ir com menos $ede ao pote e não sair agendando show a rodo? Ou então não seria o caso de começar a pensar que espaços semelhantes a arenas gringas começam a ser necessários no Brasil agora que o país está consolidado como destino de shows internacionais e estes eventos deixam de ter cara de novidade/oportunidade-única-na-existência-do-universo?

Em São Paulo, o Anhembi tem capacidade próxima dos 20 mil - resta saber se o espaço se adequa a todo tipo de show, inclusive estes com mega-produção. Fora isso, sobra o santuário que Padre Marcelo acaba de abrir por lá, mas não acho que seria o caso de misturar o sagrado com o profano. RISOS RISOS. No Rio, há o Maracanãzinho mas, além de estar em obras até o ano que vem, não consegue chegar aos 20 mil.

Pesa contra o Brasil a dificuldade de multifuncionalidade de espaços do estilo das arenas gringas, caso eles viessem a ser criados. Lá, elas são usadas para jogos de basquete e hóquei, com garantia certa de público ao longo do ano. E aqui? Como seriam ocupadas para além dos shows? Voltamos então ao Anhembi. Mas e as cidades que não dispõem de nada semelhante? Muitas dúvidas e uma certeza (ou coincidência?): até na hora de influir nos rumos do sistema de realização de shows de grande porte no Brasil, Madonna e Gaga estão no mesmo páreo.

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