17 de mar de 2011

Maria Bethânia, como muitos que circulam por essa terra sem lei chamada internet devem saber, apresentou projeto ao Ministério da Cultura para criação de um blog ao custo de R$1,3 milhão. A ideia é postar, diariamente, vídeos nos quais ela declama poesias. Em tempos de Blogger, Wordpress e Tumblr, muita gente chiou. Por que todo esse montante é necessário se tanta gente posta faz blogs e vídeos de graça, a torto e a direito?

Obviamente, houve também quem defendesse a ideia e tentasse pôr freios nas críticas. De fato, como alguns defensores do projeto argumentaram, o Ministério da Cultura não repassou este valor à equipe do projeto, apenas autorizou que a quantia fosse captada junto a empresas (que teriam o valor dedudzido do imposto de renda). Nesse sentido, não há garantia de que se obtenha o dinheiro, principalmente depois do furdunço gerado pelo projeto - imagino que muitas empresas hesitariam em associar seu nome ao controverso blog.

Mas, e se os R$1,3 milhão previstos forem captados? Seguindo à risca o que consta no relatório do projeto, chegamos ao X da questão (ao meu ver):

1) R$600 mil seriam pagos ao diretor artístico (Bethânia, conforme especificado em trecho do relatório)
2) R$120 mil seriam pagos ao coordenador do projeto
3) R$120 mil seriam pagos ao coordenador editorial

Desconsiderando a dificuldade de diferenciar essas três funções, que se sobrepõem umas as outras, R$840 mil, o equivalente a 64%, iriam direto para o bolso de três pessoas. Ou, em outras palavras, mais da metade do dinheiro não seria usada para a execução direta do blog.

Alguém pode pensar: "mas ninguém trabalha de graça, certo?". Certo, mas a essa altura do campeonato os envolvidos no projeto (Bethânia, Andrucha, Hermano Vianna) já têm suas carreiras consolidadas, respeitadas, reconhecidas e são muito bem remunerados pelo que fazem. Não dependem do blog como fonte primária de renda. Ponto.

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