14 de fev de 2012


Não é lugar-comum dizer que é um sonho antigo da família de Clara Nunes criar um museu para homenagear a artista. Desde 1987, há 25 anos, quando todo o acervo de Clara foi enviado do Rio de Janeiro para os cuidados da família, em Caeta-nópolis (a 100 km de Belo Horizonte), que os parentes buscam recursos para concretizar a ideia. Finalmente a espera dá sinais de ter acabado. Está prevista para agosto deste ano, quando se completam os 70 anos do nascimento da cantora, a inauguração do Memorial Clara Nunes, em sua cidade natal.

Junto com o Centro Cultural Clara Nunes, já em funcionamento, e com o restauro da casa onde Clara viveu na infância, o memorial deve compor uma espécie de “complexo turístico” em torno da cantora. O imóvel, uma casa de 200 metros quadrados doada por Sued Gonçalves, um dos sobrinhos de Clara, já se encontra em obras, orçadas em aproximadamente R$ 250 mil, segundo a família. Os recursos são do governo do Estado, liberados em 2010 por uma emenda da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Dona Mariquita, irmã mais velha de Clara, conta que durante todos esses anos bateu na porta de muitos, mas não conseguiu nada. “Eu acho que a consciência cultural uns 15, 20 anos atrás ainda não era forte como é hoje”, diz, tentando explicar as tentativas frustradas de levar a obra à frente.
Em 2001, um projeto de lei da assembleia legislativa determinando a construção do museu e a captação de verbas para sua viabilização foi aprovado, mas não prosperou. “O projeto praticamente caducou. Foram três anos e não conseguimos os recursos. Acho que foi por causa do custo total, de R$ 400 mil. Não houve interesse imediato das empresas”, comenta Márcio Guima, sobrinho de Clara.

O acervo que deve vir a público este ano é constituído por aproximadamente 8.000 itens. São fotografias, adereços, imagens religiosas, documentos pessoais, partituras de músicas, figurinos de shows, fantasias da Portela e troféus. Dada a grande quantidade de peças, os futuros visitantes não verão todo o material de uma só vez, antecipa a historiadora Sílvia Brugger, da Universidade Federal de São João Del Rei, responsável pela catalogação e preservação do acervo. “Como o acervo é muito rico, a ideia é que a gente possa ciclicamente ir refazendo a exposição. É interessante pra quem vai visitar porque tem sempre algo novo pra ver. Do ponto de vista da preservação, o objeto pode ser guardado, higienizado e ganha uma sobrevida”.

Festival
A prefeitura de Caetanó-polis trabalha para que a inauguração do memorial ocorra durante o Festival Clara Nunes, evento dedicado à música realizado na cidade em agosto, desde 2006. Outra promessa para o festival é a abertura para visitação da casa onde Clara nasceu. Doada ao município no fim do ano passado, ela será restaurada e mobiliada com móveis e objetos do período em que a cantora a habitou, entre os anos 1940 e 1960. Paulinho da Viola e Alcione são alguns dos nomes sondados para a edição deste ano. A Velha Guarda da Portela, sempre presente no festival, e amigos pessoais de Clara, também devem ser convidados para a inauguração.

*Reportagem publicada na edição do dia 11/02/2012 do Jornal Pampulha

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