28 de abr de 2012


Com identidade musical indissociável de sua geografia natal, a Nação Zumbi levou quinze anos para fazer um registro em áudio e vídeo um show em casa, no Recife. Foram necessários quase mais outros três anos para que o material viesse público, mas a espera, enfim, terminou. Gravado em dezembro de 2009 no Marco Zero, na capital pernambucana, chegou ao mercado em março deste ano o DVD “Ao Vivo No Recife”, motivo de mais uma turnê da banda que passa por BH no próximo sábado (28), às 22h, no Music Hall.

“Recife não tinha os equipamentos necessários, tivemos que trazer algumas coisas de São Paulo. Também precisamos da ajuda da Secretaria de Cultura, da Globo. Muita gente estava envolvida no processo”, diz o baixista da banda, Dengue, justificando a demora do lançamento. Mesmo com os entraves logísticos e técnicos enfrentados durante a gravação – seis das 21 músicas gravadas não puderam ser aproveitadas, o resultado final é satisfatório aos olhos da banda. Ao ar livre e em seu próprio berço, com tomadas aéreas e muito movimento (12 câmeras capturaram as imagens) a gravação resultou em uma performance mais “solar”, em comparação com o primeiro DVD ao vivo da banda, “Propagando”, de 2004. “O outro show foi em São Paulo, era mais escuro, soturno, mais denso. Esse tem uma coisa de Carnaval, o clima de Recife. São duas épocas diferentes”. Ainda que não tenha sido a intenção, o material também tem forte carga histórica, não só pela locação, mas também pelos extras, que trazem um documentário que recupera as origens dos integrantes da banda, no bairro de Peixinhos, em Olinda.

Agora que o DVD saiu da gaveta, a espera se concentra no sucessor de “Fome de Tudo” (2007) e no primeiro registro em disco do Los Sebosos Postizos, projeto paralelo da banda voltado para releituras do repertório de Jorge Ben Jor. Deve levar um tempo, novamente. Além de o foco estar, nos próximos meses, na divulgação do DVD, a ausência de contrato com uma gravadora pode atravancar os projetos. “Fazemos as coisas pagando do próprio bolso. A gente não fica de braço cruzado, não fica reclamando. A gente vai e faz, mas às vezes demora”, afirma Dengue. O material dedicado a Ben Jor já está gravado, mas ainda aguarda masterização e não tem previsão de lançamento. O disco de inéditas, segundo o baixista, deve sair no ano que vem. “Eu acho que esse disco tem muitas revoluções harmônicas, mais que os outros. Tanto na guitarra, no baixo quanto na voz do Jorge (du Peixe, vocalista). É um disco meio cru, na verdade. Não tem papas na língua. É a Nação Zumbi tocando ao vivo”, adianta.

Enquanto as coisas se definem, a internet dá conta de antecipar o que está por vir. Uma prévia do novo trabalho já circula desde o ano passado no YouTube, quando a banda soltou uma leva de vídeos intitulados “Fita Demo”, que revelaram alguns momentos das sessões de gravações. Um vídeo publicado há menos de uma semana no mesmo site também revela takes de estúdio de uma das músicas do novo álbum, sem revelar o nome da composição. A Nação Zumbi também começou a quebrar a curiosidade ao vivo, incluindo uma faixa do futuro disco no repertório do show de divulgação do DVD: “Foi de Amor”, que tem presença garantida no setlist de BH.

Nação Zumbi – Lançamento do DVD “Ao Vivo no Recife”
Sábado (28), às 22h. Music Hall (Avenida do Contorno, 3.239, Santa Efigênia) Ingressos: R$50 (inteira, antecipado) e R$60 (inteira, na bilheteria)

*Reportagem publicada na edição de 21/4 do Jornal Pampulha

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