10 de dez de 2010


As celebrações atravessaram o ano, mas é exatamente amanhã (11) que se completa o centenário de Noel Rosa. Para comemorar, resgato uma matéria feita lááááá no Carnaval que liga os pontos entre Noel e Minas.

Feitiço mineiro no samba de Noel
Morador de Vila Isabel, parceiro de sambistas dos morros, frequentador dos cabarés da Lapa... Noel Rosa, considerado um dos maiores compositores da música brasileira e um dos responsáveis pela modernização do samba, foi o que se chamaria hoje de "carioca da gema".
Mas, quem diria, parte de suas raízes eram mineiras. As avós e os pais do compositor nasceram em Leopoldina, na Zona da Mata. O avô materno também é de Minas, ainda que não se saiba a cidade exata em que nasceu. "Ele tinha muito sangue mineiro", revela o pesquisador Carlos Didier, co-autor de "Noel Rosa - Uma Biografia".
Muito mais que o sangue, Noel herdou da parte mineira da família o talento, segundo Didier. "A musicalidade de Noel vem de Minas, de sua avó materna Rita de Cássia, pianista e mãe de Carmem, tia de Noel, que era dona de ouvido absoluto", afirma.
O destino cuidou que Noel nascesse carioca, quando o avô paterno decidiu levar parte da família para o Rio de Janeiro, sua cidade natal, mas também promoveu o reencontro do sambista com suas origens mineiras no fim de sua vida.
Em 1935, depois de ser diagnosticado com tuberculose, Noel passou uma temporada em Belo Horizonte, considerada à época um dos melhores locais para a reabilitação dos portadores da doença, por causa de seu ar puro.
Durante quatro meses, ele se hospedou na casa dos tios Carmem e Mário, na rua São Manoel, na Floresta.
Longe do Rio, Noel tratou de reproduzir por aqui a vida que levava em Vila Isabel. "Ele participou de programas da rádio Mineira, que ficava na esquina da rua da Bahia com a avenida Augusto de Lima", conta o professor da UFMG Fábio Martins, que coordenou a produção de um vídeo sobre a passagem do compositor pela cidade.
Foi na extinta emissora que Noel cultivou no breve período que esteve por aqui um círculo de amigos com quem pôde manter seus hábitos boêmios. Um deles foi o diretor da rádio, José Vaz, já falecido.
Colega do radialista, o compositor Gervásio Horta recorda os relatos do companheiro sobre a estada de Noel na cidade. "Ele dizia que Noel não se tratava coisa nenhuma. Ficava bebendo, na boemia".
O diretor artístico da emissora, Roberto Ceschiatti, também já falecido, foi outro parceiro das noitadas de Noel. "Eles gostavam de tocar violão até tarde da noite no viaduto Santa Tereza", conta Andréa Ceschiati, filha de Roberto.
Compositor fértil - foram mais de 200 composições nos seus 26 anos de vida -, Noel escreveu algumas de suas canções aqui: "Cansei de Pedir", "Uatchf", marchinha inscrita em um concurso promovido na cidade que alcançou o quinto lugar, e "Yolanda", que nasceu de uma serenata dedicada à pretendente de um amigo que o compositor participou, em frente à igreja da Boa Viagem.
Ele também improvisou uma homenagem à cidade, parodiando a letra de "Looking Over a Four Leaf Clover": "Belo Horizonte, deixe que eu conte, bom mesmo é estar aqui". Bondade de Noel. Segundo relata a biografia do músico, em uma conversa com o tio aqui na cidade, ele disse que preferia viver um ano no Rio a dez anos na capital mineira.
O biógrafo Didier garante que a confissão não tem "nada a ver com qualquer bronca em relação a BH", mas é compreensível. A despeito do sangue mineiro, a alma de Noel era mesmo carioca.
Belo Horizonte
Noel Rosa, 1935

Deixa que eu conte
O que há de melhor pra mim
Não é o bordão
deste meu violão
Nem é a prima que eu firo assim
Não é a cachaça
Nem a fumaça
Que no meu
cigarro vi
Belo Horizonte
Deixa que eu conte
Bom mesmo é estar aqui...
Leia mais aqui.

Mais Noel
Em sua sexta edição, o Prêmio Bravo! Bradesco Prime de Cultura homenageou Noel Rosa durante a cerimônia e na categoria recém-criada, de Arte Digital. Videomakers que quisessem concorrrer ao prêmio desta categoria tiveram que criar vídeos cujo tema era o sambista. O vencendor foi o mineiro Leandro Araújo, abaixo. Os outros vídeos estão aqui.

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