18 de nov de 2010


Domingo (21) é dia de Paul McCartney em São Paulo, mas também é dia de Phoenix em BH, às 20h, no Chevrolet Hall. Vale lembrar, é em uma posição muito diferente que o Phoenix faz sua segunda passagem pelo Brasil. Quando veio ao país em 2007 para o festival de tendências Nokia Trends, em São Paulo, a banda era "o grupo do marido de Sophia Coppola" (o vocalista Thomas Mars é casado com a cineasta), referência que só não servia para os "iniciados" na cena alternativa. Três anos depois, o show da banda é anunciado no horário nobre da TV, as FMs tocam suas músicas e fãs disputam ingressos em sorteios na internet. Para quem é fã da banda francesa, segue uma pequena entrevista que fiz com o baixista, Deck D'Arcy, na semana passada, por telefone.

Vocês estão no seu quinto álbum, fazendo turnês pelo mundo e tocando em grandes festivais, como o Coachella. Qual a razão para este sucesso mais abrangente somente agora?
Não fazemos a menor ideia e também não queremos tentar explicar as razões desse sucesso. Fizemos este álbum da mesma maneira que fizemos os anteriores, da maneira que queríamos e, quando terminamos, sentimos que tínhamos feito um bom disco. Não estamos tão entusiasmados, estamos mais ou menos assim: “ok, legal, mas não importa”. Aconteceu de ser o nosso disco mais bem sucedido e acho que desta vez também estivemos mais próximos dos fãs, mas não nos importamos com as razões disso.

Muitas rádios aqui em Belo Horizonte começaram a tocar com frequência “Everything is Everything”, que é uma música do disco que vocês lançaram em 2004. O que acha disso?
Legal! Tentamos fazer músicas que não carreguem a marca do tempo, então é uma honra saber disso.

O que estão preparando para o setlist aqui no Brasil?

Nós tocamos muitas das músicas novas porque elas foram pensadas para serem tocadas ao vivo mais do que as dos outros discos, mas sempre brigamos para decidir o set, então não posso te dizer agora como vai ser o repertório. É sempre diferente, cada show é um set diferente.

Música de graça na internet é uma questão que ainda divide os músicos, e recentemente vocês disponibilizaram na íntegra o último álbum da banda na internet para que os fãs fizessem remixes das faixas que eles quisessem. Como a banda lida com esses dilemas da internet?
Fomos muito mais generosos com este disco e os fãs estão nos dando o retorno, isso é muito bom. Nós liberamos uma música de graça na internet, “1901”. Fizemos isso sem nenhuma contrapartida, só mesmo para que as pessoas ouvissem e conhecessem a música e, surpreendentemente, virou uma coisa grande na internet. Percebemos então que era bom sermos generosos e liberamos todas as faixas do disco, mas não temos mais nenhuma estratégia a esse respeito. Só sentimos que, quando você curte uma banda, você gostaria de ter as músicas dela, então fizemos isso com bastante generosidade. Sentimos bem em estarmos nessa posição.

“Lisztomania” faz referência à histeria dos fãs de Franz Liszt, o pianista polonês, e é também o nome de um dos singles mais bem sucedidos do Phoenix este ano e que recebeu homenagens de fãs na internet, que fizeram vídeos mesclando imagens de suas cidades com a música. Não é um pouco curioso isso?
É ótimo, nós adoramos. Nós fizemos contato com a menina que fez o primeiro vídeo. Ela tem 15 anos e é americana. Nós a conhecemos no show que fizemos em Boston, onde ela mora. É um ótimo vídeo.

Vocês viram um vídeo semelhante que fãs do Rio de Janeiro fizeram?

Não, não vi, mas vou procurar. O que eu tenho que digitar no YouTube para encontrar esse vídeo?

“Mash up”, “Lisztomania” e “Rio de Janeiro”. Você encontrar com facilidade.
Ok, vou procurar assim que terminarmos a entrevista.

O Phoenix ganhou o Grammy de Melhor Disco Alternativo este ano. Você acha que isso provocou alguma mudança na banda?
(Pensa um pouco) Espero que não.

Por que não?
Espero que não tenha mudado nada. É um pouco difícil falar disso porque ainda é muito recente, ainda nem compusemos músicas novas. Estamos muito felizes de ter ganho esse Grammy, mas tentamos não pensar muito nisso. Nós nem guardamos as estatuetas em casa, nós demos para os nossos pais. É muito bom ter esse prêmio, mas parece que você chegou a um certo nível de genialidade e nós não queremos ser gênios. Só queremos continuar fazendo música do mesmo jeito que fazíamos antes.

Como foi a última vez de vocês aqui no Brasil?
Foi frustrante da última vez que estivemos aí porque fomos para São Paulo e só ficamos um dia, não vimos nada. Só fizemos o show e fomos embora. Desta vez, vamos ficar um pouco mais. Mas o show foi legal, o público era realmente bom e estamos felizes de voltar. Queríamos tocar na América do Sul, e especialmente no Brasil, há um bom tempo.

Você acha que desta vez vão tocar numa condição diferente?
Eu espero. É sempre diferente e espero que realmente seja, no bom sentido.

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